sexta-feira, 29 de junho de 2007

Surreal

- Tá aqui, professor: resenha e perfil.
- Ok. Estão entregues. Obrigado, Felipe. Boas férias.
- Igualmente, professor.

Acabou.
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Não parece, mas depois de quatro meses maçantes, o semestre acabou. Depois de muitas semanas mal dormidas, dezenas de aulas insuportáveis e tudo mais, finalmente vou ter um mês de folga. Naquelas.

Desde pequeno, demoro a acreditar que estou de férias. Quando me dou conta, já é terceira semana de julho e mal dá pra aproveitar. Mas tudo bem. O segundo semestre passa rápido.

Desta vez, no entanto, passei a comemorar as férias a partir de ontem. O melhor jeito, é claro, é em algum bar na Paulista. Pelo menos até o metrô fechar.

Nunca acontece nada de muito interessante no calçadão na frente da estação Brigadeiro. Ontem talvez não tenha acontecido nada e não tenha passado de alguma abstração que eu tive por imaginar que estou de férias. Eu explico.

Enquanto estávamos sentados, um homem careca, de bigodinho e com uma mala parou. De cara, imaginei que era só mais algum mendigo pedindo dinheiro para comprar pinga. Sei lá. Mas deixei o simpatia falar: “Yo soy de Colômbia e estou pedindo dinero para poder pagar uno hotel barato para poder dormir em Brasil”.

Que ele era da Colômbia não é difícil acreditar. Só achei estranho ele pedir dinheiro para ir para um hotel. Mas beleza. Continuando: “Yo soy professor de idiomas. Yo hablo español, inglês, alemão, italiano, russo...”.

Que ele era da Colômbia e estava pedindo dinheiro para o hotel não é difícil de acreditar. Só achei estranho ele manjar de tantas línguas e estar pedindo grana na Avenida Paulista. Voltando. “... russo, holandês,...”.

Duvidei e desafiei o simpatia. “Pô, eu falo holandês, cara!”.

Mas o pior é que ele falava mesmo. Falava tão bem que tentou começar a trocar idéia comigo em holandês. Mas como faz seis meses que eu não tenho aula e não é todo dia que a gente pode sair por aí conversando em holandês com as pessoas em São Paulo e, ainda por cima, já estava meio assim por causa de algumas cervejas, encerrei o assunto. “Ik spreek nederlandse, maar niet goed”.

E eu senti prazer em dar R$ 2 pro campeão. Foi merecido. Só que antes perguntei o que ele fazia aqui. “Quiero aprender português y se me voy a México, Argentina, no consigo aprender. Mas quiero aprender. Estoy tentando”.

Demais.

Uma hora depois, um mendigo pediu pra jogar truco com a gente. Além de não saber embaralhar, ele não sabia jogar. Mas foi engraçado. Fingimos estar na mão de ferro só pra acabar logo. E o cara, todo fodido, bebaço e sem dentes, saiu com dois três e o copas. Surreal.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Limite da ousadia

Pela primeira vez na vida, recebi ameaças por telefone.

Quer dizer, não é uma coisa que se diga 'meu Deus, coomo esse menino é ameaçado!'. Só que não deixa de ser preocupante. Isso porque quem me ligou foi uma criminosa fora da lei que não tem mais o que fazer e fica ameaçando as pessoas por telefone. Mas ainda assim é um perigo para a sociedade.

Tudo aconteceu quando eu conversava com uma garota na Avenida Paulista. Falávamos sobre todos os trabalhos da faculdade quando meu celular tocou. A meliante tentou se passar pela filha de uma amiga da minha mãe que não tem filhas. Bem esperto, saquei tudo. Rá! Tanto que ela gaguejou e desligou na hora.

Claro que, na hora, a primeira coisa que eu pensei em fazer foi ligar pra minha mãe. E acabou sendo a primeira coisa que eu fiz. Claro! E, confesso, fiquei com um bocado de medo. Digo... se a bandidinha descobriu meu celular, imagina o que não pode conseguir mais? E o que será que ela queria, quer, iria ou irá fazer? Será que ela lê isso daqui?

Voltei para casa com mania de perseguição. Pensei em deletar meu orkut, mudar meu MSN, vender o meu número de celular. Imaginei um pseudônimo para assinar as reportagens especiais: Frederico Repon. Até bolei um plano de vida: morar no sul da Holanda e virar professor de Português. Ou na Suíça, pra poder aprender alemão e francês na marra. E, como hobby, eu poderia ser tipo um correspondente especial. Pelo menos em épocas de Roland Garros, Wimbledon, Eurocopa e Barcelona x Real Madrid.

