Redescobrindo Maria Esther Bueno
Thiago Tanji, aluno do 1º ano de Jornalismo
4/12/2009 - Projeto 14
A vida de Maria Esther Bueno, considerada a maior tenista brasileira de todos os tempos, foi o tema do livro-reportagem Maria Bueno – A mulher que colocou o tênis brasileiro no mapa, do aluno Felipe Held.
O livro foi avaliado pelos professores da Cásper Líbero, Cláudio Arantes e Gilberto Maringoni, e Odir Cunha, jornalista que já editou cinco revistas especializadas em tênis.
A ex-tenista, que hoje tem 70 anos, recusou-se a dar entrevistas para o aluno, o que dificultou a elaboração do projeto experimental. Além disso, havia poucas fontes vivas para consultar sobre as conquistas de Maria Esther, ocorridas nas décadas de 50 e 60.
Held consultou pessoas ligadas à vida da atleta, além de fazer uma extensa pesquisa em jornais e outros arquivos da época. Ele conseguiu, inclusive, um vídeo raro que continha dois jogos de Maria Esther Bueno, sendo um deles a final do Torneio de Wimbledon, em 1959.
“É um tema relevante, mas pouco explorado pela mídia”, disse Odir. “A pesquisa foi muito bem feita, com dados novos e extensa checagem das informações”, completou.
Cláudio Arantes impressionou-se que o aluno “tenha feito um trabalho de tamanha qualidade sozinho” e acrescentou: “Estamos diante de um jornalista completo”. Sua única ressalva foi a quantidade de detalhes da obra, que poderia ser enxugada em caso de publicação.
O professor Gilberto Maringoni também parabenizou o esforço de Held: “Eu não tinha ideia da dificuldade de conversar com a Maria Esther, mas você conseguiu superar isso. O livro está magistralmente bem escrito e é uma lição de jornalismo”.
Após todo o reconhecimento pela qualidade do texto, a banca deu nota máxima ao trabalho. Contando com a nota de qualificação do meio do ano, a média final foi 9,5.
* cópia descarada de http://www.facasper.com.br/jo/notas.php?id_nota=1145
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Daqueles que jornalizam
A exigência do diploma de jornalista caiu, qualquer um pode ser jornalista. Até o Chaves já foi jornalista. Não daqueles que jornalizam, mas vendedor jornaleteiro.
Eu também poderia ser considerado um jornalista. Trabalho há três anos em veículos de comunicação, no ramo de esportes. Mas o fato de estar matriculado (freqüentar é um termo muito relativo) em uma faculdade de jornalismo tornava questão de honra pegar o diploma que não vale mais.
Com as notas do quarto ano praticamente fechadas, restava apenas um desafio: apresentar o Único Trabalho Sério da Faculdade (vulgo TCC). Tudo já estava pronto desde o comecinho de outubro, revisado, re-revisado e re-re-revisado. E encostado na minha prateleira, sem ser aberto desde então – um erro de digitação qualquer me causaria um transtorno relativamente grande.
Depois de desencontros e outros problemas, a banca foi agendada para 4 de dezembro, exatamente dez anos após a morte da minha avó. Dia de sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Sexta-feira. Um dia caótico, temperado por uma fina garoa que dominou o dia desde a hora em que eu havia acordado.
Mas fui lá apresentar. Peguei um ônibus na Eusébio Matoso, não peguei trânsito algum na subida da Rebouças e cheguei à Paulista. Obviamente, desci do coletivo na Consolação e fui a pé até meu destino – cheguei ao destino final, a Unigazeta, antes do próprio ônibus, com quase uma hora de antecedência.
A apresentação... bom, não cabe contar aqui o que se passou em 1h30 de falatório. Mas a nota de 8,5, com a qual eu já me contentaria e daria enormes saltos de alegria, foi acrescida de 1,5 na avaliação final da banca. Há dias em que a gente dá uma sorte do cão!
