Quase todos os atletas com 20 anos são promessas: aparecem com um ótimo condicionamento físico, uma boa resistência, uma disposição ainda melhor. A tendência é que, entre os 25 e 29 anos, dependendo da modalidade que praticam, atinjam o auge.
Acontece que eu, do alto dos meus 20 anos, não me sinto mais tão jovem. E prova disso eu tive alguns finais de semana atrás, quando uma garota me perguntou o que eu faria naquela noite. Respondi que ainda não tinha nada planejado e fiquei esperando receber um convite para irmos novamente ao cinema, tomarmos um açaí ou, sei lá, qualquer outra coisa. Já tinha preparado na ponta da língua um “beleza, te pego em casa às oito”.
Mas, infelizmente, não foi bem isso o que aconteceu. “Vamos pra balada? A gente chega lá umas 23h30. Acho que lá rola até umas 4, 5 da manhã. Vamos, né?”. Embora o convite tenha sido, hum, interessante, confesso que desanimei na hora e desconversei. “Putz, faz dois dias que eu praticamente não durmo, você bem sabe. Acho que não tenho pique pra ir hoje, mas... fica pra próxima, você não se importa?”.
No fundo era verdade, mas admito que fiquei decepcionado comigo mesmo, e também senti um pouco de vergonha para propor o que eu realmente queria fazer. O que uma menina mais nova do que eu iria imaginar se recebesse um convite para tomar um café no comecinho da noite? Aposto que ela pensaria “que panaca, a mamãe não deve deixar que ele volte tarde pra casa”.
Blah. Esse negócio de balada não é pra mim.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
domingo, 29 de junho de 2008
Sobre o riso
Dizem por aí que o tempo é o melhor dos remédios. Discordo. Que me desculpe o dito popular, mas o riso... o riso é indubitavelmente o melhor dos medicamentos. É um alívio, como sugere o Word no dicionário de sinônimos para a palavra ‘remédio’.
Mas há vários, vários tipos de risos. Tem o riso falso, que não leva a lugar algum. Há também o irônico, que muitas vezes machuca o interlocutor. Tem o desesperado, que é a porta de acesso para a loucura. O melhor riso mesmo é aquele que vem de dentro, sem explicação alguma, às 5h38 da manhã de um domingo.
Foi mais ou menos a esse horário que meu cachorro latiu anunciando para o restante da família que eu estava chegando da rua. Sóbrio, completamente sóbrio após passar horas em um bar tomando Coca-cola. Lei seca, lei seca... nada de álcool se estiver dirigindo, ou carro apreendido e motorista na cadeia.
Estava bem sóbrio quando abri a geladeira e peguei uma cerveja, sentei no sofá de casa e liguei a televisão, esperando assistir ao jogo da seleção brasileira feminina de vôlei. Mas sequer cheguei a vasculhar os canais a cabo: logo de cara, vi que o SBT estava transmitindo aquele quadro do Bolaños que não emplacou, o Pancada Bonaparte (que tem Chespirito e Professor Girafales como loucos e o jargão ‘não há de queijo, só de batata’). Bem sem graça, diga-se, mas que não me deixou de mudar de canal.
As piadas eram as mesmas de sempre. Previsíveis, corriqueiras e algumas até forçadas, como ‘escovar os dentes do serrote’. Mas foi o bastante para me fazer rir, e só não me fez rir alto em respeito a minha mãe, meu irmão e meu cachorro, que estavam dormindo.
Sabe o que é mais legal nessas horas? É que não é preciso fazer alguma piada, seja inteligente ou escrachada, para rir sem motivo. Em horas assim a gente apenas... ri.
Quando se tem um riso assim, é inevitável que todos os problemas ou as dores passadas sejam esquecidos. Reclamações, constrangimentos, lamúrias e coisas do gênero? Ah, que nada! O momento era mesmo de rir. De rir alegre, de rir empolgado, de rir aliviado.
Nota da redação: Putz, e Chaves acabou de começar. A grade de programação do SBT é deveras interessante a esse horário.
Mas há vários, vários tipos de risos. Tem o riso falso, que não leva a lugar algum. Há também o irônico, que muitas vezes machuca o interlocutor. Tem o desesperado, que é a porta de acesso para a loucura. O melhor riso mesmo é aquele que vem de dentro, sem explicação alguma, às 5h38 da manhã de um domingo.
