terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Provas reais

Lembro-me como se fosse hoje de uma tarde de domingo meio cinzenta em 2004, quando estava no carro voltando para casa e tive uma ponta de insegurança: “Como eu vou fazer jornalismo? Tá, eu gosto de escrever e tal, mas eu faço um texto bem do chinfrim a cada duas, três semanas – e quase sempre sobre um tema de que eu gosto! Impossível eu conseguir escrever uma notícia por dia pra um jornal, e ainda mais sobre um tema do qual provavelmente eu não vou gostar”.

Pois bem. Hoje, quase quatro anos depois, escrevo cerca de 12 notícias por dia e sinto que superei esse trauma. Mas mesmo assim ainda me bate uma incerteza quase que cotidiana quanto à continuidade deste blog. “A cada texto que escrevo é um assunto que eu perco. Um dia os assuntos podem acabar e, com eles, o Cavaleiro com Solitária”.

Grande bobagem. Cerca de duas semanas atrás havia saído com minha melhor amiga para tomar café e conversar sobre a vida e acabei contando para ela a história do meu primeiro melhor amigo, que morava em frente à casa da minha avó. Embora fosse um ano mais velho que eu (e naquela época um ano fazia uma diferença enorme na mentalidade de cada um!), nos demos super bem até ele se mudar. Crianças de cinco (ele) e quatro anos (eu), foi praticamente impossível mantermos contato, e cada um seguiu sua vida.

Uma história triste, não é mesmo? Bom, nem tanto. Logo em seguida fiz uma amizade bem forte com um outro moleque da escola e ele, bom, sabe-se lá pra onde ele tenha ido, certamente fez suas amizades . Antes de contar isso à minha amiga, confesso que fiquei uns dez anos sem pensar no tal antigo amigo e acabei me lembrando dele por um mero acaso umas três semanas atrás. Uma semana depois do café, contei história parecida ao meu irmão em uma noite de terça-feira. Até aí, normal.

A quarta-feira chegou e, com ela, o meu mau-humor: confesso, estava ligeiramente sem paciência por ver aquele antigo caso “amoroso” (ou algo bem longe disso) vasculhar o meu scrapbook diariamente provavelmente para ver as garotas que me enviavam recados e xeretar uma ou outra cantada furada que eu respondia para elas, estava prestes a apagar de vez a minha página no Orkut.

E quando tal pensamento passou pela minha cabeça, recebi um recado de um cara: “Meu Deus do céu! Duvido que você seja capaz de me reconhecer!”. Apesar de o rosto da tal pessoa não me parecer nada familiar, o nome e o fato de vivermos em um mundo bizarro não me deixaram pensar por muito tempo. E respondi menos de um minuto depois: “Claro que lembro, pô! Você foi meu primeiro melhor amigo!”.

Não demorou para começarmos a reviver antigas histórias e personagens de nossas infâncias. Incrível como nos lembrávamos de quase tudo – ele muito mais do que eu. Dois dias depois, marcamos de nos reencontrar para comer uma pizza e colocarmos alguns assuntos em dia. Claro que andar do lado de uma pessoa que eu não via há 15 anos não parecia nada familiar como andar ao lado de um grande amigo de hoje em dia, mas mesmo assim era uma sensação agradavelmente boa.

Rever um antigo amigo e ter horas, dias, semanas, meses, anos e décadas de conversa para pôr em dia é muito bom. É quase como fazer uma amizade nova sem ter que passar por vários testes de confiança para poder ouvir e contar histórias engraçadas ou reveladoras.

Melhor para mim, para ele e para a minha criatividade blogueira. E a minha página no Orkut continua lá: o tal site de relacionamentos ganhou moral comigo depois disso.

[De acordo com o servidor, este post antecede o ducentésimo do CCS. Quando o criei, não achava que passaria do décimo - prova de que a minha insegurança não tá com nada]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tampa da panela

No mundo do Harry Potter, as varinhas mágicas escolhiam seus bruxos. No Senhor dos Anéis, o anel precioso basicamente elegia seu novo portador. Já no tênis, são as raquetes que nomeiam seus tenistas. E em Hollywood o coração propõe a alma gêmea de seu dono.

