quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Casual

Sentiu algo quente no rosto quando despertou do sono profundo. Quase se assustou, mas preferiu esperar um pouco para abrir os olhos e descobrir o que estava de fato acontecendo. Parecia ser uma manhã ligeiramente fria (seu rosto estava gelado, apesar do resto do corpo quente), e aquilo realmente lhe esquentava uma das bochechas.

Alguns segundos depois, já um tanto curioso, enfim abriu os olhos. Notou que não estava em sua cama, em seu quarto. Estava em um lugar estranho, sobre um colchão bem mole e sob cobertores bem mais finos que os seus. A decoração do quarto não era lá muito bem feita, não tinha armários e nem os pôsteres dos títulos do seu time de futebol.

Mas foi olhando para o lado que entendeu melhor o que acontecia. Viu ao seu lado uma garota, de cabelos lisos e de um castanho bem escuro, pele clarinha, bochechas rosadas, uma tatuagem no ombro direito. Dormia, ainda. Dormia com um braço encolhido que terminava com a mão no rosto dele... o outro braço, estendido, o abraçava pela cintura.

Reconstruiu os fatos, mas foi apenas o barulho do aquecedor (já soltando um vento frio) que de fato o ajudou. Nunca teve um aquecedor em seu quarto, a não ser quando viajou para lugares mais frios. Olhou para o lado, viu um par de chinelos que não eram os seus. No banheiro, acoplado, toalhas limpas e um pacotinho de sabonete ainda fechado. E a noite anterior se reconstruiu.

Tinha saído mais cedo da faculdade naquela noite extremamente gelada e a reencontrado no caminho de casa. Ela, um antigo caso mal-resolvido, também tinha saído de sua faculdade mais cedo para resolver uns problemas. Conversaram um pouco, ela o convidou para pararem em um bar e tomarem um café. Ele propôs algo melhor, uma garrafa de vinho em um outro bar. Ela topou.

Mas é claro que uma garrafa de vinho não termina de um jeito normal para dois antigos amantes. Mataram as saudades das conversas, dos papo mais quentes... acabaram matando a saudades também dos abraços apertados, do beijo ensandecido, dos amassos mais quentes... e foram parar em um motel. Só foram dormir um bom tempo depois, bem depois. Satisfeitos, felizes, quentes. Ligaram o aquecedor apenas para dormirem ouvindo um pouco de barulho.

Ela notou que ele tinha acordado. Também abriu os olhos, perguntou o que tinha acontecido. “Que horas são?”, ele perguntou. “Sei lá, querido. Dorme, ainda tá cedo”, ela respondeu ainda sonolenta. “Não sei, posso estar atrasado para o trabalho, e...”, ele argumentou. “Você e esse seu trabalho. Dorme mais, vai, você merece”, ela contra-argumentou.

Ele pensou em relutar, mas não conseguiu. Ela, a fim de evitar qualquer resposta, chegou ainda mais perto dele, pousou a cabeça sobre seu peito, deu um leve beijo em seu pescoço e pegou no sono. Ele também. E se esqueceu do trabalho, da vida, de tudo.

2 comentários:

Fábio disse...

Até cheguei a imaginar que o "ele" do texto pudesse ser você. Mas logo percebi que não era: "A decoração do quarto não era lá muito bem feita, não tinha armários e nem os pôsteres dos títulos do seu time de futebol".

Que títulos????

(Hahahahaha, pô, era só pra zoar o Palmeiras um pouquinho... Até porque, pelo visto, vocês é que terão motivos para zoar todo mundo em algumas semanas. Maldito Grêmio! Humpf.)

Aline disse...

I guess when you're young, you just believe there'll be many people with whom you'll connect with. Later in life, you realize it only happens a few times...