segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Linha de chegada
As primeiras coisas que passaram pela minha cabeça vieram do rádio, da transmissão ao vivo da Fórmula 1: Rubens Barrichello estava a 12s do Hamilton e a uns 5s do Kovalainen. “Mais um dia sem a musiquinha da Globo”, eu pensei. Aí resolvi apertar o snooze e dormir por mais 10 minutos.
Esse curto período, obviamente, foi prolongado e multiplicado por 3. Resultado: só fui abrir os olhos novamente às 9h30. Relutantemente acordei de verdade, vivi 2 minutos de ócio e então lembrei que poderia ligar a televisão. Para minha surpresa, o Rubinho estava no segundo lugar, tirando vários décimos por volta em relação ao Hamilton, líder.
Resolvi acompanhar a corrida direito, e vi o Rubinho vencer a prova. Quando ele estava para cruzar a linha de chegada, aumentei o volume da televisão. Incrível como o tema da vitória da Globo me agrada tanto. Pois bem. Comemorei o primeiro lugar do Barrichello, tomei banho, almocei e fui para o novo trabalho.
A rua estava extremamente livre, e eu aproveitava para correr e minimizar o atraso já consolidado. Assim, quando virei da República do Líbano para a Hélio Pellegrino e vi a pista livre, engatei a quarta, depois a quinta... e então vi várias bandeiras tremulando para mim.
O que eu fiz? Bom... por um momento, transformei meu Uno em um Fórmula 1 com motor Merdeces-Benz. No meu capacete, estava escrito “Mané - see you on bar soon”. Baixei o vidro, ergui o punho cerrado e festejei minha primeira vitória na Fórmula 1, no circuito urbano de São Paulo. Não houve tema da vitória, do meu carro saía som de uma banda de rock argentino. Deu para disfarçar.
Então parei no semáforo logo à frente. Uma das mulheres que tremulou a bandeira para mim na linha de chegada me entregou um panfleto publicitário de mais um prédio que estava sendo construído pelas redondezas.
Coloquei os óculos escuros para não ser reconhecido. Afinal, basta a gente ganhar uma corrida que já vão querendo empurrar apartamentos luxuosos e etc.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Aprendendo novos termos
Novidades, muitas novidades nesse período. Profissionais, pessoais, e extremamente financeiras. Não vou entrar em detalhes, mas estou me adaptando a um novo padrão de jornalismo, mais moderno e visual. Além disso, um outro ritmo de trabalho – ora mais, ora menos alucinante... enfim, tudo bacana que dá para tirar de letra (ou pelo menos, é o que eu acho).
Entretanto, depois de receber há alguns dias meu primeiro salário (é quase uma emoção pensar nisso), me deparei com algo que eu não esperava vivenciar tão cedo. Ao checar o depósito na minha conta do banco, percebi uma sensível diferença em relação ao que eu deveria ganhar. Achei normal, afinal eu não tinha trabalhado todo o mês de julho.
De qualquer maneira, comentei com alguém que entende disso muito melhor do que eu: a minha mãe. Não demorou muito, ela já apareceu com a resposta. “Foram R$ X a menos?”. “Sim, exatamente isso”. “Então, eles já descontaram 15% de Imposto de Renda na fonte. Agora, você vai ter que declarar tudo no ano que vem”.
Quando eu tinha uns 10 anos, dava graças a Deus por não ter que me envolver com Imposto de Renda. Com 17, percebi que isso era a maior roubalheira. Com 20, trabalhando já há dois anos, esqueci que isso existia. E agora essa coisa aparece na minha frente, de uma hora para outra.
Minha mãe tentou me explicar o que aconteceria comigo mais ou menos no ano que vem. Eu pegaria um extrato do que eu ganhei do UOL, declararia o que recebi... colocaria também alguns abatimentos, como faculdade e convênio médico... e depois poderia até aguardar a restituição da Receita Federal a partir de junho.
Levou algum tempo (imagino que levará uns meses, ainda) para eu digerir todas essas informações em itálico. Pelo menos, fiquei muito mais tranqüilo ao saber que a Receita não vai tirar de mim nenhum centavo que eu ganhar no meu novo emprego. Então... pensando bem, não vou me preocupar com todos esses novos termos. Penso nisso quando eu realmente precisar pagar Imposto de Renda.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Já tirei a vela!
Pois bem. Fui escalado para cobrir a obra-de-arte inaugurada no Parque das Bicicletas, ali no Ibirapuera, com uma sobreposição artística das duas traves que ficaram no Pacaembu de 1984 e 2007. O evento teria a participação de inúmeros ex-jogadores, e é aí que começa a minha barrigada.
Havia por lá um velhinho calvo, barrigudo e elegante. Não hesitei e comentei com o Ferrelli, o fotógrafo escalado para a pauta comigo. “Cara, é o Pepe” – aquele que da eterna dupla de mortais Pepe, Coutinho e Pelé (este, único imortal, se Deus quiser e pelo bem das redações de esportes do mundo inteiro).
Era o Pepe. E ensaiei uma pergunta bem legal para fazer em referência à final de ontem do Paulistão, com a vitória do Ronaldo por 3 a 1 sobre o Santos na Vila, sob os olhos do Rei. “Pepe,
Pois bem. Acabei me aproximando do velhinho, escrevi “Pepe –” no meu bloquinho pronto para anotar as aspas dele. Esperei dois repórteres de um dos mais renomados jornais paulistas terminarem a entrevista com o velhinho para fazer a minha pergunta. Eles, claro, perguntaram sobre o primeiro e o último jogo do cara no Pacaembu, essas coisas.
Então chegou a minha vez. Não lembro bem a pergunta, mas ele respondeu que “apitou um jogo do Pelé em 1974”. Fiquei surpreendido, não sabia que o Pepe tinha sido árbitro. Técnico, sim, mas não juiz de futebol. Pois bem. Parti então para a segunda pergunta. Meio nervoso, floreei a questão.
“Pepe,
“Meu querido, eu não sou o Pepe”.
“Hum... ergh... urgh... humlml... não?”
“Não, eu sou o Emídio Marques de Mesquita, ex-árbitro”.
“Erm... putz, mil perdões, senhor Emídio, eu juro que pensei que fosse o Pepe”.
“Imagina, Felipe. Você não foi o primeiro e nem será o último a me confundir com o Pepe, hehe”.
“Bom... mas perdão, mesmo assim. E... muito obrigado”.
Baixei a cabeça e fui falar com o Ferrelli.
“Cara, eu sou uma mula”.
“Sim, mas por quê?”
“Sabe o Pepe? Não é o Pepe. É o Emídio de Mesquita”.
“Eu suspeitei pelo broche da Fifa no paletó dele...”
“Eu também, mas na hora pensei que era homenagem da Fifa a um ícone do esporte mundial”.
“Hahahaha”
“Humpf”.
Nada contra o Parque das Bicicletas (muito embora eu não saiba andar de bicicleta). Mas é a segunda vez em que alguma tragédia se passa comigo por lá. Em dezembro, entrevistei a Maria Esther Bueno e aproveitei para contar a ela a minha vontade de escrever a biografia dela como meu TCC. “Não, muito obrigada, eu não estou interessada”, ela disse.
Eu não gosto mesmo do Parque das Bicicletas. Humpf.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Deve ser difícil fazer amigos se você mora no Kuwait
Eu estava lá, no cantinho do Pacaembu, enchendo a cara de Red Bull um dia desses. Tinha um bloco na mão esperando o Edgar Davids aparecer por milagre na minha frente e um papel, com a lista dos países participantes do tal evento de futebol freestyle que eu fui cobrir semana passada.
Estava quietinho no meu canto quando um moleque de 1,60m, pele cor-de-barata, narigão (acho que ele se identificou comigo), uma camisa de Portugal e um bigodinho veio gesticular pra mim. Falou só “I from” e apontou para a bandeira do Kuwait.
Arrisquei um inglês: “Oh, man, you are from Kuwait?”. Ele sorriu, fez com a cabeça que sim e ficou lá esperando para ser entrevistado por um brasileiro estagiário de jornalismo. Por que não? Nunca tinha falado com kuwaitianos, mesmo...
Só que foi extremamente difícil conversar com o Mohammed Al-alguma-coisa. Ele não falava patavinas de inglês e nem entendia o que eu falava. “Hablas español?”, arrisquei. Ele respondeu negativamente. Tentei o mais sobrenatural possível, em inglês: “Bom... você está com a camiseta de Portugal... fala português?”. É claro que ele disse que não.
Mas fiquei lá, tentando bater um papo com o moleque do Kuwait – que disse ter 16 anos, embora aparentasse ter quase uns 30. Entendi só o que eu já esperava ouvir: que o cara jogava bola na rua, não tinha onde praticar, sonhava em jogar na Europa e ser um novo Cristiano Ronaldo da vida. Mas precisei de uns belos 20 minutos de inglês slow-motion e muita mímica pra compreender.
O kuwaitiano pediu uma folha de papel e a minha caneta. Entreguei para ele, que rabiscou várias letras e depois rasurou, até me devolver uma versão final do e-mail dele: Mohammed Al-alguma-coisa@hotmail.com. Fiquei constrangido, não saberia adicioná-lo no MSN ou então enviar um e-mail pra ele, ainda mais... se ele não entendia nada de inglês. “Hi, Maomé, I Felipe. Jornalist, New York Times, Al-Jazeera. I from Brazil. Braaaazil. Pelé, Ronaldinho, Robinho, Carnival, Samba...”.
Por via das dúvidas, para fingir uma solicitude e me eximir da responsabilidade, dei um papel para ele com o meu e-mail também. Não o do MSN, que tem uma passagem em hebraico (judeus, muçulmanos... sacou?), mas sim o do trabalho. “Feel free to send me an e-mail, man”. Me despedi, ofereci minha mão para ser cumprimentado. Ele exitou, mas acabou aceitando o cumprimento ocidental.
O Mohammed Al-alguma-coisa, que não tinha feito amigos e sequer falado com ninguém no evento (os chicos da América Latina estavam todos contando piadas, os europeus batiam um papo animado e o negão sul-africano tinha até conseguido se agarrar com uma loirinha holandesa por lá), voltou para seu lugar nenhum para ficar sozinho brincando com a bola. Sem amigos.
Deve ser chato ser kuwaitiano. E, mais do que isso, deve ser chato não ter amigos. E as poucas pessoas de quem você tenta ser amigo... acabam te menosprezando, como eu sem querer acabei fazendo com o tal do Mohammed Al-alguma-coisa.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Quebra de rotina
Desliguei o rádio, que passou a manhã inteira transmitindo a reconstrução do caso Lindemberg. Me espreguicei, levantei, fui de samba-canção para a cozinha, tomei um copo de água e parti para o banheiro.