Foi mais ou menos a esse horário que meu cachorro latiu anunciando para o restante da família que eu estava chegando da rua. Sóbrio, completamente sóbrio após passar horas em um bar tomando Coca-cola. Lei seca, lei seca... nada de álcool se estiver dirigindo, ou carro apreendido e motorista na cadeia.
Estava bem sóbrio quando abri a geladeira e peguei uma cerveja, sentei no sofá de casa e liguei a televisão, esperando assistir ao jogo da seleção brasileira feminina de vôlei. Mas sequer cheguei a vasculhar os canais a cabo: logo de cara, vi que o SBT estava transmitindo aquele quadro do Bolaños que não emplacou, o Pancada Bonaparte (que tem Chespirito e Professor Girafales como loucos e o jargão ‘não há de queijo, só de batata’). Bem sem graça, diga-se, mas que não me deixou de mudar de canal.
As piadas eram as mesmas de sempre. Previsíveis, corriqueiras e algumas até forçadas, como ‘escovar os dentes do serrote’. Mas foi o bastante para me fazer rir, e só não me fez rir alto em respeito a minha mãe, meu irmão e meu cachorro, que estavam dormindo.
Sabe o que é mais legal nessas horas? É que não é preciso fazer alguma piada, seja inteligente ou escrachada, para rir sem motivo. Em horas assim a gente apenas... ri.
Quando se tem um riso assim, é inevitável que todos os problemas ou as dores passadas sejam esquecidos. Reclamações, constrangimentos, lamúrias e coisas do gênero? Ah, que nada! O momento era mesmo de rir. De rir alegre, de rir empolgado, de rir aliviado.
Nota da redação: Putz, e Chaves acabou de começar. A grade de programação do SBT é deveras interessante a esse horário.
sábado, 28 de junho de 2008
Palavras que valem a dor do mundo
Estava aproveitando o banco vago no metrô lotado para colocar em dia minhas leituras universitárias um dia desses. Perto do ponto final, com o trem já vazio, notei que ao meu lado havia um papel dobrado, escrito com uma bela, bela letra feminina.
Era um longo texto. Ousei tomar posse e lê-lo, e acabei tendo conhecimento da carta de amor mais bem escrita que já vi. Não tinha o nome daquele que receberia aquelas lindas palavras, e nem quem a tinha escrito. Mas isso, certamente, seria papel secundário.
Peço desculpas à autora, que por certo tem sua veia de escritora e teria todo o direito de cobraros direitos autorais. Mas publico aqui, neste humilde blog, a mais bela carta de amor que esses meus olhos míopes já leram.
-------
(Primeiramente: meu amor por você é tão grande que as palavras fogem com medo da responsabilidade. Mesmo assim vou tentar.)
Hoje faz duas semanas que meu coração começou a bater em ritmo acelerado e diferente. Duas semanas que você não me sai da cabeça. Duas semanas de noites de sono reduzidas. Duas semanas de diálogos constantes. Duas semanas que parecem dois anos. Hoje faz exatamente duas semanas que eu descobri que estava completamente apaixonada por você.
Qualquer pessoa normal duvidaria da nossa história e da intensidade dos nossos sentimentos. Confesso que até eu me assustei e duvidei a princípio, afinal, nunca tinha vivenciado ou conhecido algo semelhante. Mas quer saber? O amor não tem regras e o desejo não tem limites. E eu aceito sentir sem entender.
Meu coração acelera só de pensar em você e fica pequenininho toda vez que você vai embora, seja da rodoviária ou da internet. Meu coração, assim como eu, é exagerado e faz drama. E ele precisa de você o tempo todo. Dois egoístas. Meu coração e eu.
O fato, amor, é que a sensação que eu tenho é que a gente se ama há muito tempo. Não consigo me sentir precipitada, ou exagerada, muito menos falsa quando afirmo que você é o amor da minha vida. A verdade é que eu tenho vontade de dizer isso o tempo todo... e eu senti isso quando os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Bastou o seu olhar que economiza palavras e eu tive a certeza de que isso tudo é real.
Ah, meu amor, se você pudesse ter escutado o meu coração quando eu olhei nos seus olhos... cheguei a acreditar que era um faz-de-conta moderno, mas de “faz-de-conta” não tem nada. Todos os meus sintomas patológicos e psicológicos provam que nada disso é ilusão ou mentirinha.
Pois se eu sinto dor de saudade, palpitações, frio na barriga, ansiedade, vontade, necessidade... pois se minhas mãos já se acostumaram com as suas, meu beijo quer só o seu beijo, os meus braços procuram o seu abraço, minha pele necessita do seu toque, meu coração abriga o seu...
