sexta-feira, 30 de junho de 2006

Le jour de gloire est arrivé

19 dias de overdose de Copa do Mundo... e agora bate a abstinência. Pelo menos aquilo me acalmava os ânimos [é verdade]. Agora tudo vai voltando ao normal e outra coisa boa assim, só daqui quatro anos. Mas nem tanto assim. Se eu descolar um trampo até lá (o que TEM que acontecer), dificilmente me liberariam pra assistir a um Alemanha x Argentina. Ou Portugal x Holanda e muito menos Togo x Coréia do Sul [acredite, eu vi]

E só um dia perdido, um dia extremamente inútil me traz aqui. Porque aqui é onde eu renovo a alma, onde eu maldigo o mundo inteiro e crio um tantinho de esperança. E é aqui que eu mantenho meus dogmas, minhas ideologias furadas e toda a palhaçada que eu invento. Um dia sem isso aqui e volto ao dilema Caufieldiano. Estabelecer regras para si mesmo e aí, num ato, desobedecer-lhes todas. É, às vezes isso acontece.

Não, nada a ver com a monossilábica por opção. E nem com aquela que me fazia uma série de favores em me responder mensagens. Só a ver com aquele lance de "Amizades. Amizades perdidas". O que se viu, porém, foi que são perdidas. Definitivamente. Não que isso me tenha tocado, pelo contrário. Que se foda, também.

Terá o mesmo rumo que eu: nenhum. Lapsos de memória, as 500 personalidades. Um dia ainda vou reler tudo o que eu escrevi aqui. Não vou lembrar da maioria [nada de grande, esmagadora ou sei-lá-o-que maioria], é fato. Outra parte gigante eu vou achar imbecil e ter vontade de apagar. E talvez eu ache alguma coisa que pareça genial. Mas em tempos assim, nem aquele título que misturava a legenda do álbum dela com outra coisa que me alegrava me interessa. Nada.

Quanto às aventuras automotoras, seria precipitado xingar o mundo, o Henry Ford e o imbecil do instrutor. Mas não tarda.

[E a criatividade do título deste post ridículo foi pro saco]

terça-feira, 27 de junho de 2006

E esse é só o comeeeeço...

Por que a porra da inspiração só vem acompanhada da decepção, da raiva, do arrependimento, do que deu errado... ? Quer merda! Por isso que o verso Raulzitano se me encaixa perfeitamente. O chato que fica no apartamento, que não vê graça nos macacos, nos tobogãs e nem nas pipocas.

E se tem um dia legal pra cair no esquecimento, esse dia foi hoje. Nada de mais, nenhuma catástrofe e tal, só foi um dia chato, não gostei. Poderia ter sido muito melhor, muito melhor aproveitado e muito melhor utilizado. Só que eu nunca me dei bem com o tal do Carpe Diem. Por mais que eu tente, não rola. É a porra da nostalgia.

Começou quando no acordar. A droga do celular apitava que nem um arrombado e não me deixava mais dormir (tá, eu sei que tinha programado o bichinho pra me acordar. Mas foi o que eu pensei logo na hora: ah, isso não é vida! Tudo bem que eu tava meio grogue, ninguém acorda apto a dizer as coisas mais inteligentes logo às 7h...). A chuva que começou a cair parecia tão animadora às 8h que eu comecei a me sentir bem. Só que ela não parar - e aumentar - quando eu saí de casa não foi muito lá que interessante.

Ônibus. Chuva. São Paulo. Tudo isso pode ser substituído por trânsito. E que também quer dizer bosta. Pelo menos deu pra chegar lá no Detran a tempo. E deu pra perceber o quanto as pessoas são ignorantes ou não sabem dar uma explicação.

Exame teórico? Ah, primeira escada ao lado. Foi até o final do corredor e nada de escadas. Só um monte de elevador e algumas portas. Um elevador tava aberto, mas como era no segundo andar a droga do exame, preferi só olhar pra ascensorista e procurar os degraus. Como não achei, voltei pro saguão principal. O elevador tava pra sair, então optei por evitar a fadiga. "ESTE ELEVADOR SERVE TODOS OS ANDARES", informava a plaqueta logo acima da cabeça da apertadora de botões.

Todo mundo entrava, falava o andar desejado carrancudamente e fechavam mais ainda a cara. Eu entrei, olhei pra nobilíssima trbalhadora e sibilei Bom dia. Segundo andar, por favor. Ela simplesmente olhou pra minha cara e disse (mais carrancuda do que todos os engravatados que lá estavam) Primeira escada ao lado, o elevador não pára no segundo andar. Nem me emputeci, tudo bem. Discutir pra quê? Mas então não diga que a merda do elevador vai pra todos os andares se não vai!

