terça-feira, 10 de julho de 2007

Os sobrenomes mais legais (ou nem tanto assim)

Em mais uma das minhas fantásticas abstrações que sempre me acometem no caminho de casa, não sei bem por que comecei a lembrar de uma besteira bem grande que eu costumava repetir por aí quando era pequeno. Ouvi não sei de quem, mas achei o maior bacana. Lá vai.

A Holanda era um país pacato até o século XVII. Enquanto Napoleão Bonaparte expandia seu império ao longo da Europa, as pessoas nos Países Baixos se preocupavam apenas em cultivar laranjas, construir diques para evitar o avanço da água e dançar com tamancos. Uma beleza.

Até que Napoleão resolveu tocar o puteiro também na Holanda. O povo neerlandês, muito pacífico, não resistiu. E até pareceu aceitar de boa o que a França queria. Até que os invasores decidiram avacalhar e impuseram a criação de sobrenomes para os dutchman. Besteira. Pra quê?

Revoltados, os holandeses iniciaram um manifesto pacífico. E bem humorado, claro. Como acharam que a invasão napoleônica seria coisa passageira, decidiram criar sobrenomes engraçados. Aquela coisa que só os holandeses sabem se dar mal, mas de um jeito bacana. Eles inventaram sobrenomes bacanas e patéticos. Uma ótima idéia.

Assim, a partir de 1820 (ou coisa do tipo), a Holanda passou a ser habitada por um bando de pessoas com nomes um tanto quanto bizarros: Martin Rotmensen, Richard Ergst, Julietta Zwartehond, Pieter Piest, John de Timmerman, entre outros. Mas era só temporário, os holandeses imaginavam.

Ledo engano. As tropas napoleônicas curtiram aquele clima de Países Baixos e decidiram ficar por lá mais tempo. Muito tempo. Assim, o Martin Gente Podre começou a ter filhos, assim como o Richard Malvadão, a Julieta Cachorro Preto, o Pieter Mijado, o ‘Jonas, o Carpinteiro’. Problema: os sobrenomes teriam que passar de geração para geração. E a Holanda passou a ser habitada por um monte de gente com o nome tosco, que se reproduziam e mantinham os nomes toscos.

E isso continua até hoje. É claro que alguns pais mais empáticos com os filhos decidiram bolar alguns sobrenomes normais e que não tivessem significados como os já citados. No entanto, teve aquela galera que quis manter a tradição familiar e as novas gerações continuavam a receber tais nomes.

Hoje, não é raro você se deparar com algum holandês que tenha um nome tosco. O mais difícil, creio eu, é você se deparar com algum holandês. Pelo menos se você mora em São Paulo, ou em algum lugar que não seja perto de Bélgica, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Suriname, Guiana ou coisa do tipo.

Só que, depois de um enfadonho levantamento de personalidades holandesas, acabei encontrando alguns sobrenomes bacanas. Vale o destaque:

Johannes van der Broek (Johannes de calças), um arquiteto

Rem Koolhaas (Rem repolho-de-lebre), arquiteto que projetou a Casa da Música, na Cidade do Porto

Gerrit Dietveld (Gerrit da plantação de cana), um cara que projetava cadeiras

Jan de Bont (Ian, o peludo), um cineasta

Tim Kliphuis (Tim da casa trancada), um músico

Paul Haarhuis (Paul na casa dela), ex-tenista, tricampeão de Roland Garros e uma vez campeão de Wimbledon e dos abertos de EUA e Austrália (em duplas)

Jaap Spaanderman (Jaap chateado-com-a-humanidade), outro músico. Que não é o Homem Aranha.

Sebald de Weert (Sebald fique-longe-daqui), um explorador

Ronald Koeman (Ronald homem-vaca), ex-jogador de futebol e atual técnico do PSV

Talitha de Groot (Talitha, a grande), jogadora de tênis, atualmente na milésima vigésima oitava colocação do ranking de entradas da WTA

Frank e Ronald de Boer (Frank e Ronald , o fazendeiro), irmãos gêmeos e jogadores de futebol, que participaram das Copas de 1994 e 1998

Robert Doornbos (Robert pedra-no-sapato), piloto que disputou a F1 em 2006

Hendrik-Jan Held (Hendrik-Jan Herói), jogador de vôlei campeão olímpico em 1996

Um adendo sobre o campeão olímpico. Ele não foi um destaque da equipe prata em Barcelona ou ouro em Atlanta. Ele não era o levantadador e muito menos o maior pontuador. Também não era o líbero, porque naquela época não existia isso no vôlei. Ele não era um grande sacador e nem um grande defensor. Não foi dele o ponto da vitória e nem a cagada que deu o ouro para o Brasil em 92.

Sinceramente, não sei de onde ele surgiu. Até porque o Held mais famoso de toda a história do País Baixo era herdeiro do trono. E iria se tornar rei em algum ano que eu não sei dizer qual.

Ele tinha tudo para ser coroado e governar toda aquela parada. Para isso, tinha apenas que se casar com uma princesa cujo nome eu também não lembro. Held, porém, renunciou ao trono e fugiu com a sua amada (dá para ver que o mal já é de família). Passou por pela Prússia e desembarcou no Brasil, antes de viver feliz para sempre.

Claro, não sem se esquecer de deixar descendentes. Que não têm nada o que fazer em uma noite de terça-feira e acabam perdendo um bom tempo de descanso fazendo algo absolutamente inútil.

Mas holandeses gostam do Brasil, não sei por quê.

5 comentários:

Mané, em fim de férias, disse...

Vai, quem manda? Poderia ser um herdeiro do trono holandês e se casar com uma plebéia argentina... Mas nãããão, foi querer fazer jornalismo!

Diana disse...

hummm.. Herói entao.. vc é o herói.. aham.. sei.. q mais?
=:)

Lia disse...

ahã, claro sr. descendente-do-rei.
como você tem certeza?
eu ainda acho que é passado de hold.
hold, held, held
u.u
e porque renunciar ao trono e fugir com a amada é mal de família? você já fez isso?

=]

Anônimo disse...

minha mãe conta pra nos que nosso avô era holandês e o nome dele é severino felix alex alburg ele casou com minha avó e nasceu minha mãe luiza alburg infelizmente eu nunca consegui encontrar nenhum parente do meu avô.

Cris disse...

Legal post! Eu estava procurando essa história, estive ano passado na Holanda e guia nos contou... Achei divertido!

abs