E, sinceramente, eu não vivo o futuro. Eu não sei que caminho seguiremos, o que iremos conhecer, viver, provar. Eu só sei o que quero. O que devo. Agora. E agora você é a minha certeza. O meu bônus da felicidade e da sorte. O meu presente. A minha alegria. O meu amor. Agora eu não me imagino mais sem você e te quero louca e perdidamente.
Você é a melhor poesia do meu dia. E eu não sei mais quem eu sou, mas eu gosto de mim assim. E vou. Enquanto isso, meu coração me engole. Engole minhas palavras, meu desejo, me alimenta.
Existe uma frase linda da Adélia Prado que diz: "uma noite estrelada vale a dor do mundo". Amor, você vale a dor do mundo. Nossos beijos valem a dor do mundo. Nossos toques, nossos sorrisos, a nossa cumplicidade, nossos abraços, a nossa saudade, nossas frases, cheiros. O amor que existe dentro da gente vale a dor do mundo.
Só sei, meu bem, que com você eu descobri que a vida pode ser muito mais fácil quando se tem alguém para somar e planos para dividir.
Como você faz tudo parecer tão fácil?
Amar nunca foi tão bom. E eu te amo.
Era um longo texto. Ousei tomar posse e lê-lo, e acabei tendo conhecimento da carta de amor mais bem escrita que já vi. Não tinha o nome daquele que receberia aquelas lindas palavras, e nem quem a tinha escrito. Mas isso, certamente, seria papel secundário.
Peço desculpas à autora, que por certo tem sua veia de escritora e teria todo o direito de cobraros direitos autorais. Mas publico aqui, neste humilde blog, a mais bela carta de amor que esses meus olhos míopes já leram.
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(Primeiramente: meu amor por você é tão grande que as palavras fogem com medo da responsabilidade. Mesmo assim vou tentar.)
Hoje faz duas semanas que meu coração começou a bater em ritmo acelerado e diferente. Duas semanas que você não me sai da cabeça. Duas semanas de noites de sono reduzidas. Duas semanas de diálogos constantes. Duas semanas que parecem dois anos. Hoje faz exatamente duas semanas que eu descobri que estava completamente apaixonada por você.
Qualquer pessoa normal duvidaria da nossa história e da intensidade dos nossos sentimentos. Confesso que até eu me assustei e duvidei a princípio, afinal, nunca tinha vivenciado ou conhecido algo semelhante. Mas quer saber? O amor não tem regras e o desejo não tem limites. E eu aceito sentir sem entender.
Meu coração acelera só de pensar em você e fica pequenininho toda vez que você vai embora, seja da rodoviária ou da internet. Meu coração, assim como eu, é exagerado e faz drama. E ele precisa de você o tempo todo. Dois egoístas. Meu coração e eu.
O fato, amor, é que a sensação que eu tenho é que a gente se ama há muito tempo. Não consigo me sentir precipitada, ou exagerada, muito menos falsa quando afirmo que você é o amor da minha vida. A verdade é que eu tenho vontade de dizer isso o tempo todo... e eu senti isso quando os nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Bastou o seu olhar que economiza palavras e eu tive a certeza de que isso tudo é real.
Ah, meu amor, se você pudesse ter escutado o meu coração quando eu olhei nos seus olhos... cheguei a acreditar que era um faz-de-conta moderno, mas de “faz-de-conta” não tem nada. Todos os meus sintomas patológicos e psicológicos provam que nada disso é ilusão ou mentirinha.
Pois se eu sinto dor de saudade, palpitações, frio na barriga, ansiedade, vontade, necessidade... pois se minhas mãos já se acostumaram com as suas, meu beijo quer só o seu beijo, os meus braços procuram o seu abraço, minha pele necessita do seu toque, meu coração abriga o seu...
E, sinceramente, eu não vivo o futuro. Eu não sei que caminho seguiremos, o que iremos conhecer, viver, provar. Eu só sei o que quero. O que devo. Agora. E agora você é a minha certeza. O meu bônus da felicidade e da sorte. O meu presente. A minha alegria. O meu amor. Agora eu não me imagino mais sem você e te quero louca e perdidamente.
Você é a melhor poesia do meu dia. E eu não sei mais quem eu sou, mas eu gosto de mim assim. E vou. Enquanto isso, meu coração me engole. Engole minhas palavras, meu desejo, me alimenta.
