sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Oi.

Você sabe como não gosto de começar nenhuma conversa com um oi, assim seco, seguido de um ponto final. Me sinto mal. É seco demais, é frio demais. É seguido de um ponto. É um oi que termina logo em seguida.

Oi.

É um oi que poderia ser tchau. É um ou que deveria ser tchau. Que quer ser tchau.

Gosto de começar uma conversa com um oi seguido de um ponto de exclamação e um sorriso, que mostrem, de alguma forma, como gosto de começar uma conversa com você.

Oi! :)

E sempre que te escrevo esse oi, com exclamação e carinha feliz, não pergunto se está tudo bem. Você sabe que eu não gosto de perguntar se está tudo bem, ou se está tudo bom.

Quero tanto que tudo esteja sempre bom com você que me doeria saber, logo de cara, que não está tudo bom e você não me contou antes, na mesma hora que aconteceu, sem precisar falar oi e sem nem perguntar se eu estava bem.

Desta vez eu também não quero perguntar se está tudo bem, porque não quero te responder se está tudo bem ou não.

Não está.

Te escrevi esse oi, coloquei um ponto final depois dele e meu coração disparou. Precisei esfregar as palmas das mãos na calça para enxugá-las. Precisei respirar fundo e engolir de volta meu coração.

Te escrevi oi e depois te escrevi tudo isso na tentativa de adiar a nossa despedida.

Vou sentir saudade.

2 comentários:

Ophelia disse...

Oi! :)
Bonito texto. Me identifiquei com as palavras.
Às vezes eu fico em dúvida, talvez "oi" não seja a palavra certa. Eu podia dizer "olá", mas também não sei se soaria melhor ou pior. Então fica um "Oi", assim mesmo, frio, sem interesse, mas sem coragem de colocar um ponto final. Enviar. "Será que eu devia ter colocado uma carinha feliz?"

Felipe Held disse...

Oi! ;)

Encasqueto com muitas palavras, e "olá" pra mim se tornou um cumprimento muito frio.