Tomei banho. Tentei fazer um moicano com o cabelo com xampu. Saí, balancei a cabeça como um cachorro molhado, coloquei a roupa e deitei na cama. Abri o site do trabalho, vi minha notícia com o Davids estourada na capa do site. “Humm, bacana”.
Entrei nos sites concorrentes. Todos estamparam em suas capas a mesma notícia que surgiu da minha pergunta para o tal do holandês. “Humm, bacana mesmo”, repeti.
Saí de casa, peguei o metrô, desci na Paulista para o trabalho. Atravessando a Joaquim Eugênio e chegando no quarteirão para o trabalho, começou a tocar The middle, do Jimmy Eat World, no meu ipod.
Fiz o playback das últimas horas do dia: acordei, tomei um copo de água, não almocei, vi que tinha pautado todos os sites de esportes do meu conhecimento. E ainda estava tocando uma música bem interessante. Uh!
Respirei fundo. Ri sozinho atravessando a rua. Comemorei, comigo mesmo: o feriado estava chegando.
E olha que eu nem tinha visto que saí quase que em primeiro plano no UOL, enquanto o Davids respondia para mim a pergunta sobre seu sonho de jogar no Flamengo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Carteirada
“Você é só um estagiário com cara de moleque”, me animou a Bonie quando eu reclamei com ela o fato de ter minhas entrevistas com Falcão e Bebeto interrompidas sem mais por assessores de imprensa na terça à tarde. Mas a história que veio depois dessa mensagem vale a pena ser contada (até pra tirar poeira deste blog).
O evento com Falcão e Bebeto era o Mundial de freestyle (embaixadinhas acrobáticas) patrocinado pela Red Bull. Um dos jurados seria o meio-campista Edgar Davids. Davids é holandês. Eu arranho um holandês. E isso me rendeu o credenciamento pra cobrir o evento e tentar bater um papo com o negão.
Fiquei enchendo o saco dos assessores da Red Bull para conseguir dez minutinhos para entrevistar o Davids. Não rendeu. O cara mesmo aceitou quando eu quase implorei pra ele dizendo “Meneer Davids, ik ben
Eu ensaiei essas quatro frases umas mil vezes com um pensamento ingênuo: se eu fosse para a Holanda e alguém me pedisse uma entrevista em português, eu seria o maior solícito com a tal pessoa. A recíproca não foi verdadeira, e mesmo o Bebeto me dando a maior força (disse “vai lá, o cara é mó gente boa, tenho certeza de que vai falar com você sim”), a tia-assessora do Davids não liberou uma exclusiva. É a vida...
Mas acabou que eu consegui me espremer entre uma dupla de jornalistas holandeses e oito mil brasileiros e ficar do lado do Davids na hora da coletiva em cima de um palco pequeníssimo. Aos trancos e barrancos, fiz três perguntas seguidas para o cara e tal. Depois, uma hora, consegui lançar uma outra pergunta. Aí a assessora apareceu e tentou levá-lo para longe dos urubus da imprensa mundial.
Aí vem a parte legal: ao meu lado, um jornalista reclamava com a assessora gringa por não ter feito uma pergunta para o Davids. Ela dizia que não podia fazer nada, a entrevista já tinha terminado. “But I am from Rede Globo”, ele argumentava. A mulher repetia sorrys e mais sorrys, e o cara ao meu lado continuava lá. “But I have to talk to him, we are the number
Meio cínica, a gringa agradeceu o cara pela vontade da “emissora número 1 do Brasil” em falar com o Davids. Falou até em português e começou a levar o atleta para o vestiário. O cara da Globo, então, se virou para um assessor brasileiro com a maior cara de tacho e disse que não conseguiu fazer uma pergunta para o Davids.
Então o assessor brasileiro virou para a assessora gringa. Sotaque carioca: “Thish guy ish from the mosht impóhrtant televyjon inA gringa, então, se virou para o repórter e o chamou para conversar com o Davids. Eu, claro, fiz a egípcia, em fingi de Rede Globo e fui junto. O cara não falou nada de mais. Mas eu voltei para casa felizinho por ter conseguido fazer meu trabalho sem precisar dar carteiradas nos outros. :)
domingo, 2 de novembro de 2008
Notícia que você não verá nos jornais de segunda
Bom... o filho do seu Titônio não ganhou. Mas, de birra, coloco aqui o meu trabalho que, obviamente, não foi para o ar depois que o Lewis Hamilton estragou o domingo alheio.
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Massa vence Hamilton, desconfiança, chuva, tabus e Mundial de F-1
Por Felipe Held, alguém que quer matar o Timo Glock
O Brasil precisou esperar 16 anos e 365 dias (estamos em um ano bissexto, antes que eu seja achincalhado) para ver novamente um representante conquistar o Mundial de Pilotos da Fórmula 1. Neste domingo, no entanto, Felipe Massa levantou a torcida paulista com a vitória no Grande Prêmio de Interlagos e cravou seu nome na história da principal categoria do automobilismo como o quarto condutor do País a levantar a taça.
Massa chegou a São Paulo com remotas chances de se sagrar campeão: com 87 pontos, contra 94 do inglês Lewis Hamilton, o piloto da Ferrari reverteu a desvantagem neste domingo com uma corrida perfeita e, mais uma vez, fez de Interlagos o palco da grande zebra do ano.
Em 2007, feito parecido aconteceu no autódromo brasileiro: o finlandês Kimi Raikkonen faturou o título depois de vencer em Interlagos – com a ajuda de Massa – e descontou uma vantagem de justamente sete pontos de Hamilton, que falhou duas vezes e amargou o vice.
Agora, Massa foi premiado pela ajuda a Kimi e, ainda, quebrou alguns jejuns do automobilismo tanto brasileiro como mundial: o último título de um piloto nacional acontecera em 3 de novembro de 1991, com Ayrton Senna, em Suzuka, no Japão.
Um dia antes do 17º aniversário do tricampeonato do troféu, Massa colecionou a nona taça para o Brasil e entrou no rol com o bicampeão Emerson Fittipaldi (1972 e 74) e os três vezes vencedores Nelson Piquet (81, 83 e 87) e Senna (88, 90 e 91).
O piloto paulista de 27 anos ainda manteve a tradição brasileira de vencer pelo menos um título a cada década – apesar do longo jejum após a morte de Senna, em 1994, e da safra pouco vencedora de representantes na F-1: apenas Rubens Barrichello e Massa conseguiram se sobressair na categoria.
O mais novo campeão ainda se tornou o segundo piloto da história a conseguir comemorar um título mundial ao vencer o GP em sua própria casa: antes, apenas o italiano Nino Farina (em 1950) havia conseguido tal feito.
Com o título de Massa exatos 6.209 dias após o feito de Ayrton Senna, o Brasil segue como a segunda nação que mais vezes venceu a F-1 – e abre vantagem sobre a Alemanha, que tem o heptacampeonato de Michael Schumacher. À frente do País aparece apenas a Grã-Bretanha, com 12 troféus (sete de pilotos ingleses e cinco de escoceses).
O Mundial de Pilotos de 2008 ainda vem para Massa, coincidentemente, dez anos após sua estréia no kart, em 1998. Em 99, o paulista conquistou seu primeiro título em categorias de monoposto, na Fórmula Chevrolet brasileira.
Em seguida, Massa vez as malas e partiu para a Europa, onde se sagrou vencedor das Fórmulas Renault italiana e européia em 2000. Uma temporada depois, estreou de forma espetacular na Fórmula 3000 da Europa e abocanhou o título com oito vitórias em oito provas disputadas. Desempenho suficiente para, ainda em 2001, receber um convite para ser piloto de testes da equipe Sauber na Fórmula 1.
A primeira aparição de Felipe Massa na F-1 aconteceu, em 2002, no GP da Austrália, onde acabou abandonando. Seu melhor desempenho naquele ano foi o quinto lugar na etapa da Espanha, finalizando a temporada no 13º lugar, com quatro pontos.
A Ferrari, então, decidiu apostar no jovem brasileiro que dominou as categorias de acesso da F-1. Massa foi contratado para ser piloto de testes da escuderia italiana ao longo da temporada 2003 e retornou à titularidade de uma equipe em 2004, novamente pela Sauber.
O brasileiro, mais experiente e arrojado, quase apareceu no pódio: foi quarto no GP da Espanha. No total, Massa colecionou 12 pontos ao longo da temporada e ficou com o 12º lugar geral. Em 2005, apesar do desempenho inferior (foi quarto colocado no Canadá e somou 11 pontos, terminando a temporada na 13ª posição), assinou contrato com a Ferrari para o lugar do também brasileiro Rubens Barrichello.
Em seu primeiro ano no carro vermelho mais famoso do mundo, Felipe Massa chegou a seu primeiro pódio com a terceira colocação no GP de Nürburgring. O representante nacional ainda alcançou suas duas primeiras vitórias na carreira, na Turquia e – justamente – no Brasil, na despedida das pistas de Schumacher. O piloto do País encerrou o ano na terceira colocação do Mundial, com 80 pontos e sete pódios no total.
A performance de Massa melhorou em 2007, primeiro ano sem Schumi como o ‘queridinho’ da equipe e com a concorrência aberta com o finlandês Raikkonen. Foram três vitórias (Turquia, Espanha e Bahrein), dez pódios e 94 pontos e a quarta colocação da temporada. E Kimi foi o campeão.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Orgulho de ser pé-rapado
“Sim. Obrigado”, confirmou o cliente, que foi para sua mesa.
“Ah, você eu sei. Você é o djornarista, né?”, comentou a dona velhinha do self-service chinês na Santos com a Brigadeiro, agora para o cara estranho se preparando para pagar a conta do almoço. Respondi que sim, já dando minha filipeta de papel e sacando o VR do bolso.
“Você trabalha muito, né?”, ela puxou assunto. Respondi afirmativamente, apesar da minha jornada de cinco horas diárias. “Sim, eu sei. Djornarista trabalha muito. Já vi você aqui de final de semana, você não descansa, né?”. Disse a ela que folgava de vez em quando, não ia bancar o chinês mão-de-obra escrava para a tia chinesa.
“E... você escureve assim, também?”, perguntou ela, rabiscando um papel com a caneta. Falei que sim, mas que também escrevia assim (e fiz gestos de pessoas digitando). “Ah, e para onde você escureve? É... djornal, da banca?”. “Não, não. É para a internet, é ainda pior”, brinquei. Ela fez cara feia, compassiva com o meu ritmo alucinado de trabalho.
Digitei minha senha nada secreta do VR, agradeci a ela por mais um almoço delícia e barato do self-service chinês, coloquei a mochila nas costas e saí. “Ei, djornarista. Palabéns, viu? Sua porofissão é muito bonita, admiro muito quem é djornarista”, comentou.
Tive não faz muito tempo uma ferrenha discussão sobre o que me levou a fazer jornalismo e não me importar em ser um pé-rapado nos próximos 40 anos (muito embora muitos imbecis do meu colégio façam administração e tenham potencial de ganhar 10 vezes mais do que eu). Um dos meus argumentos era esse, o falso glamour que a profissão desperta, sobretudo nas pessoas mais velhas.