Existe uma frase linda da Adélia Prado que diz: "uma noite estrelada vale a dor do mundo". Amor, você vale a dor do mundo. Nossos beijos valem a dor do mundo. Nossos toques, nossos sorrisos, a nossa cumplicidade, nossos abraços, a nossa saudade, nossas frases, cheiros. O amor que existe dentro da gente vale a dor do mundo.
Só sei, meu bem, que com você eu descobri que a vida pode ser muito mais fácil quando se tem alguém para somar e planos para dividir.
Como você faz tudo parecer tão fácil?
Amar nunca foi tão bom. E eu te amo.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Nostalgia fotográfica
É inegável que as câmeras digitais revolucionaram o mundo da fotografia, e também nas relações sociais e na vida pessoal de cada um.
Hoje em dia tornou-se algo extremamente banal tirar uma fotografia. Pode-se tirar no metrô, no meio da rua, no cinema, na praça, na balada, em qualquer ponto turístico... onde a sua imaginação desejar e seu senso-crítico permitir.
Tudo isso porque, hoje em dia, não há mais aquele trabalho de comprar filme, mandar revelar... economiza-se uma grana e tanto. As fotos não queimam, e melhor ainda: se você não gostou de como saiu na imagem, basta apagar a foto anterior e tirar uma nova. Prático e interessante, não é?
E agora todos podem ter quantas fotos desejarem, sem ocupar espaço físico: basta alguns kbytes no computador, e voilá. Um, dois, dez... quantos álbuns diferentes forem necessários, com milhares de fotos sobre inimagináveis cenas. Até mesmo uma parede branca pode virar uma fotografia, por que não?
Hoje em dia, todo mundo tem pelo menos uma foto sequer no computador. Anos atrás, quando a internet ainda engatinhava, eram raríssimos aqueles que tinham uma imagem pessoal armazenada. Dava um trabalhão tirar a foto, revelar... e ainda era preciso escanear. Pior: encontrar alguém que tivesse um scanner! E então você conversava com alguma ‘gatinha’ no bate-papo da UOL e era obrigado a formular na sua própria imaginação com quem você falava. Atualmente... putz, como é mais fácil!
Mas isso não quer dizer necessariamente que atingimos a perfeição, no que diz sentido à fotografia. E eu, particularmente, sinto saudades dos tempos passados, quando as Yashicas manuais eram as máquinas populares e as Kodak com rodagem automática do filme, as de luxo.
Pode parecer antiquado e tudo, mas eu sinto falta das fotos de papel. Aquelas que você ansiava semanas para poder ver ali, de verdade, na sua frente, para relembrar aquele momento especial ou aquela viagem inesquecível. E ela estava ali, palpável, em um papel brilhante. E não na tela do computador.
As fotos reveladas também tinham uma... uma aura diferente (que sequer se compara à aura das fotos digitais que você manda revelar: não têm graça). Aquela foto da amada que você encontrava no fundo da gaveta, segurava em suas mãos, olhava em seus olhos e passava as pontos dos dedos no rosto da garota. Era quase a mesma sensação que passar a mão no rosto de verdade dela.
Hoje, se você encontra uma foto de uma antiga paixão em alguma pasta do seu computador, você faz isso? Passa a mão com todo carinho na tela do computador? Aquela mesma em que você conversa com pessoas no MSN, faz trabalhos da faculdade, vê notícias (algumas bem mal escritas) e sabe-se lá mais o que você vê? Eu, não!
E... vai falar que há presente melhor do que ganhar de uma garota a foto, para ser deixada em um porta-retrato na cabeceira da sua cama, ou então para ser perdida na gaveta e encontrada anos depois? Nos dias de hoje, você ganha mil imagens nas transferências de arquivo do MSN... e ainda pode tratá-las no Photoshop. Uma afronta, diga-se.
É inegável que as câmeras digitais revolucionaram o mundo da fotografia. Mas eu ainda prefiro à moda antiga.
Hoje em dia tornou-se algo extremamente banal tirar uma fotografia. Pode-se tirar no metrô, no meio da rua, no cinema, na praça, na balada, em qualquer ponto turístico... onde a sua imaginação desejar e seu senso-crítico permitir.
Tudo isso porque, hoje em dia, não há mais aquele trabalho de comprar filme, mandar revelar... economiza-se uma grana e tanto. As fotos não queimam, e melhor ainda: se você não gostou de como saiu na imagem, basta apagar a foto anterior e tirar uma nova. Prático e interessante, não é?
E agora todos podem ter quantas fotos desejarem, sem ocupar espaço físico: basta alguns kbytes no computador, e voilá. Um, dois, dez... quantos álbuns diferentes forem necessários, com milhares de fotos sobre inimagináveis cenas. Até mesmo uma parede branca pode virar uma fotografia, por que não?