Com as notas do quarto ano praticamente fechadas, restava apenas um desafio: apresentar o Único Trabalho Sério da Faculdade (vulgo TCC). Tudo já estava pronto desde o comecinho de outubro, revisado, re-revisado e re-re-revisado. E encostado na minha prateleira, sem ser aberto desde então – um erro de digitação qualquer me causaria um transtorno relativamente grande.
Depois de desencontros e outros problemas, a banca foi agendada para 4 de dezembro, exatamente dez anos após a morte da minha avó. Dia de sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Sexta-feira. Um dia caótico, temperado por uma fina garoa que dominou o dia desde a hora em que eu havia acordado.
Mas fui lá apresentar. Peguei um ônibus na Eusébio Matoso, não peguei trânsito algum na subida da Rebouças e cheguei à Paulista. Obviamente, desci do coletivo na Consolação e fui a pé até meu destino – cheguei ao destino final, a Unigazeta, antes do próprio ônibus, com quase uma hora de antecedência.
A apresentação... bom, não cabe contar aqui o que se passou em 1h30 de falatório. Mas a nota de 8,5, com a qual eu já me contentaria e daria enormes saltos de alegria, foi acrescida de 1,5 na avaliação final da banca. Há dias em que a gente dá uma sorte do cão!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Insistindo no erro
É sempre bem interessante estar no seu canto e perceber que ao seu lado está uma pessoa que pode dar declarações e contar histórias bastante ricas para o seu ‘grandioso’ trabalho de conclusão de curso (cujo prazo de entrega está tão próximo quanto a relação África do Sul – Vanucci). Você está apenas tomando um chope escuro quando percebe que está a dois palmos de um grande empresário, com quem você descartou tentar contato, justamente por ser... um grande empresário sempre atarefado.
Pois bem. Era segunda-feira eu estava nesta situação, enquanto esperava ansiosamente por um papo com o Thomaz Koch e vi ao meu lado um homem do meu tamanho (vulgo baixinho), bem calvo e com o mesmo rosto que sorria para mim em um livro: Luís Felipe Tavares, ex-tenista e presidente da Koch Tavares (empresa que não tem nada a ver com o Koch, apesar do nome).
O evento estava superando – e muito – as expectativas, com a presença do Guga – perdi a entrevista que tinha feito com ele no começo do ano porque a besta aqui esqueceu de transferir o e-mail da conta do antigo trabalho, hoje já apagada. E poder falar com o Tavares... seria um lucro e tanto para aquela noite de segunda-feira.
Como bom empresário, o Tavares não saía do lado de várias pessoas. Conversava, ora sério, ora brincalhão, com muitas pessoas. Todos que passavam por ele faziam questão de cumprimentá-lo e puxar algum assunto. E eu esperava. Fiquei quase uma hora nessa delonga quando ele se aprontou para ir embora. Era a minha chance.
Abordei o homem, chamei-o pelo nome. Ele olhou para mim e lhe contei resumidamente sobre o que eu queria (resumir é algo em que tenho grandes problemas) e esperei a reposta dele. Achei que ele não tinha me entendido bem, ficou um tempo olhando. Então, surpreendentemente, disse: “Maravilha, garoto! Me liga amanhã, eu posso te receber em meu escritório um dia desses e a gente conversa”.
Aí foi a minha vez de ficar perplexo. Ora, eu sempre ouvi todo mundo dizer que o Ipe Tavares era um cara extremamente ocupado e dificílimo de se entrevistar. Mas se a chance caía no meu colo... por que não aproveitar, certo? Hum... quase.
Então ele tirou do bolso a carteira para me dar um cartão de visitas. Revirou toda a carteira e não encontrou. Pegou várias vezes os cartões de vários bancos. Fiz até uma piadinha falando que aquela ajuda poderia enriquecer muito o meu trabalho (ele não riu). Aí encontrou um – o último – cartãozinho e me deu. Agradeci, me despedi dele e voltei ao salão para esperar o Thomaz Koch.
