sexta-feira, 22 de junho de 2007

Um deboche

Pouco menos de um ano atrás, conheci uma garota. Bonitinha, bastante bonitinha, e que tinha um sorriso que me cativou. Desde o primeiro momento, quis virar amigo dela. Melhor amigo. Sim, daqueles que você chama pra almoçar e passa o resto da tarde e o início da noite conversando sobre nada.

Estratégia por estratégia, fui conseguindo me aproximar dela. Fui descobrindo um pouco da nova amiga a cada conversa que a gente tinha. Gostava de falar com ela – que tinha dias para falar bastante ou não –, tanto que foi a primeira garota com quem eu virei a noite conversando no MSN. Mesmo já tendo 18 anos, nunca tinha feito isso. E nunca mais fiz.

Era um dia em julho, e lembro que a gente conversou da meia-noite até às oito da manhã. Achei engraçado ela pensar que eu tinha 22 anos e passamos a madrugada inteira falando sobre absolutamente nada.

Gostava tanto de falar com a garotinha que um dia ela perguntou se eu era bipolar. Por algumas horas, eu de fato achei que era bipolar. Depois passou, e eu voltei ao normal.

Um dia ela me chamou para sair. Pela primeira vez na vida, peguei trem sozinho. Foi um dos melhores sábados de 2006, pra falar a verdade. Saí do Jabaquara às 14 horas, fui seguindo as indicações da Estação da Luz e desci em São Caetano do Sul. Me perdi na estação de lá durante meia hora, até que ela me ligou me ensinou a chegar até o ponto de ônibus, onde a gente tinha combinado.

Achei o ponto de ônibus, sentei no muro e fiquei lendo um livro até ela chegar. Ela veio de longe, vestindo uma calça jeans azul e uma blusinha vermelha. Andamos de braços dados pelo centro de São Caetano do Sul até que paramos em uma vendinha para tomar açaí. Eu não gostava de açaí até aquele dia. Depois, misteriosamente, passei a achar interessante sair pra tomar um açaí com os amigos.

Enfim. Sentamos pra tomar um açaí às 15 horas. Ela tinha que ir embora às 17 porque ia fazer não sei o que com o pai, ou a mãe, ou sei lá. Não importa. Ficamos conversando até escurecer, até ficar bem escuro e as luzes da praça em frente se acenderem. Eram 20 horas quando voltamos para a estação de trem, onde ainda conversamos por mais alguns minutos antes de eu passar a catraca.

Nos despedimos e eu ainda olhei para trás antes de chegar à plataforma. Ela estava de costas, não tinha olhado de volta. Acontece. Voltei para casa animado ao quadrado, querendo voltar a sair e conversar com a garota por mais quantas horas fosse necessário. Só queria conversar com ela, nada mais. Acho que pela primeira vez fiz amizade com alguma garota sem sequer pensar em ter alguma coisa com ela no futuro.

...


Foi também a primeira vez em que eu me decepcionei com uma garota. Apesar de todas as paixões frustradas que eu tive no passado, nunca havia ficado tão frustrado como fiquei por não ter conseguido falar com ela durante os oito meses seguintes. Ela simplesmente sumiu. Nunca mais me ligou, não respondia às minhas mensagens no celular e nem aparecia na internet.

Um dia, enfim, ela apareceu no meu MSN. Lembro que era abril deste ano, algum dia do feriado da Páscoa. Ela tinha começado a namorar (ela nunca tinha namorado), mas tinha recém-terminado com o cara (que era de uma cidade do interior). Pediu meus conselhos. Friamente, aconselhei a garota. E só. E a gente nunca mais se falou. Soube que ela voltou com o cara. Isso não me interessa.

Até hoje, vejo todo dia que ela conecta no orkut. Não vejo mais tanta beleza nas fotos e o sorriso dela não é mais mágico como antes. Nem um pouco. É estranho. É como se fosse um deboche. Algo como “Idiota”. Não sei por quê. E isso me deprime. E não é só com ela.

Um comentário:

Mané disse...

Preciso dividir essa com você, querido Helda.

Eu também já fui para SCS de trem apenas por conta de uma menina. Eu admito que não tinha tão clara a fronteira entre amizade e algo mais, embora ela não me visse mais do que como um bom amigo. Fui pra lá com alguma esperança e, pelo menos, me apaixonei pela cidade:

http://www.lacucaracha.blogger.com.br/2005_04_01_archive.html

Hoje em dia, é patético os esforços que ela e eu fazemos para sermos amigos. Quanto às meninas que de repente nos viram as costas... Elas não faltam! Comigo, já foi Denise, Ana Paula, Nayla... Até uma estoniana! Paciência, meu caro. Um dia, elas entenderão o que fazem, ou nós aceitaremos o que elas fazem.

Mas foi impossível não me identificar com o texto!