Hoje em dia, todo mundo tem pelo menos uma foto sequer no computador. Anos atrás, quando a internet ainda engatinhava, eram raríssimos aqueles que tinham uma imagem pessoal armazenada. Dava um trabalhão tirar a foto, revelar... e ainda era preciso escanear. Pior: encontrar alguém que tivesse um scanner! E então você conversava com alguma ‘gatinha’ no bate-papo da UOL e era obrigado a formular na sua própria imaginação com quem você falava. Atualmente... putz, como é mais fácil!
Mas isso não quer dizer necessariamente que atingimos a perfeição, no que diz sentido à fotografia. E eu, particularmente, sinto saudades dos tempos passados, quando as Yashicas manuais eram as máquinas populares e as Kodak com rodagem automática do filme, as de luxo.
Pode parecer antiquado e tudo, mas eu sinto falta das fotos de papel. Aquelas que você ansiava semanas para poder ver ali, de verdade, na sua frente, para relembrar aquele momento especial ou aquela viagem inesquecível. E ela estava ali, palpável, em um papel brilhante. E não na tela do computador.
As fotos reveladas também tinham uma... uma aura diferente (que sequer se compara à aura das fotos digitais que você manda revelar: não têm graça). Aquela foto da amada que você encontrava no fundo da gaveta, segurava em suas mãos, olhava em seus olhos e passava as pontos dos dedos no rosto da garota. Era quase a mesma sensação que passar a mão no rosto de verdade dela.
Hoje, se você encontra uma foto de uma antiga paixão em alguma pasta do seu computador, você faz isso? Passa a mão com todo carinho na tela do computador? Aquela mesma em que você conversa com pessoas no MSN, faz trabalhos da faculdade, vê notícias (algumas bem mal escritas) e sabe-se lá mais o que você vê? Eu, não!
E... vai falar que há presente melhor do que ganhar de uma garota a foto, para ser deixada em um porta-retrato na cabeceira da sua cama, ou então para ser perdida na gaveta e encontrada anos depois? Nos dias de hoje, você ganha mil imagens nas transferências de arquivo do MSN... e ainda pode tratá-las no Photoshop. Uma afronta, diga-se.
É inegável que as câmeras digitais revolucionaram o mundo da fotografia. Mas eu ainda prefiro à moda antiga.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Senso de humor, estilo europeu
Matemática não é o forte de muita gente, mas são raras, raríssimas, as pessoas que hoje em dia têm dificuldade para contar de 1 a 10. Mas aconteceu comigo.
Um sábado recente de manhã, acordando com um princípio de ressaca depois de uma leve bebedeira com Antárticas na noite anterior. Levanto às dez da manhã com o cachorro latindo anunciando uma visita em casa.
Deixo rapidamente o conforto da minha cama, escovo os dentes, tento amenizar a cabeleira rebelde e saio do banheiro ainda piscando duro. A visita era o professor de alemão do meu irmão, o mesmo que me ensinou o básico de holandês que eu sei. Um cara do sul da Holanda, dotado de um senso de humor inteligentíssimo e bem diferente. Um amigo, diga-se.
“Your brother should remember this”, disse o professor para o meu irmão. “Come here, Felipe… do you remember numbers in Dutch?”
“Well, I guess so. I haven’t spoken Dutch for a long, long time, but… let’s try”.
“Yeah, let’s try and I help you. This: 1 – een. Now it’s up to you”.
2: “humm… twee?”. “Yeah, that’s it!”.
3: “… drie?”. “Nice one!”.
4: “vier?”. “yeah, vier”.
5: “five, five..? five? Humm…vijf?”. “Yeah, vijf!”.
6: “zex?”. “No, this is German, sechs. Zes, in Dutch”.
7: “zeven”.
8: “acht, acht!”
9: “negen”.
10: “ten? Oh, shit! I don’t remember! Hahahaha! What a shame, what a shame”.
Meu ex-professor foi empático: “Tien, don't you remember? But don't blame yourself, it's 10 o' clock and you've just woken up!”.
“What a shame, my friend!”, reclamei. OK, passei vergonha e tive uma dificuldade enorme para contar de 1 a 10 em holandês.
“Well, you have my number. I’m sorry, I’m joking”, brincou (ele sempre pede desculpas depois de fazer uma brincadeira).
