terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Esquisitice

Confesso que tenho certos hábitos excêntricos. Esquisitos, para ser sincero.

Tenho sérios problemas para conquistar algumas metas irrelevantes que traço para o meu cotidiano. Quando as alcanço, no entanto, não consigo ir além. É como se eu me contentasse com pouco. Um exemplo? Fácil.

Uma vez, reencontrei uma garota depois de muito tempo. Ela não era nada mal; pelo contrário: simpática, charmosa... e, com o tempo, ficou com mais cara e corpo de mulher. Claro que combinamos de sair. Ela me passou o novo número do celular dela. Passei o meu também e acertamos que ligaria primeiro aquele que tivesse o primeiro tempo livre. Fechado.

Fui eu quem teve o primeiro tempo livre. Estava na fila do cinema na véspera de um feriado e liguei para ela. Chamou, chamou, chamou... só não caiu na caixa postal porque, de acordo com a voz eletrônica, aquele número não dispunha de tal facilidade.

Mais tarde ela me mandou uma mensagem desculpando por não ter me atendido. O motivo? Estava viajando com a família e o celular passava grande parte do tempo fora de área. Mas me ligaria, então, dentro de uma semana.

O tempo passou e ela não me ligou. Dois finais de semana depois me mandou um e-mail com um convite para um cinema na semana que se iniciaria. Perguntei se poderia ser na quarta-feira, seria mais fácil. Ela aceitou.

Na véspera de nosso encontro ela me ligou no comecinho da noite, mas acabei não atendendo, sem querer. Confesso que senti minha mochila se mexendo no chão da sala de aula por volta daquele horário. Contudo, me dei conta da chamada apenas quando cheguei em casa, às 23h30. Decidi não retornar a ligação... ela acordaria cedo, coitada, não iria acordá-la.

A quarta-feira chegou e eu tentei ligar para ela umas três vezes: caixa postal. Às pressas, mandei um e-mail reforçando o lugar e o horário para o nosso encontro. Só que ela não apareceu. Humm... tudo bem, não havíamos combinado por telefone. Seguimos esse ritmo de desencontros durante mais um mês. Quando eu tinha tempo livre e ligava, ela não atendia. Quando ela me ligava, eu é que não atendia.

Até que um dia tudo mudou. Eu tinha acabado de sair do cinema, sentei em um banco na mesma praça de sempre, abri um livro e percebi que não estava muito a fim de lê-lo. Saquei o celular, procurei o número dela na agenda e disquei.

Foram cinco toques longos até eu pensar em desligar o telefone mais uma vez. Até que uma voz masculina – e ligeiramente afeminada, diga-se – atendeu. Antes que eu pudesse perguntar se tinha sido engano e desligar aliviado, a voz se prontificou: um instante, por favor.

Até que atendeu a voz feminina por que eu esperava.

- Oi, Fê!
- Hahahha, oi! Decidiu atender o telefone hoje, então?
- É, meu, que coisa! Mas e aí, tudo bom?
- Ah, tudo, e você?
- Também... como vai essa força?
- Ahnn... oi?
- Como vai essa força?
...

Foi quando a ligação foi interrompida: meus créditos tinham terminado. Pensei em comprar algum cartão telefônico e ligar para ela, mas... não. Meu objetivo já estava cumprido. Digo... ela era, para mim, a garota que não atendia o telefone. Poderíamos até combinar por e-mail algum outro encontro... poderíamos dar início a um relacionamento descompromissado ou até mesmo a um namoro.

Mas... depois que ela atendeu o telefone, qual era a graça da nossa relação?

2 comentários:

Mané disse...

Ah, pelo menos ela atende o telefone.

Tem meninas que não atendem, e que depois mandam um e-mail e que nunca mais respondem scraps ou MSN e...

OK, não quero falar sobre isso!

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom