quinta-feira, 17 de julho de 2008

Dónde está Wally? (Could it be or is it difficult? )

Buenos Aires (Argentina) - Tinha acabado de voltar de La Boca um dia desses quando uma das minhas companheiras de quarto aqui no Sandanzas disse que a tiazona que também dividia quarto conosco estava mudando de albergue e me convidou para acompanhá-las. Sem nada para fazer, topei logo de cara.

Já havíamos passado a última noite conversando, quando descobri que ela era da Suíça. Aparentava ser mais velha e seu inglês tinha um sotaque que lembrava o francês, mas nunca tínhamos tocado no assunto. A única vez que falamos sobre idiomas foi quando ela elogiou meu inglês (o que me surpreendeu bastante, diga-se).

A caminho do albergue da tiazona, a suíça me perguntou se depois a gente poderia sair para beber alguma coisa. Concordei, mas disse que antes precisava almoçar (já eram 16 horas). Ela também disse que estava morrendo de fome, e fechamos de almoçar juntos. A tiazona, também com fome, foi junto.

Mas juro que notei um olhar bem suspeito da suíça quando comprou um alfajor, me ofereceu a primeira mordida e eu disse: “Não, não posso. No Brasil, dizem que se dermos a primeira mordida – ou a última – em algo que não é nosso, vamos roubar o namorado ou a namorada do outro”. Assim que disse isso, a suíça disse “Não se preocupe, não tenho namorado”. Mas enfim...

Passamos o resto da tarde e o início da noite na Plaza Dorrego, aqui em San Telmo. Uma praça extremamente interessante, bem bonita, com música ao vivo e abarrotada de turistas. Depois saímos para andar sem rumo, passamos pela Igreja de San Ignacio de Loyola e, quando vimos, estávamos em frente ao Café Tortoni. Mais uma vez lembrei do guia da Lui, e pedi café com uma medialuna. Putz, o café era extremamente delicioso.

Depois do belíssimo Tortoni, caminhamos mais um pouco e pude perceber que a suíça era bem bonitinha. Parecia francesa. Aproveitei para perguntar se ela era da parte francesa da Suíça. Disse que não, que era de Berna. “Ah, mas... você tem um french accent”. “Isso é mau: meu pai é inglês”. Mas era uma suíça bem legal, não se importou com a barrigada n’água que o brasileiro aqui tinha dado.

Deixamos a tiazona no caminho e pegamos um táxi para o albergue. No táxi ela disse que à noite ia para uma aula de tango perto do Sandanzas, perguntou se eu não queria ir com ela. “Well, I look like a drunk goat dancing, but... I’m in Buenos Aires, why don’t a try?”. “Yeah, I think you should try”, aconselhou, depois de dar uma longa gargalhada com a minha autocomparação a um bode bêbado.

Cheguei ao albergue e fui tomar um banho. Na dúvida se deveria ou não fazer a barba, me veio à cabeça uma triste realidade: “Já sou quase um fracasso com mulheres brasileiras, e com uma européia, então? Não, não vou tentar nada com ela... quer dizer, o que eu posso dizer para ela? Hey, girl, could it be or it is difficult ? (que, na mais bela Flor do Lácio, significa: e aí, gringa, pode ser ou tá difícil?)”.

Continua...

3 comentários:

L.F disse...

Nem se atreva a chegar aqui no Sul sem barba, gurí!


Beijo.

Fábio disse...

Agora pegou! Não é possível...

;)

Boninha disse...

E quer dizer que você só faz a barba em ocasiões como essa? o.o

Credo.

De qualquer jeito, tango não é tãããão engraçado, sabe. Talvez com você seja um pouquinho mais. haha