Fui tomar leite e me rendi à melhor piada dos últimos tempos. Não era engraçada, mas sim inteligente e rápida: “Você tem meu número". Justamente eu, que não lembrava os números, e se quisesse reaprendê-los bastava ligar para o professor e marcar algumas aulinhas. Genial!.
Mas eu ainda estava com uma puta vergonha por só saber contar de 1 a 9.
Um sábado recente de manhã, acordando com um princípio de ressaca depois de uma leve bebedeira com Antárticas na noite anterior. Levanto às dez da manhã com o cachorro latindo anunciando uma visita em casa.
Deixo rapidamente o conforto da minha cama, escovo os dentes, tento amenizar a cabeleira rebelde e saio do banheiro ainda piscando duro. A visita era o professor de alemão do meu irmão, o mesmo que me ensinou o básico de holandês que eu sei. Um cara do sul da Holanda, dotado de um senso de humor inteligentíssimo e bem diferente. Um amigo, diga-se.
“Your brother should remember this”, disse o professor para o meu irmão. “Come here, Felipe… do you remember numbers in Dutch?”
“Well, I guess so. I haven’t spoken Dutch for a long, long time, but… let’s try”.
“Yeah, let’s try and I help you. This: 1 – een. Now it’s up to you”.
2: “humm… twee?”. “Yeah, that’s it!”.
3: “… drie?”. “Nice one!”.
4: “vier?”. “yeah, vier”.
5: “five, five..? five? Humm…vijf?”. “Yeah, vijf!”.
6: “zex?”. “No, this is German, sechs. Zes, in Dutch”.
7: “zeven”.
8: “acht, acht!”
9: “negen”.
10: “ten? Oh, shit! I don’t remember! Hahahaha! What a shame, what a shame”.
Meu ex-professor foi empático: “Tien, don't you remember? But don't blame yourself, it's 10 o' clock and you've just woken up!”.
“What a shame, my friend!”, reclamei. OK, passei vergonha e tive uma dificuldade enorme para contar de 1 a 10 em holandês.
“Well, you have my number. I’m sorry, I’m joking”, brincou (ele sempre pede desculpas depois de fazer uma brincadeira).
Fui tomar leite e me rendi à melhor piada dos últimos tempos. Não era engraçada, mas sim inteligente e rápida: “Você tem meu número". Justamente eu, que não lembrava os números, e se quisesse reaprendê-los bastava ligar para o professor e marcar algumas aulinhas. Genial!.
Mas eu ainda estava com uma puta vergonha por só saber contar de 1 a 9.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Iminências
Não sou lá muito fã de escrever sobre o amor já consolidado. Não é segredo que me inspira muito mais a idéia de uma paixão romantizada, idealizada, até certo ponto pueril e que raramente dá em alguma coisa. Mas sinto uma enorme necessidade de exprimir essa sensação diferente e reproduzir esse momento que dificilmente é lembrado por amantes ensandecidos.
Todo mundo aqui sabe o quanto é especial, inesquecível, intenso e muitas outras coisas mais um beijo apaixonado. Quando você, de olhos fechados, enxerga qualquer detalhe da pessoa com quem divide aqueles segundos que parecem horas, dias, uma vida. E o quanto a sincronia é assustadoramente perfeita, mesmo sem ensaio prévio algum.
Tem algo melhor do que um beijo apaixonado? Sim, algumas coisas são um pouco melhores. Mas há uma que casais enamorados deixam passar desapercebida: a iminência do beijo. E você, rapaz inseguro, aprenda essa técnica que, certamente, causará arrepios incríveis em você e em sua parceira (não, este não é um texto de auto-ajuda).
...
Um dia esses, estava tentando reconstruir na minha cabeça algum momento marcante com um caso antigo e me lembrei de um amasso. Estávamos, pouco a pouco, liberando nossos hormônios já além da flor da pele quando parei meu rosto em frente ao dela.
Os nossos narizes se encostaram quando ela e eu abrimos nossos olhos e nossos olhares se encontraram. Paramos de nos olhar e os olhos dela se fixaram nos meus lábios, enquanto os meus olhos miravam os lábios dela. Nossas bocas se reaproximaram e nossos corações dispararam novamente. No momento em que nossos lábios se reencontrariam, no entanto, evitei o contato e esfreguei o meu rosto, já com uma barba de três dias, na face dela. Ela suspirou.
Repetimos o ritual até a iminência do contato de nossas bocas. Nossas cabeças, ao mesmo tempo, desviaram-se. Reaproximamos nossos narizes mais uma vez e eu pude sentir o hálito quente, doce e sedento dela. Resolvi parar com a tortura e deixei a ponta da língua à mostra. Ela correspondeu. As pontas das línguas se encostaram brevemente uma, duas, três vezes. Paramos e nos olhamos.