Acabei achando as escadas. Ela ficava, sei lá, escondida. Tinha-se que passar por uma porta, não entendi direito. Outra falha de comunicação. Se me tivessem dito "primeira porta à direita, a escada que lá fica escondida", não teria problema algum. Ah, bando de idiotas!

Chegando lá, a fila de todos os que iam fazer a prova teórica. Entrei no final e esperei. Peguei meu RG, meu comprovante e o CAM (porque inventaram que eu tenho cara de pivete na Cédula de Identidade). Ao chegar a minha vez, o imbecil que tentava amedrontar todo mundo. Logo que olhei pra cara dele, não fui com a cara. Ele era daqueles que têm olhar de imbecil. Respiram como imbecil e tal. E isso se comprovou com a primeira fala dele:

- Você é rabino? - com um quê desdenhoso
- Não, só não gosto de fazer a barba - e aquele sorriso amarelo
- Ah, olha! - pra mulher que estava atrás de mim -, ele não gosta de fazer a barba! Por quê?
- Sei lá, só não gosto.
- Ah, mas você não é rabino?
- Não.
- Então assina seu nome aqui na lista.

Fui pegar a caneta na minha mochila. Peguei - estava todo atrapalhado com um monte de coisas na mão - e, enquanto guardava no bolso os papéis, empunhava a caneta com a ponta voltada pra mim.

- Ah, olha que atenção! Quer escrever com a caneta ao contrário!

Assinei.

- Você parece rabino, sabia?

E olha que eu nem falei nada da mãe dele, aquela danada!




Depois eu descobri que passei na droga do exame (novidade?). A minha vontade era ir lá no Detran de novo e mandar o imbecil enfiar as gracinhas no olho do cu. Só que acabei ficando na minha cama, tava mais agradável. Só saí pra marcar as aulas de volante (finalmente. Não que eu estivesse esperando, contando os minutos pra dirigir. Por mim, tanto faz).

Depois da insossa disputa de pênaltis entre Suíça e Ucrânia, fui pra aula. Só pra entregar trabalho, assinar a ata e tal. Ia fazer tudo ao mesmo tempo e me mandar, mas o imbecil do professor da primeira aula inventou de dar aula. Vai entender.

Pelo menos a aula acabou e o truco começou. Com muito pouca sorte, já tava 8 a 5 quando me falaram que... que ela tinha ido. Senti aquela coisa esquisita que desde os 12 anos eu sinto quando vejo o principal objeto da minha imaginação. Mas acabei me controlando, mantive a postura do post passado e fiquei na minha. Só quando passei por ela que pensei em falar um oi e tal. Só falei o oi e saí da sala. Assinei a lista maluca e estava pronto pra voltar pra casa.

Fiquei meio em dúvida. Ela estava lá no corredor - mesmo que com as amigas - e tal. Poderia ficar, arriscar um assunto e, sei lá. Fiquei nesse impasse, mas acabei indo pro elevador. Eu e outro amigo meu que desencanara da aula.

Na descida, ouvi sobre suas aventuras entorpecidas. Dele e daquele meu companheiro de barraca. Ele tinha pegado outra, o que só confirmou a confimadíssima tese de que amor de Registro não é registrado por aqui. E daí? Ele foi pra um lado, eu fui pro outro. Queria matar as saudades da Bud. A Budweiser. E fiquei sabendo que logo na esquina da faculdade tinha um bar que vendia. Não só a estadunidense, mas japonesas, belgas, holandesas, alemãs, israelense... uma maravilha!

Cheguei lá e nem tinha. Pra não perder viagem, perguntei quais as de pescoço longo que ele tinha. Tinha uma tal de Eisenbahn. Perguntei quanto que era e mesmo eu estando de óculos, calça jeans e blusa de gola alta - como um perfeito almofadinhas - o imbecil do balconista foi desdenhoso. Ah, a mais barata é cinco e cinqüenta. Preferi não discutir, aceitei, paguei, peguei, virei as costas e estava pronto pra degustar a cerveja alemã que eu tinha comprado.

Boa, boa. Deliciosa. Ah, é a tradição alemã, né? Acabei voltando pra frente da faculdade pra tomar a deliciosa importada. Sentei em um degrau, tinha a esperança de que ela poderia estar só de passagem na Comunicação e ir rápido pra casa. Então esperei. Esperei e degustei. Degustei e li o rótulo: a cerveja de Blumenau. Ah, que imbecil eu sou! Só porque tinha um nome mais esquisito, pensei que a droga era alemã. Pff... Nacional. Mas não que isso tirasse sua qualidade, pelo contrário. Mas só provou que eu sou um perfeito imbecil.

