sábado, 13 de outubro de 2007

Praça de Pedra (parte II)

O personagem principal da nossa trama havia deixado de ler seu livro para a faculdade e corria o risco de ficar sem nota em uma resenha valendo dois pontos na média final. Um risco enorme (ah, corta essa, vai!).

E o que será que o jornalista bêbado teria para falar? Seria uma revelação sobre o submundo da imprensa brasileira? Seria apenas uma história furada? Ou enfim havia chegado a hora: os marcianos haviam invadido a Terra?

Acabe com essa e outras dúvidas no segundo capítulo de Praça de Pedra! *

* Se você, pára-quedista, não entendeu nada, leia o primeiro capítulo da trama clicando aqui.
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CAPÍTULO II

Antes de dar início ao seu discursou, o cara ao meu lado afroxou o nó da gravata. Respirou fundo, prendeu o ar e soltou devagar. E então começou a falar.

“Tinha uns 22 anos quando conheci uma amiga. Linda, cara, a mulher mais linda que eu já vi na vida. Claro, estou exagerando. Mas eu achava a mina uma gata de verdade. Um corpão. Um rosto de boneca. Quer saber? Um tesão.

“A gente conversava todos os dias até que... pô, você sabe... não tinha como não me apaixonar. Isso aconteceu depois de uns seis meses que a gente se conheceu. Mas na época ela saía com um cara. Não gostava dele. E acabou que eles não ficaram muito tempo juntos.

“Senti que ela dava bola pra mim. Mas não foi nem um pouco fácil conquistar a gata. Demorou. Até que um dia, de um jeito bizarro – um dia eu te explico melhor – a gente começou a sair. E, depois de um tempo, a namorar. Na época eu era jornalista de um canal de televisão, enquanto ela era de um jornal impresso.

“Uma coisa que ela sempre me dizia é que queria aprender espanhol. Aprender de verdade, não enrolar. E tinha o sonho de ir passar algum tempo na Espanha. Então decidi que um dia daria para ela uma viagem pra Madri. Eu tinha um amigo que morava lá, seria muito tranqüilo. Mas o foda é que era caro pra cacete.

“Até que um dia, fazia já alguns belos meses que a gente tava namorando, fui promovido. Ganharia um salário bem melhor, e com o bônus dava pra levá-la para a Espanha. Liguei eufórico pra ela, mas não contei a novidade. Falaria à noite. Queria estar perto para ver a cara que ela ia fazer.

“Marcamos de ir a um bar naquela noite. Cheguei lá dez minutos antes do combinado. Ela já estava por lá. Antes que eu desse um beijo nela, ela se agarrou no meu pescoço. Estava feliz, feliz pra caramba. Achei que ela já tinha descoberto sobre a minha promoção, e a minha surpresa tinha ido pro saco. Que besteira”.

“Por quê?”, perguntei.

“Na verdade, ela também tinha uma novidade pra me contar”

Um comentário:

Mané disse...

Puz, que droga. Esse negócio de suspense realmente funciona!

Eu quero saber a surpresa da mina do cara!