terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Prodigalidade

“Olha, filho, fica nos degraus porque você não sabe nadar”.
“Ah, mãe, a água é boazinha! Não tem perigo, olha”.

Alguns passos depois...

“Mãe! MÃE!! Mãe, tô me afogando! Essa água é assassina!”.

...

Se bem me lembro, foi mais ou menos assim a minha primeira experiência com piscinas. Aconteceu em alguma manhã de janeiro há alguns 15 anos, na maior piscina do Círculo Militar.

Apesar da experiência traumática e quase fatal para um garotinho de quatro ou cinco anos, não fiquei com medo da água. Pelo contrário. Fiz aulas de natação, aprendi um nado mambembe e passei a adorar passar as férias de janeiro no clube.

Era uma tradição. Acho que grande parte da minha paixão pelos últimos meses do ano aconteceu por causa da expectativa criada com a ida ao clube (que sempre significou piscina). Até que chegava janeiro, minha mãe tirava férias e eu torcia veementemente para que o sol saísse todas as manhãs para que pudéssemos ir nadar.

Também por conta do clube o cheiro de bronzeador me remete a algumas das melhores lembranças da infância. Muito bom. Misturando isso ao cheiro de cloro da piscina, melhor ainda. E bem peculiar, confesso. Mas cada dia no clube era inesquecível.

Até que os anos passaram. Meus pais se separaram, minha mãe se mudou para um prédio com piscina e decidiu se desfazer do título do clube. “Já tínhamos piscina, ora, não precisávamos mais de clube”, dogmatizei. E, conseqüentemente, meu gosto por piscinas foi diminuindo gradativamente.

Os anos continuaram passando. Eu terminei o colégio, passei na faculdade, comecei a fazer jornalismo, arranjei um estágio na GE.Net, mergulhei de cabeça no mundo dos outros esportes, passei a ter um carinho especial pelo tênis.

Enquanto isso, o esporte com raquetes e bolinhas no Brasil seguiu aos trancos e barrancos e a Confederação Brasileira de Tênis decidiu alavancar a modalidade. Fez uma parceria com a Federação Suíça em junho e, em dezembro, marcou uma entrevista coletiva para anunciar o começo de uma associação com a Real Federação Espanhola e outros países latino-americanos. O local? O Circulo Militar.

Tudo isso junto resultou no meu retorno uns oito anos depois a um dos lugares mais perfeitos da minha infância. Nostalgia era pouco quando eu passei pelo estacionamento na rua. Depois, assim que passei a catraca, fiz questão de desviar meu caminho até a sala da coletiva e fui dar uma volta pelo clube. Ah, eu ainda sabia os caminhos de cor. A revistaria, onde eu comprava o Almanacão de férias da turma da Mônica, ainda estava lá. Ah!

Mas o momento mais, digamos, emocionante, foi voltar a ver as piscinas. Tão azuis como da última vez...e tão vazias como da última vez. As cadeiras para banhistas continuavam dispostas da mesma forma. Talvez fossem as mesmas cadeiras. Assim como as velhinhas nas mesas na porta do restaurante. Parecia até que eram as mesmas.

Mas... alguma coisa estava diferente. As piscinas maiores, que eu sempre achei incrivelmente fundas, não pareciam ser tanto assim. E o lugar onde eu quase me afoguei parecia ser ainda mais raso do que realmente era. Da mesma forma que a plataforma para mergulhos, as escadas para o restaurante das piscinas... estranho.

Andei mais um pouco e entrei no corredor poliesportivo, onde crianças brincavam nas quadras. Dei alguns passos e já estava em outra alameda. Antes o corredor parecia ser maior. As quadras também. Vai ver é a globalização, que vem reduzindo as distâncias do mundo. Só podia ser.

Dei mais uma volta e passei pelo vestiário masculino. Me chamou a atenção a entrada, que não parecia estar tão bem cuidada anos atrás. As percebi que tinha sido reformado. Dentro também: estava mais iluminado, com sessões coloridas de armários... os locais de banho estavam mais limpos... e até o guarda-volumes, que sempre me pareceu sombrio e assustador, estava mais convidativo. As coisas mudam!