Aí eu resolvi olhar o cartão do Luís Felipe Tavares. Estava escrito o nome de um outro homem, presidente de uma das maiores construtoras do Brasil. Mais uma vez, assim como fiz meses atrás com Pepe – Egídio Marques de Mesquita –, confundi as pessoas. Mula!
E olha que isso não foi o pior. Na tentativa de falar com o empresário errado, perdi a chance de entrevistar o Flavio Saretta e tocar uma pauta bem interessante que eu estava pensando, com chances de conseguir um furo até que interessante. Na hora não me importei. Só no dia seguinte, quando ele foi anunciado como técnico das categorias de base do tênis do Palmeiras, eu percebi a cagada dupla.
Ao menos acertei o Koch, que me desejou sorte nessa reta final de TCC. Ele não sabe, mas... como eu vou precisar!
Pois bem. Era segunda-feira eu estava nesta situação, enquanto esperava ansiosamente por um papo com o Thomaz Koch e vi ao meu lado um homem do meu tamanho (vulgo baixinho), bem calvo e com o mesmo rosto que sorria para mim em um livro: Luís Felipe Tavares, ex-tenista e presidente da Koch Tavares (empresa que não tem nada a ver com o Koch, apesar do nome).
O evento estava superando – e muito – as expectativas, com a presença do Guga – perdi a entrevista que tinha feito com ele no começo do ano porque a besta aqui esqueceu de transferir o e-mail da conta do antigo trabalho, hoje já apagada. E poder falar com o Tavares... seria um lucro e tanto para aquela noite de segunda-feira.
Como bom empresário, o Tavares não saía do lado de várias pessoas. Conversava, ora sério, ora brincalhão, com muitas pessoas. Todos que passavam por ele faziam questão de cumprimentá-lo e puxar algum assunto. E eu esperava. Fiquei quase uma hora nessa delonga quando ele se aprontou para ir embora. Era a minha chance.
Abordei o homem, chamei-o pelo nome. Ele olhou para mim e lhe contei resumidamente sobre o que eu queria (resumir é algo em que tenho grandes problemas) e esperei a reposta dele. Achei que ele não tinha me entendido bem, ficou um tempo olhando. Então, surpreendentemente, disse: “Maravilha, garoto! Me liga amanhã, eu posso te receber em meu escritório um dia desses e a gente conversa”.
Aí foi a minha vez de ficar perplexo. Ora, eu sempre ouvi todo mundo dizer que o Ipe Tavares era um cara extremamente ocupado e dificílimo de se entrevistar. Mas se a chance caía no meu colo... por que não aproveitar, certo? Hum... quase.
Então ele tirou do bolso a carteira para me dar um cartão de visitas. Revirou toda a carteira e não encontrou. Pegou várias vezes os cartões de vários bancos. Fiz até uma piadinha falando que aquela ajuda poderia enriquecer muito o meu trabalho (ele não riu). Aí encontrou um – o último – cartãozinho e me deu. Agradeci, me despedi dele e voltei ao salão para esperar o Thomaz Koch.
Aí eu resolvi olhar o cartão do Luís Felipe Tavares. Estava escrito o nome de um outro homem, presidente de uma das maiores construtoras do Brasil. Mais uma vez, assim como fiz meses atrás com Pepe – Egídio Marques de Mesquita –, confundi as pessoas. Mula!
E olha que isso não foi o pior. Na tentativa de falar com o empresário errado, perdi a chance de entrevistar o Flavio Saretta e tocar uma pauta bem interessante que eu estava pensando, com chances de conseguir um furo até que interessante. Na hora não me importei. Só no dia seguinte, quando ele foi anunciado como técnico das categorias de base do tênis do Palmeiras, eu percebi a cagada dupla.
