sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Transições

Há tempos vinha me perguntando que sinal eu receberia da vida e enfim perceberia que não era apenas mais um jovem menininho mimado, mas sim uma pessoa adulta.

A primeira vez em que eu achei que tinha recebido o toque foi aos 13 anos, quando fiz a barba pela primeira vez. Mas meu mundo não mudou depois disso, a outras coisas continuaram acontecendo e me faziam refletir um bocado.

Passei por muitas coisas que poderiam ter sido decisivas para deixar de ser apenas um garotinho. Terminar o Ensino Fundamental e iniciar o Ensino Médio? Humm... não. A primeira namorada? Também não. Então o que seria?

Por um tempo achei que tinha descoberto o tal sinal: fazer a barba com pincel, espuma de barbear, uma Mach 3 e com direito a loção pós-barba (da mais ardida) no final. Mas também não era isso o que mudaria a minha vida.

Terminar o colegial poderia ser considerado alguma coisa importante? Não. Poucos meses depois, entrei na faculdade e as coisas não mudaram muito. Nem quando fiz 18 anos. E tirar a carteira de motorista? Poderia ser mais independente, dirigir... Não, não. Não era isso que me faria um homem.

E abrir uma conta no banco? Ir ao caixa eletrônico, passar um cartão com o meu nome, digitar uma senha criada por mim? Ou então ver os envelopes plásticos da minha carteira recheados de cartões? Humm... ah, talvez. Mas eu ainda sentia que faltava alguma coisa. E essa coisa eu não encontrei quando fui ao pronto-socorro sozinho, sem a companhia da mamãe ou do papai.

Achei que tinha descoberto a vida adulta quando fui à minha primeira entrevista de emprego. Camisa, calça, sapato... apertos de mão, palavras ensaiadas, barba feita... ah, ainda não. Conseguir o primeiro emprego? Ser demitido no primeiro emprego? Quer saber, não era isso ainda...

Comecei a trabalhar na GE.Net e ainda assim sentia que faltava alguma coisa. Humm... a minha primeira notícia assinada? Não. O meu primeiro furo jornalístico? Menos. Talvez a minha primeira pauta externa, o meu primeiro colete de imprensa, a minha primeira credencial, a minha primeira matéria especial, a minha primeira entrevista, o meu primeiro jogo do estádio? Não, acho que não encontraria a resposta no trabalho.

Sabe como percebi que tinha deixado de ser apenas mais um molequinho espoleta e um novo adulto? Quando cheguei em casa alguns dias atrás com dores nas costas. Então tomei um café e, instantes depois, o desconforto passou. Assim, como mágica.

Coisas de adulto.

2 comentários:

margareth disse...

Oi...vc pode não acreditar,mas sp vou te ver como garotinho ,mas não um garotinho mimado ,mas alguém que desde os dez anos aprendeu a se virar sozinho e teve que se acostumar com a ausência física da sua mãe...Te demais...Sempre vou me orgulhar de vc.

Mané, sem bigode, disse...

Hahahahaha!

Faltou acendar um cigarro e tomar um copo de gim!