segunda-feira, 9 de junho de 2008

Inquietações

Coloquei a cabeça sobre o travesseiro e não consegui dormir. Era um dia frio, tinha trabalhado um bocado nas horas anteriores e estava um bocado cansado, mas não consegui fechar os olhos e partir para uma outra dimensão.

Fiquei virando de um lado para o outro na cama. Me cobri com mais um cobertor, depois tirei os dois de cima de mim. Liguei o rádio, a televisão. Desliguei ambos após alguns minutos. Contei carneirinhos, pensei em coisas tranqüilas e depois em nada. Nada. Não adiantou.

Algo me atordoava naquela noite fria, e eu sabia o que era: tinha errado. Um peso enorme pairava sobre a minha cabeça, que mal conseguia dar conta da volumosa cabeleira que se instaurara após quatro meses sem aparar minhas melenas. E era esse peso extra que me incomodava.

Sabia muito bem que esse erro, causado puramente por causa dos meus impulsos, me traria conseqüências graves. A primeira era esta: perder uma noite de sono por causa da minha inquietação, e isso refletiria no meu trabalho – um expediente depois de uma noite insone seria complicado, pesado, lento.

Esse deslize, essa sombra negra que pairava sobre a minha consciência destoava do meu histórico de criança tímida que tinha medo de errar. Essa escorregadela poderia ser um marco para a minha vida, e fazer com que eu me arrependesse para sempre de tê-la cometido.

Estou inquieto. Preciso desabafar. Preciso confessar esse meu erro. Cometi um maldade, descumpri o oitavo mandamento. Pequei. Desonrei a religião, a Igreja, os santos, os anjos. Desonrei a mim mesmo.

Desculpe, mãe, mas errei. Justamente eu, que (quase) sempre dei motivos para que se orgulhasse de mim e (quase) nunca dei motivo para que se decepcionasse. Vacilei, só que não resisti àquele sabonetinho que eu não usaria em meu último dia em Porto Alegre e o coloquei na mala, trazendo-o para São Paulo.

Agora eu fico aqui, me perguntando o que diabos vou fazer com essa merdinha inútil que surrupiei do hotel que me recebeu em Porto Alegre. Sei que ele vai se desfazer por completo na metade do primeiro banho ou cairá pelo ralo se o deixar para lavar as mãos. E enquanto me faço essas questões, escrevo essas bobagens.

Ah, falta do que fazer...

4 comentários:

juliana moura disse...

eu avisei que era chinelagem pegar sabonete de hotel. reflita.

Fábio disse...

Ah, relaxa, cara... Lá em Porto Alegre estão fazendo tanta sacanagem que ninguém vai se dar conta da falta de um sabonete, hehehe.

;)

Ah, e eu topo o encontro de gazeteiros e ex-gazeteiros! É só marcar!

Mané disse...

Hahahahahahahaha!!!!

Putz, quem me dera minhas culpas se resumissem a roupas sabonete de hotel. Sinceramente, acho até que eles esperem que a gente roube - é melhor do que o funcionário entrar no quarto após nossa saída, descobrir o negócio aberto e usado, e ter que jogar fora.

Mas culpa é mesmo um negócio que, literalmente, tira o sono!

Lui disse...

Eu voltei de Buenos Aires com quatro vidrinhos de xampu, dois saquinhos de lenço e dois sabonetes, hahahaha.

Isso aí é feito pra ser roubado. Tá tipo no preço da diária já, hahahaha.