Pensei em voltar pra aula, mas o pequeno general falaria um monte, então fiquei vendo o movimento da avenida. Impulsivamente, fiz o que queria e repudiava. Pela primeira vez, mas fiz. Ah, que se dane! Logo mais essa bosta vai pro lixo, mesmo (seja o usuário ou o usado)!

Ela não apareceria. Não mesmo. Então eu decidi ir ver um filme, sei lá. Ocupar a minha cabeça com algo mais construtivo. Fui e fiquei completamente surpreso com a bilheteira da bilheteria. Tinha esquecido minha carteirinha de 66% de desconto, então pagaria a meia-entrada. Mas ela viu a minha carteirinha dos 50%, leu e falou que eu tinha direito aos 66% porque era aprendiz do antenão. Tudo bem! =)

Aí eu fui ver Caché. Ou Cachê. Ou Cáche. Cache, Cachè... sei lá. Eu queria ocupar a minha cabeça com um filme, mas não com um quebra-cabeças! O filme é demais, prende a atenção durante o tempo todo, mesmo tendo o estilo paradão do cinema francês. Mas é muito complexo e é você quem faz o final. Talvez nem tenha final, a meta é mostrar as ações pessoas e interpessoais em situações como aquela. Interessante.

Quase meia-noite, voltei pra casa. Eu e meu Manual, minha leitura. Mesmo compenetrado no livro, acabei tirando algumas idéias de toda essa palhaçada: sou anacrônico. Anacrônico pra caralho!

Porque as minhas análises são sempre superficiais. Porque o meu ideal de felicidade é a infância. Porque eu sinto as mesmas coisas que sentia aos 12 em situações como aquela. Porque eu me escondo atrás de uma barba. Porque eu me sinto mais sozinho num metrô lotado do que vendo um desenho animado. Porque eu não cresci. Porque eu devo escrever as mesmas coisas que eu escreveria aos 14. Porque não sei palavras complicadas como tanger, inerente, talassofobia ou gasganete. Porque eu rio das mesmas coisas de que eu riria aos 11. E porque eu sou o único ser da face da Terra que acredita que escrever é como Matemática, ou Física. E que não acha isso complicado e nunca pegou uma recuperação (Artes não vale).

É, sou anacrônico. E queria voltar uns 8 anos no tempo. Queria ter vontade de pendurar duas bandeiras em cada janela da casa antes de um jogo da Copa do Mundo.

Quem sabe um dia?
Ah, não. Não mesmo.

Não volta mais.
E ponto.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Às armas, às armas... Contra os canhões, marchar. Marchar!

É tão fácil falar, né?

É, fácil mesmo. Muito. Mas sei lá, sabe!? A vontade para fazê-lo não me falta, mas há muitas coisas que me impedem de ter vontade, disposição e fôlego. É, muitas. Inclusive o fato de não estar inspirado para escrever.

Tudo isso acontece por causa de algumas coisas que se lê por aí. Ou por causa de um acordar cedo para fazer uma merda de prova que tá há meses atrasada. Só que a prova é o de menos, claro. Sei que vou dormir tarde, não vou acordar a tempo, vou perder a prova... e em meio a tantos vous, vou tomar no cu. O que mais me deixou puto, sei lá, a gente quebra a cabeça para escrever algo mais embelezado e o pouco caso que fazem é absurdo [não se trata do lance de ontem].

Já que você quer saber, eu respondo. Mas nem tenho certeza se vou aparecer por lá ou não.
Em outras palavras: "sou muito, mas muito educada e vou responder (afinal, estou há três dias atrasada). Se me der na telha eu vou. Se me der na telha e eu não tiver nada mais interessante pra fazer, como, por exemplo, ficar deitada na minha cama estudando sobre alguma palhaçada ridícula que sirva de álibi."

Ah, se foder! Parece até que está a fazer um favor. Tanto em me reponder como em passar por lá. Pois não passe! Também vou ter muito mais o que fazer, como, por exemplo, debater sobre um livro que eu não li. Ou até tomar sozinho um café amargo e sem gosto em uma praça de alimentação apinhada de gente. Pois vai ser muito mais legal, se quer saber. Muito, muito. MUITO! Pelo menos não vou ter que me fazer de imbecil e fazer piadas sobre a droga da minha aventura desaventurada. Ou nem vou ficar com a mão no bolso, tímido e a ver carros passarem na principal avenida da América Latina porque tem alguém com um papo mais legal do que o meu (o que não é muito difícil e nem requer um pingo de esforço).