Meus braços, presos em suas costas, comprimiram-na contra o meu corpo. Voltei a passar meu rosto contra o dela. Reencontramos os narizes, comprimimos nossos corpos ainda mais. Suspiramos pela última vez, fechamos os olhos e explodimos em paixão e desejo. Era o beijo mais intenso do nosso relacionamento.
Até hoje, certo tempo depois do fato aqui exposto, me recordo de todos os beijos que demos. Mas este é o que de longe mais me arrepia. Especialmente quando me lembro dela, logo depois do beijo, dizendo ao pé do meu ouvido com uma voz serena, doce: “te amo”.
Não, não era o primeiro “te amo” que ela me dizia e nem o último. Mas era o mais verdadeiro que eu já tinha ouvido.
Todo mundo aqui sabe o quanto é especial, inesquecível, intenso e muitas outras coisas mais um beijo apaixonado. Quando você, de olhos fechados, enxerga qualquer detalhe da pessoa com quem divide aqueles segundos que parecem horas, dias, uma vida. E o quanto a sincronia é assustadoramente perfeita, mesmo sem ensaio prévio algum.
Tem algo melhor do que um beijo apaixonado? Sim, algumas coisas são um pouco melhores. Mas há uma que casais enamorados deixam passar desapercebida: a iminência do beijo. E você, rapaz inseguro, aprenda essa técnica que, certamente, causará arrepios incríveis em você e em sua parceira (não, este não é um texto de auto-ajuda).
...
Um dia esses, estava tentando reconstruir na minha cabeça algum momento marcante com um caso antigo e me lembrei de um amasso. Estávamos, pouco a pouco, liberando nossos hormônios já além da flor da pele quando parei meu rosto em frente ao dela.
Os nossos narizes se encostaram quando ela e eu abrimos nossos olhos e nossos olhares se encontraram. Paramos de nos olhar e os olhos dela se fixaram nos meus lábios, enquanto os meus olhos miravam os lábios dela. Nossas bocas se reaproximaram e nossos corações dispararam novamente. No momento em que nossos lábios se reencontrariam, no entanto, evitei o contato e esfreguei o meu rosto, já com uma barba de três dias, na face dela. Ela suspirou.
Repetimos o ritual até a iminência do contato de nossas bocas. Nossas cabeças, ao mesmo tempo, desviaram-se. Reaproximamos nossos narizes mais uma vez e eu pude sentir o hálito quente, doce e sedento dela. Resolvi parar com a tortura e deixei a ponta da língua à mostra. Ela correspondeu. As pontas das línguas se encostaram brevemente uma, duas, três vezes. Paramos e nos olhamos.
Meus braços, presos em suas costas, comprimiram-na contra o meu corpo. Voltei a passar meu rosto contra o dela. Reencontramos os narizes, comprimimos nossos corpos ainda mais. Suspiramos pela última vez, fechamos os olhos e explodimos em paixão e desejo. Era o beijo mais intenso do nosso relacionamento.
Até hoje, certo tempo depois do fato aqui exposto, me recordo de todos os beijos que demos. Mas este é o que de longe mais me arrepia. Especialmente quando me lembro dela, logo depois do beijo, dizendo ao pé do meu ouvido com uma voz serena, doce: “te amo”.
Não, não era o primeiro “te amo” que ela me dizia e nem o último. Mas era o mais verdadeiro que eu já tinha ouvido.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Comercial de Nescafé
Uma das primeiras lembranças que tenho da minha infância me colocam na mesa da cozinha da casa da minha avó tomando café da manhã. Não lembro se ela ou se meu tio tinha colocado leite na xícara e derramado um pouquinho de café, mas aquela coisa mágica do leite ficando marrom meio clarinho me despertou uma vontade enorme de experimentar.
Provei o café-com-leite da vovó se não me engano com uns quatro anos. E durante muito tempo fiz da mistura a principal bebida do meu desjejum. Até que um dia, acho que com uns seis anos, enjoei e passei a tomar café-com-leite apenas em raramente.
Outro fato marcante na minha história de cafés da manhã na casa da vovó aconteceu em uma manhã em que havia sobre a mesa um potinho de Nescafé. Já tinha visto o comercial daquele produto algumas vezes e pedi para experimentar. Vovó disse que eu não iria gostar. Teimoso como uma mula aos sete anos, no entanto, resolvi provar. Mas foi batata: não gostei. Ou pior: detestei.
