quinta-feira, 31 de julho de 2008

Por trás da caixa alta

Sinceramente, não sei qual é a estranha ligação da humanidade com o desejo incansável (e incompreensível) de escrever determinadas palavras em caixa alta (ou com a primeira letra em maiúscula, traduzindo para quem não faz parte do mundo do jornalismo).

Aprendi logo nos primeiros anos de alfabetização a hora certa de escrever um ‘A’ assim ou um ‘a’ assim. A professora, não lembro bem se era a Valdívia (sim, eu tive uma professora com o nome de Valdívia) ou a Márcia, disse mais ou menos assim: “As letras grandes, as maiúsculas, a gente escreve para nomes próprios ou no início de frases. As menores a gente usa... no resto”.

Simples assim, não? Humm, nem tanto. Pensei que havia incorporado uma das regras mais simples da língua portuguesa, mas observando mais atentamente alguns anos depois, percebi que... bom, tem muita gente que simplesmente esquece essa regrinha bem simples.

E olha que eu nem estou falando da crase, que foi uma das coisas que eu mais demorei pra aprender no português. Mas com 13 anos, quando de fato saquei como usar o acento grave corretamente, tive a sensação de que estava tendo acesso a algo como o terceiro segredo de Fátima.

Besteiras à parte, toda essa minha paranóia com a caixa alta começou uns quatro anos atrás, quando passei a ter dúvidas sobre como escrever um título de livro ou música. Por mais que o nome inteiro do livro seja considerado próprio, como escrever nomes compostos?

Pegando exemplos práticos. Tudo bem escrever aquela do Tianastácia, Conto de Fraldas. Mas e quanto a Eu Não Matei Joana D’Arc, do Camisa de Vênus? Poxa, escrever títulos longos com caixa alta dá a sensação de você estar em uma montanha russa, não? Mas... e escrever apenas a primeira letra da primeira em caixa alta, e o resto em caixa baixa? Conto de fraldas? Ok, mas... e quanto a Eu não matei joana d’arc? Mas neste caso Joana D’Arc não seria caixa alta?

Essa minha piração acabou mais ou menos quando aprendi que poderia usar também o itálico ou, então, as aspas. Muito melhor representar Eu nasci há dez mil anos atrás (sic), do Raulzito, e Cabrobró, do Tianastácia. Simples, né? E ainda mostra que é um título.

Só que passei a ficar encanado quando comecei a trabalhar e a receber alguns releases. Ficava meio encucado quando via palavras como brasileiro, tênis, futebol, basquete, beisebol, etc., etc. e etc. em caixa alta bem no meio da frase. Por que, cara-pálida? Tudo bem querer destacar algumas coisas, mas... se quer destacar, estoure a caixa alta. TIPO ASSIM, sacou?

Mas foi ontem, tomando um chope no Boteco Brasil (Alameda Santos com Bela Cintra), que algo ainda mais engraçado me chamou a atenção. No cardápio, estava escrito assim: "Não servimos Chopp sem colarinho. O colarinho faz parte do Chopp". Mais abaixo, outra: "Sem colarinho, temos Cerveja". Engraçado, né? Não só pela aula de degustação chopeira e cervejeira, mas também pelo destaque às bebidas.

Caixa alta em tipos de bebidas eu vi também há pouco tempo, recapitulando alguns passos para fazer chimarrão. No site, a bebida gaúcha era sempre grafada em caixa alta.

Antes achava que era apenas no português que via coisas assim. Durante meus dez dias em Buenos Aires, um dos exemplos que mais me chamou a atenção foi o anúncio de empanadas na porta da confeitaria onde eu comprava os deliciosos pasteizinhos portenhos: “Aquí, Empanadas caseiras ruquísimas”. Tá certo que as empanadas eram deliciosas, mas... não mereciam caixa alta, vai.

Seja lá como for, em português ou espanhol, deve ser impossível padronizar. Agora, em inglês, eu nunca entendi por que diabos o pronome pessoal da primeira pessoa do singular (vulgo eu, ou I para os gringos) é sempre grafado em caixa alta.

4 comentários:

Fábio disse...

Pô, eu sempre usei caixa alta na primeira letra depois de reticências... Tá errado?

Se tiver, putz!, agora é tarde... Já me acostumei, hehehehe!

Mas de crase sempre fui muito bom. E também me irrita o uso de caixa alta em modalidades ou em nacionalidades, como você disse.

Sobre Pequim: torce por mim aí, cara! Também não sei como vou agüentar os dois dias no avião, para falar a verdade. E vamos tirar o chope do papel, sim! Se bem que eu não bebo porra nenhuma, mas acompanho os amigos. :)

Fábio disse...

Fiquei tão encucado que fiz uma consultoria com o padrão Celso Unzelte de qualidade.

Segundo ele, quando a frase depois das reticências tiver "cara de começo de período" devemos começar com caixa alta.

Quando for uma mera continuação do raciocínio anterior, tipo uma vírgula (como você bem usa), é para começar com caixa baixa.

E eu confesso que sempre achei que era tudo caixa alta. Humpf!

:P

Tiffany disse...

O potuguês é muito complexo, mas tem o básico que, pelo menos eu acho, todos deveriam saber x)

Gostei muito do seu blog, posso te adicionar nos meus links?

Boninha disse...

Lembrei de alguém que pensava Ter que escrever certas palavras em maiúsculas...

Capice, Chico?