sábado, 30 de agosto de 2008

Noite de sábado

Hoje é sábado. Está de noite. Já tem duas horas que passou da meia-noite e você continua aí, deitado no sofá de casa dividindo espaço com o cachorro. Está encolhido, para falar a verdade – o cachorro, folgado, dorme esparramado em uma das três almofadas, com a cabeça apoiada sobre suas canelas. Mesmo com cãibras você não pode se mexer, pois acordaria o coitado do bicho.

Mas o sono do mascote é o que menos te preocupa neste momento. Você está zapeando os canais em busca de algo interessante para assistir e tentar não se lembrar que ela está lá e você não. E não está porque... simplesmente não quis. Ela está lá fazendo sabe lá o que você está aí, fazendo simplesmente nada.

Hoje é a formatura dela. Ela te chamou para ir, disse que abriria mão de um dos convites da família para que você fosse. Mas você, anti-social, cuidadoso e até certo ponto medroso recusou. Era muita pressão, não saberia lidar com isso. Poderia pôr tudo a perder em uma noite. Poderia perder em uma noite aquilo que levou meses para conseguir.

Neste exato momento, considera-se um perfeito idiota por não ter ido. Poderia estar lá, bêbado, inventando passos de dança ao lado dela. Poderia estar sóbrio, vendo-a dançar já bêbada e se declarando e se insinuando para você a cada batida da música. Poderiam estar os dois sóbrios tentando conversar. Mas não. Você está aí, com cãibras nas pernas e passando frio no sofá (a janela da varanda ficou aberta, mas você não pode ir lá fechar porque acordaria o cachorro, lembra?).

Você está pensando nela, mas... será que ela está pensando em você? Será que enquanto se despede de todas as amigas com quem aprendeu a ser bacharel em direito (só vai ser advogada depois que passar na prova da OAB), ela sente sua falta? Será que vai beber um pouco mais e te ligar bêbada, dizendo que viu um cara igualzinho a você na formatura e achou que era você fazendo surpresa?

Você pensa um pouco nisso e começa a se preocupar: e se ela realmente encontrar um cara lá parecido com você, não resolver falar nada e já agarrar o cara achando que era você? Sua cabeça dói (não só pelas cervejas que tomou com os amigos durante o jogo de futebol no estádio naquela tarde, mas por medo). Seu coração dispara. Melhor não pensar.

Mas ao mesmo tempo algo lhe diz que fez bem em não ter ido. Era muito cedo para que você conhecesse a família dela. E se passasse uma impressão ruim? E se o padrinho dela bebesse além da conta e dissesse que não foi com a tua cara? E se a mãe dela perguntar o que você faz da vida e o pai dela não gostar da tua profissão? E se... e se a avó dela começasse a falar do ex-namorado dela e trocasse os nomes? E pior: e se o ex-namorado dela estiver lá?

Você vai ficar aí no sofá com um medo tremendo até conseguir, com muita sorte, pegar no sono. Então vai acordar no dia seguinte com ela te ligando já durante o Faustão dizendo que encheu a cara mesmo na festa e viu um cara lá parecido com você. Que foi até falar com ele, mas o cara jurou que não se chamava Leonardo, mas sim Guilherme. E que ela passou a noite inteira pensando em você.

E aí você vai perceber que acordou mesmo às 4 da manhã, ainda no sofá, e ver que sonhou com a ligação dela. E não vai conseguir dormir, com medo de o tal do Guilherme resolver se chamar Leonardo.

2 comentários:

meu desarrumado disse...

odeio inicio de relacioonamento.
adoro seu blog, ta no meu favoritos!
gosto do jogo das palavras!
beijo, parabens pelo blog;

Boninha disse...

Hoje é domingo. São 9h44 da manhã e faz pouco mais de uma hora que eu cheguei em casa, depois de uma das melhores festas dos últimos tempos. Que você perdeu.

E eu nãããão bebi :D (tá, só um pouquinho, mas não o suficiente pra encher a lata e te ligar breaca)

=*