Ao menos acertei o Koch, que me desejou sorte nessa reta final de TCC. Ele não sabe, mas... como eu vou precisar!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Voz do tênis
Eu estava extremamente nervoso. Era uma manhã de quinta-feira, bem ensolarada. Mãos suavam, eu parecia mais principiante do que já sou. Estava prestes a fazer a minha primeira entrevista para o estafante TCC ao qual me propus solitariamente: recontar a vida da Maria Esther Bueno.
O meu entrevistado seria um jornalista especialista em tênis, que cobriu bastante o esporte durante a época áurea da Maria Esther. Bem gentil, me convidou para uma conversa pela manhã em seu apartamento, no Itaim. Tomei um café na padaria da esquina enquanto rabiscava, nas costas das minhas pesquisas, umas perguntas que faria a ele.
Às 10h55, paguei a conta, atravessei a rua e segui para o prédio. Tirei os óculos escuros antes de me identificar ao porteiro e subi. O jornalista – um senhor de muito boa aparência, olhos claros, cabelos brancos e uma cicatriz no lábio superior – me recepcionou muito bem, uma casa extremamente bem cuidada e gostosa de morar. Não sei se ele notou minha insegurança, mas me deixou bem à vontade.
Começamos a papear sobre Maria Esther Bueno. Ao fim de duas horas, acabei não o entrevistando. Conversamos bastante, e tive uma sutil impressão de que conhecia aquela voz. Ele ficou impressionado com a minha “vasta” pesquisa para o TCC, as 15 páginas com histórias que eu havia apurado em duas semanas de buscas. E, também, ficou maravilhado com uma edição de colecionador de uma revista que eu havia descolado nessas apurações.
“Infelizmente eu não vou poder ajudar em nada, Felipe. Você, definitivamente, sabe muito mais sobre a Maria Esther do que eu. Estou aprendendo demais contigo”, ele dizia. Depois de algumas dezenas de minutos de conversa, notei o quanto aqueles elogios. O Rui Viotti, dentre outras coisas, foi o narrador das finais do Guga em Roland Garros.
“Quero muito que você me convide para a sua banca de TCC, faço questão de ir para aprender mais com você”, disse o Seu Rui quando nos despedimos. Foi um incentivo e tanto para não desistir, muito embora a personagem principal do meu trabalho não tenha colaborado em nada.
Hoje, desligando o computador, vi no twitter do Sílvio Luiz que o Rui Viotti faleceu nesta segunda-feira, aos 79 anos, após passar dias internado. Teve uma infecção generalizada, não resistiu. Obviamente, fiquei chocado e estarrecido com a notícia inesperada.
Entretanto, vou dormir sem peso na consciência ou arrependimento por um motivo: vendo como ele ficou interessadíssimo com aquela revista de colecionador, tirei uma cópia de todas as páginas e enviei para ele, como um mero presente pela hospitalidade.
Nem sei se recebeu, na verdade. Prefiro pensar que sim, e que gostou. E que tenha, de fato, podido aprender um pouquinho com um moleque nervoso certo tempo atrás.
O meu entrevistado seria um jornalista especialista em tênis, que cobriu bastante o esporte durante a época áurea da Maria Esther. Bem gentil, me convidou para uma conversa pela manhã em seu apartamento, no Itaim. Tomei um café na padaria da esquina enquanto rabiscava, nas costas das minhas pesquisas, umas perguntas que faria a ele.
Às 10h55, paguei a conta, atravessei a rua e segui para o prédio. Tirei os óculos escuros antes de me identificar ao porteiro e subi. O jornalista – um senhor de muito boa aparência, olhos claros, cabelos brancos e uma cicatriz no lábio superior – me recepcionou muito bem, uma casa extremamente bem cuidada e gostosa de morar. Não sei se ele notou minha insegurança, mas me deixou bem à vontade.
