quarta-feira, 7 de maio de 2008

Profundidade superficial

Fugi da sala no meio da aula um dia desses para pensar na vida e fui passar um pouco de frio no escadão da Gazeta. Sentado no mesmo degrau de sempre, notei que havia um cara qualquer na calçada ostentando um cartaz e o mostrava para determinados transeuntes.

Não pensei em outra coisa que não “hum, o cara está pedindo esmola, bacana. Mas pelo menos é um jeito diferente, com um cartaz”. No entanto, curioso que sou, forcei os olhos (estava desprovido dos meus óculos) para ver o que estava escrito naquela cartolina.

Se você almeja um algo [sic] diferente...

Então o cara se virou e eu não pude ver o resto. Continuei atento para tentar decifrar as palavras restantes, mas sempre que a minha miopia combinada com astigmatismo permitia que as letras entrassem em um mínimo de foco, o homem se virava.

Levei uns cinco minutos para conseguir avançar na leitura, mas apenas com algumas palavras.

Se você almeja um algo diferente e importante...

E novamente o cara se virou. Alguns minutos depois, mais três palavras de brinde.

Se você almeja um algo diferente e importante para sua vida...

“Humm, não parece pedido de esmola. Aliás, o cara nem parece estar pedindo esmola. Está todo sorridente e tem até um celular no bolso dele”, pensei comigo mesmo. E comecei a imaginar o que poderia estar escrito no cartaz.

Na hora lembrei daqueles filmes em que os mendigos aparecem sempre com umas mensagens filosóficas em um cartaz. E, putz, tudo levava a crer que o cara ali na frente do escadão também estava realizando algo do tipo. “Tem louco pra tudo na Paulista, vai saber...”, continuei.

Alguns minutos depois, entretanto, consegui ler as palavras finais do cartaz. E qual não foi a minha decepção quando li:

Se você almeja um algo diferente e importante para a sua vida, me dê um beijo.

Tudo, então, passou a fazer sentido: o cara só mostrava o cartaz para as mulheres (desacompanhadas, aliás) que passavam encolhidas de frio. E por isso que todos os transeuntes passavam por ele com um olhar estafado.

Ok, que o cara deveria ter uns oito parafusos a menos não há dúvidas. Mas agora me custa a acreditar que ele estava lá para fazer uma campanha por um mundo melhor, por mais amor ou qualquer coisa do tipo.

“Nem eu, que sou quase que um fracasso com mulheres, precisei nem chegar perto de uma apelação como essa”, explodi comigo mesmo. “Puta cara escroto”.

5 comentários:

Lui disse...

Hahahaha, eu vi esse cara, mas ele não mostrou o cartaz pra mim...devo ficar ofendida?

Tomiate disse...

Era o Patrão?

Allan Brito disse...

hahahahahahaha...

FDP!!!

Sempre vejo ele por lá e tb passo sem conseguir ler o que está escrito...

Que estúpido! haha...

E o comentário do Bebê foi pertinente... você tava sem óculos, si pá vc conhecia o cara e nem percebeu... sei como é!

Fábio disse...

Hahaha, que figura! Pô, eu sempre perco essas coisas impagáveis, humpf.

Anônimo disse...

Cada um apela da maneira que pode neh...