sexta-feira, 20 de junho de 2008

Iminências

Não sou lá muito fã de escrever sobre o amor já consolidado. Não é segredo que me inspira muito mais a idéia de uma paixão romantizada, idealizada, até certo ponto pueril e que raramente dá em alguma coisa. Mas sinto uma enorme necessidade de exprimir essa sensação diferente e reproduzir esse momento que dificilmente é lembrado por amantes ensandecidos.

Todo mundo aqui sabe o quanto é especial, inesquecível, intenso e muitas outras coisas mais um beijo apaixonado. Quando você, de olhos fechados, enxerga qualquer detalhe da pessoa com quem divide aqueles segundos que parecem horas, dias, uma vida. E o quanto a sincronia é assustadoramente perfeita, mesmo sem ensaio prévio algum.

Tem algo melhor do que um beijo apaixonado? Sim, algumas coisas são um pouco melhores. Mas há uma que casais enamorados deixam passar desapercebida: a iminência do beijo. E você, rapaz inseguro, aprenda essa técnica que, certamente, causará arrepios incríveis em você e em sua parceira (não, este não é um texto de auto-ajuda).

...

Um dia esses, estava tentando reconstruir na minha cabeça algum momento marcante com um caso antigo e me lembrei de um amasso. Estávamos, pouco a pouco, liberando nossos hormônios já além da flor da pele quando parei meu rosto em frente ao dela.

Os nossos narizes se encostaram quando ela e eu abrimos nossos olhos e nossos olhares se encontraram. Paramos de nos olhar e os olhos dela se fixaram nos meus lábios, enquanto os meus olhos miravam os lábios dela. Nossas bocas se reaproximaram e nossos corações dispararam novamente. No momento em que nossos lábios se reencontrariam, no entanto, evitei o contato e esfreguei o meu rosto, já com uma barba de três dias, na face dela. Ela suspirou.

Repetimos o ritual até a iminência do contato de nossas bocas. Nossas cabeças, ao mesmo tempo, desviaram-se. Reaproximamos nossos narizes mais uma vez e eu pude sentir o hálito quente, doce e sedento dela. Resolvi parar com a tortura e deixei a ponta da língua à mostra. Ela correspondeu. As pontas das línguas se encostaram brevemente uma, duas, três vezes. Paramos e nos olhamos.

Meus braços, presos em suas costas, comprimiram-na contra o meu corpo. Voltei a passar meu rosto contra o dela. Reencontramos os narizes, comprimimos nossos corpos ainda mais. Suspiramos pela última vez, fechamos os olhos e explodimos em paixão e desejo. Era o beijo mais intenso do nosso relacionamento.

Até hoje, certo tempo depois do fato aqui exposto, me recordo de todos os beijos que demos. Mas este é o que de longe mais me arrepia. Especialmente quando me lembro dela, logo depois do beijo, dizendo ao pé do meu ouvido com uma voz serena, doce: “te amo”.

Não, não era o primeiro “te amo” que ela me dizia e nem o último. Mas era o mais verdadeiro que eu já tinha ouvido.

5 comentários:

L.F. disse...

'Não faz sentido'. E precisa?
A curiosidade, novidade, a espera...tudo isso faz 'um' bem , espero que aconteça contigo.
E sim, eu gosto das paixonites de 5 minutos, apesar do pouco tempo, parece eternidade algumas vezes.
E pra quem não gosta do intenso, teu texto me fez suspirar .

#]


ahhh, pode desvendar .

 Maria Fernanda disse...

Além do beijo existem as palavras. Como essas, como um beijo. Suspirei. Profundamente. Arrepiei. Achei lindo. Quero um amor. Você me fez ficar carente e radiante ao mesmo tempo.

Que dom em?

L.F. disse...

quero um longo suspiro seguido de um sorriso, estou em busca.

Boninha disse...

Felipe Held, detesto admitir mas... você acaba de me surpreender!

E o melhor, sem querer! :)

Alemão disse...

Tá lôco, hem, Gattuso.
Pra mim fez sentido.