quinta-feira, 6 de março de 2008

Escapadas (Dia livre, o retorno)

Quando era pequeno – e quanto digo isso me refiro aos meus oito ou nove anos –, não tinha a menor idéia de que dali uns dez anos estaria na faculdade e, de quebra, trabalhando. É óbvio, jamais poderia imaginar que decidiria fazer jornalismo e nem que seria estagiário de um veículo de comunicação cujo slogan é “o melhor site de esportes do Brasil”. Naquela época, eu nem sabia o que era um site.

Acontece que, na minha visão, trabalhar queria dizer vestir calça, sapato, camisa, gravata e paletó, pegar o carro e fazer alguma coisa até umas 17 horas. De segunda a sexta e amem.

Isso que eu faço hoje de acordar quase ao meio-dia, bater cartão às 14 e depois às 19, de tênis, camiseta e calça jeans, não seria trabalho nem aqui e nem na China. E quanto a trabalhar no final de semana, então? Folgar em um dia da semana? Peraí, tem certeza de que estamos falando de trabalho?

Pois bem. Contra quase tudo e contra quase todos (até mesmo contra mim mesmo), minha vida chegou a esse ponto. E hoje eu sou alguém que não usa roupa social e folga em um dia útil a cada duas semanas. Hoje, inclusive.

Arranjar o que fazer em um dia de folga não é complicado. Poderia, por exemplo, desfalecer sobre a minha cama durante muito, muito tempo e repor todas as energias. Era possível também ir ao Ibirapuera, ao clube, ao cinema... ou então ir para biblioteca da faculdade e ler todos os 20 mil textos “obrigatórios” ao curso. Melhor não. Até mesmo o escadão parece ser idéia melhor.

O que eu decidi fazer? Ora, simples: botei o pé na estrada. Isso mesmo, viajei – e não foi na maionese (piada ruim detectada). Quinta-feira, rodoviária do Tietê, 9h07, guichê de uma empresa. “Qual é o próximo ônibus pra tal lugar?”. “9h15”. “Tá, pode ser”. “17 reais. Plataforma 50, o senhor tem dez minutos”.

Enquanto o mundo corria, eu descia as escadas para a plataforma 50 dançando Beatles. Enquanto o mundo ia para o trabalho, eu ia viajar por aí só com uma mochila nas costas.

Ao entrar no ônibus, relembrei aqueles passeios escolares ao museu ou coisa do tipo. Procurei, então, um assento vazio no fundo, abri as ventoinhas de ar condicionado... os motores foram ligados, as portas foram fechadas... E agora (nota da redação: este texto foi escrito dentro do ônibus) eu olho para o lado e só vejo mato, mato, mato, carro, mato, vaca, cavalo, mato, uma fábrica aqui e outra ali. E acredito que os meus seis companheiros de ônibus vêem a mesma coisa. Mas sem a minha trilha sonora de Shout out Louds.

Quer saber? Posso trabalhar comom um louco – especialmente aos finais de semana – e não ter lá muitas pretensões salariais no futuro. Mas não trabalho de terno e gravata, tenho folgas durante a semana e, agora, estou viajando com a sensação de estar cabulando aula, mas sem o medo de ser flagrado e ter que dar satisfações.

Ainda bem que eu me enganei dez anos atrás!

2 comentários:

Lucy in the Sky disse...

A mesma paisagem que eu vejo sempre quando volto para a casa...n�o necessariamente na mesma ordem.
Mato, mato, cavalo, vaca, mato... E voc� acredita que at� bola de feno j� vi aqui em Sanjuca?
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� sempre bom sair da rotina e quebrar a monotonia! � sempre bom escapar de SP um pouquinho...

Mas eu, na pr�xima folguinha que pintar, coloco a mochila nas costas e vou me aventurar na capital.
Saudade do caos.

Margareth disse...

Olá....A aventura torna-se melhor e inesquecível quando ao chegar no destino planejado alguém muito especial espera por nós....curta todos os bons momentos que a vida está te proporcionando...vc é merecedor