Saí do restaurante um pouco orgulhosinho de mim. E vim trabalhar mais animado.
domingo, 24 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Festa de encerramento)
No total, pode-se dizer que foram 150 horas de trabalho, 300 notícias e 450 mil caracteres (para se ter uma idéia, a minha faculdade exige que um livro-reportagem de Trabalho de Conclusão de Curso tenha, no mínimo, 150 mil caracteres). Esse número realmente me assustou – eu poderia ter escrito um livro, ou até dois.
Mas os números não são a melhor maneira de exemplificar o quão paranóico foi a cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim para a minha pessoa. Não fiz as contas, mas sinto que passei mais tempo trabalhando do que dormindo. Além disso, acaba ficando mais ou menos obrigado a escolher: sono ou almoço. Optava pelo sono, eram 30 minutos sagrados.
Tive pouquíssimas aparições sociais nesse meio-tempo. Em 20 dias, o máximo que consegui foram três horas totais de bar, um almoço com uma amiga, um jantar de aniversário de outra amiga e um ou outro compromisso de última hora. Deixei de responder muitos e-mails ou outras mensagens pessoais. Poderia me considerar em um mosteiro, se não trabalhasse em uma redação.
Em quase três semanas, aumentei consideravelmente a quantidade de café consumida. Necessário para ficar acordado. Minha alimentação foi sem dúvida para o beleléu com coisas rápidas compradas pela Paulista para não chegar (ainda mais) atrasado. Nos raros momentos de almoço ao pé da letra, vibrava comendo espinafre, brócolis ou alface.
Vida saudável não foi mesmo a minha máxima durante as Olimpíadas, mas consegui até bater umas raquetadas nesse período. Muito pouco, é claro. Acordar cedo? Bom, na maioria dos dias eu dormia com o sol raiando. Ok, vamos mudar de assunto – não quero comentar sobre as minhas olheiras.
Mas o pior mesmo nesse período foi o aspecto psicológico. Tive alterações homéricas de humor. Andei estressado. Cerca de 90% dos meus assuntos era esporte. Atendia o telefone pensando em falar o nome da empresa (e algumas vezes falando), trocava o nome de pessoas, confundia os dias da semana e de alguns eventos (quase todos eram Olimpíadas).
Só que nem tudo é motivo para reclamação. Pude curtir as madrugadas muito mais do que o normal (sempre tinha alguma coisa interessante para ver na televisão), aproveitei para entender um pouco mais de uma ou outra modalidade, vi alguns dos atletas que eu já havia entrevistado por aqui competindo com a nata do esporte mundial, fui entrevistado por um jornal chileno... e, em se tratando de blog, pude reeditar a fórmula das rapidinhas. Que cativou até novos leitores e leitoras para este espaço.
Mas acabou. Os Jogos Olímpicos de Pequim acabaram e só voltam dentro de quatro anos. Respirei aliviado quando vi a tocha olímpica se apagar, mas... mas como sempre acontece ao término de um grande evento, bateu até uma tristeza. Aquela coisa de fim de festa.
Bom... a tocha apagou lá em Pequim, mas apenas com este post encerro a série das rapidinhas olímpicas. Fórmula que deu certo e voltará dentro de algum tempo, com algum outro evento que valha a pena. Por ora, este blog retoma sua programação normal. Ufa!
(Últimas!!) Rapidinhas olímpicas:
Paranóia: Percebi que tinha atingido o meu limite profissional quando passei uma tarde inteira tentando ligar para uma jogadora da seleção de vôlei que não foi convocada para Pequim. Ela não atendeu e eu, na tentativa de conseguir falar com ela, até mandei uma mensagem de celular tentando marcar a entrevista. Claro que não deu certo, né?
Amarelada?: Eu poderia falar que foi mais uma amarelada. Que foi azar. Que foi um fracasso, uma decepção, um vexame, uma pataquada. Que me fez perder preciosíssimas horas de sono. Mas... ah, por mais que eu queira, não tem como criticar a seleção brasileira masculina de vôlei, né? Os caras simplesmente ganharam tudo nos últimos oito anos, seria uma puta injustiça falar em fracasso.
Comparação: Posso não criticar, mas nada me impede de fazer um comentário. Bom, com certeza as pessoas aí conhecem o Murilo Endres, irmão do Gustavo. Uma vez fui a um jogo da seleção de vôlei aqui em São Paulo com uma amiga e ela não parava de falar que o cara era lindo, que o cara era sei lá o quê e blábláblá. Vendo o cara todos os dias na tevê recentemente, notei que o Murilo é quase o irmão gêmeo loiro do Boça. E percebi que entender o gosto feminino é uma missão quase que impossível.
Bônus: É incrível o que a Globo conseguiu. Após as competições, mais de 95% dos atletas que eu vi dando entrevista para os repórteres da Vênus Platinada bem que tentavam contornar, mas acabavam chorando em frente às câmeras após as várias investidas dos repórteres. A lista é grande, passando por Jade Barbosa (claro!), meninas do futebol, César Cielo, Maurren Maggi, judocas em geral, pessoal do vôlei praia, etc., etc., etc. Não há dúvidas de que eles devem ganhar pelo menos umas 500 pratas por cada lágrima derramada em rede nacional.
O último choro: Essa insistência dos repórteres da Globo atingiu seu ápice de inconveniência com o Marcelinho, levantador da seleção de vôlei. O cara já tinha perdido o jogo, já estava se matando para não abrir o berreiro na televisão... até ensaiou algumas palavras de explicação para todo o Brasil e depois pediu para o repórter falar com o Gustavo, que também estava lá. “Marcelinho, a sua família está ao vivo assistindo a você”. O cara, que virou pai e ainda não viu o filho, não conseguiu mais segurar. Agora me diz: pra que fazer isso?
Direitos autorais: Imagino que a maioria dos vídeos que foram linkados aqui durante esse período rapidinhas olímpicas já foi retirada do ar no YouTube. Por causa dos direitos de transmissão dos Jogos, os trechos eram bloqueados pelo site cerca de dois dias após irem ao ar. Não precisava, hunf.
Escola eslava: Quando o Brasil perdeu o Pré-olímpico das Américas de basquete masculino e ficou fora de Pequim, o Oscar Schmidt falou aos quatro ventos que a nossa seleção tinha que seguir a escola eslava de basquete. Na hora não questionei – era a opinião de um monstro sagrado na bola-na-cesta, não? Mas os dois países eslavos nas Olimpíadas não tiveram muito sucesso: a Rússia ficou pela primeira fase e a Croácia caiu nas quartas-de-final. Será que a gente ainda tem que seguir um padrão perdedor? Já que não temos o modelo brasileiro de basquete (ufa!), não seria mais fácil seguir o modelo vencedor de Estados Unidos, Espanha ou Argentina?
Raios, duas vezes, mesmos lugares...: No ano passado, quando o Brasil ficou por umas duas horas à frente de Cuba no quadro de medalhas do Pan-americano do Rio de Janeiro, até dei um print screen do quadro de medalhas (imagem que jaz no arquivo-morto do meu computador falecido) achando que jamais veria algo semelhante. Um ano depois, não é que o esporte verde-amarelo (mais amarelo do que verde) conseguiu, e com cinco postos de vantagem (ficamos no 23º lugar, enquanto os atletas ex-Fidel terminaram na 28ª colocação)? Claro que não é lá tão mérito nosso, mas sim demérito cos caribenhos. Ainda assim, um quadro de medalhas histórico.
Futuro: Não é preciso ser gênio para saber. Modalidades como vela (sobretudo classes como RS:X e 470), taekwondo, salto em distância, salto com vara, judô, taekwondo e até mesmo a ginástica artística e o futebol feminino só serão lembradas dentro de três anos, com os Jogos Pan-americanos. Alguém duvida?
sábado, 23 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Quase)
O estresse aumenta à medida que o fim das Olimpíadas se aproxima.
Resta saber o que termina antes: a minha paciência ou os Jogos de Pequim.
Não sei, ainda não sei. Amanhã eu respondo.
Rapidinhas olímpicas, apenas por obrigação:
Corujinha: Começou no bar, depois da aula. Estava pagando a conta quando a Natália Falavigna disputou sua primeira luta. Comecei a discorrer com uns amigos da sala sobre o quanto a Natália era educada, simpática, tinha um sorriso legal, era linda e... tinha o mesmo tamanho que eu. O cara que bebia sozinho no balcão, olhou para mim e deu um sorrisinho, do tipo “putz, ela é baixinha”. Fingi que não vi.
Coruja: Continuou em casa, na madrugada. A Natália pisou no tatame lá pelas 4 da manhã e eu fiquei acordado para ver a minha ídolo olímpico ganhar mais uma vez e entrar na disputa de uma medalha. Acho que não tenho lá uma personalidade muito forte: basta eu entrevistar um atleta simpático para que eu comece a torcer por ele.
Corujão: O dia estava clareando lá fora quando a Natália foi lutar nas semifinais contra uma nipo-nórdica (na verdade, sul-coreana que defendia a Noruega). Empate nos três rounds normais, na prorrogação... e aí os árbitros decidiram pela vitória da adversária, que foi mais ofensiva durante o combate. Todo mundo já esperava isso, uma vez que a brasileira apenas lutava no contra-ataque... menos o comentarista da Globo, que dizia que a Natália tinha sido superior o combate inteiro. Fui dormir. Chateado, mas fui dormir. E nem vi a luta em que a Natália ganhou o bronze.Desamarelada Virada: E não é que a seleção feminina de vôlei cravou a medalha de ouro? Depois de protagonizarem a maior amarelada brasileira da história em Atenas-2004 (perdeu oito match points na semifinal contra a Rússia), as meninas do Zé Roberto fizeram bonito e ganharam bem dos Estados Unidos. Um time que aprendeu a desamarelar. E que provou a importância de um trabalho psicológico com atletas brasileiros (com jornalistas esportivos também seria interessante esse trabalho em um momento como este).
Comentários: Levantadora da equipe de 2004, a Fernanda Venturini saiu de Atenas dizendo “Se quem estava virando as bolas no jogo não conseguiu definir, que culpa eu tenho?” e “Talvez se eu tivesse seguido minha intuição e virado uma bola de segunda, a história tivesse sido outra”. Hoje, depois do ouro, a Fernanda recebeu em seu blog uma série de comentários, ahn, nada amistosos. Dentre eles, o mais engraçado é o “Vai lavar roupa, sua cara de trouxa”. Haha.