Se fosse pra responder uma merda daquelas, não responde! Só porque eu escrevo coisas imbecis não quer dizer que eu seja um completo. Só quer dizer que eu sinto coisas imbecis. Ou tenho uma imaginação que produz pensamentos imbecis e me dão uma esperança mais imbecil ainda. Tão imbecil quanto a resposta. Mas menos imbecil do que a responsável pela resposta.

Se te interessar, passe lá. A calçada é pública, cacete! E se não quiser, não passe. Não me fará falta nenhuma. Não, não fará. Posso viver tão bem só com a minha imaginação...



Agora a outra resposta do dia. Não foi nada de mais, eu previa. E nem me surpreendeu do jeito que veio, afinal fica no ar aquela sensação de "pô, vai ficar chato se eu não responder na mesma moeda". Tá bem, isso é passível de todo ser humano. O legal foi que ela também lembrou. E que ela lembra. E o mais legal foi que ela se lembrou de mais coisas de que eu não falei. E as tais coisas eram os principais indicadores de que as nossas trocas de olhares me faziam feliz. As inscrições, os sorrisos... Ah, na hora foi tão... tão bom! Mas, com certeza, não querem representar nada.

Por fim, a emoção. A principal emoção, sei lá, do ano. Pode parecer tão imbecil [vai parecer tão imbecil (é tão imbecil!)], mas o jogo de hoje foi demais. Igual àquele tempo de felicidade incondicional e pueril, a melhor de todas que existem. Porque, em 99, o meu isolamento era com alguém tão isolado quanto a mim. Porque, naquela época, eu não me reclusava nas profundezas do meu quarto. Porque, há 7 anos, eu não tinha a vontade de passar correndo pela sala. Porque, 7 anos atrás, eu tinha os sonhos mais legais, mais impossíveis e mais possíveis. Porque meu ideal de felicidade era outro. Porque eu era um vencedor.

Mesmo fugindo do assunto, o jogo de Portugal foi uma maravilha. Aquele sentimento de torcedor que só o Felipão consegue passar. Mesmo não sendo um jogo de técnica nenhuma, dá vontade de ver o jogo. E dá a vontade de que o jogo tenha, sei lá, 1800 minutos. E, ao mesmo tempo, dá a vontade de que o jogo termine em 10 segundos para que o sufoco passe.

Ah, o futebol!

domingo, 25 de junho de 2006

Pré-fabricado

Definitivamente, preciso sair com um gravador, um papel e uma caneta ou qualquer coisa em que se possa registrar minhas pirações momentâneas. Eram tão fenomenais que eu acabei esquecendo! Pensei em tanta, mas tanta coisa que agora não lembro de nenhuma. Tudo bem, sou adepto da arte do improviso.

O problema é que eu não sabia sobre o que seria o meu sermão de hoje. Pensei em me arrepender novamente (e cada dia mais, incrivelmente desagradável), só que não achei muito interessante. Poderia fazer mil críticas sobre a minha fé pela Suécia, mas tenho outro espaço, outro heterônimo futebolístico. Talvez relembrar, sei lá, amizades frustradas. Era sobre isso que eu iria falar... só que as coisas mudam com o passar de algumas horas e a gente se vê obrigado a mudar.

[Esse texto vai ser adversativo pra cacete, então vou ficar repetindo os mas da vida e nem vou dar importância pra contudo, entretanto, embora, apesar de, só que...]

Amizades. Amizades perdidas. E pensar que, em tempos, cheguei até a achar que sem tais amizades não sobreviveria. Que o consolo - virtual ou ao vivo - era fantástico, a oportunidade de desabafos era fenomenal. Que os abraços eram os mais quentes e os que mais me confortavam. E agora as duas principais amizades se foram. Elas nem sabem que se foram; se amanhã eu chegar e mandar um scrap - ou o raio que seja - pra algum desses fantasmas do passado, vou ler uma resposta de alguém que morre de saudades, que precisa de mim e que QUER marcar alguma saída, sei lá. Ah, nem é! Se quisessem mesmo, já teriam vindo me procurar. E eu nem preciso correr atrás, quer dizer... Se eu tô aqui até agora sem tais amizades, bom... elas eram legais, mas não fundamentais. Paciência. Deixa pra lá...

