terça-feira, 30 de outubro de 2007

Capas da Playboy

Hoje já não lembro mais qual foi a primeira personalidade televisiva vista ao vivo por mim com esses olhos ligeiramente míopes. Andei pensando nisso esses dias, mas não consegui me lembrar.

A primeira lembrança que eu tenho de famosos à minha frente vem de 1999. Com dez, quase 11 anos, ia com meu pai aos jogos do Palmeiras no Palestra Itália devidamente uniformizado e sempre entrava em campo com os jogadores.

Lembro que esperava a semana inteira pelo dia do jogo. Então entrava no vestiário, ficava em uma fila com sempre uns 50 moleques e entrávamos no Jardim Suspenso de mãos dadas com Zinho, Alex, Oséias, Marcos... uma vez entrei com o Evair e senti que ‘minha missão já estava cumprida’.

Ao longo dos anos fui vendo algumas pessoas relativamente famosas a poucos centímetros de distância e até mesmo conversava com algumas delas. Foram vários: apresentadoras, músicos, repórteres de televisão, atores, atrizes... então comecei a fazer pautas externas pela GE.Net e comecei a ver técnicos, jogadores de futebol, da NBA, dirigentes... Mas ainda faltava alguma coisa: uma capa da Playboy.

Vi minha primeira capa da Playboy em setembro, no fatídico teste de arbitragens da Fifa, que teria a participação da bandeirinha Ana Paula Oliveira. Quando ela chegou ao clube de São Caetano do Sul, vários fotógrafos dispararam seus flashes e seguiam a assistente, que, de óculos escuros e roupa de ginástica, se dirigiu para a pista de atletismo.

Acompanhei a Ana Paula de perto. E, então, percebi que ela não tinha nada demais. E nem tinha um brilho próprio, como toda capa de Playboy é esperada para ter. Ela era apenas... ela era apenas uma mulher comum. Com braços, pernas, olhos, pernas, coxas, peitos, cabelo... e só.

Conversei com algumas pessoas depois de ver a Ana Paula e a frase que eu mais disse em todas as conversas foi: já vi muita mulher no metrô que mereceria muito, mas muito mais estar na capa da Playboy.

Algumas semanas depois, em um jogo entre Corinthians x Sport no Pacaembu, vi as ex-BBBs Fani e Mariana (lembram delas? Eu também não...). Nada demais. Até que passou a Graziela Schmidt, muito menos badalada do que as ex-irmãzonas. Foi uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. E que já pegaram na minha mão também.

O último capítulo dessa empreitada aconteceu no feriado de outubro. Enquanto me dirigia para meu recanto literário na Avenida Paulista, vi alguns metros na minha frente algumas dezenas de pessoas vestindo roupa preta. Inicialmente, pensei que era alguma manifestação da Gaviões da Fiel. Então o grupo começou a se mover rapidamente na minha direção. Não havia mais dúvidas: só podia ser um arrastão. Dois erros.

Cheguei mais perto ainda e vi que eram apenas os seguranças da Gisele Bündchen. Com ela no meio dos homens de preto. E, em volta, talvez uma centena de pessoas se aglomerava para olhar de perto a top model, extremamente bonita, mas que não havia saído na Playboy, não transformava as coisas em ouro e não daria a vida eterna àqueles pobres mortais que se esticavam ao máximo para até relar no braço dela. Caramba! E talvez até se gabarem disso.

Ver capas da Playboy ao vivo, a cores e com roupas talvez tenha sido uma das experiências mais frustrantes dos meus últimos 19 anos. É quando você vê que aquela imagem perfeita, inalcançável e quiçá imponente, nada mais é do que uma pessoa como eu e você. A foto da revista (vestimentas à parte) é muito mais idolatrada do que a própria personalidade.

Enquanto isso, milhares de mulheres que seriam dignas de capas da Playboy andam por aí normalmente, atormentadas com algum problema do trabalho, atravessando as ruas, esperando o metrô na plataforma... sem badalação alguma.

2 comentários:

Tomiate disse...

A Mel Lisboa não é exatamente gostosa pra aparecer na capa da Playboy, mas ela não passa de uma mulher normal nem nas páginas da revista - e essa autenticidade salva as fotos.

E, mesmo ao vivo e vestida, ela parece infinitamente mais bonita do que pelada e photoshopada.
(Preferia ver ao vivo e pelada, mas...)

Lucas "Palmeirense" Mello disse...

Eu já vi a Antonella na avenida Ibirapuera! Como ela foi duas vezes capa, eu ganho em dobro? Devo ter visto mais, mas não me lembro...

Na Cásper tem pelo menos umas cinco que seriam capa da Playboy facilmente..
facilmente......

Mas Playboy é mais que beleza ou qualquer outra coisa. O que importa é fama e fetiche!

Então, viva a Playboy!