segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Deve ser difícil fazer amigos se você mora no Kuwait

Quer dizer, talvez seja fácil fazer amizades com vários Mohammed Al-alguma-coisa que moram no mesmo país que você. Mas fiquei com essa impressão de que kuwaitianos são pessoas solitárias quando conheci o primeiro Mohammed Al-alguma-coisa, recentemente.

Eu estava lá, no cantinho do Pacaembu, enchendo a cara de Red Bull um dia desses. Tinha um bloco na mão esperando o Edgar Davids aparecer por milagre na minha frente e um papel, com a lista dos países participantes do tal evento de futebol freestyle que eu fui cobrir semana passada.

Estava quietinho no meu canto quando um moleque de 1,60m, pele cor-de-barata, narigão (acho que ele se identificou comigo), uma camisa de Portugal e um bigodinho veio gesticular pra mim. Falou só “I from” e apontou para a bandeira do Kuwait.

Arrisquei um inglês: “Oh, man, you are from Kuwait?”. Ele sorriu, fez com a cabeça que sim e ficou lá esperando para ser entrevistado por um brasileiro estagiário de jornalismo. Por que não? Nunca tinha falado com kuwaitianos, mesmo...

Só que foi extremamente difícil conversar com o Mohammed Al-alguma-coisa. Ele não falava patavinas de inglês e nem entendia o que eu falava. “Hablas español?”, arrisquei. Ele respondeu negativamente. Tentei o mais sobrenatural possível, em inglês: “Bom... você está com a camiseta de Portugal... fala português?”. É claro que ele disse que não.

Mas fiquei lá, tentando bater um papo com o moleque do Kuwait – que disse ter 16 anos, embora aparentasse ter quase uns 30. Entendi só o que eu já esperava ouvir: que o cara jogava bola na rua, não tinha onde praticar, sonhava em jogar na Europa e ser um novo Cristiano Ronaldo da vida. Mas precisei de uns belos 20 minutos de inglês slow-motion e muita mímica pra compreender.

O kuwaitiano pediu uma folha de papel e a minha caneta. Entreguei para ele, que rabiscou várias letras e depois rasurou, até me devolver uma versão final do e-mail dele: Mohammed Al-alguma-coisa@hotmail.com. Fiquei constrangido, não saberia adicioná-lo no MSN ou então enviar um e-mail pra ele, ainda mais... se ele não entendia nada de inglês. “Hi, Maomé, I Felipe. Jornalist, New York Times, Al-Jazeera. I from Brazil. Braaaazil. Pelé, Ronaldinho, Robinho, Carnival, Samba...”.

Por via das dúvidas, para fingir uma solicitude e me eximir da responsabilidade, dei um papel para ele com o meu e-mail também. Não o do MSN, que tem uma passagem em hebraico (judeus, muçulmanos... sacou?), mas sim o do trabalho. “Feel free to send me an e-mail, man”. Me despedi, ofereci minha mão para ser cumprimentado. Ele exitou, mas acabou aceitando o cumprimento ocidental.

O Mohammed Al-alguma-coisa, que não tinha feito amigos e sequer falado com ninguém no evento (os chicos da América Latina estavam todos contando piadas, os europeus batiam um papo animado e o negão sul-africano tinha até conseguido se agarrar com uma loirinha holandesa por lá), voltou para seu lugar nenhum para ficar sozinho brincando com a bola. Sem amigos.

Deve ser chato ser kuwaitiano. E, mais do que isso, deve ser chato não ter amigos. E as poucas pessoas de quem você tenta ser amigo... acabam te menosprezando, como eu sem querer acabei fazendo com o tal do Mohammed Al-alguma-coisa.

4 comentários:

Fábio disse...

Ah, o que importa é que o meu nome agora voltou a ficar azulzinho nos comentários dos blogs do Blogspot! Aê! :)

PS: E aí, cara? Deu certo aquele esquema lá dos contatos para o seu trabalho na Cásper? Ajudou alguma coisa? Você não respondeu e eu fiquei curioso. Abração!

 Maria Fernanda disse...

só eu percebi que ele queria te pegar?

Mané disse...

Cruel você, hein??? Pô, você já teve a idade dele...

AZAS LONGAS RAIZES FORTES disse...

OS KUWAITIANOS NAO SAO TRSITES NAO AMIGO SAO BEM FESTIVIVOS ENTRE ELES A MAIORIA DELES MUITO RICO E UM BOM PAIS NAO C TEM A LIBERDADE Q TEMOS NO BRASIL MAS E UM BELO PAIS O POVO E ESTRANHO MESMO E ELES NAO SAO DE C MISTURAREM MUITO COM ESTRANGEROS ACHO Q FOI OQ ACONTECEU COM SEU AMIGO MAHAMED