Minha opinião também. Ultimamente, costumava dizer por aí que, se um dia ganhasse na loteria ou achasse muitos mil reais na rua, a primeira coisa que faria era comprar um título no Clube Pinheiros, que dispensa qualquer apresentação. O Paulistano também, por ter a melhor feijoada e ser bastante convidativo. Mas o único que me deu vontade de voltar foi o Círculo Militar - dono da medalha de ouro do Campeonato Mundial de Bocha-2006, prêmio que é a menina dos olhos da sala de troféus do clube.

Apesar de tudo, porém, o Círculo Militar havia perdido um detalhe. A porta giratória, que sempre me amedrontou na entrada (o medo de ser barrado na porta do clube era enorme naquela época), parecia não estar lá. “Ih, mas faz tempo que tiraram. Nem lembrava mais”, me disse um porteiro quando perguntei.

Uma pena. Eu lembrava.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Lugares (in)comuns

O mundo tem se tornado um lugar bem esquisito nos últimos tempos.

Costumo dizer para algumas pessoas mais íntimas que o mundo é estranho. Tão estranho que tem se tornado bastante previsível de uns tempos para cá.

Verdade. Basta ver que, em novembro, a velha profecia se realizou e um dia extremamente seco se converteu em uma chuva torrencial apenas porque era 2 de novembro.

Algum tempo atrás, também tive a sensação de que encontraria uma antiga amiga no metrô só porque tinha sonhado com ela na noite anterior. Daí pra mais. Algumas pessoas mais próximas sabem certos detalhes incrivelmente bizarros do meu dia-a-dia.

Enfim. São inúmeras aventuras e desventuras, vários entendimentos e desentendimentos. Tudo muito inusitado, engraçado, triste, broxante. Várias coisas ao mesmo tempo. Mas nada tão bizarro que se compare a algo como isso:

Durante o fim da minha infância até a metade da minha adolescência, tive um grande amigo. Vivemos muitas coisas juntos: começamos a beber, conhecemos garotas, namoramos algumas dessas garotas, desabafávamos, reclamávamos da vida, conhecíamos lugares novos. Chegamos até a viajar – o que, para uma pessoa que viajou raríssimas vezes como eu, é algo que coroa uma amizade (já falei dele aqui).

Mas como toda amizade que começa na infância, acabou perdendo a intensidade e praticamente terminou. Chegamos a nos encontrar pela rua depois de um tempo (aliás, nos dois últimos de nossos encontros casuais, tive a sensação de que o encontraria). Só que nossa amizade não foi reatada. E ele acabou indo viver em Minas.

Até que hoje conectei no MSN e alguns instantes depois ele também conectou. Não sei por que, tive vontade de mandar uma mensagem para ele. Antes de digitar alguma coisa, vi que na data da nossa última conversa, eu falei que tinha acabado de ser aprovado no estágio na Gazeta.

Ao ver que já fazia um ano que não nos falávamos, acabei não mandando nada naquele momento. No entanto, mantive uns dois ou três assuntos paralelos durante a noite, mas com quatro janelas abertas. Ainda pensava em tentar falar alguma coisa com ele.

Minhas três companhias virtuais foram dormir praticamente ao mesmo tempo. Fui fechando as janelas uma a uma, até que... até que, na hora de fechar a janela da conversa não iniciada com o tal amigo, o impensado: “Carlos !! diz: aíí heldekaa!” A mesma saudação idiota de anos atrás. Impensado, impossível, improvável. E extremamente engraçado.

E que apenas justifica a minha tese inicial: o mundo tem se tornado um lugar bem esquisito nos últimos tempos. E bota esquisito nisso.

