terça-feira, 14 de outubro de 2008

Filo: Arthropoda

Faz um tempo, almocei com a Bonie antes de entrarmos nos respectivos trabalhos. No restaurante, tinha uma bandejinha com camarões à nossa frente, e ela perguntou se eu gostava de camarões. “Humm... ah, até gosto”, respondi. Ela disse que não gostava, que eram nojentos. E eu passei a observar melhor os tais dos crustáceos.

Semanas e meses se passaram, e no self-service chinês que eu adotei como restaurante oficial para meus almoços antes do trabalho sempre tem um empanado de alguma verdura com um camarãozinho em cima. Todos os dias eu tiro o camarão de cima, como a tal da verdura misteriosa e fico olhando pro coitado do bicho. Ele não olha de volta para mim porque já teve a cabeça decepada. Ainda bem.

Mas comecei a ter alguns pensamentos sobre o camarão. Realmente é algo nojento. É aquela coisinha espichada, com uma casquinha por fora e uma carne branca por dentro. Para não correr o risco de... sei lá, um dia pegar um bichinho que não esteja totalmente limpo e ver alguma organela lá no meio, sempre coloco o camarão inteiro na boca e mastigo.

Só que... humm, sempre que mastigo um camarão, sinto as casquinhas das patas do bicho passeando pela minha boca. Não é muito, ahn, limpinho e tal, mas eu continuei todos os dias comendo o camarãozinho que enfeitava o tal do empanado.

Não entendo. Durante as Olimpíadas de Pequim, cansei de ver reportagens na televisão sobre as comidas exóticas da China. Em uma delas, na ESPN Brasil, o Marcelo Duarte entrevistou um cara que dizia que comer um escorpião era igual a comer um camarão: uma casquinha crocante por fora, uma carninha salgada por dentro. Isso ficou na minha cabeça.

Aí um dia desses saí do trabalho, parei no supermercado para fazer as compras da semana e vi que o camarão estava em oferta. Comprei uma bandeja por módicos R$ 4 e vim para casa pronto para fazer alguma gororoba com os crustáceos. Lavei minha janta, joguei um tempero, misturei com uns palmitos e joguei tudo para cozinhar.

Não sou nada fã da comida que eu mesmo faço, mas aqueles camarões pareciam até que saborosos. Coloquei tudo no prato, joguei um pouco de mostarda por cima para tirar o gosto ruim que minha comida tem e comecei a comer. As primeiras garfadas foram até que normais, e tal.

Aí uma hora vi um olhinho de camarão no prato. Ele começou a me encarar, e eu olhei para os outros crustáceos no prato. Várias perninhas, e lombos sem cabeça... casquinhas crocantes. Putz, certeza de que por ali deveria ter alguma organela perdida.

Continuei jantando, comendo dois camarões de uma vez para terminar logo. Lembrei do escorpião, e da barata que eu havia matado na véspera. Perninhas, casquinhas crocantes... organelas, urgh. Óbvio que não terminei a janta, os poucos camarões que sobraram foram para o lixo.

Ok, boa parte dessa minha sensação desagradável foi motivada pelo fato de ser a minha comida ali no prato. Mas não, os camarões são realmente desagradáveis. Crustáceos, do filo dos artrópodes (que também enquadra insetos)... putz, eu me sentia comendo insetos aquáticos. Lembrei daquele episódio do Chaves, em que todos da Vila comem os ‘inseptos’ com gasolina (a genialidade do melhor seriado já produzido pode ser encontrada aqui, aqui e aqui). Não, não deu.

Talvez amanhã eu acorde e nem me lembre mais do trauma dos camarões. Mas há também o risco de o camarão entrar para a lista de coisas que eu não como mas nem a pau, ao lado de melancia e pimentão.

3 comentários:

Fábio disse...

Desacreditei quando via as coisas que o Marcelo comia lá em Pequim - ele conseguiu me empurrar para o tal restaurante de carne de burro, mas fiquei só nisso. Escorpião, nem pensar! Deve ser beeeeeeeeem pior que camarão!

E você não gosta de melancia, pô?

Bonie disse...

Também não entendo como alguém pode não gostar de melancia. E nossa, você tá se superando no quesito "falar sobre bichinhos nojentos" nos últimos dias.

Tá vendo, tá vendo? Casquinha nojenta, olhinhos nojentos, perninhas nojentas e gosminha branca nojenta dentro.

Iiiirrccc.

paula r. disse...

eu tinha horror a camarão, mas morando numa cidade praiana as coisas mudam. aqui eles são super bem feitos, limpinhos, no mercado tem pra comprar e eu até aprendi a fazer. meu ex, quando veio me visitar, cozinhou pra mim uns peixes com camarão e ficou ótimo. e, apesar de não comer pimentão, naquele dia até comi. estava bom.