Começamos a papear sobre Maria Esther Bueno. Ao fim de duas horas, acabei não o entrevistando. Conversamos bastante, e tive uma sutil impressão de que conhecia aquela voz. Ele ficou impressionado com a minha “vasta” pesquisa para o TCC, as 15 páginas com histórias que eu havia apurado em duas semanas de buscas. E, também, ficou maravilhado com uma edição de colecionador de uma revista que eu havia descolado nessas apurações.
“Infelizmente eu não vou poder ajudar em nada, Felipe. Você, definitivamente, sabe muito mais sobre a Maria Esther do que eu. Estou aprendendo demais contigo”, ele dizia. Depois de algumas dezenas de minutos de conversa, notei o quanto aqueles elogios. O Rui Viotti, dentre outras coisas, foi o narrador das finais do Guga em Roland Garros.
“Quero muito que você me convide para a sua banca de TCC, faço questão de ir para aprender mais com você”, disse o Seu Rui quando nos despedimos. Foi um incentivo e tanto para não desistir, muito embora a personagem principal do meu trabalho não tenha colaborado em nada.
Hoje, desligando o computador, vi no twitter do Sílvio Luiz que o Rui Viotti faleceu nesta segunda-feira, aos 79 anos, após passar dias internado. Teve uma infecção generalizada, não resistiu. Obviamente, fiquei chocado e estarrecido com a notícia inesperada.
Entretanto, vou dormir sem peso na consciência ou arrependimento por um motivo: vendo como ele ficou interessadíssimo com aquela revista de colecionador, tirei uma cópia de todas as páginas e enviei para ele, como um mero presente pela hospitalidade.
Nem sei se recebeu, na verdade. Prefiro pensar que sim, e que gostou. E que tenha, de fato, podido aprender um pouquinho com um moleque nervoso certo tempo atrás.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Assuntos superficiais e mal-explorados
O Campeonato Brasileiro acabou e geralmente não se tem nada para fazer no mundo do futebol. Não que se tenha normalmente, mas nesta época o noticiário é bem fraquinho.
Mas, por uma sucessão de folgas e férias na redação, fiquei a cargo do Palmeiras. Uma avalanche de boatos, muitas repetições e blablá. É legal, mas cansa um bocado. Telefone na mão, tentativa de falar com mil dirigentes... e F5 nos concorrentes para ver se não estou levando furo.
Apesar de ser muito mais fácil cobrir seu clube de coração, é meio estressante. E percebi meu estresse acumulado saindo do estacionamento, na Paulista. Percebi que havia um moleque de uns 8 anos no carro da frente virado para mim mostrando a língua.
Ficou nessa um bom tempo. Até que eu percebi que aquela língua feia era para mim e respondi bem chulamente: com o dedo do meio. Ficamos nessa por uns 10s, até que ele se escondeu. Depois voltou com a língua, e eu com o dedo.
Mostrei para o Mé, o carona do dia. Ele ameaçou me repreender: “Pô, mas é só um moleque tosco”, argumentou. Contra-argumentei: “Eu sei. Mas se ele estivesse dando um tchauzinho, sei lá, eu faria um jóia e tal. Ele sabe que mostrar a língua é feio. E este é o gesto mais feio que eu conheço”. O Mé concordou e também mostrou o dedo.
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Meu projeto deÚnico Trabalho Sério da Faculdade Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado sem restrição. Agora eu tenho caminho livre para começar uma biografia sem falar com a minha biografada. Faltam 11 meses para a entrega e... dá uma preguiça enorme começar.
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É extremamente engraçado quando você está no bar, sentado às mesas colocadas na calçada da Avenida Paulista, e passa um velhinho branquelo, barbudo e de cabelos e barbas brancas. Sempre tem alguém que chama a atenção de todos para a passagem do Papai Noel.
Mais engraçado ainda é quando você está no bar nas mesmas condições citadas anteriormente e o tal do Papai Noel se vira para o cara ao seu lado, quem puxou a atenção, e diz: “Pois eu tenho uma notícia bem ruim para você: o Papai Noel este ano não vai entregar presentes pra viados que nem você”.