Espírito olímpico: Você treina a sua vida inteira. Passa quatro anos enclausurado com apenas uma idéia fixa em mente: conseguir uma medalha olímpica. Vence as duas primeiras lutas, acaba perdendo uma e vai lá disputar o bronze. Leva vantagem e fica a 7s da vitória, quando resolve dar uma catimbada para esfriar o clima. Aí vacila, não vê o tempo do atendimento médico terminar e é declarado perdedor. Perde a luta. Perde a medalha. Perde a viagem para o outro lado do mundo. Perde tudo, inclusive a cabeça. Foi o que aconteceu com o taekwondista cubano Angel Matos. Não que isso justifique a cagada que ele fez hoje, mas... sei lá, vai entender...
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Amarelo-Brasil)
Tudo porque acho que nunca vi uma quinta-feira tão brochante e amarela como a de hoje, dia em que três ouros praticamente esperados se tornaram acabaram perdendo o brilho para os atletas brasileiros, que se contentariam apenas com um prêmio amarelado.
Ok, o dia começou bem com a prata do Robert Scheidt e do Bruno Prada na classe Star do vela, sendo que o mais provável era que a dupla conseguisse o tão sonhado bronze do Brasil. Foi a primeira medalha prateada da nossa delegação, mas nem por isso o dia se tornou desanimador.
Impossível não falar da seleção de futebol feminino. Acreditava em um ouro fácil, apesar de algo na minha cabeça ter me deixado preparado para uma derrota. Foi o que aconteceu: empate sem gols no tempo normal de um jogo bem chatinho e 1 a 0 para as gringas na prorrogação. Mais uma derrota para as meninas, mas esta deu até dó (o Galvão Bueno até chorou ao vivo).
Mas o dia foi tenebroso, a começar pelo mala do Jadel Gregório. O cara se classificou para a final dizendo que iria melhorar os 17,90m que ele conseguiu uma vez na vida. “O Jadel está confiante”, dizia o esquisitão, todo mala e referindo-se a si mesmo na terceira pessoa. Ficou em sexto com um desempenho pífio e saiu chorando. No vôlei de praia, Renata e Talita perderam o bronze para a dupla chinesa e Márcio e Fàbio Luiz perderam o ouro para os norte-americanos. Isso sem falar no hipismo, que vem rendendo excelentes curtinhas por aqui. E por falar em rapidinhas, ei-las:
Rapidinhas olímpicas
Contraponto: Tá certo, a seleção feminina de futebol perdeu mais uma final, ficando com a terceira prata em quatro anos (perdeu as finais das Olimpíadas de Atenas-2004 e da Copa do Mundo do ano passado). Poderia muito bem cornetar a equipe e chamar as meninas de amarelonas, mas... elas não têm apoio algum no país (e muito menos na imprensa, confesso), ganham salários pífios, mal podem competir por aqui. E foram três vezes vice-campeãs. Antes de criticar, poderíamos lembrar do time masculino, que ficou nas quartas-de-final da Copa, não se classificou para as Olimpíadas de 2004 e caiu feio nas semifinais deste ano. E os caras ganham milhões, milhões e milhões...
Só a Natália salva: O Márcio Wenceslau perdeu a luta das quartas-de-final na quarta-feira em sua luta no taekwondo apenas no ponto de ouro da prorrogação. Em vez de aprender com o colega, a gaúcha Débora Nunes conseguiu fazer ainda mais feio em sua luta: estava ganhando por 2 a 1 nos segundos finais de luta, mas bobeou, levou um golpe e a definição foi para o golden score. E perdeu, num contragolpe da adversária. Virou moda.
No quase: Se tem uma equipe brasileira famosa por amarelar nos momentos decisivos, é a seleção de vôlei feminino. Mas as meninas do Zé surpreenderam, continuaram arrasadoras e passaram nas semifinais pela China, atual campeã olímpica. Mas nem por isso a Mari escondeu que a equipe quase, mas quase amarelou ao falar da partida dos Estados Unidos (venceram Cuba na preliminar): “Impressionou. Algumas jogadoras não conseguiram ver até o fim porque estavam começando a ficar com um frio na barriga por causa da nossa semifinal. A Sassá e a Fabi saíram no meio, a Sheilla ficava indo e voltando. Eu fiquei sentada o tempo todo de boca aberta com o que estava acontecendo”.
Salva pelo gongo?: Uma das coisas que mais condeno no Sportv é a entrevista que eles fazem entre os repórteres. Faltou pauta? Tasca um repórter entrevistando o outro. A ESPN Brasil, que eu tanto admiro e tal, acabou quase me decepcionando quando o Eduardo Elias foi entrevistar o Flávio Gomes sobre a derrota brasileira no futebol feminino, direto do Estádio dos Trabalhadores. Quando ia começar o bate-papo, as luzes do estádio se apagaram, deixaram os dois no escuro. A entrevista não rolou, ufa.
Medalhista: Pode não representar muita coisa, mas acabei me lembrando hoje que já ganhei uma medalha de ouro – embora não tenha honrado o esporte brasileiro ao não amarelar. Foi em 1999, nos jogos intercolegiais que meu colégio promovia (a Oliarqui, que hoje em dia é disputada por 4 mil moleques). Foi na disputa por equipes do xadrez. Deu até vontade de procurar o prêmio por aí e ver se consigo desfilar em um carro de bombeiros.
Bronze Brasil: Já tinha visto o endereço do blog Bronze Brasil 2008 duas vezes antes de hoje, mas fiquei com preguiça de clicar. Hoje, no entanto, arrisquei entrar para ver o que se passava por lá e achei algo genial, com sacadas como “Cielo deixa escapar o bronze”, “Cielo (com o ouro no peito, chorando) é consolado por francês que ganhou o bronze” e “quatro semifinais e nenhum bronze”. De fato, o blog da delegação brasileira. E sensacional.
Cavalo louco: O Bernardo Alves tinha dado a dica na quarta-feira, mas eu não notei maldade na declaração do ginete brasileiro, que competiria a final individual dos saltos com o Chupa Chup, o cavalo com medo de água: “Não tenho um cavalo turbo, mas quem sabe o motor a diesel não funciona? Acho que posso conseguir uma medalha”. Acordei pela manhã e a primeira notícia que eu vi foi: “Chupa Chup é pego no antidoping e é eliminado”. Doparam o cavalo pro bicho não ficar com medo da agüinha, lamentável...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Juliana Veloso)
Para falar a verdaden não agüento mais as tais das Olimpíadas, não agüento mais as declarações fracassadas dos nossos atletas, não agüento mais ver gente se contentando com a medalha de bronze, não agüento mais um monte de coisa que não valem a pena ser explicitadas por aqui. Não, meu humor não melhorou.
Mas nem tudo está perdido. Pelo menos o dia foi agitado nos bastidores bizarros de Pequim, o que deve render uma boa leva das tais rapidinhas olímpicas. Vamos a elas, antes que eu acabe mudando de idéia.
Rapidinhas olímpicas:
Juliana Veloso: Não tinha como começar de outra forma. Minha antiga chefe costumava dizer que a Juliana Veloso era o melhor exemplo de loser do esporte brasileiro, e em Pequim não foi diferente. A tal da saltadora terminou na 23ª posição das eliminatórias da plataforma (10m), errando feio seu último salto (não conseguiu plantar bananeira e caiu como um saco de batata giratório na piscina). Fui para a redação imaginando qual lesão ela culparia desta vez. E não foi diferente: agora, foi o pulso. Ah, desculpas...
Juliana Veloso, ela merece: A notícia que virou capa no Terra mereceu mais um tópico para a Juliana Veloso neste humilde blog. A saltadora chinelinho, que deve treinar há pelo menos uns 15 anos pulando das plataformas de 10m de altura, simplesmente declarou que... que tem medo de altura, veja só! Já pensou se o Marcos, goleiro do Palmeiras, dissesse que tem medo de levar bolada forte? Ou se o César Cielo falasse por aí que tem medo de água?
Viagem interplanetária à Jamaica: Campeão dos 100m rasos no final de semana com recorde mundial e vantagem inquestionável sobre os rivais, o jamaicano Usain Bolt voltou a estraçalhar nos 200m, sua especialidade. Faturou ouro, recorde mundial e tudo mais a que tinha direito. Só não colocou a Jamaica no mapa porque... bom, a narração do João Palomino, da ESPN Brasil (para não dizerem que eu só fico cornetando o Sportv), justifica: “Usain Bolt é de outro mundo. Usain Bolt, da Jamaica”. Galvão, você não tá sozinho!
Segredo de campeã: Saiu no Lance! hoje um dos segredos das norte-americanas Kerri Walsh e Misty May (bicampeãs olímpicas e carrascas de duplas brasileira na história do vôlei de praia): elas jogam um punhadinho das cinzas da mãe da May na quadra antes das partidas. Tinha acabado de “almoçar” quando vi essa notícia, confesso que bateu um certo nojo.
Bronze histórico: Uma medalha de bronze que deve ser comemorada não é aquela do Tiago Camilo no judô, mas sim a da Ketleyn Quadros ou da Fernanda/Isabel na classe 470 da vela. Mas se tem uma que realmente vale mais do que ouro foi aquela conquistada pelo Rohullah Nikpai, na categoria até 57 kg do taekwondo. Foi a primeira medalha olímpica da história do Afeganistão. O cara, que deve fazer seus treinos contra um saco areia e mais nada, ganhou até do espanhol campeão mundial Juan Antonio Ramos. Esse sim, sensacional.
Várzea: Não é segredo de ninguém que a Confederação Brasileira de Taekwondo é uma zona, mas não achava que os técnicos seguiam o mesmo padrão. Mas o Carlos Negrão foi mestre na entrevista depois da derrota do Márcio Wenceslau nas quartas-de-final (perdeu justamente para o espanhol Juan Antonio Ramos): “O Márcio errou ao atacar o espanhol e deveria ser mais agressivo. O taekwondo é como um jogo de xadrez”. Não sei quanto ao Carlos Negrão, mas eu nunca levei uma voadora na orelha jogando xadrez.
RJ? É logo ali: Passou na Band um comercial que a seleção dos Estados Unidos de futebol feminino fez antes das Olimpíadas convocando o Brasil para uma revanche (elas levaram um sapeca-iaiá de 4 a 0 nas semifinais da Copa do Mundo do ano passado). A propaganda é engraçada: as loirinhas pegam um carro, começam a ouvir aquelas fitas de “aprenda português em um comercial”, atravessam o México, jogam futebol com um cachorro, passam por uma floresta tropical onde há jumentos pastando e chegam ao Rio de Janeiro por uma estradinha de terra e voilá, chegam ao Rio de Janeiro. Aí entram em um estádio e uma das jogadoras, a Wambach, diz para uma guria treinando no campo: “Hey, nos queremos un otro djogo”, com um baita sotaque. E o mais ‘legal’ é quando a suposta brasileira responde “Bamos lá”, quase que em espanhol.