Atualizado (1h09): Apesar de ter que acordar às 6h45 na terça-feira, não consegui dormir cedo. Para gastar meu tempo de insônia, decidi assistir a alguns episódios de Seinfeld. Antes de chegar ao AV 2 da televisão, passei pelo SBT e qual não foi a minha surpresa ao ver dezenas de modelos boazudíssimas de biquíni rebolando ao som do hino do Palmeiras. Bizarro; o mundo continua bizarro.

Atualizado II (1h11): Não bastasse ver as modelos dançando o hino do Palmeiras, o Fantasia me propiciou algo ainda mais bizarro menos de dois minutos depois. O cara que ia participar da brincadeira pediu a palavra para se declarar para a Helen Ganzarolli. E o fez: em italiano. Às vezes, acho que eu sou o anormal da história.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Sobre os dias ruins

Tem dias em que a primeira coisa que eu faço ao abrir os olhos é fechá-los novamente. Inconscientemente, como se isso fosse me proteger de toda aquela sensação mais do que incômoda de que as horas fora de casa serão terríveis.

Mas isso, infelizmente, não funciona. Segundos após abrir os olhos, o despertador dispara o velho som estridente e me impede de ficar na cama. Deixo a cama ainda cambaleando, tropeçando... e o pior: espirrando. Nada pior do que começar o dia com um ataque de rinite.

A alergia dura muito tempo – o suficiente para me deixar de mau humor. Na sensação de que o ataque me tirou preciosos minutos, começo a fazer as coisas rapidamente para evitar o atraso. Besteira: percebo que estou pronto com dez minutos de adiantamento. O que resta? Ligar a televisão na primeira baboseira no afã de o tempo passar.

Ao sair de casa, porém, tenho o enorme desejo de voltar. As avenidas estão vazias, assim como as ruas, alamedas, paralelas, transversais... Isso me deprime. É como se todo aquele espaço, antes apinhadíssimo, fosse meu. Um desperdício.

Toda essa sensação de solidão me dá vontade de ligar para alguém. Tem vezes em que até saco o celular da mochila e dou uma olhada rápida pela lista. Melhor não. Talvez ninguém entenderia o que estava acontecendo.

Mas a humanidade, embora não esteja na rua, não foi dizimada: ela se escondeu no metrô. Para minha infelicidade, já que um banco vazio seria o ideal na tentativa de dormir mais alguns minutos e acordar com um humor melhor. Mas o único banco teoricamente disponível é ocupado por algum cara nem um pouco altruísta, que repousa a mala de viagem ou a sacola de compras no assento. Resta-me, então, ficar em pé e lutar contra o sono.

Apenas uma coisa poderia me despertar e recuperar o humor: doses cavalares de cafeína. Mas todas as minhas fontes de cafés grandes estão fechadas. Maldade: até o Popeye descola latas de espinafre quando mais precisa. Eu, enquanto isso, tenho que me contentar com um banho de água gelada no rosto. Não deve fazer bem.

É quando eu sinto que todas as coisas conquistadas até hoje foram fáceis demais, ao passo que todos os meus principais objetivos são praticamente impossíveis de ser atingidos. Isso sem falar em todas as pequenas felicidades cotidianas desperdiçadas à toa. São nesses dias em que eu tenho as piores crises existenciais.

É justamente nesse momento que me dá vontade de me render simultaneamente a três dos meus principais vícios: ficar deitado, fazer palavras cruzadas e ver programas de esportes. Não é pedir muito, é? Sei que não. Mas o homem jamais vai ser feliz aos domingos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Batidas

Ela tropeçou ao tentar executar um passo de dança em uma festa: ao tentar colocar o pé esquerdo no chão, tropeçou no direito e perdeu o equilíbrio.

Mas sua alegria não terminou no chão. Enquanto caía, foi amparada por um cara para quem ela estava olhando já há alguns instantes.

Sua alegria, em contrapartida, terminou minutos depois, quando foi para o banheiro lavar o rosto: encontrou a melhor amiga nos braços do tal cara. E não, a amiga não tinha perdido o equilíbrio ao tentar executar um passo de dança.