--
Em contrapartida, é decepcionante quando você espera o ano inteiro pela cesta de natal da empresa onde você gasta 50, 60 e às vezes até 75% do seu dia. E aí, na hora de pegar a cesta, recebe um panetone com umas bolachinhas.
Mas, por uma sucessão de folgas e férias na redação, fiquei a cargo do Palmeiras. Uma avalanche de boatos, muitas repetições e blablá. É legal, mas cansa um bocado. Telefone na mão, tentativa de falar com mil dirigentes... e F5 nos concorrentes para ver se não estou levando furo.
Apesar de ser muito mais fácil cobrir seu clube de coração, é meio estressante. E percebi meu estresse acumulado saindo do estacionamento, na Paulista. Percebi que havia um moleque de uns 8 anos no carro da frente virado para mim mostrando a língua.
Ficou nessa um bom tempo. Até que eu percebi que aquela língua feia era para mim e respondi bem chulamente: com o dedo do meio. Ficamos nessa por uns 10s, até que ele se escondeu. Depois voltou com a língua, e eu com o dedo.
Mostrei para o Mé, o carona do dia. Ele ameaçou me repreender: “Pô, mas é só um moleque tosco”, argumentou. Contra-argumentei: “Eu sei. Mas se ele estivesse dando um tchauzinho, sei lá, eu faria um jóia e tal. Ele sabe que mostrar a língua é feio. E este é o gesto mais feio que eu conheço”. O Mé concordou e também mostrou o dedo.
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Meu projeto de
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É extremamente engraçado quando você está no bar, sentado às mesas colocadas na calçada da Avenida Paulista, e passa um velhinho branquelo, barbudo e de cabelos e barbas brancas. Sempre tem alguém que chama a atenção de todos para a passagem do Papai Noel.
Mais engraçado ainda é quando você está no bar nas mesmas condições citadas anteriormente e o tal do Papai Noel se vira para o cara ao seu lado, quem puxou a atenção, e diz: “Pois eu tenho uma notícia bem ruim para você: o Papai Noel este ano não vai entregar presentes pra viados que nem você”.
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Em contrapartida, é decepcionante quando você espera o ano inteiro pela cesta de natal da empresa onde você gasta 50, 60 e às vezes até 75% do seu dia. E aí, na hora de pegar a cesta, recebe um panetone com umas bolachinhas.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Yo soy una mula, capítulo I
Várias vezes por semana, talvez até por dia, me dou conta de que minha certeza sobre mim mesmo é a maior furada.
Inúmeras coisas das quais eu estava crente que dariam tudo certo se mostram, passados alguns meses, semanas, dias, horas e até minutos, uma idiotice por completo.
Na maioria desses casos, fico sem reação aparente. Mas, por dentro, não deixo passar uma frase-lema para esses momentos: "Yo soy uma mula". Assim, em portunhol mesmo. Sei lá por que, mas o fato é que isso acontece.
Uma prova disso aconteceu essa semana. E, já me dando conta de que esse acervo de self-pataquadas poderia render pelo menos alguma coisa interessante, resolvi inaugurar esta série à parte deste blog: a seção Una mula, que poderá ser atualizada semanalmente ou diariamente. Embora, claro, eu espere que fique mesmo só neste primeiro capítulo.
--
Tenho minha idéia de tema para oÚnico Trabalho Sério da Faculdade Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) já tem muitos meses. Um ano, se bobear. Até que um dia, um sábado qualquer após receber um bolo de tédio, resolvi fazer meu projeto.
Era agosto, eu acho. Quatro meses antes da entrega. Para deixar tudo pronto. Imprimi algumas cópias, mostrei uma para o meu professor de introdução a essa bagaça e outra para o Celso,que jogou pedra na cruz e como castigo recebeu a missão de me ajudar nessa parada meu orientador. Todos deram uns toques aqui e ali e pronto.