No metrô, vi meu reflexo no espelho e pensei em mudar meu visual. Descolorir a barba, raspar o cabelo. Talvez pegar um sol, fazer uma tatuagem no rosto e andar de óculos escuros. Ray-ban. A partir de hoje, deveria andar de ray-ban pelas ruas.

Ou não. Deveria aprender a dirigir (usando ray-ban, evidentemente). Era preciso comprar um carro para não ter que andar de metrô e nem ter que me expor mais para o mundo. Fantástico, deveria comprar um carro!

Em casa, fui informado da descrição física da delinqüente: “Cara de vagabunda”, me disseram. Não têm idéia de como isso me ajudou.

À tarde, peguei o metrô e todas as mulheres tinham cara de vagabunda. Passei a desconfiar de todo mundo. Até daquela garota linda, de cabelos pretos e olhos verdes que pega metrô comigo na hora do rush e com quem eu sempre troco alguns olhares e sorrisos.

Mais tarde, no entanto, já fazia piada de tudo. Afinal, quantas pessoas que eu conheço que já foram ameaçadas por telefone?

Que eu saiba, ninguém. Ótimo. Mais uma para a coleção.

E também serve como um motivo a mais de emoção na minha vida, já que não me apaixono de verdade há alguns muitos meses, não vejo meu time chegar a finais de campeonatos e passo os finais de semana em uma redação. Justo eu, que tinha como maior emoção pegar o elevador número oito para ver se ele despencava um pouquinho.

domingo, 24 de junho de 2007

Sinônimos (ou a falta deles)

Amanhã começa Wimbledon e, ao que tudo indica, serão mais duas semanas de muita criatividade para evitar repetições ao longo dos textos que eu insisto em deixar longos.

Wimbledon já tem algumas variáveis e, se tudo der certo, poderão surgir mais algumas. Por enquanto, fica terceiro Aberto da Inglaterra, competição londrina (ou inglesa), terceiro Grand Slam do ano e tal. Isso não é o problema, porque a carga de uso é bem menor. Os nomes dos tenistas e os termos técnicos que complicam.

Roger Federer, por exemplo. Além do sobrenome, também são válidos suíço, número um do ranking (ou da lista), melhor tenista em atividade segundo a ATP, primeiro cabeça-de-chave, atual tetracampeão ou principal favorito.

Rafael Nadal é outro. Nadal, espanhol, tenista de 21 anos, Rei do Saibro, tricampeão de Roland Garros, segundo colocado do ranking e blábláblá.

Maria Sharapova: campeã em 2004, número dois do mundo, russa, musa. Amélie Mauresmo: francesa, quarta colocada do ranking, atual campeã de Wimbledon (e todas as desinências da competição). E por aí vai.

Set: queda, parcial.
Game: -x- (fodeu!)
Break-point: ponto de quebra
Saque: serviço (dá até para tentar ‘quando o tenista inicia os pontos’)
Quebrar (saque): superar, bater, vencer o game com saque adversário (ou sob saque do adversário).

Além do clássico vencer: superar, bater, derrotar, eliminar, despachar, passar por, massacrar (apenas quando a vitória valer o título)...

E uma coisa que também já está mais ou menos desenhada é o campeão deste ano. Como já havia escrito Emanuel Colombari, dificilmente o Federer perde essa. Entre as mulheres é mais complicado, mas eu apostaria na Henin ou até mesmo na Serena Williams.

Embora a minha torcida seja para que Sharapova e Nicole Vaidisova vençam todas as partidas por 2 sets a 1, sempre com parciais de 7/6 (30-28), 6/7 (50-52) e 26/24, e cheguem até a final. As transmissões televisivas vão ficar muito melhores. Pela emoção da disputa, claro!

Por mais repetitivo que possa ser o mundo do tênis, um fato: é muito mais divertido do que cobrir futebol e noticiar sempre a mesma coisa.

sábado, 23 de junho de 2007

Nós somos quadrados

– Alô?
– Fala, meu querido!
– Opa!
– E aí, como ta?
– Tranqüilo, e por aí?
– Sussa. Bora fazer alguma coisa hoje?
– Vamo aí. O quê?
– Ah, pensei em uma coisa suave. Vamo pro Extra?
– Humm... ahh... ehh... ah, tá.