Brasil x Argentina: Perdemos feio no futebol masculino nas semifinais para a Argentina, que levou a melhor no quesito pataquadas com vara. Inicialmente, o brasileiro Fábio da Silva simplesmente se esqueceu de que deveria pular uns 6m, passou correndo pela pista e nem chegou a usar a alavanca da vara: se atirou direto no colchão. "Se fosse pra fazer isso em Olimpíadas até eu faria", como diria o Mané. Depois foi a vez do Germán Chiaraviglio, atleta argentino, que repetiu a apresentação do Fábio e, para mostrar que os alvicelestes estão bem à nossa frente, foi ainda melhor na sua segunda apresentação: fincou a vara no lugar apropriado, mas não botou força e conseguiu a incrível marca de 40cm no salto.
Hidrofobia: Atendendo a milhares (?) de pedidos, mais uma rapidinha do famigerado Chupa Chup, o cavalo que tem medo de água. Um dia antes da prova, o Bernardo Alves até fez piadinha com a bizarrice de seu pocotó que deve valer mais do que a soma de todos os meus salários na vida. E pior: disse acreditar na chance de medalha, mesmo correndo o risco de seu cavalo se afogar no laguinho de 10 cm de altura: “Costumo brincar que o Chupa Chup não tem um motor turbo por causa da dificuldade de saltar obstáculos com água. Mas se eu só fizer uma falta no rio, posso entrar na briga por uma medalha”.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (15º dia)
Chego ao 15º dia sem saber exatamente em que dia da semana estou, trocando os nomes de algumas pessoas, atendendo meu celular falando o nome da empresa em vez de alô, conversando apenas sobre esporte, invertendo eventos como eleições por Olimpíadas, falando palavras que remetem a alguma modalidade olímpica.
Estou iniciando minha terceira semana olímpica com um humor tão estável como a ponte do rio que cai. Com uma paciência tão grande, com uma disposição tamanha... e fazendo dos copos de café (geralmente os maiores, aqueles de 400 ml) meus melhores amigos. Ah!
Para coroar tudo isso, meu 15º dia começou já atrasado para ir ao trabalho. Tinha levantado às 8 horas, sentei na cama para desligar o despertador e acabei dormindo meio sentado, meio deitado. Só abri os olhos, por sorte, às 9h20. Fui correndo para a Paulista e consegui ver a tempo a vergonhosa derrota por 3 a 0 da seleção de futebol para a Argentina.
E, agora, a inédita medalha olímpica do futebol vai ficar para daqui quatro anos, em Londres. Ou para quinta-feira, no feminino – e, se as meninas ganharem, vai chover reclamação da falta de incentivo, o governo vai prometer melhores condições e as coisas vão continuar exatamente como estão: uma porcaria.
E por falar em porcarias, vamos às rapidinhas olímpicas que me fazem pensar nos Jogos de Pequim mesmo nos meus momentos de folga. Uh.
Rapidinhas olímpicas:
Galvão, Galvão!: Não canso de exaltar o Galvão Bueno, que consegue fabricar uma pérola sensacional a cada transmissão olímpica. Desta vez, o cara lançou uma no duelo brasileiro nas semifinais do vôlei de praia masculino. “Olha, para o Ricardo e Emanuel derrubarem uma bola na quadra do Márcio e do Fàbio Luiz, antes vão ter que abrir um buraco no chão”. Não entendeu? Reflitam. E, se não chegarem a conclusão alguma, não se culpem: nem o Galvão mesmo sabe o que está falando.
Cuspido e escarrado: O Lucas, volante da seleção brasileira, disse antes das Olimpíadas: “Esta equipe é a cara do Dunga”. Por mais que eu não ache que o Dunga é a maior catástrofe da história, não tem como negar que o time verde e amarelo estava completamente descontrolado, desarrumado e sem poder algum de reação. Bom... talvez o Lucas estava mesmo certo.
Mariaaaaana Ohata!: Prova feminina do triatlo. Um blocão de atletas correndo pedalando na frente no ciclismo, formando um pelotão Torre de Babel. Tirei os olhos da tevê por um instante para responder a uma mensagem no MSN e Álvaro José, da Band, anunciou a presença da brasileira: “Mariaaaaana Ohata!”. Assustei, achei que estava vendo uma reação histórica e tal, mas... o pelotão passou e nada de uma atleta de azul. Só no fundo, a uns 1.300m de distância do grupo, aparecia sozinha a brasileira. Ufanismo? Onde?
Brasileirada canadense: De fato, não é só brasileiro que faz feio em Olimpíadas, e um canadense conseguiu um feito incrível no tênis de mesa. Peter-Paul Pradeeban vencia o brasileiro Gustavo Tsuboi por 10/3 no sétimo e decisivo set da partida preliminar. Teve nada menos do que seis match points, mas conseguiu perder todos e ver o nipo-brasileiro conseguir a virada com 12/10. Incrível.
Amarelada em menor proporção: O futebol masculino fez tão feio que ninguém vai notar os maus desempenhos de Ana Marcela Cunha e Poliana Okimoto nas maratonas aquáticas. Apesar dos 16 anos, Ana Marcela era a líder do ranking mundial da prova, e Poliana era uma das mais experientes e favoritas para o pódio. As duas brasileiras estavam muito perto do pódio no final da prova, brigando pelos terceiro e quarto lugares e pertíssimas das britânicas que lideravam. Mas Ana Marcela ficou em quinto lugar, duas posições à frente da Poliana. Tudo bem, o futebol masculino fez pior.
Pereira, quem?: Entrevista coletiva do César Cielo, e de quebra apareceu o Thiago Pereira. Foi até engraçado ver na coletiva todos (todos mesmo) os microfones em cima da mesa voltados para o Cielo, e o Thiago parecia apenas um atleta esquálido ali querendo aparecer. Uma hora, ele foi responder a uma pergunta e, longe dos microfones, não foi ouvido na transmissão do Sportv. Por mais que eu tenha cornetado o filho da mala da Dona Rose... foi estranho. E tá, vai, o cara até que merecia um pouquinho mais de atenção. Mas é a vida...
Intrusa?: As roupas dos atletas velocistas são todas aerodinâmicas, cheias de frescuras aqui ou acolá para render preciosíssimos centésimos de segundo para o competidor. Balela. A Rogaya Al-Gassra, do Bahrein, competiu de burka e tudo (parecia uma louca que tinha invadido a pista) e venceu a sua bateria eliminatória nos 200m rasos.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (A saga da vara)
Por conta de uma pataquada digna de Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, sumiram com uma das varas da simpática, educada e potencial medalhista (de prata ou bronze) Fabiana Murer. Uma das principais atletas da nossa delegação, a coitada viu um e seus equipamentos de trabalho simplesmente ser extraviados pelos chineses durante a prova do salto com vara.
E... bom, não precisa ser muito gênio para entender a estranha expressão matemática: salto com vara + sem vara = não salto. Coisa que só se aprende no terceiro ano dos cursos de exatas, com aplicação de cálculo diferencial integral.
O resultado? Depois de perder toda a concentração da prova, a Fabiana não conseguiu saltar (muito embora tivesse mais nove varas) os 4,60m e terminou muito abaixo do seu potencial. Se tivesse repetido sua melhor marca na carreira (4,80m), iria brigar pela prata. O que já seria uma vitória e tanto, visto que a etezinho da Isinbayeva (nem ela mesma sabe se escreve o nome com ou sem o Y) mais uma vez bateu o recorde mundial, com 5,05m.
Mas esta não é a primeira vez que um atleta brasileiro é prejudicado pelo sumiço de sua vara: a própria Fabiana teve problemas para conseguir levar seus equipamentos de Hong Kong para Macau, no começo do mês, e por pouco não perdeu suas varas. Fábio Gomes, da prova masculina, passou por algo pior: suas varas foram extraviadas na conexão na Europa. E sabe-se lá onde estarão agora.
Daria até para dizer que há uma fixação dos xinguelingues nas varas dos brasileiros, mas... não sei. Conheci uma vez uma garotinha bem bonitinha que era chinesa, e... bom, deixa para lá, vai. Melhor ir direto para as rapidinhas olímpicas.
Rapidinhas olímpicas:
Mais uma do Galvão: Depois da narração inenarrável do ouro do Cielo nos 50m livre, o Galvão deu novo show – agora, no sapeca-iaiá de 4 a 1 da seleção brasileira na Alemanha, pelas semifinais do futebol feminino. Depois de marcar um puta golaço e anotar o quarto tento do Brasil, a Cristiane (ah, Cristiane!) arriscou uma dancinha em campo. O Galvão, claro, não deixou passar em branco: “Daaaaança, balaaaaaança, faz a feeesta!”, narrou o mito.
Parafernália inútil: A Globo decidiu inventar um jeito de chamar algumas matérias, com um efeito que permite ao apresentador dar uns cliques no croma-key e tal. Tudo muito bonito, mas estava vendo quando isso iria dar merda. E foi no intervalo do jogo da seleção feminina: a Milena Ceribelli ia mostrar o perfil da Isabel Swan, bronze na classe 470 da vela, e o computador simplesmente travou ao vivo. Completamente sem jeito, a apresentadora tentou compensar: “Ah, eh... ahhh... ahn, ah, a Isabel é carioca e estuda cinema. Voltamos com Galvão Bueno”.
Marmelada: Pensei que a maior filha-da-putice que poderiam fazer com um fã do esporte já havia sido protagonizada – aqui no Brasil, no Grand Champions Brasil (o mala do Dácio Campos ficou o dia todo anunciando a histórica partida entre Bjorn Borg e Guillermo Vilas no Ginásio do Ibirapuera, para a dois minutos do início do jogo o sueco doidão dizer que não ia competir. Mas a China se superou, desmentindo qualquer boato de lesão do Liu Xiang, ídolo nacional e favorito nos 110m com barreira. Forçaram até o chinesinho a ir para a pista, se preparar no bloco... para alguém queimar a largada e o Xiang sair da prova. Tudo muito, mas muito mal ensaiado.
Esse manja: Alguém conhece o Matthew Emmons? Bom, eu também não conhecia até essa manhã. Vasculhando o que de bom tinha acontecido na madrugada olímpica, vi que o cara tinha perdido o ouro da carabina de três posições porque simplesmente atirou como uma mocinha na sua última apresentação. Líder da prova até o último tiro, acabou dando uma de Bimba e ficou fora do pódio. Acontece que, em Atenas-2004, o cara tinha conseguido algo ainda mais tosco: novamente perto do ouro, acertou certinho no alvo. Mas no alvo errado. Sabe quando você brinca no boliche do happy hour de fazer strike na pista ao lado? O Emmons fez isso, mas na competição mais importante da vida dele.
Surrealismo hípico: Hoje foi em rede nacional. A Globo parou a transmissão do jogo do futebol feminino para mostrar a apresentação do Bernardo Alves no salto. Agora, o Brasil inteiro pôde comprovar que o tal do cavalo Chupa Chup tem medo de água, errando justamente no obstáculo de saltar a poça. Alguém me diz por que diabos levam um cavalo hidrofóbico pra competir em uma prova que sempre tem um obstáculo com água? Outro ponto alto foi o Rodrigo Pessoa, dizendo que ‘errou de propósito’ pro cavalo, o Rufus, ficar mais confiante. Aham, e eu sou o Bozo.