Tudo muito bonito, não é? Mas na vida real não é bem assim. A única coisa que realmente nos escolhe na vida são as canetas. É, é verdade. Embora haja milhões, bilhões de esferográficas, tinteiros, rollerballs, pontas-finas e hidrográficas disponíveis a nós, pobres mortais, em qualquer prateleira de papelaria, cabe a elas escolherem suas mãos condutoras.

Digo isso por experiência própria. Desde pequeno fui meio que viciado em escrever, sobretudo com canetas. E na minha casa as mais comuns eram as corriqueiras Bics e uma outra, as rolleballs deluxe da Mitsubishi/Uni-ball. Naquela época, qualquer uma servia para eu fazer meus rabiscos.

Até que entrei na escola e, a partir da primeira série (quando as canetas foram liberadas para os fedelhos de 1995), percebi que não bastava destampar uma caneta qualquer e mexer a mão em cima do papel. Não que isso tenha influenciado minha personalidade.

Costumava usar as normais da Bic, mas com o passar de algumas semanas percebi que algo estava errado: antes de a carga ser 40% gasta, a caneta já parava de escrever. Então vieram as Bic Cristal, mas o panorama não mudou: a vida da caneta era de 50%.

Passei então para aquele canetão 4 cores em 1, mas não me adaptei: era graúda demais. Então fui para as rollerballs deluxe da Mitsubishi, mas não por muito tempo. Por ter a mão um pouco pesada na escrita, elas borravam as costas de todas as folhas. Uma nhaca, apesar de a caneta ser bem legal. E o estoque de casa acabou por volta de 1999 - pouco depois de a caneta desaparecer temporariamente das lojas.

Foi quando fui apresentado às Quilométricas Plus – aquelas azuis bem fininhas que, embora muito boas e de vida bem longa, saíram de linha logo em seguida. Tentei encontrar um outro modelo de caneta (sempre gostei de uma que fazia som semelhante a um clique quando a ponta se encontrava com o papel, mas jamais encontrei), mas fracassei. Não me adaptei a nenhuma caneta promocional ou de mapa. E as Bics continuavam me boicotando.

Minha busca só foi terminar no final de 2006, quando encontrei no chão da sala da faculdade uma caneta semelhante a uma Bic normal, mas mais bem acabada e com outro nome: Compactor top 2000. Só não durou para sempre porque minha mãe viu na minha mochila e pediu para ela, mas foi a caneta da minha vida.

Minha mãe contou que adorava aquela caneta, mas há tempos não via à venda. Assim que aquela acabou, achou na internet uma loja virtual porto-alegrense que vendia caixas fechadas de Compactors top 2000. E desde então não tivemos mais problemas com canetas.

Até que sábado passado, durante as tradicionais compras de volta às aulas na Kalunga (hoje em dia para o meu irmão – o ensino acadêmico, por mais paradoxal que seja, não demanda muito material), vimos penduradas várias rollerballs da Mitsubishi: na hora, identifiquei a caneta e lembrei do meu pai.

Compramos para ele e, antes de entregar, abri o pacote e arrisquei algumas assinaturas. Mas após alguns ‘Felipes Helds’ rabiscados, tampei-a e coloquei sobre a mesa da sala: aquelas uniballs escolheram a ele, e não a mim.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Prognósticos australianos: Mea-culpa

Foram milhares de aces, winners, forehands, backhands, aces, smashes e break points. Centenas de homens e mulheres em busca de prêmios milionários e pontos nos rankings. Incontáveis jornalistas esportivos de olho nas telinhas, nas raquetes, nas bolinhas e, claro, nos concorrentes. Foram duas semanas de Australian Open, tênis e, acreditem, bastante diversão e aprendizado.

E depois de ver os títulos da linda Maria Sharapova e do carismático Novak Djokovic em Melbourne, me senti na obrigação de fazer a minha mea-culpa depois de tantos palpites errados nos prognósticos do primeiro Grand Slam do ano, tanto na chave feminina quanto na masculina.

Vamos lá. Entre as damas, minhas grandes apostas eram Tamira Paszek, que seria a primeira adolescente após Sharapova a faturar um troféu de Grand Slam. Mas a austríaca que até o final do ano passado foi treinada pelo brasileiro Larri Passos foi eliminada logo na primeira rodada para a sérvia Jelena Jankovic.