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Estava em dívida, e por isso aceitei. Havia deixado de sair com os velhos amigos nas duas últimas semanas com a desculpa de que estava em semana de provas. Não deixa de ser verdade, mas o fato é que eu não saía porque... enfim, tudo ia acabar na mesma coisa. E a mesma coisa acaba sendo chata ao quadrado.

Isso porque juntam cinco moleques em volta de três carros e transformam um Gol 95 na oitava maravilha do mundo. E se ele for turbinado, então, é apelação. E o pior de tudo é que a criatividade não é muita, já que o local de encontro é sempre o mesmo: estacionamento do Extra da Ricardo Jafet. Algumas cervejas, um porta-malas ligados e papos sobre correias, volantes, funilaria (que hoje eu descobri que também pode ser chamada de funeca) e essas coisas.

Já mostrei publicamente meu desinteresse por fazer a mesma coisa nos últimos dois anos e até sugeri novos lugares. A desculpa, porém, é sempre a mesma: pô, é mó caro ir a um bar e ficar bebendo por lá. Aqui é a mesma coisa: a gente compra uma cervejinha lá em cima e bebe por aqui. E é até mais barato, eles dizem.

Pois bem. Acabei saindo hoje e tudo se encaminhava para mais uma noite maçante de sábado. Até que um deu a brilhante idéia de mudar de ambiente: "Num posto aqui do lado tá rolando a 'Nós somos quadrados', vamo aí?”. Saquei de cara e esperei todo mundo responder. Ninguém se mostrou interessado, mas acabou indo. E como dependia da carona, fui de tabela.

“Nós somos quadrados” é uma reunião de um bando de gente sem mais o que fazer e que tem um carro quadrado. Parati, Gol ou sei lá o que mais tinha naquela merda. Eles se juntam em volta dos carros e ficam falando coisas sobre carros. E se você não entende nada sobre carros, então você é um alienígena.

Depois, se cansaram. Surgiu então a idéia de fazer um drifting em São Bernardo do Campo. Quê? Antes de entender, já estava dentro do carro indo pra sabe-se lá aonde. Já tava tarde, mais de 2 da manhã, e eu aproveitei a desculpa da semana de provas para dormir.

Dormi até chegar no drifting, que nada mais era do que uma rua com várias curvas em que o motorista acelerava e se divertia quando a curva era mais fechada e ele podia fazer a traseira sair (de onde eu não sei).

Acordei no drifiting e me mantive acordado para não bater a cabeça nos vidros. Em seguida, voltei a sonhar com nada. Na volta, ouvi algo como 210 km/h na Ricardo Jafet. Não sei como eu consegui dormir dentro de um carro a 210 por hora na Ricardo Jafet às 3 da manhã. Enfim.

Talvez meus amigos precisassem jogar videogame. Hoje, fiquei meia hora jogando um jogo de Fórmula 1 e me diverti muito mais do que em todo o tempo restante da noite. Mesmo com drifitings, 210 por hora ou cerveja no supermercado.

Era mais legal quando ninguém dirigia e todo mundo se fodia para voltar pra casa. Mas ninguém fazia círculo em volta do motor pra ver se a coifa tava ao contrário ou não, sei lá.

E, francamente, cerveja no supermercado não rola.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Um deboche

Pouco menos de um ano atrás, conheci uma garota. Bonitinha, bastante bonitinha, e que tinha um sorriso que me cativou. Desde o primeiro momento, quis virar amigo dela. Melhor amigo. Sim, daqueles que você chama pra almoçar e passa o resto da tarde e o início da noite conversando sobre nada.

Estratégia por estratégia, fui conseguindo me aproximar dela. Fui descobrindo um pouco da nova amiga a cada conversa que a gente tinha. Gostava de falar com ela – que tinha dias para falar bastante ou não –, tanto que foi a primeira garota com quem eu virei a noite conversando no MSN. Mesmo já tendo 18 anos, nunca tinha feito isso. E nunca mais fiz.

Era um dia em julho, e lembro que a gente conversou da meia-noite até às oito da manhã. Achei engraçado ela pensar que eu tinha 22 anos e passamos a madrugada inteira falando sobre absolutamente nada.