Mas o que mais me tocou, sei lá... Aproveitando a trilha sonora que rolava no lugar, foi aquela pessoa por quem eu, com toda a certeza, trocaria a minha televisão (mesmo em época de Copa do Mundo! Sério mesmo!) por um jeito de levá-la. Mesmo que já tenha mais de um ano que tudo aconteceu, até hoje eu passo pela rua dela a dou uma espiadela pra ver se ela não está por lá. Mesmo que eu ficasse completamente nostálgico quando via ela (a via é muito gay) casualmente (e já faz alguns meses que isso não acontece), era demasiadamente bom pra mim. Mesmo que teivesse dado errado, as nossas trocas de olhares ainda me faziam feliz. Mesmo que a gente nem se fale mais, eu ainda fico na esperança de encontrá-la, assim, como quem não quer nada, no Metrô. Tanto é que entro pela mesma porta por que ela costumava sair. E tantas outras coisas que ainda ma lembram...!

Ouvir Hoobastank no meio da Paulista. Mesmo que a Paulista não tenha nada a ver com ela (pelo menos não no meu ver), só a razão me lembra o dia em que eu fiquei 40 minutos na plataforma do Metrô ouvindo essa música e esperando que ela saísse de algum trem que chegasse. Ou lembrar do meu ápice de coragem, do meu apogeu de criatividade, do meu máximo de sinceridade... Mesmo que completamente vão, orgulho-me disso.

E até mesmo lembrar, sei lá, todas as desventuras que se seguiram. As conversas que nunca rolaram, a conversa que poderia nunca ter rolado, que se poderia ter culminado na maior alegria depois da Copa de 2002. Tudo, tudo isso. Até hoje. Talvez as outras duas foram só fugas, acho que até hoje quedo por ela. Por tudo dela. Tudo. Olhar, cabelos, rosto, corpo (!), palavras, risada, gestos, ignoradas, sorrisos direcionados (ah!), o estar sem-graça (e eu nunca fique tão besta diante de um como naquela vez), as voltas pra casa (que eu sempre forjei pra que acontecessem), os scraps, a aura das fotos... e a balada em que a gente ficou mais próximos (e até hoje eu não entendo), mesmo que me tenha feito o maior mal já visto, foi a melhor do mundo. Tudo, tudo. Tudo me atrai, tudo me cativa. Será que eu deveria voltar? Eu quero, sempre quis. Só nunca o fiz por achar que o tempo havia apagado tudo. Mas hoje descobri que não, que ninguém entendeu. Será que nem ela também? Ah, eu vou tentar. Vou, vou sim. Como quem não quer nada, vou tentar usar algumas palavras arranjadas em uma ordem bonitinha que me valham um fio de esperança. Porque eu sempre acreditei. Porque eu quero acreditar. Porque é questão de honra acreditar. Porque é a minha maior vontade acreditar.

E isso fez com que eu passasse o resto do dia a pensar. A pensar, a pensar, a pensar. Será? Ah, acho que me vou. Vou, vou sim. Vou lá agora!

E, de novo, não se trata de otimismo exacerbado, mas sei que vai adiantar em nada. Nada mesmo. Nada sobre nada. Mas não custa nada tentar, né?

Depois eu digo como tudo acabou. :)

[e o fio da esperança ainda existe, acredite!]

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Jovens Unidos Contra a Aids - JUCA 2006

Não chegou a ser aqueeeeeela cagada que eu estava esperando, mas se eu tinha em mente que uma viagem bem sucedida seria aquela em que eu me desse bem, foi uma merda. Mas se uma viagem boa é aquela em que eu me sinto bem com algumas coisas novas, bom... Então foi além das expectativas. Indo mais além, acabei fazendo novas descobertas, vendo algumas coisas mais à frente do que eu pensava. E (acredite!) até me entender um pouco; isso já é um enorme começo. Claro, claro que rolaram algumas decepções, sim, mas não é nada de mais. Nada de novo. O importante é que o Brasil se classificou para as oitavas-de-final da Copa.

A peleja se resume no seguinte: a minha imaginação é foda. Tão foda que é por ela que eu me apaixono. Nada hedonista assim, mas é que sempre acontece de eu me apaixonar não pela pessoa especificamente em si, mas pelas idéias, planos mirabolantes e infalíveis (assim como os do Cebolinha, que nunca não certo) que eu acabo, inconscientemente, traçando quando percebo alguma coisa que me agrade nessa pessoa. E desta vez não foi diferente. Entretanto, consegui fazer essa idéia (de que eu nem tinha idéia) de mim mesmo. É, interessante.