Nunca mais tomei Nescafé. O café-com-leite, contudo, passou a fazer parte dos desjejuns que costumo tomar fora de casa depois de 2006. Quando passava noites em claro no primeiro ano de faculdade, ia tomar um pingado às 6h30 na padaria aqui do lado. Quando tinha que madrugar para ir ao exército, para as aulas teóricas de trânsito... e até mesmo em Porto Alegre - lá, sempre depois de acordar, desafiava o frio, saía do hotel e ia tomar um café-com-leite no boteco da esquina da Santo Antônio com a Independência, lá no Bom Fim. Delícia.
Passaram-se quase duas semanas de minha viagem insana pela capital gaúcha até que eu voltasse a sentir frio. Cheguei a me encontrar esses dias com uma grande, grande amiga para almoçarmos e ri do fato de ela estar toda encapotada, com três blusas, apenas porque os termômetros marcavam 10ºC. “Poxa, eu peguei tipo o zero absoluto da escala kelvin em São Leopoldo. Dez graus pra mim é quase verão”, brinquei.
Acontece que o frio pegou de vez à noite. Em minhas andanças pelo supermercado em plena madrugada, acabei caindo sem querer no corredor de cafés e, pela primeira vez em muito, muito tempo me senti tentado pelo Nescafé. Comprei um potinho de extra-forte e deixei no armário para alguma emergência.
E a emergência veio mais rápido do que eu esperava. Naquela mesma noite, resolvi ferver um copo de leite e tomar com Nescafé. Agora escrevo enquanto me delicio com um nescafé-com-leite, com a janela ligeiramente aberta para aproveitar o vento gelado.
Claro que não é a mesma coisa que o pingado da padaria aqui do lado de casa, nem ao café-com-leite que eu tomava em Porto Alegre e nem de longe o que a vovó fazia. Mas é uma pedida ideal para uma noite fria e solitária.
Provei o café-com-leite da vovó se não me engano com uns quatro anos. E durante muito tempo fiz da mistura a principal bebida do meu desjejum. Até que um dia, acho que com uns seis anos, enjoei e passei a tomar café-com-leite apenas em raramente.
Outro fato marcante na minha história de cafés da manhã na casa da vovó aconteceu em uma manhã em que havia sobre a mesa um potinho de Nescafé. Já tinha visto o comercial daquele produto algumas vezes e pedi para experimentar. Vovó disse que eu não iria gostar. Teimoso como uma mula aos sete anos, no entanto, resolvi provar. Mas foi batata: não gostei. Ou pior: detestei.
Nunca mais tomei Nescafé. O café-com-leite, contudo, passou a fazer parte dos desjejuns que costumo tomar fora de casa depois de 2006. Quando passava noites em claro no primeiro ano de faculdade, ia tomar um pingado às 6h30 na padaria aqui do lado. Quando tinha que madrugar para ir ao exército, para as aulas teóricas de trânsito... e até mesmo em Porto Alegre - lá, sempre depois de acordar, desafiava o frio, saía do hotel e ia tomar um café-com-leite no boteco da esquina da Santo Antônio com a Independência, lá no Bom Fim. Delícia.
Passaram-se quase duas semanas de minha viagem insana pela capital gaúcha até que eu voltasse a sentir frio. Cheguei a me encontrar esses dias com uma grande, grande amiga para almoçarmos e ri do fato de ela estar toda encapotada, com três blusas, apenas porque os termômetros marcavam 10ºC. “Poxa, eu peguei tipo o zero absoluto da escala kelvin em São Leopoldo. Dez graus pra mim é quase verão”, brinquei.
Acontece que o frio pegou de vez à noite. Em minhas andanças pelo supermercado em plena madrugada, acabei caindo sem querer no corredor de cafés e, pela primeira vez em muito, muito tempo me senti tentado pelo Nescafé. Comprei um potinho de extra-forte e deixei no armário para alguma emergência.
E a emergência veio mais rápido do que eu esperava. Naquela mesma noite, resolvi ferver um copo de leite e tomar com Nescafé. Agora escrevo enquanto me delicio com um nescafé-com-leite, com a janela ligeiramente aberta para aproveitar o vento gelado.
Claro que não é a mesma coisa que o pingado da padaria aqui do lado de casa, nem ao café-com-leite que eu tomava em Porto Alegre e nem de longe o que a vovó fazia. Mas é uma pedida ideal para uma noite fria e solitária.
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