domingo, 20 de janeiro de 2008

Soma

Admirável Mundo Novo pode não fazer parte dos dez livros preferidos da minha estante, mas algumas coisas nele me chamaram a atenção quando o li, algum tempo atrás. A principal delas, com certeza, foi o soma, droga sintética legalizada e principal (e única) forma de escapismo para uma sociedade que não se acostumou aos traumas pessoais.

Qualquer desilusão, apreensão, tédio ou seja lá o que for, basta ingerir cápsulas de soma de acordo com a sua necessidade e voilá. Muito melhor que o álcool – que aparece na trama como droga de terceiro mundo. E o tal soma tem tanto impacto naquela sociedade que até ganhou algumas músicas. A mais conhecida delas é a do Strokes.

Foi justamente pensando na tal soma hoje de manhã que percebi o quão viciado eu sou na tal droga, hoje em forma de cafeína. Por gostar do período noturno, não consigo dormir cedo. Mas por conta do fuso horário australiano, tenho acordado nos últimos dias às 5 da manhã. Isso me resulta em, mais ou menos, três ou quatro horas diárias de sono. Como eu agüento? Ah, eu tomo um cafezinho antes de entrar no trabalho que tá tudo certo.

Quando trabalhava de manhã com mais freqüência, percebi que aquela sonolência das 11 horas seria exterminada com um pouco de café. Foi o início de um hábito delicioso, compulsório e... bom, que deve ser tratado com cuidado. Quando fui remanejado para a tarde, me sentia muito mais animado e motivado depois de tomar um copo de café. Até aí tudo bem.

O problema é que nem sempre há café disponível nos arredores da Cerqueira César. Sábado, por exemplo. Embora eu tenha conseguido dormir bem durante as 4h30 de sono que eu tive, foi praticamente impossível sobreviver durante um expediente sem café. Terrível. Tentei me manter acordado tomando água gelada, mas praticamente não ajudou. O tempo... ah, o tempo não andava.

Hoje, domingo, fui forçado a fazer uma pausa no expediente no intervalo das partidas noturnas do Aberto da Austrália e fui correndo ao Starbucks mais próximo comprar um copo de café. Voltei para a redação como o Popeye após comer espinafre. E o expediente passou voando. Apesar de mais trabalho, praticamente não senti o tempo passar. Não pensei em nada, simplesmente deixei o piloto automático fluir. Exatamente como o soma age nos habitantes da fictícia Londres de daqui 500 anos, cenário do romance de Aldous Huxley.

Efeito placebo ou não, acabei tornando o cafezinho algo inerente ao trabalho. Não rendo mais sem um copo de cafeína quente, seja qual for o horário do meu expediente. E se isso é ruim? Acho que não. Pelo menos ultimamente, o café tem me dado algumas das melhores idéias quando bebo sozinho ou proporciona as melhores conversas quando acompanhado.

2 comentários:

Mané disse...

Coincidentemente, escrevi sobre o seu café no meu blog... Na verdade, um café específico!

Anônimo disse...

O café me rendeu uma gastrite insuportável! Agora fico com sono mesmo, sem cafeína para despertar.
Bjo!
Até a Cásper.