quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Indiscrições e punições

Se meu organismo soubesse como se vingar de mim após ser extremamente maltratado, certamente não hesitaria em forçar o desenvolvimento de uma gripe tomba-homem. Daquelas de causar dores no corpo inteiro – a começar pela garganta. Daquelas terríveis mesmo.

Só que a questão não é essa. O problema, de fato, é que meu organismo sabe exatamente como se vingar de mim. Embora eu não tenha tomado gelado, pegado friagem, andado descalço, dormido de janela aberta ou feito tudo isso ao mesmo tempo, meu corpo se vingou de mim.

Confesso que imaginei que isso aconteceria. Ainda que eu garanta diariamente a ingestão de uma quantidade razoável de vitamina C ao tomar um copo de suco de laranja no almoço, meu organismo não aceitou o fato de eu ter dormido seis horas nas últimas duas noites (duas de domingo para segunda, três horas e meia de segunda para terça e mais meia horinha no carro da reportagem ainda na terça).

Passei a quarta-feira inteira com um frio no nariz, que fazia de tudo para poder espirrar. Sabendo do perigo, adiei durante o dia inteiro o atchim fatal. Mas, claro, não deu certo. E depois do primeiro vieram todos os outros sintomas: cansaço, dor de garganta, dores no corpo... lá vem.

Ao entrar no metrô voltando pra casa hoje, ao som de Martha, my dear pela enésima vez, olhei para os dois lados em busca de um assento livre onde eu pudesse desmaiar por alguns instantes. Não encontrei, mas ao meu lado havia uma garota, feinha feinha, mas que me chamou a atenção por estar escrevendo com o caderno de lado e ainda mantendo uma letra bonita.

Papel rosa. Um bichinho verde e outro cor-de-rosa no pé da folha. Um coração vermelho ao centro. Frases esparsas, cujos finais eram tampados por uma mão: “Estou escrevendo porque [...]”. “Mas eu queria que você soubesse que eu gosto muito de você e [...]”. “Espero que um dia você [...]”.

Ok, eu sei que é feio bisbilhotar o que os outros escrevem, mas depois de dois anos de faculdade ouvindo a velha máxima de que “devemos estar sempre atentos ao que acontece ao nosso redor”, senti quase que obrigação de olhar. E se ela fosse a nova namorada, sei lá, de alguém famoso? E se estivesse planejando o assassinato de outra pessoa ainda mais famosa? Pautas, freelas... cifras. Ou então a inspiração para apenas um texto bonitinho neste blog.

Pensei em pegar o óculos na mochila para tentar ver melhor o que acontecia, mas poderia chamar a atenção dela. Preferi esticar o pescoço para o lado, baixar o olho, arriscar uma espiadela aqui e outra acolá.

Acontece que no exato momento a garota olhou para o lado e me olhou com a cara feia. Disfarcei, olhei para o lado e assobiei ao som do piano da música. Ela voltou a olhar para o caderno ensaiou colocar a caneta sobre o papel. Tentei uma olhadinha com o canto de olho. Ela fechou o caderno.

Aos meus ouvidos, o Paul me repreendia: Hold your head up your silly boy, see what you’ve done.

3 comentários:

Eleanor Rigby disse...

Vai ver ela gostou da atenção, se sentiu menos invisível. Esse tipo de coisa costuma salvar o dia das garotas feinhas feinhas. Falando por experiência, claro.

Lucy in the Sky disse...

"ao som de Martha, my dear pela enésima vez".
:]
.
.

Um momento como esse passaria despercebido por qualquer pessoa que não tem essa sensibilidade.
;]

Allan Brito disse...

Tá certo.

Vai q a carta era pra vc tb?

Nunca se sabe. MESMO!

haha...

Abs!!!

Ps: realmente vc acertou sobre o Bota... eu até fiz minhas ressalvas, mas vc cravou em cheio... rídiculo o Bota, como sempre!

E sobre o Santos, eu escrevi q ele é o mais forte entre os clubes d massa... entre TODOS msm, certamente é o Saad. Apesar q agora ele tá com problemas de arrumar a sede definitiva e tal... isso pode atrapalhar em alguma coisa neh...

Mas só saberemos no Campeonato Bagunça Paulista...

Q lixo q fazem com o fut feminino realmente...