segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Nós

Foi um domingo e tanto para alguém como eu, uma pessoa que odeia domingos.

Foi um domingo e tanto para alguém como eu, uma pessoa que odeia domingos, se lembrar para sempre de como um dia perfeito deve ser.

Você e eu, no meu carro, sem saber para onde ir. Eu dirigia, seguia as instruções que você me passava enquanto olhava no mapa e intuía quando você estava entretida com a nossa conversa, com a paisagem, com o sol, com os prédios, com as árvores, comigo... e se esquecia de me falar para dobrar nesta ou naquela esquerda.

E agora, pensando friamente, não consigo me perdoar por não me deixar perder com você. Estaríamos dirigindo até hoje, até agora, sem rumo à procura de casa, sem nunca chegar por nunca sabermos o que seria a nossa casa.

Pararíamos na beira da estrada, compraríamos cartões postais e enviaríamos às pessoas próximas para avisar o mínimo: estaríamos bem.

Estaríamos bem deixando para trás quilômetros e mais quilômetros de lembranças que nunca esqueceríamos.

Nos divertiríamos com pouco. Com nada. Com o outro. Conosco.

Deitados chão, com os pés na grama, respirando o ar úmido do final da tarde.

Foi um domingo que nunca deveria ter existido.

Foi um domingo que nunca existiu fora da minha imaginação enquanto ouvia Two of us, vidros fechados, gritando cada verso parado no semáforo.

Um comentário:

Elizabeth Roma disse...

Mais um texto lindo... Também não costumo apreciar os domingos.