Belezura: Não escondo de ninguém que gosto um tanto da Cristiane, e até acho a camisa 11 do Brasil bem bonitinha. O mesmo não se pode dizer da Eriko Arakawa, atacante da seleção japonesa também do futebol feminino. E aí, vai encarar?
domingo, 17 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (A força da gravidade)
O primeiro feito dos 9,8 m/s² foi no domingo pela manhãzinha aqui no Brasil. Todo mundo foi dormir cedo para ver o Diego Hypólito ganhar o ouro no solo, apesar dos meus conselhos de ficarem na cama e verem a reprise depois. Não adiantou, e muitos teimosos acordaram para ver o nosso ginasta cabra-macho (?) cair de bunda na sua última pirueta e ficar de fora do pódio.
Ainda na arena da ginástica, poucos minutos depois, a gravidade deu as caras na apresentação da Jade Barbosa. Repetindo o desempenho da final do individual geral, a carioquinha de 17 anos também foi afetada pela maldosa gravidade, quase caiu nas duas performances e ficou de fora do pódio
Com a Daiane dos Santos a gravidade foi menos maldosa, e só empurrou de leve a gauchinha para fora do tablado no solo em duas ocasiões – fatais para deixarem a brasileira fora do pódio do solo.
Para fechar o dia em grande estilo, a gravidade conseguiu um double-hit-combo na prova de saltos do hipismo. Bem no último obstáculo, o cavalo Un Blanc de Blancs pulou errado e se esborrachou no chão. Assim como o ginete brasileiro Pedro Vennis, eliminado; e o Brasil ficou de fora da final por equipes. Baloubet du Rouet gostou.
Antes que a gravidade me afete também, desovo as curtas olímpicas do final de semana.
Rapidinhas olímpicas:
Galvão doidão: Depois de faze com que o mundo chamasse o piloto polonês Robert Kubica de Kubizza, o Galvão Bueno tentou emplacar a alcunha ‘Cesão Doidão’ para o Cielo. Não conseguiu, mas fez uma narração épica – lembrando aquela que imortalizou Ronaldinho ‘olha o que ele fez, olha o que ele fez, olha o que ele fez, olha o que ele fez' Gaúcho. Ensaiado, o Galvão repetiu nos últimos 25m da prova: quatro vezes o “Cielo-brigando-com Bernard” e “Vamo, Cielo”. No final da prova, no entanto, perdeu a conta no “É ouro”, seis vezes entoado pelo nosso ídolo.
Borjão doidão: Outro ponto de destaque da narração da Globo que coroou o primeiro ouro do Brasil em Pequim foi o Gustavo Borges. Gênio dentro das piscinas, o Gustavo deixou escapar um gritinho meio Frank Aguiar quando o Galvão deu uma trégua e mostrou que... ah, ele foi um excelente nadador.
Muito ajuda...: Estava rodando os quatro canais do Sportv durante a madrugada e em um deles vi que estava começando a coletiva do Michael Phelps. Deixei ali para assistir, dei o último gole na cerveja e me ajeitei no sofá. Mas demorou muito para eu quase pegar no sono. O motivo? O tradutor do Sportv, que não traduz nada com nada. O mais legal foi quando perguntaram pro Phelps quais os próximos planos após Pequim; o tradutor perdeu a pergunta e já começou: “Agora eu quero voltar para casa, descansar e iniciar os treinos... (pausa) ... porque minha mãe gosta de Roma, e espero que ela conheça no ano que vem”. O cara só esqueceu de falar da parte “os treinos para o Mundial de Esportes Aquáticos de 2009, em Roma”. Para alguém um pouco mais sonolento que eu, o Phelps seria um fenômeno da dislexia.
Praticidade: De que adianta competir com um cavalo que tem medo da água se um dos obstáculos da prova de salto do hipismo é justamente o pulinho sobre uma espécie de riozinho? A pessoa mais indicada para responder a essa dúvida poderia ser Bernardo Alves, mas o cavaleiro brasileiro admitiu que seu animal, o Chupa Chups (!?) tem medo da água. O tal do Chupa Chups deve valer algumas centenas de milhares de dólares. Melhor o tal do Bonito Z, que vale só R$ 5 mil e é todo destemido.
Roginho x 2: Eu disse que o Federer era gay, e o indivíduo da Basiléia (eu costumava chamar de ‘homem da Basiléia’ nas minhas notícias antes das Olimpíadas) soltou a franga mais uma vez, agora quando ganhou o ouro nas duplas com o Wawrinka. Toma jeito, rapá! Uma pena que a gente só não viu o Hypólito soltando a franga quando ganhasse o ouro. Mas vou parar de cornetá-lo: hoje ele deixa de ser o melhor do mundo, e minha torcida pelos fracos, oprimidos e deprimidos pode ter o Roginho de volta.
Trocadilho: Seguindo o padrão Schmidt de humor, Tadeu mostrou que está tão afiado quanto o irmão mais velho, o Oscar. Logo na abertura do Fantástico, o repórter da Globo, atrás do Templo do Céu, não perdeu a deixa e lançou uma fraquíssima: “E hoje o templo do Céu mudou de nome: virou o Templo do Cielo”. Pior que essa, só a saga “Beijing, Beijing, tchau, tchau” do nosso concorrente.
Saindo do ostracismo: Após sair na foto ao lado do Zidane na agência EFE e ver meu polegar direito ser o destaque do Globo Esporte, fui visto por quase 20 mil pessoas no UOL, com o João Derly. Te cuida, portuga chifrudo!
Tchau pra mamãe: Honrando minhas esperanças, Usain Bolt mostrou ser o homem mais rápido do mundo e ganhou a prova dos 100m rasos do atletismo. Não só venceu como arrasou, massacrou, destroçou a prova. E logo depois da metade do trajeto já virou pra câmera, fez careta, bateu no peito... só faltou levantar o maiô e mostrar uma camiseta com os dizeres "Chupa, Asafa". E eu, no sofá de casa atrasado para o trabalho, fiquei cerca de 1 minuto tentando entender o que tinha aconecido.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (21s30)
Creio que muito mais do que 50% da molecada de hoje em dia quer ser um jogador de futebol. Alguns sim querem comemorar com a torcida e virar ídolo, mas muitos pensam em seguir os passos de outros ‘ídolos’, que marcam meia dúzia de gols no Brasil, recebem uma proposta da Arábia e vão para lá ganhar dinheiro.
Acontece que jogadores de futebol não deveriam servir de modelos para ninguém. Ou pelo menos a maioria dos atletas. São um baita dum contra-exemplo: mais da metade estuda até a terceira série, mal sabe conjugar um verbo e ganham mais do que um médico. É uma afronta um jogador de futebol ganhar mais do que um professor, sei lá.
Mas isso não é tudo. Os tais dos jogadores saem do país e tal. Alguns ainda são convocados para defender a seleção brasileira. Antes da partida, perfilados, balbuciam um a-do-le-tá nos versos iniciais e ainda arriscam um “Se o senhor dá essa igualdade, prometemos conseguir um braço forte”. Ah, alguns até sabem cantar direitinho um “terra dourada” e “pátria amada, Brazil”. Aposto que eles pensam no Z na hora de cantar.
Pode ser porque há quase um ano e meio me concentro sobretudo nas editorias de outros esportes, mas percebi que há atletas com um certo nível de cultura. Que sabem conjugar verbos e até falam algumas palavras bonitas. Tem um, em especial, que faz faculdade nos Estados Unidos.
Ninguém conhece direito esse atleta. Nasceu na pequena Santa Bárbara D’Oeste, fez um estágio em Piracicaba e se mandou para os States. Começou a competir, ganhava a bolsa de estudos por lá. Teve um Mundial em 2007 em que ele, todo esquisitão e com cabelos azuis, ficou em quarto lugar. Alguns meses depois, já mais comportado e loiro, ganhou duas medalhas de ouro em um Pan-americano. Dois, só? Ah, mas tem um atleta, o Thiago, que ganhou seis! Ah, e esse cara é esquisito, ele se soca inteiro antes das provas”.
Acontece que um ano se passou e o tal do cara dos States, pouquíssimo badalado, foi para a sua primeira Olimpíada. Foi na sombra do Thiago, que passou os 12 meses indo a vários programas de televisão, todo sorridente e tal. Ninguém apostava nesse cara que treinava nos Estados Unidos.
Na primeira prova, quase ficou de fora da final. Foi apenas o oitavo colocado das semifinais, foi nadar marginalizado na raia oito, pegando a marola de todo o resto. “Enganação, pipoqueiro. Só podia ser brasileiro”. Mas, na final, o cara terminou em terceiro. “Ah, mas já tá se achando, olha só: disse que vai ganhar o ouro nos 50m. Tá bom”.
Aí o cara foi lá, quebrou o recorde olímpico nas eliminatórias. “Ih, talvez ele seja bom mesmo”. Nas semifinais voltou a quebrar, e se classificou com o melhor tempo e com 0s2 de vantagem sobre os adversários. “É, o cara é bom. Mas ele vai amarelar, só pode. Certeza de que vai amarelar”.
Mas o cara quebrou o recorde olímpico pela terceira vez. Ficou a 0s02 do recorde mundial. Se tornou o primeiro atleta brasileiro da história a ganhar uma medalha olímpica de ouro na natação. Deixou para trás alguns caras que eu tinha como mito na natação, o Gustavo Borges e o Xuxa.
O cara vibrou, chorou, fez festa, chorou, gritou e chorou de novo. Mas não foi aquele choro chato da Jade Barbosa. Disse para ninguém desistir nunca dos seus sonhos. Mas o mais bonito mesmo foi no pódio, quando cantou o hino nacional. Sorrindo e chorando. Cantou certinho. Nada de adoletá-lepetipetipolá-conseguimos-conquistar-com-braço-forte.
Isso sim é que é um atleta de verdade, com um enorme potencial para ser ídolo. Muito embora, deve-se dizer, metade do ouro é dos Estados Unidos. No Brasil, o que o César Cielo conseguiria? Ser jogador de futebol?
Rapidinhas olímpicas:
Roginho: Roger Federer é gay. O cara é um gênio do tênis, talvez o maior de toda a história, mas não deixa de ser gay. “Ele é suíço demais”, eu disse uma vez para um norte-americano em Buenos Aires, que concordou comigo. Ele já ganhou mais de 41 milhões de dólares na carreira, e continua com a namorada gorducha dele. É o único que ainda não deu uns pegas na Sharapova (o Nadal também não, mas anda se engraçado com a minha musa Caroline Wozniacki - linda, apesar das caretas que faz jogando tênis). A homossexualidade do Federer só ficou evidente depois da semifinal de duplas, quando só faltou ele dar um beijo no Wawrinka. Vale a pena ver.