Se eu achava que a jovem austríaca ganharia moral ao passar pela terceira cabeça-de-chave, aconteceu justamente o contrário: a combalida balcânica se motivou ainda mais, superou as lesões e chegou às semifinais. Um feito mais do que notável para uma tenista que aparenta ser bastante simpática. Já a minha musa tcheca Nicole Vaidisova agüentou firme até as oitavas-de-final, quando se encontrou com Serena Rincon Williams, sua maior algoz no circuito profissional.

Melhor para Sharapova. Se não era cotada para passar nem da segunda fase, a musa de 1,88m fez bonito e massacrou suas adversárias no caminho ao título. Nada mais justo pelo que ela apresentou em quadra – com direito a pneu em Justine Henin nas quartas-de-final, o segundo feito mais inacreditável das duas últimas semanas.

Quanto aos homens, bom... faço parte do grupo daqueles que torcem contra Roger Federer em nome de um circuito mais equilibrado, mas mesmo assim apostei no suíço boiolinha para ficar com mais um troféu. Mas não foi bem isso o que aconteceu.

Alguém já tinha ouvido falar em Jo-Wilfried Tsonga (leia Jô-vilfriid Songá)? Eu, que acompanhei bem o circuito do ano passado, tinha feito apenas uma notícia dele: quando venceu Richard Gasquet no Torneio de Lyon. Bom, acontece com qualquer cabeça-de-chave. Mas em Melbourne o Muhammad Ali de Le Mans fez bonito. Passou por Andy Murray, novamente Gasquet e Mikhail Youzhny até seu graaande teste: Rafael Nadal, nas semifinais. E não é que a zebra atropelou o touro? Além da eliminação por 3 sets a 0, a atuação de Tsonga foi a melhor entre todos os tenistas aos quais eu pude assistir pela televisão (e com a excelente transmissão da ESPN, diga-se) – com direito a melhores momentos neste link.

Do outro lado da chave, Federer alternava momentos de show com algumas inseguranças. Apesar do inquestionável talento do suíço, quase vibrei ao ver Janko Tipsarevic forçar um quinto set na terceira rodada e por pouco não eliminar o número um – a notícia feita para o caso de um revés foi para o meu ‘arquivo de honra’ no computador do trabalho. Mas, infelizmente, não pude ver o momento mais esperado do Australian Open. Por motivos alheios, dormi além da conta na sexta de manhã e acordei momentos depois de Djokovic sacramentar a queda de Federer. Acontece.

Errei feio no masculino ao acreditar em Federer, assim como toda a torcida do Mengão, apesar de ter uma pontinha de esperanças de Nole Djokovic na final. Quanto ao Tsonga, nem ele, nem o pai dele e nenhum cidadão de nenhum dos dois Congos acreditaria em uma classificação para a final. No embate entre Djokovic e Tsonga na final deu a lógica, e o sérvio sensação (e futuro número um do mundo) faturou seu primeiro Grand Slam na carreira.

Outra decepção deste que vos escreve veio nas duplas masculinas. Apostei forte nos brasileiros Marcelo Melo e André Sá. Não passaram nem da primeira rodada. No final, títulos para os israelenses Jonathan Erlich e Andy Ram.

Mas, apesar dos erros, esse Aberto da Austrália me proporcionou algumas observações bacanas. A jovem dinamarquesa Caroline Wozniacki, minha maior esperança até conhecer a Paszek, parece não ser só uma zebrinha de olhos bonitos; ao passo que a polonesa Agnieszka Radwanska será conhecida para a vida toda como a caçadora de russas. Outra jovem tenista em quem passei a apostar ainda mais foi a francesinha Alize Cornet, que dentro em breve será um Tsonga mais bem apresentável. Teve também a nova promessa dos Países Baixos: Arantxa Rus, campeã da chave juvenil e uma das futuras musas do circuito – e com enormes chances de ganhar de Michaella Krajicek, que era bonitinha assim e ficou estranha assim.