Ao presenciar a cena, desistiu de lavar o rosto. Preferiu voltar ao balcão do bar e pedir mais uma batida. “Com menos fruta e mais vodca dessa vez, querido”, pediu ao garçom, com a voz bastante enrolada.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Mãos trêmulas

“A balada tah uma droga. Queria vc aqui, querido. Te ligo qnd chegar em casa. Depois a gnt se fala. Bjos”, escreveu a garota, com as mãos trêmulas e um pouco umedecidas de suor, após trair o namorado pela segunda vez na noite. Era aniversário de uma amiga.

Um telefone celular despertou do outro lado da cidade quando uma mensagem de texto chegou, e o dono do aparelho teve um arrepio. Não, não foi por causa do vibra-call. Foi porque, naquele mesmo instante, a mulher a quem ele se agarrava lhe deu um puxão nos cabelos da nuca após receber um beijo no pescoço.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Esquisitice

Confesso que tenho certos hábitos excêntricos. Esquisitos, para ser sincero.

Tenho sérios problemas para conquistar algumas metas irrelevantes que traço para o meu cotidiano. Quando as alcanço, no entanto, não consigo ir além. É como se eu me contentasse com pouco. Um exemplo? Fácil.

Uma vez, reencontrei uma garota depois de muito tempo. Ela não era nada mal; pelo contrário: simpática, charmosa... e, com o tempo, ficou com mais cara e corpo de mulher. Claro que combinamos de sair. Ela me passou o novo número do celular dela. Passei o meu também e acertamos que ligaria primeiro aquele que tivesse o primeiro tempo livre. Fechado.

Fui eu quem teve o primeiro tempo livre. Estava na fila do cinema na véspera de um feriado e liguei para ela. Chamou, chamou, chamou... só não caiu na caixa postal porque, de acordo com a voz eletrônica, aquele número não dispunha de tal facilidade.

Mais tarde ela me mandou uma mensagem desculpando por não ter me atendido. O motivo? Estava viajando com a família e o celular passava grande parte do tempo fora de área. Mas me ligaria, então, dentro de uma semana.

O tempo passou e ela não me ligou. Dois finais de semana depois me mandou um e-mail com um convite para um cinema na semana que se iniciaria. Perguntei se poderia ser na quarta-feira, seria mais fácil. Ela aceitou.

Na véspera de nosso encontro ela me ligou no comecinho da noite, mas acabei não atendendo, sem querer. Confesso que senti minha mochila se mexendo no chão da sala de aula por volta daquele horário. Contudo, me dei conta da chamada apenas quando cheguei em casa, às 23h30. Decidi não retornar a ligação... ela acordaria cedo, coitada, não iria acordá-la.

A quarta-feira chegou e eu tentei ligar para ela umas três vezes: caixa postal. Às pressas, mandei um e-mail reforçando o lugar e o horário para o nosso encontro. Só que ela não apareceu. Humm... tudo bem, não havíamos combinado por telefone. Seguimos esse ritmo de desencontros durante mais um mês. Quando eu tinha tempo livre e ligava, ela não atendia. Quando ela me ligava, eu é que não atendia.

Até que um dia tudo mudou. Eu tinha acabado de sair do cinema, sentei em um banco na mesma praça de sempre, abri um livro e percebi que não estava muito a fim de lê-lo. Saquei o celular, procurei o número dela na agenda e disquei.

Foram cinco toques longos até eu pensar em desligar o telefone mais uma vez. Até que uma voz masculina – e ligeiramente afeminada, diga-se – atendeu. Antes que eu pudesse perguntar se tinha sido engano e desligar aliviado, a voz se prontificou: um instante, por favor.

Até que atendeu a voz feminina por que eu esperava.

- Oi, Fê!
- Hahahha, oi! Decidiu atender o telefone hoje, então?
- É, meu, que coisa! Mas e aí, tudo bom?
- Ah, tudo, e você?
- Também... como vai essa força?
- Ahnn... oi?
- Como vai essa força?
...

