quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sábado, anos atrás

Foi estranho. Meu telefone tocou no meio da tarde, eu não estava esperando. Fui atender.

“Oi”, disse a pessoa do outro lado da linha.
“Hum, oi. Ué, você não tava brava comigo?”, perguntei.

“Sim, eu estava. Mas já passou. E aí, o que você vai fazer hoje?”, ela arriscou.
“Não sei, talvez o mesmo que eu estou fazendo agora: ficar deitado na minha cama jogando videogame”, respondi inocentemente.

“Humm, tá”, ela emendou, meio decepcionada.
“Que foi? Por quê, tem alguma sugestão?”, tentei.

“Ah, queria ir para o shopping. Vamos?”, convidou.
“Hum, pode ser. Então... 16h30, lá?”.

E tudo ficou marcado.

Tomei banho, fiz a barba duas vezes, penteei o cabelo umas quatro. Passei perfume, escolhi uma calça e uma camiseta legal. Não gostei do cabelo, coloquei um boné. Virei para trás e saí de casa.

Antes de encontrar a tal garota no shopping, comprei um Trident verde. Nunca se sabe, né? Então nos vimos na catraca do metrô, saímos andando um ao lado do outro e fomos para a cobertura do shopping. Ela também me ofereceu um chiclete, um Trident verde. Coincidências...

Ficamos conversando sobre a vida, nada de mais. Até que ela me convidou para ir ao cinema. “Tá passando Exorcista, vamos ver?”. Sem muita idéia, aceitei. Melhor do que ficar jogando videogame.

Entramos na sala. Era a sala 10, eu me lembro. Estava meio lotada, ficamos na zona do gargarejo ali na frente. Nas poltronas do canto. Assim que nos sentamos, baixei o braço que separava as nossas duas poltronas. Ela me olhou de um jeito estranho e disse um “Ah, então tá”. Eu era um idiota, admito.

O trailer começou e eu virei para a tela. Ela, então, se aproximou do meu ouvido e disse, manhosa: “Você não me abraçou mais”. Subi o braço da poltrona. Dei um sorriso e um abraço na garota. Mas não foi um abraço comum, como eu estava acostumado com as minhas amigas.

Senti algo diferente naquele abraço. Um movimento súbito e não-planejado do pescoço dela. Dei-lhe um beijo na bochecha. Mais um. Mais um. Um quarto. Já estava perto de sua boca. “Ih, então... é agora? Será que vai... será que... nossa! Mas e se ela não quiser? Bom, não vou falar nada”, conversei comigo mesmo.

O beijo seguinte não foi mais na bochecha dela. Demos um selinho e abrimos nossas bocas. Nem tive tempo de pensar se deveria colocar minha língua, a dela já estava na minha boca. “Então... isso é que... isso é que é beijar?”, eu pensava no mesmo momento.

Não falei nada para ela, que ela tinha sido responsável pelo meu primeiro beijo. Mas ela logo me disse ao pé do ouvido: “Nossa, você beija bem”. E eu ganhei meu dia, meu mês. E até a frustração das minhas paixonites passadas.

Acabei me lembrando dessa história hoje. Dia 6 de novembro foi o dia em que eu comecei a namorar aquela menina, a Ju, um certo tempo depois do nosso primeiro beijo. A gente não ficou lá muito tempo juntos, vivíamos momentos diferentes. Mas, por causa dela, já até me apaixonei por uma outra menina só porque ela tinha hálito de Trident verde.

2 comentários:

Bonie disse...

Trident Verde *-*

Nossa, um dia eu preciso te contar minhas histórias com Trident Verde e Trident Melancia. Mas - vai entender por quê? - eu ainda prefiro o Freshmint. :D

E... peraí, você se apaixonou por uma menina porque ela te lembrava outra??? Credo. o.o

Fábio disse...

Hahahaha, sensacional! Histórias de primeiros beijos são sempre impagáveis, né?

Off topic: e aí, recebeu os e-mails meu e da Thá? Espero que ajude! Ela te mandou uns contatos lá, você viu? E tem o meu primo também, que pode ajudar. Abraço!