Minhas metas nem eram tão difíceis de serem cumpridas Bom, eu tinha pensado em tanta coisa à minha maneira que nem eram difíceis MESMO. E tudo começou tão bem; tudo se encaminhava tão bem... Ah, e pensar que eu só queria ter uma chance de ver o sol nascer, se pôr ou sei lá o quê, na companhia dela. Nem era difícil, e tudo começou tão bem! Começou com um encontro casual esperado. Poderia até ter começado num abraço, mas ficou só num embrião. Faltou coragem, faltou idéia de intimidade, amizade ou (também) sei lá o quê. Só que continuou (não o abraço; a situação!) com uma conversa interessante... e engraçada, como tem que ser. Porque eu sou o maior palhaço da face da Terra ao contar as minhas histórias por aí; porque a minha vida é engraçada e meu destino, um brincalhão bem original. Prosseguiu.

Eu pensei que nem mais prosseguiria no mesmo dia, dado que os ônibus eram outros. Porque México e Trinindad & Tobago são (clichê bem bonitinho) tão perto, mas tão distantes (e muitos mais porques por aqui. Isso significa que começo a ter respostas pra algumas coisas). Depois de um sono bem quente e aconchegante na estofadinha poltrona, só pensava em pegar minha mala, levar para o quarto e voltar a dormir. Mas não consegui. Por quêêê? Porque as coisas prosseguiram.

Apesar de parecer um burro de carga com tantas coisas pra carregar, ela estava mais atrapalhada do que eu. Mal conseguia se mexer. "Por que não ajudar?", então eu fui. Nunca fiz isso direito, esse lance de ajudar fisicamente com alguma coisa, meu negócio é mais dar apoio psicológico e tal; mas lá estava eu e lá estava ela. "Quer ajuda (imbecil, é claro que ela queria. Pergunta cretina, né?)" Mesmo ela negando umas duas ou três vezes, deixei meus amigos pra ajudá-la a carregar aquela mala. Carreguei. E depois ouvi um agradecimento tão bonitinho, tão sincero e tão tímido que eu preferi ficar jogando Truco a dormir. Parece besteira, mas são essas coisinhas tão insignificantes que dispertam a minha imaginação. Eu não sou [tão] maluco de ficar imaginando as coisas por aí e me apaixonar pela primeira danada que eu vir do outro lado da rua, só que caso algo aguce minha imaginação depois de um tempo... E foi isso que aconteceu. Mais do que nunca, tinha em mente que daria.

Dia seguinte (teoricamente, porque uma noite sem dormir faz com que o ontem ainda seja hoje), alguns outros encontros casuais. Algumas trocas de palavras, uma aqui e uma ali, e nada de muito além. "Ah, era o primeiro dia de viagem, ficar avançando nem é legal". Pois bem. Frenética e engraçada nostalgia na invasão à arquibancada da PUC. Engraçado por causa do Open Bar de Skol, frenético porque éramos a atenção de toda a torcida colorada e nostálgica porque... porque ela estava na torcida de vermelho, ora! Teria assunto com ela, um assunto a mais. Na volta do ginásio, um boteco caindo aos pedaços e algo surreal. Porque nunca ninguém está no interior, no meio do nada, dentro de um botequíssimo boteco, jogando sinuca e um molequinho de 12 anos aparece do nada com uma plaquinha na mão e bradando "Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo!". Dia legal, interessantíssimo. Por fim, a parte ruim: a balada. Só eu sei o quanto odeio balada. Ah, odeio muito. Foi uma verdadeira tortura ficar lá da meia-noite às quatro, não via a hora de ir. Até encontrei o pessoal da sala dela, mas não ela. Tudo bem. Só fiquei meio assim por eu estar tranqüilamente bem e ouvir falar dela. E ainda ouvir que ela tinha sumido com aquele que estava a dividir a barraca comigo. Boatos, tudo bem. Mas eu dormi e tive a certeza disso. Só usaria das minhas táticas no dia seguinte para confirmar minhas previsões (aquelas que eu nunca erro, sabe?). Aí eu acordei às 8h, abri os olhos e virei pro lado. Por uma fração de segundos, achei que ela estava lá na barraca e com ele. Só ilusão. Poderia tudo ser também, então não tomai iniciativas precipitadas.

Na sexta-feira, a boa ação do ano. Ou que valeria pelo ano todo. E que ela bem poderia ser recompensada, mas não. Boas ações, umas 5 seguidas. Mas nada. Ver os jogos da Copa nos bares é legal, então foi isso que eu fiz. Na volta, casualmente (como sempre) encontro com ela. Trocamos umas palavras, não mais que cinco. Depois mais duas e eu só queria mesmo parar. "Ontem eu acabei achando o pessoal da sua sala na balada, mas acho que nem te vi. Você foi?" 'Sim, eu fui. E é, a gente nem se encontrou'. "Você estava lá mesmo?" 'Sim, eu estava'. Estava nada, eu é que acertara mais uam vez. Mas sabe como é, né? Não dá pra ter certeza já que a minha imaginação é foda. E como 90% dos meus problemas se resumem com o fantástico "não é você, sou eu", pronto. Nada certo.