Foi quando a ligação foi interrompida: meus créditos tinham terminado. Pensei em comprar algum cartão telefônico e ligar para ela, mas... não. Meu objetivo já estava cumprido. Digo... ela era, para mim, a garota que não atendia o telefone. Poderíamos até combinar por e-mail algum outro encontro... poderíamos dar início a um relacionamento descompromissado ou até mesmo a um namoro.

Mas... depois que ela atendeu o telefone, qual era a graça da nossa relação?

domingo, 2 de dezembro de 2007

Espera

Fui um garoto tímido desde os primórdios. Nas minhas primeiras lembranças sociais, apareço me escondendo da vizinha do apartamento ao lado ou então me vem à mente a vergonha de sair do meu universo primitivo (carro da minha mãe) e entrar na escolinha para o primeiro dia de aula.

Essa minha timidez diminuiu em bons números com as minhas primeiras amizades. Mesmo assim, nas festinhas de aniversário nos buffets infantis, ela voltava a ficar evidente: se chegava um pouco tarde e um grupinho já estava com uma conversa consolidada, tinha uma enorme dificuldade para me enturmar. A solução? Chegar mais cedo e participar da formação dos grupinhos. Muito mais fácil.

Por causa disso, acabei desenvolvendo o hábito de ser pontual. E essa minha pontualidade, em vez de ser vista como uma qualidade, acaba apenas evidenciando meus principais defeitos sociais, dentre eles a tal timidez, a gigantesca insegurança e uma certa ansiedade – coisas que poucas pessoas acreditam que eu tenha.

Quando combino alguma coisa com alguém, sempre acabo chegando uns cinco minutos antes. Sempre bom estar lá antes, eu acho. O problema é que quase ninguém pensa assim, e muitas vezes as pessoas acabam chegando muito além do estipulado. Muito mesmo.

Uma das piores coisas para uma pessoa tímida e insegura é ficar plantada em um mesmo lugar por muito tempo. Às vezes tento disfarçar, dou voltas no quarteirão e até finjo chegar atrasado. Mas nem sempre isso dá certo, e acabo ficando parado no mesmo lugar.

Os dez primeiros minutos da espera são normais e até passam bem rápido. Depois da primeira olhada no relógio e de constatado o princípio de atraso, porém, a insegurança começa a bater. Por que o atraso? Será que a pessoa desistiu? Ou... pode ser o trânsito. Eh, pode ser o trânsito. Mas e se aconteceu alguma coisa? Puxa, já faz 20 minutos que a gente combinou, por que não avisou?

Nesse momento, tento a minha cartada mais vã possível: o celular. Mas, como todo mundo já deve saber, o celular só costuma funcionar quando você está no meio de uma prova, de uma entrevista de emprego, em uma reunião, no trabalho ou no elevador. Quando mais se precisa dele, resta apenas a caixa postal.

Depois de ficar tanto tempo no mesmo lugar com as mãos nos bolsos, percebo que os dedos começam a suar. Tiro as mãos do bolso, estralo os dedos, esfrego-os. Ter barba nessa hora ajuda, e acabo sempre puxando alguns fios do queixo. Também penso em uma música e começo a marcar o ritmo com os pés. Incessantemente.

Enquanto isso, as pessoas em volta começam a perceber que você está esperando alguém. Muitas delas sabem isso, e boa parte delas começa a desconfiar de que você levou um bolo. Começo a olhar para os lados, esperando ver a qualquer momento a pessoa com quem combinei. Meus bolsos começam a pesar. As pernas, a tremer. É preciso arranjar alguma coisa para fazer.

Depois de alguns instantes, a salvação: a pessoa esperada chega, ou então a primeira do grupo combinado. As mãos param de suar, as pernas param de tremer e a vida, pouco a pouco, vai se reajustando.

Quase ninguém acredita quando eu digo que sou tímido e inseguro. “Você, que consegue se aproximar de alguém com tanta facilidade e fazendo tantas piadas? Ah, conta outra, vai!”.

É que nenhuma delas me espiou enquanto eu esperava por alguém.