quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Rapidinhas olímpicas (Juliana Veloso)

O dia não teve muitas novidades. Juliana Veloso foi eliminada na primeira etapa dos saltos ornamentais, a seleção brasileira masculina de vôlei ganhou da inexpressiva China e foi para as quartas-de-final, vários brasileiros ficaram pelo caminho nas provas de atletismo, Estados Unidos e Argentina passaram às semifinais do basquete masculino. Ou seja... nada de mais.

Para falar a verdaden não agüento mais as tais das Olimpíadas, não agüento mais as declarações fracassadas dos nossos atletas, não agüento mais ver gente se contentando com a medalha de bronze, não agüento mais um monte de coisa que não valem a pena ser explicitadas por aqui. Não, meu humor não melhorou.

Mas nem tudo está perdido. Pelo menos o dia foi agitado nos bastidores bizarros de Pequim, o que deve render uma boa leva das tais rapidinhas olímpicas. Vamos a elas, antes que eu acabe mudando de idéia.

Rapidinhas olímpicas:

Juliana Veloso: Não tinha como começar de outra forma. Minha antiga chefe costumava dizer que a Juliana Veloso era o melhor exemplo de loser do esporte brasileiro, e em Pequim não foi diferente. A tal da saltadora terminou na 23ª posição das eliminatórias da plataforma (10m), errando feio seu último salto (não conseguiu plantar bananeira e caiu como um saco de batata giratório na piscina). Fui para a redação imaginando qual lesão ela culparia desta vez. E não foi diferente: agora, foi o pulso. Ah, desculpas...

Juliana Veloso, ela merece: A notícia que virou capa no Terra mereceu mais um tópico para a Juliana Veloso neste humilde blog. A saltadora chinelinho, que deve treinar há pelo menos uns 15 anos pulando das plataformas de 10m de altura, simplesmente declarou que... que tem medo de altura, veja só! Já pensou se o Marcos, goleiro do Palmeiras, dissesse que tem medo de levar bolada forte? Ou se o César Cielo falasse por aí que tem medo de água?

Viagem interplanetária à Jamaica: Campeão dos 100m rasos no final de semana com recorde mundial e vantagem inquestionável sobre os rivais, o jamaicano Usain Bolt voltou a estraçalhar nos 200m, sua especialidade. Faturou ouro, recorde mundial e tudo mais a que tinha direito. Só não colocou a Jamaica no mapa porque... bom, a narração do João Palomino, da ESPN Brasil (para não dizerem que eu só fico cornetando o Sportv), justifica: “Usain Bolt é de outro mundo. Usain Bolt, da Jamaica”. Galvão, você não tá sozinho!

Segredo de campeã: Saiu no Lance! hoje um dos segredos das norte-americanas Kerri Walsh e Misty May (bicampeãs olímpicas e carrascas de duplas brasileira na história do vôlei de praia): elas jogam um punhadinho das cinzas da mãe da May na quadra antes das partidas. Tinha acabado de “almoçar” quando vi essa notícia, confesso que bateu um certo nojo.

Bronze histórico: Uma medalha de bronze que deve ser comemorada não é aquela do Tiago Camilo no judô, mas sim a da Ketleyn Quadros ou da Fernanda/Isabel na classe 470 da vela. Mas se tem uma que realmente vale mais do que ouro foi aquela conquistada pelo Rohullah Nikpai, na categoria até 57 kg do taekwondo. Foi a primeira medalha olímpica da história do Afeganistão. O cara, que deve fazer seus treinos contra um saco areia e mais nada, ganhou até do espanhol campeão mundial Juan Antonio Ramos. Esse sim, sensacional.

Várzea: Não é segredo de ninguém que a Confederação Brasileira de Taekwondo é uma zona, mas não achava que os técnicos seguiam o mesmo padrão. Mas o Carlos Negrão foi mestre na entrevista depois da derrota do Márcio Wenceslau nas quartas-de-final (perdeu justamente para o espanhol Juan Antonio Ramos): “O Márcio errou ao atacar o espanhol e deveria ser mais agressivo. O taekwondo é como um jogo de xadrez”. Não sei quanto ao Carlos Negrão, mas eu nunca levei uma voadora na orelha jogando xadrez.

RJ? É logo ali: Passou na Band um comercial que a seleção dos Estados Unidos de futebol feminino fez antes das Olimpíadas convocando o Brasil para uma revanche (elas levaram um sapeca-iaiá de 4 a 0 nas semifinais da Copa do Mundo do ano passado). A propaganda é engraçada: as loirinhas pegam um carro, começam a ouvir aquelas fitas de “aprenda português em um comercial”, atravessam o México, jogam futebol com um cachorro, passam por uma floresta tropical onde há jumentos pastando e chegam ao Rio de Janeiro por uma estradinha de terra e voilá, chegam ao Rio de Janeiro. Aí entram em um estádio e uma das jogadoras, a Wambach, diz para uma guria treinando no campo: “Hey, nos queremos un otro djogo”, com um baita sotaque. E o mais ‘legal’ é quando a suposta brasileira responde “Bamos lá”, quase que em espanhol.

Brasil x Argentina: Perdemos feio no futebol masculino nas semifinais para a Argentina, que levou a melhor no quesito pataquadas com vara. Inicialmente, o brasileiro Fábio da Silva simplesmente se esqueceu de que deveria pular uns 6m, passou correndo pela pista e nem chegou a usar a alavanca da vara: se atirou direto no colchão. "Se fosse pra fazer isso em Olimpíadas até eu faria", como diria o Mané. Depois foi a vez do Germán Chiaraviglio, atleta argentino, que repetiu a apresentação do Fábio e, para mostrar que os alvicelestes estão bem à nossa frente, foi ainda melhor na sua segunda apresentação: fincou a vara no lugar apropriado, mas não botou força e conseguiu a incrível marca de 40cm no salto.

Hidrofobia: Atendendo a milhares (?) de pedidos, mais uma rapidinha do famigerado Chupa Chup, o cavalo que tem medo de água. Um dia antes da prova, o Bernardo Alves até fez piadinha com a bizarrice de seu pocotó que deve valer mais do que a soma de todos os meus salários na vida. E pior: disse acreditar na chance de medalha, mesmo correndo o risco de seu cavalo se afogar no laguinho de 10 cm de altura: “Costumo brincar que o Chupa Chup não tem um motor turbo por causa da dificuldade de saltar obstáculos com água. Mas se eu só fizer uma falta no rio, posso entrar na briga por uma medalha”.

3 comentários:

Fábio disse...

O mais engraçado foi o que me disse, por telefone, o repórter da firma que estava lá acompanhando a prova de saltos ornamentais e me passando as informações:

Eu: Mas e aí, a Juliana ficou triste, chorou, pediu desculpas ou deu alguma desculpa?

Repórter: Não, que nada... ela estava super tranquila. Ela é muito tranquila, muito gente boa. Só não nasceu pra isso, coitada!

Caroline Arice disse...

Meeeu, pra que dar o nome do cavalo de Chupa Chup? Sou mais um clichê tipo Alazão ou Pégaso mesmo.

paula r. disse...

o brasil só perde, felipe... puta merda.

ah, o chupa chup foi pego no dopping, rs. ai, ai.