À noite, a balada do alojamento. Baladas são uma merda, mas essa foi legal. Legal porque eu fiquei com o tempo, fiz dele meu. Principalmente depois que ouvi a confirmação do que eu já tinha como certo. Tudo bem, já estava esperando. Aí sim é que eu fiquei com o tempo e fiz dele meu. Ah, os psicotrópicos. Os psicotrópicos! E também aquela velha vontade de uma brisa rápida e intensa que eu não tinha desde a formatura. Ah, os cancerígenos. Os cancerígenos! Tudo perfeito, mas eu não entendia uma única (porque pleonasmos enchem o saco) coisa: Por que ela não parava de me olhar? Bom, quer dizer... Se ela tava com o outro, com o meu colega de barraca, por que não paraaava de me olhar? Direto, direto, direto! E isso se intensificou depois da minha auto-flagelação. Por que ela se interessava tanto pela minha auto-flagelação? Não entendi. Não parava de me olhar, não mesmo. Ah, a auto-flagelação! Foi divertida, foi engraçada. O tempo parou. o Garbage se tornou, por 20 segundos, a música mais longa do universo... E até MC Marcinho, o poeta, teve seus 30 segundos de fama. Até que eu olho pro lado e a confirmação foi, mais do que nunca, confirmada. Porque Tomé só acreditava se visse. Porque o Sílvio só acreditaaa... VENDOOO! E eu também. Aí o bode. Aí, completamente bodeado. Aí eu subi pro quarto (tava cedo, o relógio não marcava mais do que três e meia da madrugada) e dormi. Não mais na barraca com o meu companheiro que eu mal conhecia, mas no chão, sobre a minha mantinha. Ele nem tinha culpa de pegar, nem sabia que eu estava na fila. Mas não me sentia mais à vontade de dormir sob o mesmo teto que ele [não é você, sou eu]. E também porque queria deixá-lo à vontade para fazer o que bem entendesse.

Dormi. Sobre o chão duro e sob o ar frio. Muito, muito frio. Pelo menos, coisas engraçadas aconteceram naquela noite. Pelo menos. E eu tive risada garantida pro resto do dia. Mesmo eu acordando e jurando que ela estava lá na barraca com ele. Juraria por tudo, tudo mesmo. Ilusões de quem acaba de acordar. Assim como eu imaginei que ela estava lá no dia anterior e tal. Viaaaaaaagem!

Sábado nem foi legal. Durante o jogo, na arquibancada, ela apareceu. Ficou na minha frente e eu nem me pronunciei, nem quis fazer comentários engraçados e bonitinhos que eu faria normalmente. E pude contemplar que eu estava era apaixonado pelas minhas idéias. Foi aí que eu pude contemplar que... nem era tanto assim, era mais a minha imaginação mais do que produtiva. Ela até se arriscou em puxar um assunto e tal, me deu um apito pra (é óbvio!) apitar. Mas na primeira oportunidade que eu tive, mandei o apito pra casa do caralho. À noite, de novo balada. Puta merda, e eu odeio balada! Nessa ela foi e ele não. Mas nem me interessava mais. Tanto é que fiquei na rodinha com todo mundo e nem me interessava em olhar pra ela. Mas, de novo, não entendi por que ela me olhava. E por que ela não parava de me olhar. Juro, juro que não entendi. Só que como eu odeio a tal da balada, fui embora no primeiro ônibus. E ela também. Então nem tinha como não conversarmos. Tinha passado o dia todo fugindo dela, evitando passar por perto dela e dizer um oi. Não, não me interessava. Tanto não me interessava que a gente só se cumprimentou na hora da balada. Voltamos juntos e conversando. Muito pouco, é verdade, já que o ônibus estava lotado e os únicos lugares disponíveis eram em bancos separados, um em cada extremidade da droga do veículo (só pra não ficar repetindo a mesma coisa como eu sempre faço). Mas não resisti em, ao passar por ela, passar a mão na cabeça dela (e não em sua cabeça porque eu não quero escrever assim). Sei lá porque eu fiz isso. Talvez porque a vida não termina aqui, como dizem. Sei lá, porque pra mim, nem virava mais. "Os lances estão esgotados".

E foi assim que tudo se passou nessa edição. Pelo menos com ela, porque também tinha a vizinha de sala. Talvez eu ainda lembre de mais coisas que rolaram com a primeira, mas vai parecer uma puta dor de cotovelo e o caralho se eu continuar contando e tal. Então vou mudar de assunto e, se eu lembrar, volto a contar porraqui.