Gostava tanto de falar com a garotinha que um dia ela perguntou se eu era bipolar. Por algumas horas, eu de fato achei que era bipolar. Depois passou, e eu voltei ao normal.

Um dia ela me chamou para sair. Pela primeira vez na vida, peguei trem sozinho. Foi um dos melhores sábados de 2006, pra falar a verdade. Saí do Jabaquara às 14 horas, fui seguindo as indicações da Estação da Luz e desci em São Caetano do Sul. Me perdi na estação de lá durante meia hora, até que ela me ligou me ensinou a chegar até o ponto de ônibus, onde a gente tinha combinado.

Achei o ponto de ônibus, sentei no muro e fiquei lendo um livro até ela chegar. Ela veio de longe, vestindo uma calça jeans azul e uma blusinha vermelha. Andamos de braços dados pelo centro de São Caetano do Sul até que paramos em uma vendinha para tomar açaí. Eu não gostava de açaí até aquele dia. Depois, misteriosamente, passei a achar interessante sair pra tomar um açaí com os amigos.

Enfim. Sentamos pra tomar um açaí às 15 horas. Ela tinha que ir embora às 17 porque ia fazer não sei o que com o pai, ou a mãe, ou sei lá. Não importa. Ficamos conversando até escurecer, até ficar bem escuro e as luzes da praça em frente se acenderem. Eram 20 horas quando voltamos para a estação de trem, onde ainda conversamos por mais alguns minutos antes de eu passar a catraca.

Nos despedimos e eu ainda olhei para trás antes de chegar à plataforma. Ela estava de costas, não tinha olhado de volta. Acontece. Voltei para casa animado ao quadrado, querendo voltar a sair e conversar com a garota por mais quantas horas fosse necessário. Só queria conversar com ela, nada mais. Acho que pela primeira vez fiz amizade com alguma garota sem sequer pensar em ter alguma coisa com ela no futuro.

...


Foi também a primeira vez em que eu me decepcionei com uma garota. Apesar de todas as paixões frustradas que eu tive no passado, nunca havia ficado tão frustrado como fiquei por não ter conseguido falar com ela durante os oito meses seguintes. Ela simplesmente sumiu. Nunca mais me ligou, não respondia às minhas mensagens no celular e nem aparecia na internet.

Um dia, enfim, ela apareceu no meu MSN. Lembro que era abril deste ano, algum dia do feriado da Páscoa. Ela tinha começado a namorar (ela nunca tinha namorado), mas tinha recém-terminado com o cara (que era de uma cidade do interior). Pediu meus conselhos. Friamente, aconselhei a garota. E só. E a gente nunca mais se falou. Soube que ela voltou com o cara. Isso não me interessa.

Até hoje, vejo todo dia que ela conecta no orkut. Não vejo mais tanta beleza nas fotos e o sorriso dela não é mais mágico como antes. Nem um pouco. É estranho. É como se fosse um deboche. Algo como “Idiota”. Não sei por quê. E isso me deprime. E não é só com ela.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Como perder um Juca e achar engraçado

A Confederação Brasileira de Tênis decidiu, sabe-se lá por que, dar uma entrevista coletiva para anunciar uma parceria de intercâmbio com tenistas da Federação Suíça. Fui escalado para passar algumas horas no Clube Atlético Paulistano e ver o que os presidentes da CBT e da STF tinham para falar.

Não falaram nada muito interessante sobre a parceria, mas acabei usando algumas coisas para o futuro. A entrevista começou por volta das 11h30 e acabou não muito tempo depois. Às 12h30, o presidente do clube convidou toda a galera da coletiva (que, aliás, não era muita gente. Em uma reunião chata pra caramba na Federação Paulista de Futebol, tinha pelo menos três vezes mais gente por lá a troco de um assunto bem mais banal)... voltando. O presidente do clube convidou toda a galera (que não passava de 20 pessoas, sendo no máximo dez jornalistas) para um almoço.

Não sabia muito o que fazer e nem se iria aceitar. Para falar a verdade, não conhecia muita gente por lá e não tinha muita noção do que fazer. Talvez me esgueirar no meio de todo mundo e ir embora, para voltar para a redação e fazer o trabalho. Acabei escolhendo a segunda opção, que era ficar lá e ver no que tudo isso iria dar.