Aí eu tive a brilhante idéia de mostrar para o Erick, meu chefe, que por muitos anos cobriu tênis na carreira e poderia também me ajudar. Ele me deu muitas, muitas dicas. Apontou fontes interessantes e indicou um nome ou outro por aqui que poderiam ser de vital importância para a realização do projeto.
Fiz as anotações a lápis no papel e guardei tudo bonitinho na minha mochila, para “anotar tudo no arquivo do Word” quando eu chegasse em casa. E aí o tempo passou, o tempo passou, o tempo passou... o tempo passou mesmo, e eu sempre deixava essa atualização para amanhã. Chegou dezembro, dia da entrega do projeto, e eu lembrei que precisava dar um update no arquivo.
Tirei todos os papéis dobrados no bolso em questão da mochila. Encontrei muita coisa: apostilasde uma matéria picareta que eu nunca li, conversas por bilhetes com uma ou outra amiga de sala... até envelope de revelação fotográfica (uau!). Mas nada, nada do projeto de TCC.
Agora eu não lembro mais os nomes das fontes quentes que meu chefe indicou. Não sei mais quem é o cara que podesalvar a minha vida fazer a intermediação para eu conseguir falar com meu biografado. Não sei onde diabos aquela droga de papel foi parar. Agora, alforriado de férias da faculdade, estava pensando em começar tudo logo. Mas... e agora, cara-pálida?
Vou aproveitar essa semana e voltar para o meu chefe: “Então, Erick, a besta aqui perdeu aquele papel cheio de anotações pro trabalho, você poderia me passar de novo, por favor?”. Mas, por enquanto, fico com a voz de censura aqui dentro da minha cabeça, que me lembra: “Usted é una mula, Felipe Held”.
Inúmeras coisas das quais eu estava crente que dariam tudo certo se mostram, passados alguns meses, semanas, dias, horas e até minutos, uma idiotice por completo.
Na maioria desses casos, fico sem reação aparente. Mas, por dentro, não deixo passar uma frase-lema para esses momentos: "Yo soy uma mula". Assim, em portunhol mesmo. Sei lá por que, mas o fato é que isso acontece.
Uma prova disso aconteceu essa semana. E, já me dando conta de que esse acervo de self-pataquadas poderia render pelo menos alguma coisa interessante, resolvi inaugurar esta série à parte deste blog: a seção Una mula, que poderá ser atualizada semanalmente ou diariamente. Embora, claro, eu espere que fique mesmo só neste primeiro capítulo.
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Tenho minha idéia de tema para o
Era agosto, eu acho. Quatro meses antes da entrega. Para deixar tudo pronto. Imprimi algumas cópias, mostrei uma para o meu professor de introdução a essa bagaça e outra para o Celso,
Aí eu tive a brilhante idéia de mostrar para o Erick, meu chefe, que por muitos anos cobriu tênis na carreira e poderia também me ajudar. Ele me deu muitas, muitas dicas. Apontou fontes interessantes e indicou um nome ou outro por aqui que poderiam ser de vital importância para a realização do projeto.
Fiz as anotações a lápis no papel e guardei tudo bonitinho na minha mochila, para “anotar tudo no arquivo do Word” quando eu chegasse em casa. E aí o tempo passou, o tempo passou, o tempo passou... o tempo passou mesmo, e eu sempre deixava essa atualização para amanhã. Chegou dezembro, dia da entrega do projeto, e eu lembrei que precisava dar um update no arquivo.