Vencendo pelo cansaço: Tem pautas realmente complicadas para repórteres em época de Olimpíadas, mas o Pedro Bassan conseguiu uma realmente fácil: fazer a Jade Barbosa chorar depois da final do individual geral da ginástica. O problema é que a menininha, que tinha se estatelado no chão duas vezes nas duas últimas provas, estava irredutível: algo raro até então. O Bassan tentou aqui, tentou ali, repetiu perguntas e nada. Até que ele tocou na ferida da Jade (a família). E ela abriu o berreiro. Pô, assim até eu!
Jornalismo sério: Há uma lenda nas redações de esporte do país afora de que uma vez estava passando uma prova de tiro esportivo na televisão, coisa rara. Durante a transmissão, o comentarista falou dos alvos, pratos lançados para serem estraçalhados pelos atiradores. À deriva, um(a) jornalista acordou de seu transe, abismada: “Eles atiram em patos? E... vivos?”, perguntou, com os olhos arregalados. Comecei a me imaginar indo ao embarque da delegação brasileira olímpica de patos.
Sensacionalismo: O Paulo Bassul é um cara muito gente fina, mas a seleção brasileira feminina de basquete (que ele treina) só vem dando vexame em Pequim. Até nas declarações. Depois de perder a quarta partida seguida, com uma série de cagadas no final da partida que culminaram na eliminação da equipe, a pivô Kelly prometeu mudança de postura: “Vamos entrar do mesmo jeito contra a Bielorrússia”. Claro que ela não falava de fazer cagadas, mas entrar com a mesma disposição. Mas é claro que não tive dúvidas e cravei a aspa na manchete.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Chupa, Thiago)
Por causa dessa defesa ferrenha ao tal do Cielo, acabei pegando um pouquinho de birra do Thiago. Sempre comparado ao Phelps, tratado como o grande rival do Tevez das piscinas, blablablá. Por essas e outras, passei a considerar o bronze do Cielo nos 100m livre a medalha mais importante do Brasil em Pequim até agora.
O feito do Cielo, que estava nadando na raia 8 (e pegando toda a marola da galera nas raias ao lado), foi tão importante que a Globosat teve que se render ao paulista de Santa Bárbara D'Oeste. Tanto que o Sportv fez até um programa especial para o Cielo, para compensar os últimos 12 meses de Thiago pra cá e Thiago pra lá.
O Thiago não conseguiu uma medalha sequer em Pequim-2008, e volta para casa com as mãos abanando. Tudo bem, ele competia com o Phelps e com o Laszlo Cseh e era difícil, quase impossível, trazer uma medalha. Ele é um nadador e tanto, mas não é um dos três melhores do mundo.
Mas não. Na última exibição do Thiago nas Olimpíadas, o Galvão até bateu palma. "Parabéns, Thiago. Você evoluiu do quinto lugar de Atenas-2004 para o quarto lugar em Pequim". Ok, ok... mas quem quebrou o recorde olímpico dos 50m duas vezes? Quem trouxe medalha? Quem é o grande nome da natação brasileira hoje em dia? Ah, tá...
E é nesse espírito bem ranzinza do meu décimo dia de trabalho pesado e sem folga que inicio mais uma sessão das curtas pequinesas.
Rapidinhas olímpicas
Chupa, Thiago: O fato de o Thiago Pereira ter abandonado o revezamento 4x200m livre para disputar os 200m peito (prova em que ficou no 19º lugar) me fez pegar birra do queridinho da Globo. O canal 5 apontava o filho da Dona Rose como o “grande rival do Phelps”, mas quem conseguiu a primeira medalha olímpica do século para a natação brasileira foi a minha aposta, o César Cielo.
Pensando alto. E bonito: Último classificado para a final dos 100m livres, o Cielo tinha dito um dia antes da prova que “o bronze ainda estava em aberto”. Até comentei na redação que era pensar pequeno demais, mas relevei quando o cara de fato ganhou o bronze e fez a Globo esquecer o Thiago (temporariamente). Depois da prova dos 100m, o Cielo deu uma das melhores entrevistas até agora: “Vou para ganhar esse título dos 50m”. Sabia que apostar nesse cara não ia ser má idéia. E o técnico do Thiago disse que o xodó da canal 5 tinha ficado super feliz com o 19º lugar no peito. Notaram a diferença?
Edinanci: Se não fosse judoca, a Edinanci Silva certamente seria borracheiro, caminhoneiro ou segurança de balada. Pode parecer maldade falar, mas todo mundo sabe. E... poxa, um caminhoneiro derrubaria uma coreaninha numa boa! E um segurança de balada, então? Sem contar que ela teve três chances de derrubar alguma japinha e ganhar uma medalha, desde 2000 que ela tenta. Pô!
Pangaré: Os cavalos que competem em Jogos Olímpicos custam mais do que todo o dinheiro que eu vou ganhar em toda a minha vida – um bichinho daqueles custa entre 1 milhão e 3 milhões de dólares. O famoso Baloubet de Rouet, que refugou em Sydney-2000, era avaliado em quase isso. A AD
Parou, né, Hugo?: Se tem um cara por quem eu peguei antipatia antes do Pan de 2007, esse alguém foi o Hugo Hoyama. Toda entrevista dele era importante porque era a última como atleta.Virou até piada: “O Hugo Hoyama está em todo lugar, vai para todas as competições e perde todas”. Depois, encheu o saco pra ser o brasileiro com mais medalhas de ouro da história em Pans. Conseguiu, parabéns, seria uma boa para encerrar a carreira por ali. Aí ele decidiu ir para Pequim. Quebrou até a perna, mas foi. Tá, vai... bacana se aposentar em uma Olimpíada, muito bonito. Mas não consegui conter meu descrédito ao ver o cara dizer que disputar Londres-2012 não era nada mal. Numa boa, já deu. Não tem mais espaço no mundo para nós dois, ou é o Hugo Hoyama ou eu. Perdi a paciência, e estou até disposto a iniciar um manifesto intitulado “Pára, Hugo Hoyama”. Aliás, o bom mesmo do Brasil é o Thiago Monteiro, o Hugo é só marketing.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (E as primeiras decepções)
Redimiu? Bom, não para mim. Como torcedor, posso dizer que foi a medalha mais amarga dos últimos oito anos (ok, não me lembro de medalhas amargas em Atenas-2004 e nem fiz um esforcinho para lembrar). Mesmo assim, o Tiago saiu como herói e blablablá. Ídolo de um país carente, de mania de grandeza e de bons resultados. Nada mais. Decepcionou e pronto.
A madrugada de terça para quarta-feira não teve medalhas, e praticamente nem teve o meu acompanhamento. Com sono atrasado e início de alguma síncope, achei melhor dormir cedo e me preparar para o desembarque do João Derly, em Guarulhos hoje de manhãzinha, para mais uma longa jornada trabalhista. Mas não é por isso que eu deixarei de escrever (pelo menos por enquanto) mais um capítulo das rapidinhas olímpicas. Ei-las:
Rapidinhas olímpicas
Discurso pronto: Disse o Tiago Camilo: “Para mim a medalha não tem cor. Tanto faz se é de ouro, prata ou bronze”. Pergunta agora pro alemão que ganhou dele e faturou o ouro se ele também acha isso? Eu tenho a leve impressão de que o germânico Olef alguma coisa não trocaria o ouro dele por nada, mas nem a pau.
Vale ouro: O Tiago decepcionou, mas o Eduardo dos Santos me agradou e muito. Desconhecido, venceu duas lutas por ippon, perdeu para um francês favorito na terceira luta... foi para a repescagem, meteu outro ippon e ficou perto do bronze. Foi eliminado na penúltima luta na decisão subjetiva dos árbitros e disse adeus à medalha, mas a entrevista dele pós-derrota me pegou de surpresa. “Não fui competente o suficiente para derrubar meu adversário, peço desculpa aos meus pais. Não adianta representar o Brasil e ser só o segundo colocado, tem é que ganhar o ouro”. Aprendeu, Tiago?
Mais uma da Andressa: Figurinha marcada nas últimas rapidinhas, a Andressa Fernandes já encheu o meu saco. Depois de dar piti para ir pra Pequim em cima da hora, ser eliminada com cinco minutos de luta e voltar para casa em menos de cinco dias, descobri que a judoca resolveu adiar seu retorno ao Brasil. Em sua conexão no Canadá, conseguiu trocar a passagem para o dia seguinte e passar 24 horas em Toronto. Um dia? Bom, dá pra ela pelo menos ganhar um carimbinho no passaporte.
Bola nas costas: Saiu no blog do Celinho e do Ferrelli, enviados da GE para Shenyang. O Anderson Nêga-Maluca, ex-Grêmio e hoje no Manchester, foi curto e grosso ao falar sobre o caso do conterrâneo João Derly: “Parceiro, isso não é comigo. Quem toma bola nas costas, toma bola nas costas. É a consciência do amigo. Foi levar o amigo para casa, se fodeu", resumiu (e bem) o Anderson.
Mau gosto: Desembarque do João Derly. Tinha conseguido falar com a simpaticíssima Gabriela, a gauchinha esposa do judoca, que respondeu muito bem a todas as minhas perguntas, até mesmo a mais chata sobre o caso do brasileiro com a ex do portuga corno. Só ficou chato uma hora, uns câmeras de uma emissora de televisão fazendo piada sobre o caso bem do lado dela. Poooxa...
Destaque da foto: Depois de aparecer para o mundo inteiro em uma foto ao lado do Zidane na favela de Heliópolis, no inesquecível 16 de março, voltei a figurar em uma foto durante um evento de imprensa. Desta vez foi no nosso concorrente GloboEsporte.com, do lado do João Derly. O problema é que eles trataram a foto e clarearam um pouco. Foi difícil reconhecer o meu polegar segurando o gravador.
Brincadeira feia: A notícia que escrevi com mais raiva até agora foi a farsa da Cerimônia de Abertura envolvendo aquela cantora mirim toda cuti-cuti que cantou a Ode à pátria. Mas não é que aquela guriazinha serelepe que era vista pelo mundo inteiro só estava fazendo playback? A dona da voz era uma outra menininha, que foi cortada em cima da hora do cerimonial porque era feia, e seu rostinho feio passaria uma imagem má da China para todo o mundo. Pelo menos para mim, a imagem chinesa piorou e muito com essa farsa.
Novidades?: Ah, ontem teve a final por equipes da ginástica brasileira. A Jade foi bem, até. E chorou, chorou, chorou e chorou. E o basquete feminino pipocou mais uma vez. Mas isso já não é novidade para ninguém.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (Os primeiros pódios)
Mesmo assim, os brasileiros conseguiram um resultado que eu mesmo não esperava (e quase ninguém, para falar a verdade). Veio no judô, com a desconhecida Ketleyn Quadros, a primeira mulher a conseguir uma medalha para o Brasil em um esporte individual. Pouco depois foi a vez do Leandro Guilheiro, apelidado de 'pipoqueiro' no ano passado depois dos fracassos no Pan (onde ele disse que iria apenas para treinar, todo arrogante) e no Mundial do Rio. O judoca da categoria leve repetiu a dose da Ket (bem melhor esse apelido), levou o bronze e calou a minha boca.
