domingo, 13 de abril de 2008

Atemporalidade

No começo deste ano, o Bronzatto decidiu divagar sobre o tempo enquanto estava diante do Big Ben, em Londres, durante sua viagem a Londres. Apesar de sensacional, o texto não me inspirou. Tinha na minha cabeça uma relação bem básica com o tempo – que, no fundo, apenas refletia a minha impaciência.

E o tempo não me inspirava: tenho o costume de bolar uma crônica no instante em que algo acontece na minha vida ou um pensamento vem em mente. O tempo, desta forma, não tinha vez.

Ledo engano (ainda bem!). Faz alguns meses, comecei a pensar um pouco mais no tempo. Na minha relação com o tempo. E percebi o quão dual tudo pode parecer.

Por exemplo: meu expediente tem, normalmente, cinco horas de duração. Mas nem todos os dias essas cinco horas são iguais. Quando trabalho de manhã, parece que trabalhei apenas uma hora. À tarde, por exemplo, o tempo custa, mas custa muito a passar.

Algumas semanas atrás também andei gripado, bem gripado. Racionalmente, sabia que os sintomas se esvairiam de mim em um, dois dias e depois nem me lembraria da gripe. Vivi dois dias que duraram um mês e, uma semana depois, olhava para trás e lembrava: “Nossa, como passou rápido! E ah, a gripe nem era tão forte assim, vai!”.

Comecei a desenvolver uma relação intensa com o tempo, que nunca seguia o meu desejo: custava a passar quando eu queria viver rapidamente e passava num piscar de olhos quando rezava para que ele demorasse absurdos.

Houve tempos em que eu cheguei a me esconder do tempo. Quando saía com minha última grande paixão, por exemplo, ‘expulsava’ o tempo da minha vida assim que me encontrava com ela: tirava o relógio do meu pulso e guardava-o no fundo da mochila. “Não quero ver o tempo passar enquanto estiver com você”, dizia eu com um brilho nos olhos. Foi uma época em que as medidas temporais não faziam a menor diferença. Foi uma época... atemporal.

Nos últimos dias, tentei desvendar o ‘mistério’ do tempo. Cheguei a uma conclusão bem simplória, admito. Disse até para o Mané um dia desses, quando batíamos o cartão para demarcar quanto tempo havíamos ficado na redação: “o tempo não faz o menor sentido, cara. A gente que faz com que ele tenha algum sentido”.

Vai dizer que você, caro leitor, nunca reencontrou alguém na rua e comentou algo do tipo “Nossa, quanto tempo! E parece que foi ontem!”? E foi justamente essa a sensação que eu tive quando revi uma antiga amiga pela primeira vez em dois anos.

Confesso aqui o meu pensamento nu, cru e pueril: na última vez em que a gente saiu, se ela tivesse me falado ‘até daqui dois anos, Fê’, eu teria contado no relógio cada segundo que me separaria do reencontro. Como ela não disse e a gente acabou não se vendo mais, apenas deixei o tempo passar.

Senti saudades, claro, mas era uma saudade que não tinha prazo, poderia acabar a qualquer momento com um reencontro inesperado – e, por isso, não machucava tanto assim. Seria pior, muito pior, a saudade contada. A saudade com um fundo racional (as medidas de tempo, no caso) machucaria muito, muito mais. Angustiaria.

Hoje, quando torço para que os dias passem o mais rápido possível, fico imaginando como tudo será daqui alguns anos. Talvez eu olhe para trás e veja que o tempo passou rápido demais. E nem lembre que, hoje, conto os meses, os dias, as horas, os minutos e até os segundos. A gente nunca lembra.

Todo mundo aqui já ouviu aquele velho clichê de que ‘o tempo é o melhor dos remédios’. Mas ninguém nunca diz que, quando você pensa no tempo e tenta manipulá-lo, ele se torna o maior inimigo de sua felicidade. E aí sim você vai precisar de remédios. Drogas fortes, talvez, vendidas apenas com recomendação médica.

Resumindo: o que é o tempo? Uma criatura criada por nós mesmos. Uma criatura que se torna monstruosa e assustadora quando temos que enfrentá-la. Mas um monstrinho inofensivo, que no fundo até é bonitinho e sábio, quando está longe de nós.

(Mais uma vez, algo esquecido nas pastas perdidas do computador há algumas semanas. Um extremo cansaço mental me impede de ser atual. Mas em breve retornaremos com a nossa programação normal)

3 comentários:

Lui disse...

hahahahaha...piada interna!!!!

juliana moura disse...

cuidado, felipe, com o dia de amanhã. mas eu te asseguro que tudo vai dar certo e nada vai mudar. (as dores nas costas aumentam um pouco)

esse é um conselho válido. pode aproveitar-se de meus ouvidos virtuais o quanto quiser. :***

Fábio disse...

Pô, cara, quer dizer que tu resolve marcar o aniversário em pleno meu fim de semana de plantão na firma??? Humpf!

E ainda por cima vai começar cedo, às 18h??? Ah, aí é sacanagem!

Acho que consigo sair do trampo no sábado umas 21h, sendo otimista... Até tomar banho e pegar a Thá na casa dela, 22h. Se eu chegar umas 22h30 vocês ainda vão estar por lá?

De todo modo, valeu pelo convite! Sério, queria muito ir. Vou fazer o possível! Abraço