Para enfim terminar: as transmissões da ESPN pegaram no pé das semelhanças de alguns tenistas com outras personalidades da mídia. Algumas delas estão compiladas neste vídeo. Destaque também para a trilha sonora: a música se chama Yofo, da banda mexicana de Rapcore Molotov, que aliás já ganhou o Grammy latino com o sensacional clipe de Frijolero (uma das minhas favoritas).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Protesto nostálgico

A primeira coisa que faço ao pegar o jornal na guarida do meu condomínio é abrir na seção de cultura/variedades para ler as tirinhas do Calvin e do Charlie Brown. Mas ontem mudei a ordem ao ter a atenção chamada para outra notícia, que sequer ganhou o destaque que merecia: “O novo Boomerang”, alertava a manchete sem negrito, sem nada. “Fãs querem clássicos de volta ao canal”.

Li a nota curta de pouco menos de mil caracteres e tive a sensação de ter nas mãos uma das notícias mais importantes dos últimos tempos. Resumindo, o site RetrôTV, revoltado com a ‘mudança editorial’ do canal segunda-linha do Cartoon Network, lançou um abaixo assinado pedindo o retorno dos clássicos à emissora paga.

Contextualizando: O Boomerang, dissidente do Cartoon Network (propriedade do magnata Ted Turner), surgiu em 2001 sob o slogan de ‘o que é bom volta’ e com a intenção de passar os clássicos desenhos da Warner, da Hanna-Barbera e demais preciosidades. Tudo isso porque o CN lançava desenho atrás de desenho (de qualidade bastante questionável, diga-se) e deixava as velhas animações (de qualidade inquestionável) para escanteio.

A programação do Boomerang em seus primeiros semestres de vida era invejável: Zé Colméia, Tartaruga Touché, Corrida Maluca, Olho Vivo & Farofino, Formiga Atômica, Os Impossíveis, Pantera Cor-de-rosa, Snoopy, Pernalonga & Cia., Garfield, Tutubarão, Pepe Legal & Babaloo, Droopy, Flinstones, Jetsons, Popeye, Scooby-Doo... ah, e muito mais. Não apenas as crianças eram o público-alvo do canal, mas também adultos que não se identificavam com a nova leva de animações patrocinadas pelo Turner.

Só que nem tudo correu conforme o esperado. Quebrando o protocolo, o Boomerang passou a abrir espaço para animações desbancadas no Cartoon, mas produzidas ainda na década de 1990, bem como algumas séries. Muitos clássicos saíram do ar, como os meus xodós Os Impossíveis e Olho Vivo & Farofino, e os remanescentes foram jogados para a madrugada.

Durante muito tempo, passei a dividir as atenções da madrugada entre o Programa do Jô e a Pantera Cor-de-rosa. Tinha dias até em que eu ficava acordado até as 5 da manhã para ver a (Lá vem a biônica!) Formiga Atômica. Até que o óbvio – e trágico – acabou acontecendo: o Boomerang se reformulou, mudou slogan, baniu os clássicos e passou a se focar em um público moderno. Dia desses passou a maratona RBD (aquela novelinha mexicana tosca, carro-chefe da nova emissora). Um vexame, uma heresia...

Então o RetrôTV teve uma sacada de gênio – e a única cabível para nostálgicos como eu. Um abaixo assinado, aberto até o comecinho de março, até ser encaminhado à Turner. Se vai funcionar eu não sei, mas pelo menos é o que nos resta. Este blog, portanto, adere à campanha.

Lobby: Dia desses relatei uma reminiscência ao ver um episódio da Disney na Globo em um sábado de manhã e fui apoiado pelo Mané, que comentou: “Reparou que nessas melhores lembranças de desenhos na TV na infância, o dia nunca está ensolarado? E os desenhos nunca são essas porcarias japonesas?”.

Mais tarde, o Mané encontrou uma jóia rara da Disney: o a visita do Pato Donald à Praia de Copacabana, marcando o encontro do Zé Carioca com o Pato Donald (auge do vídeo: 3min15 – 4min15). E aí foi a minha vez de opinar. “Cara, esse desenho é algo que passa do brilhante e se aproxima muito da perfeição. E são coisas assim que me fazem ter orgulho de, durante toda a minha infância, ter sido viciado nos desenhos da Disney. A nova geração, em compensação, vai se gabar por ter visto... aahn... os clássicos Jake Long, Kim Possible e Lilo & Stich? Ah, meu velho, eu sou muito mais o Pateta!”.

