quarta-feira, 25 de julho de 2007

Água abaixo

Foram seis anos de uma longa epopéia.

Lembro que comprei a primeira parte da trama em algum dia de maio de 2001. Tinha o dinheiro contado para comprar o Use your illusion I, do Guns n’ Roses, mas passei na frente de uma livraria no shopping e optei pelo livro de que todo mundo falava na época.

O primeiro eu li em exatos cinco dias. Logo em seguida, devorei o terceiro em apenas três dias e precisei de apenas mais quatro para terminar o terceiro. A partir daí, uma longa espera pelo lançamento do próximo capítulo.

O quarto fragmento eu só li nas férias de inverno de 2003. Um ano e meio depois, na semana entre o Natal de 2004 e o Reveillon de 2005, terminei o quinto. O sexto foi uma irresponsabilidade: durante os vestibulares de Unicamp e Cásper, quando eu deveria estar lendo algum livro para a alguma das provas. Mas valeu a pena.

Desde então, foram outros 18 meses apenas esperando o lançamento do derradeiro capítulo. Finalmente surgiu a notícia de que o sétimo Harry Potter estava à venda, mesmo que em inglês, na Fnac. Maravilha.

Aproveitando que estou a apenas 50 páginas de terminar o Veríssimo que me acompanhou nas idas ao trabalho durante os últimos dias, repensei alguns gastos. Os dilatadores nasais, que serviriam para minimizar a necessidade física da minha rinite alérgica combinada com desvio de septo pelo Aturgyl, ficariam para outra vez. A quarta-feira seria para comprar a última parte da saga.

Estranhamente, decidi entrar no site da loja para ver o valor do livro. O preço de verdade é de R$ 75,90, mas decidiram dar um desconto de alguns pontos percentuais, reduzindo a quantia para R$ 54,90. Pronto. Estava pronto para ir para a cama.

Antes, porém, vi que o MSN ainda estava ligado. Fui fechar o programa, mas fui ver se tinha alguém interessante para trocar algumas palavras antes de ir dormir. A única pessoa online era um amigo meu da época de colégio e sua namorada, com quem eu também estudei há alguns anos.

O subnick de ambos, contudo, não era uma troca de carinhos furados normal entre um casal. Pelo contrário. Propositadamente, os dois (que jamais leram uma página de algum dos livros) resumiam em quatro palavras o final de toda a saga que me custou seis anos, R$ 202,80 (em números atualizados. Na época, o valor deve ter sido bem maior), 2.712 páginas e muitas, muitas horas de leituras. Não que eu fosse daqueles que contava os dias para que o livro chegasse, mas depois de tanto tempo era questão de honra chegar ao final. No entanto, tudo isso foi quebrado.

Durante alguns minutos, imaginei todos os xingamentos possíveis que eu aprendi ao longo de 19 anos. Depois, inventei alguns outros. E, claro, deixei os dois bloqueados nas profundezas do meu MSN.

Droga.

Um comentário:

Mané, de apartamento novo, disse...

Hahahaha! Não tive muito tesão em acompanhar a saga do menino-bruxo, mas achei graça. Seus amigos são dos meus, que entram no cinema contando o final do filme!

Mas não desanime, caro Helda. O blog do Luis Mauro diz que ainda compensa. Afinal, ele não conta o final, mas gasta mais do que quatro palavras para dar detalhes intrigantes - sem contar o final!