quinta-feira, 10 de julho de 2008

Besteirol

Teve um dia em que eu acordei poucas horas depois de pegar no sono (já devia ser umas 9 da manhã). Abri os olhos meio inquieto sobre a cama e sob os dois cobertores e precisei me livrar de alguns pensamentos. Precisei escrever algumas besteiras e só então consegui bocejar de novo e voltar a dormir.

No começo desta semana, vasculhando alguns arquivos antigos no computador, encontrei este texto. Na falta de criatividade posto-o por aqui, torcendo para que a destinatária não saiba da existência deste blog – ela não deve saber, e espero que não descubra dentro de pelo menos... uns 30 anos, sei lá. Melhor assim.


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Já tem um bom tempo que a gente não se encontra, não se vê casualmente e nem se fala, mas é incrível como eu ainda sonho com você. E isso acontece geralmente nos momentos mais propícios, quando minha cabeça está absolutamente vazia de quaisquer pensamentos – vãos pessoais, profissionais ou amorosos.

Pelo menos uma vez por mês tenho você em um dos meus sonhos, em situações quase sempre inesperadas: na sua rua, no metrô, na Paulista... uma vez, até cruzei com você nos corredores da minha faculdade. Da última vez, estava bebendo sozinho em um bar e você apareceu para conversarmos.

Passo o sonho inteiro com um sorriso enorme, mas naquele bar foi diferente. Conversáramos sobre nós, coisa que fizemos apenas umas duas vezes durante o tempo que passamos mais próximos um do outro. Quase sempre tínhamos algum assunto mais interessante, como por exemplo quem de nós era o mais alto ou, então, a discussão sobre alguma piada casual que eu fazia sobre você. Papos que sempre me faziam voltar para casa com um sorrisão no rosto e mil sonhos na cabeça.

Por que você ainda aparece nos meus sonhos? Jurei para mim mesmo que não era mais apaixonado por você. Até me apaixonei algumas vezes depois da nossa formatura – algumas paixões até muito mais intensas e mais bem correspondidas do que aquela que tive por você –, mas você é sempre a primeira (ou, hoje em dia, divide a primeira com uma outra paixão arrebatadora) nas minhas melhores lembranças femininas dos últimos tempos.

Nas últimas duas vezes em que nos encontramos você não estava mais como antigamente. Seu cabelo, antes loiro e brilhante, já não tinha mais aquele brilho intenso que o teu sorriso também tinha – e como brilhava aquele teu sorriso! Não tínhamos mais aquele papo tão legal como quando tínhamos 16 anos... tanto que, putz, passei nosso último encontro casual conversando quase que o tempo inteiro com a sua mãe, que me confessou ser fã do Roger Federer e não ir muito com a cara do Rafael Nadal. Tua mãe também não foi com a cara do teu último ex, né?

No fundo no fundo, adoro me lembrar de você. Não tenho nenhuma lembrança sua que me machuca, diferentemente do meu último caso amoroso. Gosto até de contar por aí sobre o dia em que falei uma coisa bonitinha no teu ouvido, você virou as costas para mim, deu três passos e se virou com um baita sorrisão.

Na verdade, tenho apenas uma lembrança tua que me machuca. Nunca mais consegui sequer sentir o cheio de vodca depois que, segundo você mesma, “eu tive a minha chance contigo e a troquei por um(ns) copo(s) de vodca”... ah, como eu era idiota quando tinha 17 anos!

Agora vou voltar a dormir, e torcer para não sonhar com você. Nada pessoal, mas prefiro assim: sonhar com você apenas de vez em quando, para te conservar por mais tempo na minha lembrança como a melhor paixão platônica que já tive. Até.

4 comentários:

Boninha disse...

Já comentei que adoro paixões platônicas?

Ah! E quando vc tinha 17 anos vc nem tinha tanta barba, e já tinha cara de 20... by the way, garotos de 17 anos geralmente não sabem exatamente decidir entre uma garota e algumas gotas de álcool. Não que aos 20 eles já saibam, mas...

(E juro que ler seus posts e construir as cenas na minha cabeça ainda me diverte)

Grande Rael disse...

ela n te merece @_@
isso q mamae diz pra mim

L.F disse...

Estava lendo o post e quase chegando no final,lembrei da história de uma garota que me contou, a garota do texto.
E eu , que estava séria, abri um sorrisinho.
Saudades de sorrir (não apenas rir) contigo ou de ti.
ehehe.

Beijos, e até as benditas férias .

Fábio disse...

Quem nunca teve um amor platônico que atire a primeira pedra. =)

E tu vai a Buenos Aires, é??? Que legal!!! E que inveja, pô! Boa viagem, cara!