terça-feira, 26 de junho de 2007

Limite da ousadia

Pela primeira vez na vida, recebi ameaças por telefone.

Quer dizer, não é uma coisa que se diga 'meu Deus, coomo esse menino é ameaçado!'. Só que não deixa de ser preocupante. Isso porque quem me ligou foi uma criminosa fora da lei que não tem mais o que fazer e fica ameaçando as pessoas por telefone. Mas ainda assim é um perigo para a sociedade.

Tudo aconteceu quando eu conversava com uma garota na Avenida Paulista. Falávamos sobre todos os trabalhos da faculdade quando meu celular tocou. A meliante tentou se passar pela filha de uma amiga da minha mãe que não tem filhas. Bem esperto, saquei tudo. Rá! Tanto que ela gaguejou e desligou na hora.

Claro que, na hora, a primeira coisa que eu pensei em fazer foi ligar pra minha mãe. E acabou sendo a primeira coisa que eu fiz. Claro! E, confesso, fiquei com um bocado de medo. Digo... se a bandidinha descobriu meu celular, imagina o que não pode conseguir mais? E o que será que ela queria, quer, iria ou irá fazer? Será que ela lê isso daqui?

Voltei para casa com mania de perseguição. Pensei em deletar meu orkut, mudar meu MSN, vender o meu número de celular. Imaginei um pseudônimo para assinar as reportagens especiais: Frederico Repon. Até bolei um plano de vida: morar no sul da Holanda e virar professor de Português. Ou na Suíça, pra poder aprender alemão e francês na marra. E, como hobby, eu poderia ser tipo um correspondente especial. Pelo menos em épocas de Roland Garros, Wimbledon, Eurocopa e Barcelona x Real Madrid.

No metrô, vi meu reflexo no espelho e pensei em mudar meu visual. Descolorir a barba, raspar o cabelo. Talvez pegar um sol, fazer uma tatuagem no rosto e andar de óculos escuros. Ray-ban. A partir de hoje, deveria andar de ray-ban pelas ruas.

Ou não. Deveria aprender a dirigir (usando ray-ban, evidentemente). Era preciso comprar um carro para não ter que andar de metrô e nem ter que me expor mais para o mundo. Fantástico, deveria comprar um carro!

Em casa, fui informado da descrição física da delinqüente: “Cara de vagabunda”, me disseram. Não têm idéia de como isso me ajudou.

À tarde, peguei o metrô e todas as mulheres tinham cara de vagabunda. Passei a desconfiar de todo mundo. Até daquela garota linda, de cabelos pretos e olhos verdes que pega metrô comigo na hora do rush e com quem eu sempre troco alguns olhares e sorrisos.

Mais tarde, no entanto, já fazia piada de tudo. Afinal, quantas pessoas que eu conheço que já foram ameaçadas por telefone?

Que eu saiba, ninguém. Ótimo. Mais uma para a coleção.

E também serve como um motivo a mais de emoção na minha vida, já que não me apaixono de verdade há alguns muitos meses, não vejo meu time chegar a finais de campeonatos e passo os finais de semana em uma redação. Justo eu, que tinha como maior emoção pegar o elevador número oito para ver se ele despencava um pouquinho.

3 comentários:

Mané disse...

Se servir como alento, minha mãe já recebeu um telefonema desses - e eu fiquei puto!!! Aliás, minha vizinhança em Prudente tem recebido uma série de ameaças panacas dessas. Será que alguém ainda cai?

Mas eu aproveitaria a oportunidade para conversar com a morena de olho verde no metrô. "Você não é a mina com cara de vagabunda que me passou um trote no celular?" pode ser um bom começo se ela tiver senso de humor.

Nathy Butti disse...

Relva querida!
que redescoberta esse blog!!
Pois é...vejo que estou atrasada com as coisas por aqui. Mas as férias estão aí para isso! :)
Por enquanto, só vou comentar esse post e informar que eu caí num desses trotes e liguei até pra polícia! Malditos! Sabiam da existência da minha irmã, do nome dela e que não estava em casa. Ou foi apenas um chute certeiro, vai saber...
Achei que era trote no começo e soltei pérolas do tipo " ah, fulano, eu sei que é vc imitando voz de baiano. Se vc seqüestrou minha irmã é muito burro, podia ter escolhido coisa melhor, hein? Essa aí a gente tá pagando pra levarem".... num preciso dizer que quase me mijei na seqüência hehe
Qualquer hora eu conto tudo...
bjoka pra você

Lia disse...

xD
xD
muito bom!
Eu ainda não fui ameaçada, mas do jeito que sou paranóica ía pensar em umas mudanças sim.
agora, tatuagem na cara, não. nunca!