sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dificuldades de relacionamento, parte 2

No fatídico 1º de março, tive uma das conversas mais malucas da minha vida. Como citado exatamente aqui instantes depois do acontecimento, durante o treino do São Paulo no CCT da Barra Funda, bati um papo poliglota com um italiano e, por não saber bulhufas da língua da Velha Bota, consegui misturar quatro idiomas em um.

O tempo passou, mas eu não aprendi coisa alguma com o passar das semanas. E recentemente, dois meses e meio depois daquele dia, voltei a misturar várias línguas na tentativa de me comunicar em um idioma que desconheço.

Vamos pelo começo: desde o finalzinho do ano passado, estava planejando uma viagem para a França – que teria início na próxima semana, aliás. Comprei um guia de viagem parisiense e, também, um livrinho que ensinava francês a brasileiros desesperados na iminência de irem para o país gaulês.

As primeiras instruções nos dois livrinhos eram iguais: 'franceses não gostam de falar inglês, a não ser que você mostre que sabe um pouquinho da língua deles. Sempre inicie um pedido por informações com um: Pardon, monsieur. Je suís brésilien et je ne parle pas français. Parle vous anglais?'

Acontece que, por um ou dois motivos, a viagem não deu certo e acabei ficando por aqui. Desanimado, nem continuei mais olhando ambos os livros antes de dormir e os dois foram parar no fundo das minhas estantes. Mas acabei precisando ligar para um hotel na França dia desses por motivos que (ainda) não vêm ao caso e, para não correr o risco de a telefonista do hotel se zangar comigo e desligar na minha cara, tentei arriscar uma conversinha na língua dela para depois arranhar um inglês.

Liguei para o hotel no sudoeste da França e, depois de uma musiquinha do hotel no idioma local, uma moça me atendeu falando algumas frases bem ensaiadas e que, obviamente, não foram entendidas por mim. Então ela parou de falar e senti que era a minha vez. Bonsoir, je suís a brazilië journaliste, maar je ne parle pas français. Parle vous anglais?” (tecla sap: Bonsuá, iê suí a braziliê jourrrnalis, maar iê nê parlê pá françá. Parle vu anglê?).

Na hora, detectei a salada lingüística que tinha feito, misturando três idiomas na mesma frase. Embora a base tenha saído em um francês até que certinho, o 'a' (a terceira palavra da frase) é aquele artigo indefinido do inglês. Já 'brazilië' e 'maar' significam respectivamente ‘brasileiro’ e ‘mas’, só que... em holandês.

A telefonista percebeu a miscelânea e soltou um risinho antes de apertar o switcher de idioma e responder um simpático ‘Yes, I do speak English’. Ficou muito mais fácil para mim: “Well, I’m a Brazilian journalist and I’d like to talk to room seven-fourteen, please”.

Ela disse mais alguma coisa em francês e, então, ouvi barulho de linha. Medo: será que falei alguma bobagem também? O telefone continuou repetindo o universal tuu, tuu, tuu. Até que, do outro lado da linha, atendeu uma voz conhecida e com uma saudação não tão universal: “Alô?”.

Ufa! Deu certo.

4 comentários:

Fábio disse...

Hahaha, pô, você só deixou o link do post de março aí para jogar na minha cara (de novo) que eu havia pedido a saída do Adriano do São Paulo, né? Hehehehe.

Mas já tinha "engolido" o Imperador há tempos, justiça seja feita. E se ele nos der a Libertadores, pode voltar à Itália tranqüilamente que será sempre lembrado na gloriosa história tricolor.

PS: Pô, fiquei curioso! Quem você entrevistou na França?

Carolina Maria, a Canossa disse...

Hahahahaha. Eu sei, eu sei, léro, léro...

Mas por conta de segredos industriais não posso falar.

Fábio disse...

Bah!, como vocês dois são chatos! Tô curioso mesmo, hehehe! Mas sei que vem coisa boa por aí. Aguardemos.

Lucas Sampaio disse...

Por acaso era o tenista brasileiro Thomaz Bellucci, que estava disputando o challenger de Bordeaux? Acredito que seja a entrevista para o especial do adeus do Guga em Roland Garros. Estou errado?

Abs,
Lucas Sampaio.