Tirei todos os papéis dobrados no bolso em questão da mochila. Encontrei muita coisa: apostilas
Agora eu não lembro mais os nomes das fontes quentes que meu chefe indicou. Não sei mais quem é o cara que pode
Vou aproveitar essa semana e voltar para o meu chefe: “Então, Erick, a besta aqui perdeu aquele papel cheio de anotações pro trabalho, você poderia me passar de novo, por favor?”. Mas, por enquanto, fico com a voz de censura aqui dentro da minha cabeça, que me lembra: “Usted é una mula, Felipe Held”.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A saga, prefácio
Desde os meus primeiros meses de faculdade venho imaginando temas e mais temas para o famigerado Trabalho de Conclusão de Curso, que se tudo correr certo deverá ser entregue no final do ano que vem. Apesar das várias idéias que afloraram e não amadureceram muito nos últimos dois anos, a minha única certeza era o formato do projeto: um livro.
Pois bem. Acontece que na última segunda-feira tive a minha primeira aula específica para o tal do TCC. O professor conseguiu o que queria: me botar um bocado de medo ao imaginar que a entrega do trabalho acontecerá em menos de 20 meses. E o pior: que eu deveria começar a me movimentar desde já.
Confesso que tinha quatro temas um pouco desenvolvidos na minha cabeça. Aproveitando o expediente matinal na quarta-feira, dei um pulo no quinto andar para discutir o tema com o Celso Unzelte, que assim como o LM faz parte do meu top 2 de professores acadêmicos, e debati rapidamente sobre as quatro idéias.
“Olha, essa primeira que você falou é a melhor de todas. Uma idéia muito boa, viu, Felipe?”.
“Ah, bacana, professor. Eu também achava que era a mais forte, embora pudesse ser meio non-sense ou sem lá muito interesse”.
“Não, não. É uma idéia muito legal, e se você for ver não deve ter nada igual no mercado”.
“É verdade, eu dei uma olhada rápida e não encontrei. Então... bola pra frente?”
“Sim, bola pra frente. Amadurece mais esse tema e depois a gente conversa”.
“Ok... ah, e mais uma coisa: você acha melhor fazer sozinho, ir atrás de alguém com quem dividir...?”
“Olha, se for pra você arranjar alguém que mais atrapalha do que ajuda, faz sozinho que é até melhor. Mas vai de você”.
“Beleza. E... posso contar com você como meu orientador?”.
“Claro, Felipe, claro. Precisando, eu tô aqui”.
Sensação de alívio: a primeira batalha foi vencida. Só faltam agora nove mil, quatrocentos e noventa e cinco passos até o final...
Pois bem. Acontece que na última segunda-feira tive a minha primeira aula específica para o tal do TCC. O professor conseguiu o que queria: me botar um bocado de medo ao imaginar que a entrega do trabalho acontecerá em menos de 20 meses. E o pior: que eu deveria começar a me movimentar desde já.
Confesso que tinha quatro temas um pouco desenvolvidos na minha cabeça. Aproveitando o expediente matinal na quarta-feira, dei um pulo no quinto andar para discutir o tema com o Celso Unzelte, que assim como o LM faz parte do meu top 2 de professores acadêmicos, e debati rapidamente sobre as quatro idéias.
“Olha, essa primeira que você falou é a melhor de todas. Uma idéia muito boa, viu, Felipe?”.
“Ah, bacana, professor. Eu também achava que era a mais forte, embora pudesse ser meio non-sense ou sem lá muito interesse”.
“Não, não. É uma idéia muito legal, e se você for ver não deve ter nada igual no mercado”.
“É verdade, eu dei uma olhada rápida e não encontrei. Então... bola pra frente?”
“Sim, bola pra frente. Amadurece mais esse tema e depois a gente conversa”.
“Ok... ah, e mais uma coisa: você acha melhor fazer sozinho, ir atrás de alguém com quem dividir...?”
“Olha, se for pra você arranjar alguém que mais atrapalha do que ajuda, faz sozinho que é até melhor. Mas vai de você”.
“Beleza. E... posso contar com você como meu orientador?”.
“Claro, Felipe, claro. Precisando, eu tô aqui”.
Sensação de alívio: a primeira batalha foi vencida. Só faltam agora nove mil, quatrocentos e noventa e cinco passos até o final...
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