domingo, 21 de outubro de 2007

Leitura dinâmica

Tem dias em que você acorda com uma vontade enorme de ler. Poderia até devorar um livro de 468 páginas fazendo apenas uma pausa para tomar um copo d’água e outro para atender o telefone.

Em dias assim é difícil de se focar em apenas uma leitura. Você começa com o jornal e passa por vários blogs. Depois de ler vários arquivos dos blogs, fuça pelos favoritos de algumas páginas até encontrar textos tão bons a ponto de serem lidos durante muito tempo.

Acordar e ter vontade de ler é uma das coisas mais divertidas que há. Mas depois de realizar todas as suas leituras espontâneas, você se lembra de que precisa ler aquele texto de 50 páginas para a prova de amanhã da faculdade.

O tema de economia é importante para a sociedade, mas não convidativo para vpcê. Nem um pouco. Mas a vontade de ler algo é tamanha que talvez não seja tão complicado assim. Não custa nada tentar.

Então você deita na cama, acende os abajures e começa pelo título. “Dados macroeconômicos da economia brasileira”. Bom, o primeiro passo já foi dado. Faltam apenas 500. E... olha, tem uma tabela... menos trabalho ainda! Vai ser fácil!

“Os dados da tabela acima contam em números a história da economia brasileira...”. Hum, hoje à noite talvez tenha alguma coisa para fazer. Puts, tem a final da Copa do Mundo de rúgbi à tarde!... “Essa história é importante para visualizar o que poderia acontecer se uma política de crescimento fosse implementada para...”. África do Sul ou Inglaterra? Depende. O Jonny Wilkinson vai estar inspirado? Se não, acho que a África do Sul leva. Não, voltando. Onde eu parei? Ah, no título.

“Os dados da tabela acima...”, ué, acho que eu já li isso. Ah, verdade. Ia começar o segundo parágrafo. “O câmbio era controlado pelo Banco Central que desvalorizava o real cerca de ...”. Ei, por que não está escrito Real, em caixa alta?.......... ah, onde eu parei? “A taxa overnight (SELIC) de juros, que flutuava ao redor de 1,65% ao mês (17% ao ano) até outubro, subiu para 3,04% ao mês (43,34% ao ano) em novembro e para 2,97% ao mês (42,1% ao ano)...”. Será que eu vou ter que decorar tudo isso? Por que tanto número?... E será que se eu multiplicar os números menores por 12 vai dar o número maior? Ah, faz de conta que sim, vai.

Então você se levanta. Abre a janela, respira um pouco. Vai à cozinha, toma um copo d’água. Mais um. E mais um. E volta determinado para a leitura.

“A desvalorização do real ficou em apenas...”. De novo em caixa baixa? “... real ficou em apenas 8,26% e a inflação ficou em nível mínimo de 2,49% ....................................”

Ahn? Ah... Inflação... inflação... cadê inflação? Ah, achei.

“... inflação foi um crescimento nulo (0,13% do PIB) e um... um... ... ... um ....................................”

“..................................................”

“..................................................”

Então você dorme. E se esquece de tudo. Até de que sabe ler.

Um comentário:

Mané, de cabelo novo, disse...

Menos mal que a prova do Adalton é... Bem, a prova do Adalton.

Eu tenho até sexta-feira para começar e terminar o Grande Sertão: Veredas, naquele linguajar simples de Guimarães Rosa.