É, tinha a outra. E eu trombo com ela logo que botei o pé dentro do quarto pra montar a barraca: ela estava no quarto ao lado. Todos, todos os que estavam comigo falaram mal dela... zuada, essas coisas. Legal, isso é bom. Não deve ser tão difícil, então. E se só eu via coisas boas, quer dizer que nenhum outro tentaria... que nem aconteceu com a primeira. Eu nem botava fé em nada com ela, não mesmo. Tanto é que nem rolou. Alguns encontros nos corredores, nas baladas... e mais nada. Ela até disse que queria se encontrar comigo, queria jogar Truco comigo. Mas ela só fala! Quando uma amiga dela (que eu nem conhecia) veio pedir pra jogar comigo, a outra tava passando mal, tava mais bêbada que sei lá o quê.

O foda é que eu queria sempre trombar com ela. Mesmo que a gente se falasse poucas vezes quando se encontrava, eu queria vê-la. E olha que eu vi bastantes vezes! Até no jogo do Brasil! Eu fui ver em um botecão zuaaaado, lotado de gente. E ela estava lá. Mas nem me viu. Depois na volta pra casa, enquanto todos arrumavam as malas e eu ficava jogando truco e bebendo no corredor. Ela passou umas dez vezes e nada. Só que era legal ficar vendo, ficar esperando... e ver. Quando eu acordava e ia pra frente da sala esperar o resto da trupe acordar... ficava vendo os mil imbecis (imbecis mesmo, puta que pariu!) que saíam do quarto dela... e nada de ela sair pra eu poder, pelo menos uma vez, bincar de "A vida é bela". Nunca vai dar, o negócio é esse. Mas sabe como é a minha imaginação, né!? Só de pensar que seria tão, mas tããão bonitinho acordar todos os dias falando um "Buon Giorno, Principeeessa!" Talvez por isso que eu sinta algo a mais por ela, por causa da minha imaginação. "Porque eu me apaixono por mim mesmo, pela minha imaginação. Puta que pariu, que merda!"

Na saída também. Na janela do ônibus, vejo o dela parado do outro lado da rua, bem do meu lado. Ficava olhando lá pra dentro na espeança (vã) de encontrá-la, fazer rolar alguma troca de olhar. Nada, só os imbecis (que estavam mais e mais imbecis) da sala dela. Ah, uns palhaços. Não sei o porquê, mas eu ficava vendo. Mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas... quantos eu já escrevi? Não quero ficar mudando todos os outros por contudos, todavias, emboras e entretantos. Ah, nem quero.

E é assim que se foi o primeiro JUCA: com um texto cheio de Es, Ahs, Mases, Porques e Eu. Ah, tomar no cu! Acabou que eu nem vou mais ter a chance de conhecer a minha cunhada, que eu já adorava, já conhecia e já fazia parte da família.

Acabou que eu nem vou conhecer a minha cunhada, que todos já a conheciam. É, a vida não termina aqui. Pois não sabe a chance que teve para fazê-lo.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Pelo menos a Copa do Mundo vai começar

Quatro anos de uma espera do caralho. Mas ainda bem que a Copa vai começar. Pelo menos uma coisa pra me animar, pra me entreter, pra me prender a atenção.

Já que nada mais tem lá muito sentido, pelo menos a Copa do Mundo.

Mas o mais fato é que eu vi de novo. Pensei que ele tinha se dado bem, que (como ele mesmo disse) a aposentadoria tinha saído... ou que ele mudou de zona porque lá nem dava muita grana. Só que hoje eu pensei nele. E ele estava lá. Estava dando graças a Deus por não mais encontrá-lo no cruzamento Paulista x Brigadeiro, era a maior depressão. Todos os dias.

Coitado. Velhinho, magrinho, caquético, triste. Talvez eu me sinta mal ao vê-lo porque meu maior medo é ter um fim como o dele. Sozinho. Sozinho, sem ninguém. Sozinho, sem ninguém, abandonado e triste. Com um olhar triste. Com gestos tristes. E ignorado pela multidão. Estava ficando feliz por não mais encontrá-lo, embora me sentisse mal por não saber que fim ele tinha levado. Pelo menos ele não levou um fim.

O velhinho do cruzamento da Paulista com a Brigadeiro. Meu Karma. Meu espelho. Minha depressão.

Feliz aquele que, hoje, morreu na contramão (do túnel) atrapalhando o (inclusive meu) tráfego (dos metrôs). Pelo menos alguém teve coragem. Ou foi imbecil o suficiente pra ser um usuário na via.

Ah, a Copa do Mundo. Copa do Mundo.