Por osmose, acabei caindo em um grupo de outros colegas (quando criança, eu via os adultos falando isso das pessoas com quem trabalhavam e nunca entendia direito se eles eram realmente amigos. Enfim), que falavam sobre sabe-se lá o quê. Fui convidado a entrar na conversa sobre sabe-se lá o que e, em seguida, estava já me dirigindo para o almoço. Apenas segui os que talvez já conhecessem o clube e tivessem alguma noção de rumo.

Primeiro andar, cheiro de comida, mesas e alguns velhotes engravatados. Era lá, e foi o que a recepcionista confirmou logo depois. Cordialmente, fomos convidados a nos sentar em uma das mesas do Bar Social Especial (ou alguma coisa assim, não lembro o nome) para o almoço. Uma feijuca na faixa.

Tímido como sempre, não sabia direito o que fazer. Apenas segui os que pareciam ser mais experientes e que poderiam me ensinar alguma coisa sobre como se portar. Sentamos à mesa e um garçom perguntou o que queríamos para tomar. O primeiro pediu uma Coca-Cola com gelo e limão; o segundo, uma água. Na minha vez, apenas repeti o que o primeiro falou: uma Coca-Cola (mas eu pedi só com gelo, para não parecer plágio).

O cara que pediu depois de mim foi mais inteligente e perguntou se tinha suco de laranja. O garçom respondeu que sim e eu me arrependi de ter pedido a Coca-Cola. Enfim, a merda já estava feita. E feijoada com Coca não é tão ruim assim, ainda que eu goste mais de suco de laranja do que de refrigerante.

Pois bem, fomos nos servir. Tímido, estagiário e há apenas seis meses na área, deixei para ser o último da fila. Para não dar nenhum vexame e, sei lá, tenho essas paranóias que qualquer pessoa tímida em excesso deve ter. Percebi que ninguém pegava mais do que duas conchas de arroz e outras duas de feijão. Amém. Depois, não prestei mais atenção. Me senti em casa por ter pego apenas duas conchas de arroz e outras duas de feijão que não precisava mais dar vexame.

Na mesa, ninguém sabia qual da dupla de garfos e facas usar. Eu também não, e me senti em casa. Tomando a minha Coca-Cola com gelo e comendo a feijuca do Paulistano durante o horário do expediente. Fantástico.

Após a refeição, conversas sobre nada. O programa de rádio que tem mais audiência, o deadline do Estadão e a agência de fotos do Lance!. Não falei muito, até porque não trabalho em rádio, internet não tem deadline e eu não preciso mexer com fotos. Enfim. Conversas sobre nada, com pessoas cujos nomes eu não sabia (e, aliás, não sei até agora), mas que conversavam abertamente unidas por um ideal: a feijoada do Paulistano.

Depois da feijoada, da Coca-Cola, da sobremesa e de muitos assuntos [inclusive o futuro de um suíço que vem para o Brasil na véspera de um feriado, come uma feijoada e toma incontáveis caipirinhas (ver foto do gringo abaixo)], a dispersão. A volta para a redação, para o trabalho, para a rotina de sempre, mas diferente na medida do possível.

À esquerda, o gringo, com cara de gringo e sorriso de gringo. Vale o destaque: a foto foi tirada antes da feijoada e, conseqüentemente, das caipirinhas que ele talvez tenha tomado.

Voltei para a redação por volta das 15 horas. Quando saí, pouco antes das 19, e vi o Escadão cheio de malas e sacos de dormir, tive vontade de me mandar também para Registro, pra mais uma edição dos Jovens Unidos Contra o Álcool.

Lembrei do que aconteceu no feriado de Corpus Christi de 2006. Lembro que fiz a mala correndo, vendo o jogo entre Alemanha x Polônia, da segunda rodada do grupo A da Copa do Mundo. Se não me engano, o gol tinha sido do Neuville, no finalzinho do segundo tempo, e...

Enfim, não importa. Lembro que fiz a mala correndo, coloquei de última hora um travesseiro na mochila e peguei uma mantinha apenas para não ficar com peso na consciência. Fiz um trabalho nojento de Teoria da Comunicação e me mandei para o bar, para tomar alguma coisa antes de embarcar para Registro. Lá, enfim...

Neste ano não. Fui escalado para trabalhar no feriado e, conseqüentemente, perder os Jogos Universitários Contra o Álcool. Pois bem, paciência. Perdi litros e litros de cerveja, mas... sei lá.

No fundo, é legal não fazer nada em uma quarta-feira em que o mundo trabalha.