domingo, 6 de julho de 2008

Curtindo adoidado

Estou cansado de ver o mundo dizer que a tecnologia evoluiu a comunicação. Pode ter facilitado, mas isso não significa necessariamente que as coisas tenham ficado melhores. Explico.

Apesar de escalado para trabalhar no final de semana, estava disposto a passar meu último sábado no Brasil (sim, estou de malas prontas para sair por aí) fora de casa. Aproveitar, e sexta-feira até aceitei passar a madrugada de sábado para domingo em uma balada – contrariando o que havia escrito por aqui.

Pois bem. Era cerca de 1h30 de sexta para sábado quando a tal balada foi combinada. “Eu te ligo amanhã”, disse a garota, pouco antes de fechar a porta do meu carro. “Liga mesmo, é?”, questionei eu, desconfiado. “Sim, de noite eu te ligo pra gente combinar”, ela garantiu.

Acordei poucas horas depois, trabalhei, voltei para casa, almocei e passei o resto da tarde com a minha mãe – que, por sua vez, não se cansava de perguntar se eu sairia à noite. “Não sei, pode ser que sim”, desconversava, até mesmo para não criar expectativas em mim mesmo.

Acabei deitando no sofá para ver Atlético-PR x Santos e, como pedia o jogo, dormi profundamente. Acordei lá pelas 11 da noite, com o celular à minha frente e nenhum registro de chamada não atendida ou mensagem recebida. Fui tomar um banho quente para acordar (embora devesse ter ido dormir na minha cama), abri a internet, fiquei vendo alguns roteiros de viagem... o tempo passou, e o dia virou.

Então olhei meu celular, e o silêncio dele me incomodou. Digitei uma mensagem rápida e curta (amigos íntimos sabem que eu expresso minha decepção com frases extremamente curtas): “Muchas gracias pela ligação, tá?” e coloquei para enviar. Acendi um cigarro, peguei uma revista para terminar de ler e vi meu celular piscando: “A mensagem não pôde ser enviada”.

Notei que o celular tinha perdido o sinal temporariamente, e por isso não despachou o recado. Entrei no site da Claro e digitei mensagem semelhante. “Não sei por que, mas achei que desta vez você iria me ligar. Devo ter me enganado”, sintetizei e enviei.

No mesmo momento, vi que o sinal não havia voltado. Prevendo o que havia acontecido, desliguei e liguei o celular, que retomou o sinal e me mostrou uma mensagem: “Meu querido, não me esqueci de você, viu? A balada está de pé... vamos, né? Beeeijo”. O horário da mensagem: 21h30.

Agora estou deitado no sofá de casa, com a janela da sala aberta curtindo um belo dum frio. Só que o vento que gela meus dedos e as minhas pernas não me incomoda tanto como a quase-decepção por imaginar a garota a essa hora na balada. Depois ela vai sair, ver a minha mensagem curta e grossa... e com certeza não me ligará no domingo. E eu aqui, vendo Altas Horas.

Ah, como eu odeio as telecomunicações.

3 comentários:

Fábio disse...

Tecnologia é uma merda - e o "pau" da Telefônica nesta semana só foi mais uma prova disso.

E tu vai viajar pra onde?

Boninha disse...

Você não fuma de verdade, fuma?

Boninha disse...

Engraçado como os meus comentários nunca tem nada a ver com o post em geral, mas com uma ou outra frase.