terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A melhor música de todos os tempos (ou não)

Certamente isso vai soar como uma blasfêmia a qualquer músico inveterado, mas algumas reflexões minhas nos últimos não me deixam esconder minha música preferida. Apesar de a música mundial – especialmente o rock, meu gênero preferido – estar repleta de coisas simplesmente sagradas, a minha canção predileta e seu intérprete são praticamente desconhecidos.

Não, não se trata dos inquestionáveis Beatles, que fizeram o básico se tornar chique. Também não é nada musicalmente perfeito como Led Zeppelin e muito menos algo tão clássico como Born to be wild, do Steppenwolf, e nem Smoke on the water, do Deep Purple. Sinto frustrar aqueles mais nacionalista ao dizer que minha música favorita não foi composta ou interpretada por Los Hermanos ou Chico Buarque.

Descobri essa canção ainda com 15 anos, no primeiro colegial. Em um dia aparentemente qualquer no laboratório de informática do meu colégio, um colega de sala abriu a Internet – algo que não nos era permitido aquele dia – em um site que eu não conhecia, o Punk Hardcore.com (página que eu também não acessei novamente).

Pois bem. Naquela sexta-feira, por volta da hora do almoço, o site anunciava o lançamento de um novo single de uma banda da qual eu jamais havia ouvido falar. A música em questão tocava sempre que a página virtual especializada em punk e hardcore era acessada. E o som que tocou logo chamou a minha atenção. Ao perguntar para o meu amigo, obtive o nome e o intérprete da música: I believe I can fly, gravação do Me First and the Gimme Gimmes de 2003.

Pois bem, agora vamos por partes. A música em questão foi originalmente composta por R-Kelly, um cantor de hip hop norte-americano que hoje em dia aguarda por seu julgamento da acusação de pedofilia. Embora tenha escrito músicas para diversos grupos (dos quais eu não gosto nem um pouco), I believe I can fly foi a que fez mais sucesso por um motivo especial: embalou o filme Space Jam (Warner Brother/1996).

Para quem não lembra, a trama de Space Jam é mais ou menos a seguinte: alguns alienígenas baixinhos capturam os Looney Toones. Pernalonga, Patolino e cia. limitada propõem um desafio para serem libertados: como os ETs são baixinhos, sugerem uma partida de basquete.

Os etezinhos, então, roubam o talento dos cinco melhores jogadores em atividade na NBA naquele ano (Charles Barkley, Pat Ewing, Muggsy Bogues, Larry Johnson e Shawn Bradley) e se tornam monstros grandes e talentosíssimos. O Pernalonga, então, tenta convencer o então aposentado Michael Jordan a deixar o beisebol e voltar às quadras de basquete. É divertidíssimo (pelo menos para um garoto de oito anos que assistiu ao filme em 1996).

Quanto ao intérprete da minha versão predileta: o Me First é uma banda de punk cover estilo Globetrotters – famoso time de basquete que se reúne de vez em quando para jogar basquete de forma incrível e alegrar o público. O grupo, que conta com o vocalista Spike Slawson (Swingin’ Utters), os guitarristas Chris Shiflett (Foo Fighters, mas que também tocou no No use for a name) e Joey Cape (Lagwagon), o baixista Fat Mike (Nofx) e o baterista Dave Raun (também do Lagwagon), de vez em quando faz alguns shows, grava algum CD e regrava sucessos da música. E I believe I can fly foi uma dessas.

Com duração de 2min58 (versão Me First), o som mistura um início bem calminho, mas que ganha muito mais ritmo e (pessoalmente) graça no primeiro refrão. Bem animada, a música é difícil de ser ouvida à exaustão. A letra também é bonitinha: trata de uma pessoa sem muitas esperanças na vida, mas que conheceu o amor de verdade, ganhou confiança e passou a ter otimismo na vida (qualquer semelhança com este que vos escreve é pura coincidência). E as poucas pessoas para quem eu recomendei gostaram.

I believe I can fly não é tão desconhecida como parece. Ela foi eleita uma das 500 melhores músicas de todos os tempos de acordo com a revista Rolling Stones. Também chegou ao topo da lista das mais pedidas no Reino Unido, na Suíça e na Holanda, além do segundo lugar em Áustria e Estados Unidos e no terceiro posto da Alemanha. Ela também é famosa por tocar durante partidas da NBA e, também, em formaturas colegiais nos EUA. Mas não na versão do Me First, claro.

Para quem jamais ouviu falar da música versão Me First, segue o clipe dela logo abaixo. E para quem nunca nem ouviu falar da tal banda, uma sugestão: Kazaa e Limewire, claro (no Youtube há muitos vídeos ao vivo, com som muito ruim). Além da trilha do Space Jam, as minhas outras favoritas da banda serem as regravações de Don’t cry for me Argentina e Over the rainbow (isso, aquela mesma do Mágico de Oz!).

Uma das coisas legais no Youtube, no entanto, é este vídeo, que mostra uma apresentação em um Bar Mitzvah (um dos momentos marcantes da vida de um novo judeu). Legal ver a cara atônita de grande parte da festa e o riso contido nos molequinhos mais novos. Depois, todo mundo cai no som, claro.


2 comentários:

Carolina Maria, a Canossa disse...

Muito boa a música. Excelente o vídeo judeu. Destaque para a velhinha que aparece no 3min53s, mais ou menos.

Sky disse...

Sincaramente, gosto muito da música. Mas os Beatles... Ah, são os Beatles.