Méritos pra ele, claro. Agora, toda a mídia está em cima do Guilheiro e da Ket, eles não saem dos QGs da Globo e o judô está na moda no Sportv. Mas resta alguma dúvida de que o Brasil vai ganhar alguma medalha nos próximos dias e ninguém vai nem lembrar dos dois medalhistas de bronze? Aliás, alguém se lembra quem foi que ganhou o primeiro ouro brasileiro no Pan do Rio?
Seja lá como for, as duas primeiras medalhas do Brasil em 2008 foram de bronze. As menos valiosas e que, segundo muita gente, não serve para nada. Mas... sei lá. Não sei por que, mas acho que as medalhas de bronze têm um charme especial. Desde 96, quando vi a minha primeira Olimpíada na íntegra, não achava tão ruim assim o prêmio bronzeado.
Até comemorava, do alto dos meus oito anos, quando um brasileiro ganhava um bronze. Para mim, era muito mais legal do que a prata (que era tão... cinza). O bronze é legal, e serve para coroar atletas que ralam pra caramba, surpreendem e conseguem até subir no pódio. Mas, é claro, a medalha de bronze me lembra muito esta música do Ultraje a Rigor.
E, ao som de Terceiro (se você clicou no link acima e deixou o YouTube tocar), vamos às rapidinhas olímpicas do dia quatro dos Jogos de Pequim. Agora, só faltam mais 13 dias para a minha libertação.
Rapidinhas olímpicas:
Chana nelas: Que me desculpem aqueles que não gostam de trocadilhos, mas a melhor parte da seleção brasileira feminina de handebol é ela – a gloriosa, a simpática, a sensacional, a experiente e não tão bonita Chana. A goleira, claro. De longe, ela é a principal jogadora do time verde e amarelo. Se o time tivesse várias Chanas, com certeza não permitiria o empate por 28 a 28 no segundo final contra a Hungria. Ok, essa piada já é mais do que batida, mas não poderia faltar por aqui.
Dona Rose, o retorno: Uma das figurinhas carimbadas do esporte brasileiro é a Dona Rose, mãe do Thiago Pereira. Na falta de matéria para pôr no ar, tasca uma reportagem da tiazona mala se esgoelando na beira da piscina como louca para o filho bater perna na piscina (como se ele ouvisse, né?). Não sei se a Dona Rose foi para Pequim, mas vendo a primeira luta da Ketleyn Quadros, percebi que o espírito da mãe do nadador atingiu a xará Rosicléia Campos, técnica da equipe feminina brasileira de judô. Nos segundos finais da luta, e com a Ketleyn vencendo a sul-coreana por um yukô, só se ouviam os gritos de “Chão! Chão! Chão!!” da treinadora, quase emendando um funk na China. À 1 da matina de domingo para segunda, enche um pouco o saco.
Indústria cultural: Intervalo de um jogo de vôlei de praia. Eu, acompanhando do Brasil a um ou outro jogo, tive a honra de ouvir tocar na arena artificial chinesa os versos “O Terrassamba é assim/Swing, swing, pra você e pra mim”. Tudo bem que ouvi Gera-samba em várias lojas durante minha passagem por Buenos Aires, mas... ok, a Argentina é aqui do lado e tal. Mas isso chegou na China? Puuuutz! Saiu até na Folha hoje uma reportagem sobre a trilha sonora dos Jogos: vai de Beatles a Latino, passando por AC/DC, Blur, Guns n’ Roses e ‘Mamãe eu quero’. Uma zona, né?
Ah, o Sportv...: Não tenho mais Sportv aqui em casa já tem uns três aninhos, desde que deu a louca no meu pai e ele resolveu tirar a Net. Admito que sinto falta do Canal Campeão nas madrugadas insones, mas isso não tira o mérito de que, assim como o no Pan de 2007, eles estão optando pela mesma medida no mínimo questionável: eles têm quatro canais para a transmissão de Pequim-2008, uma coisa bem legal... Mas por que diabos interrompem a transmissão dos outros três canais para mostrar uma luta de judô ou uma prova de natação que já está passando em um dos canais? Poxa, se o cara tá em um canal vendo badminton, ele quer ver badminton. Se ele quisesse ver a prova de natação, teria deixado no canal da natação. Mas... vai entender, né?
Português: Pode ser o atleta que for, desde Kobe Bryant ou Ronaldinho Gaúcho ao levantador de peso do Arzebaijão, que a visibilidade é mundial em uma Olimpíada. O mundo inteiro vai acompanhar uma notícia diferente, coisa assim. E não foi diferente com o judoca português Pedro Dias, que eliminou o bicampeão mundial dos meio-leves João Derly. Ele já tinha a visibilidade necessária para voltar como herói para a terrinha, mas não: aproveitou o estrelato para 'humilhar' o brasileiro: "Uma vez, em São Paulo, fui às compras com a mãe dele e, mais tarde, soube que, enquanto isso, ele estava com a minha namorada. Fui traído. Mas não apenas o venci. O Derly foi humilhado por mim no tatame", vangloriou-se. Boa! E agora o mundo todo sabe que você é corno, ó portuga.
domingo, 10 de agosto de 2008
Rapidinhas olímpicas (dias 1, 2 e 3)
Por causa da história sem fim que é uma abertura olímpica, no entanto, acordei a tempo de ver alguns discursos e as entradas de algumas delegações no Ninho de Pássaro. Mesmo depois de pegar um trânsito enorme no caminho do trabalho, cheguei à redação e ainda vi mais boa parte do cerimonial.
Também vi a tocha ser acesa e notar que acertei parcialmente meu palpite sobre a modalidade que praticava quem acenderia a pira olímpica: foi um ginasta. Mas ele não deu um duplo twist carpado e se escafedeu na mega-tocha. O Liminha (Li Ning, em chinês) decolou (com a ajuda de cabos de aço), deu um rolê pelo estádio, acendeu o pavio e pimba, estavam abertos os Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (e... tá, vai; confesso que foi tão bonito como Atlanta-1996).
Mas não foi só a Olimpíada chinesa que começou. Com ela, a cacetada de competições, de assuntos e todo o resto também tiveram início. E meu sono e a minha criatividade tomaram caminho inverso. Ainda assim, as rapidinhas olímpicas ganham novo capítulo, com um apanhado dos dias 1, 2 e 3 dos Jogos. Vamos a elas:
Rapidinhas olímpicas
Queridinho da Globosat: Qualquer pessoa que acompanha o esporte um pouco mais de perto sabe que o Thiago Pereira é um nadador e tanto, mas... só isso. Não, ele nunca vai ganhar do Michael Phelps e nem vai abocanhar vários ouros em Pequim. E o César Cielo tem muito mais chances de pódio. Mas enfim... nada disso impediu o Milton Leite de anunciar o ‘duelo do século’ entre Phelps e Thiago na prova dos 400m medley. O resultado? Ah, o norte-americano tipo quebrou o recorde mundial dele mesmo em quase 2s, e o Thiago... bom, ele foi o oitavo dos oito competidores na final, a 2s do sétimo colocado (e a quase 12 do Phelps).
Miss Simpatia: Fui ao embarque para Pequim da Natália Falavigna, campeã mundial de taekwondo, no sábado. Estava esperando por uma mulher de sei lá, uns 1,80m que se abaixaria para conversar comigo e dar respostas atravessadas, mas me enganei. Fui recebido com beijinho no rosto e abracinho por uma linda atleta da minha altura, com um sorriso bem bonito e extremamente simpática. Ah, a Natália...
Flavia!?: A falta do que fazer me proporciona algumas idéias idiotas – como a de entrevistar pessoas na fila do check-in do vôo AC91 para Toronto (o mesmo da Natália). Bati um papo bem engraçado com uns palmeirenses que diziam conhecer sim a tal da taekwondista. “Sim, conheço a Flavia Falavigna sim”, me disse um deles..
Falta de jeito: Lá em Guarulhos também tinha uma outra mulher vestindo o uniforme de atleta brasileira – alguém que eu nunca tinha visto antes . Como já estava por lá, achei melhor não perder viagem e fui falar com a possível atleta. Mas... putz, como ia me identificar? Ia dar um belo dum migué e entrevistá-la sem saber nem quem ela era? Humm... achei melhor não, e fui sincero. “Oi, eh... qual o seu nome? Ah, Tânia Spindler? E... você compete em quê? Marcha atlética, ah, legal. Bom... desculpa, eu sou da Gazeta e deveria te conhecer, desculpa”. Mas a Tânia foi bem legal, e nem se importou com a minha falta de jeito. “Tem que perguntar mesmo, poxa. Agora você sabe que eu sou, não é mesmo? Agora já pode acompanhar a prova e torcer por mim”. Pode deixar.
Amarelada: A primeira grande
Berreiro: Acordei no domingo e a primeira coisa que vi ao ligar a tevê foi a Jade Barbosa chorando. Chorou porque tinha errado o exercício e caído da trave. Depois ela se recuperou, conseguiu a classificação para a final do individual geral... e chorou de novo. Será que batem nela no intervalo das provas?
Baixo calão: Narrações do Silvio Luiz são impagáveis, e eu sei disso desde os meus quatro anos. Os bordões “jogou no pagode da área”, “olho no lan-ceeeee”, “ééééééééé (em vez de Goooooool)”, “foi foi foi foi foi foi eeeeleee”, “o craque da camisa número nove”, “eram jogados redondos...”, “confira comigo no replay”, “fungada no cangote” e “no paaaaaaaaau” são apenas alguns detalhes de uma transmissão engraçada. O que dirá, então, de um jogo de handebol feminino? Eu bem que achava que viriam várias piadas envolvendo a goleira brasileira, a Chana, mas não. O mito do jornalismo esportivo conseguiu passar um bom tempo da transmissão falando de uma atleta húngara, a Szamoransky (cujo primeiro nome é Piroska). E depois ficou imitando um francês falando o nome da Jade Barbosa: “Jadêi, jadêi, jadêi”.
Já deu, né?: Sou a favor de algumas piadinhas ou sacadas de humor em algumas notícias que permitem tais gracinhas, mas... é bom dosar, né? Um de nossos concorrentes não acha. Vi uma notícia do João Derly com o título 'Beijing, Beijing, tchau, tchau'. Engraçadinho até, boa tirada. Mas pouco depois vi que o site pegou pesado: outras notícias tinham a mesma piada, e até à capa a sátira se estendeu. Sabe ouvir a mesma piada várias vezes? Então...