sábado, 28 de julho de 2007

Tentativa de assalto

Sábado, decidi mudar a minha rotina de almoços e parei no McDonalds em vez de em algum outro self service no caminho.

Depois de comer algo nem um pouco saudável e sair da lanchonete, coloquei a mão no bolso para pegar os fones de ouvido e fazer a volta para casa com trilha sonora. Assim que tiro os fiozinhos brancos do bolso, ouço dois passos rápidos e mais três no mesmo ritmo que o meu.

“Ei”, ouvi. Decidi fingir que não era comigo, até porque meu nome começa com F... Não deveria ser alguém íntimo me chamando por algum apelido que eu ainda não conheço.

“Ow, ow, ow”, ouvi novamente. Continuei andando e decidi me fazer de difícil. Mas, claro, já estava pensando em tudo o que falar para o meliante. Já tava tudo ensaiado na cabeça:

- Não, cara, não tenho nada.
- Tava trabalhando, cara, tô voltando pra casa.
- Se eu sou playboy, não deveria estar trabalhando em um sábado desde as 8 da matina. E nesse frio!
- Onde eu trabalho? Eu sou estagiário, cara.
- Celular? Pô, mas esse tá uma merda. Nem crédito ele tem!
- Ah, esse ipod... eh, mas... aaahh... eh...

Aí ele ia pedir para ver o que eu tinha na mochila e não ia encontrar muita coisa, a não ser uma caneta, uma caixa de óculos sem óculos, o tal livro do Harry Potter, e um outro que eu troquei com um hare krishna por todas as oito moedas de R$ 0,10 que eu tinha no meu bolso há umas duas semanas. Não ia ler, mas também não joguei fora porque alguma personalidade da religião pode se voltar contra mim e me amaldiçoar para sempre.

Voltando...

“Aí, caralho, pára agora. E vira pra cá!”. Agora sim era comigo. Decidi me virar e me surpreendi por não encontrar nenhum trombadinha a meu encalço. Vi apenas dois polícias que haviam invadido a calçada com suas motos e que apontavam cada um uma arma (que, aliás, pareciam aquelas de pressão) para um cara de toca.

“Mão na cabeça, porra! Aí, eu mandei colocar a mão na cabeça”. Comecei a fazer o movimento para colocar a mão na cabeça, lentamente, como eu via nos filmes da tevê. Até que um dos oficiais percebeu o que eu estava fazendo e rapidamente esclareceu: “Não, você não! Você vai embora. Tu num viu que ele ia te roubar não?”.

Preferi não responder. O sorriso amarelo do meliante, que me olhava com um misto de ‘dessa vez você deu sorte’ e ‘ainda te pego, fidaputa’, respondia tudo. Coloquei rapidamente os fones de volta no meu bolso, dei as costas para a cena e fui para o metrô, mantendo o ritmo dos passos.

E só na estação eu decidi fazer com que a minha vida tivesse trilha sonora.

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Rapidinhas do Pan (com videocassetadas)

A canoa virou: A última prova de canoagem velocidade do Rio-2007 era o K2 500m para mulheres. Em ação, Naiane Pereira e Ariela Pinto, que tinham a incumbência de se tornarem as primeiras mulheres brasileiras da história a subir ao pódio em um Pan. A largada foi dada e os caiaques de Canadá, Cuba, Venezuela, entre outros, disparam na Lagoa Rodrigo de Freitas. O verde e amarelo não sai do lugar. Mas é errado dizer que a embarcação não se mexeu: ela tombou, jogando as representantes nacionais na água. Depois da bizarrice, o técnico explicou: “A pressão atrapalhou”. Em tese, foi (mais) uma amarelada da delegação brasileira.

Cama elástica 1: Acompanhei o resultado das provas do trampolim acrobático pelo site do Rio-2007, mas achei estranho o fato de a brasileira Bruna Garambone não ter recebido mais do que a nota 0,8 (em uma escala que vai até 10, que fique claro). O Sportv começou a passar a reprise. Foram quatro saltos: um parafuso esticado, uma pirueta e meia com frescura da comentarista, um duplo mortal para frente e uma pataquada com aterrissada de cabeça. Depois de parecer uma bêbada na cama elástica, a última posição.

Cama elástica 2: A mesma nota baixa da Bruna Garambone esteve presente com outro brazuca: Rafael Andrade. E ele conseguiu imitar direitinho o feito da compatriota. Depois de três saltos até que bem executados, uma pisadela no quiabo com quique de bunda. Apresentação abortada e último lugar.

Tem um limite: Para não parecer que eu só falo mal dos atletas brasileiros, vai uma cassetada de um uruguaio. Na semifinal do basquete, o Taboada foi em busca de uma bola perdida na lateral da quadra, mas se esqueceu de frear. Resultado: atropelou a placa de proteção lateral e tombou junto com o aparelho, ficando em uma posição não muito digna com a retaguarda ao vento. Só não entendi por que o Cléber Machado falou que a torcida da Arena Olímpica aplaudiu o esforço do uruguaio sendo que todo mundo tava dando risada.

China no quadro de medalhas: E quem disse que a China ficou de fora dos Jogos Pan-americanos? Depois de hoje, com a final individual do tênis de mesa, a constatação que a maior população do mundo tem condições sim de garimpar medalhas em solo americano. Após o mais do que emocionante duelo entre Lin Ju e Liu Song (quase xarás), ouro para o primeiro, que recebeu o patrocínio da República Dominicana e impôs mais uma derrota à Argentina (que havia aliciado o Liu). Um dia antes, houve a final do feminino entre Jun Gao e Xue Wu. Depois da dupla dobradinha, o país oriental chegou a duas medalhas de ouro e outras duas de prata, disparando no quadro de medalhas, assumindo a 15ª posição e ultrapassando potências esportivas como Antilhas Holandesas, Ilhas Cayman, Barbados, São Vicente & Granadina e Nicarágua. Fraaaancamente...

2 comentários:

Lia disse...

caramba.
eu não colocava trilha sonora nunca mais na minha vida, que medo..
e eu sempe ponho...=0
hey,
que triste essa história da cama elástica x-
de bunda? cabeçada? ¬¬'...
mas acabou cara. vale alguma reflexão? na minha última postagem eu falei sobre os últimos 10 segundos de basquete, infelizmente não vi os últimos dez segundos do brasil de fato, com o saretta^^

beijos e cuidado andando por aí, ow!

rafael disse...

eu sou o Rafael Andrade que imitou a Bruna Garambone na cama elastica...hahahahaha
mto engracado seu comentario apesar do evento ter sido triste!!