A sessão nostalgia não parou por aí. Dias depois, a Carol encontrou um especial de Natal da Turma da Mônica feito nos idos de 1970. A descrição dela resume tudo: “Coisa de gênio”.

Considerações: Não que só haja lixo atualmente. Confesso que gosto muito de Bob Esponja e passei a simpatizar muito ultimamente com os Padrinhos Mágicos. Acho o Laboratório de Dexter muito bom, tanto quanto Johnny Bravo. Só que... é claro que trocaria tudo isso por um Fantástico Mundo de Bob, Doug Funny, Tintim – falando por baixo, porque citar Snoopy, Pica-pau, Pernalonga ou qualquer outro clássico da Hanna-Barbera seria covardia.

E... não sei se foi porque passei os melhores anos da minha infância assistindo aos últimos anos de gala desses desenhos, mas era muito mais fácil encontrar algo de qualidade na programação. Agora vai ver hoje em dia alguma coisa inteligente no meio de Vaca & Frango, Du, Dudu e Edu...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mito popular

Desde pequeno ouço a mesma ladainha: é necessário fazer alongamento antes e depois de realizar um exercício físico. Isso prepara os músculos do corpo, evita distensões e outras lesões e mais um monte de blábláblá.

O problema é que eu, beirando a casa dos 20 anos, raramente faço alongamentos antes jogar futebol com os amigos do prédio. E, para me opor ao discurso popular, nunca tive um problema muscular sequer.

Ontem, no entanto, desci para bater uma bola com os mesmos amigos de sempre e decidi mudar meu hábito. Por ser surpreendido com um frio de 18º em pleno verão, optei por tomar conta do meu organismo e fiz uma caridade ao meu sistema muscular: fiz aquecimento. Alonguei panturrilha, braços, músculos anteriores (da frente) e posteriores (de trás) da coxa... até arrisquei alguns saltos e alguns piques não correr risco algum.

Confesso que me surpreendi que, após o aquecimento, entrei em quadra muito mais inteiro do que o normal. Enquanto a maioria dos amigos tentava encontrar seu melhor ritmo, eu até conseguia levar a melhor sobre um ou outro por estar mais disposto.

Acontece que, depois de uns 40 minutos de jogo, uma bola foi (mal) lançada pelo goleiro do meu time e, para evitar a lateral, estiquei a perna esquerda para dar um balão para trás e impedir que a bola saísse. Assim que chutei a bola, senti um estalo e uma forte dor na coxa esquerda. Não conseguia mais correr, mas ainda assim me mantive firme até o final da partida. Isso que é garra.

Hoje, bom... acordei com uma dor insuportável em quase toda a minha coxa esquerda e não conseguia dar um passo sem manquitolar e sentia uma sensação cortante ao esticar a perna esquerda. Momentos depois, minha médica particular (que também atende pelo nome de mãe) constatou uma distensão muscular. O tratamento para isso é apenas repouso e duas semanas sem correr, jogar futebol ou praticar qualquer atividade física.

E um pensamento que me aborreceu durante o dia inteiro ganhou ainda mais força: nunca contraí uma contusão muscular por deixar de fazer alongamento. Droga de mito popular.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Soma

Admirável Mundo Novo pode não fazer parte dos dez livros preferidos da minha estante, mas algumas coisas nele me chamaram a atenção quando o li, algum tempo atrás. A principal delas, com certeza, foi o soma, droga sintética legalizada e principal (e única) forma de escapismo para uma sociedade que não se acostumou aos traumas pessoais.

Qualquer desilusão, apreensão, tédio ou seja lá o que for, basta ingerir cápsulas de soma de acordo com a sua necessidade e voilá. Muito melhor que o álcool – que aparece na trama como droga de terceiro mundo. E o tal soma tem tanto impacto naquela sociedade que até ganhou algumas músicas. A mais conhecida delas é a do Strokes.

Foi justamente pensando na tal soma hoje de manhã que percebi o quão viciado eu sou na tal droga, hoje em forma de cafeína. Por gostar do período noturno, não consigo dormir cedo. Mas por conta do fuso horário australiano, tenho acordado nos últimos dias às 5 da manhã. Isso me resulta em, mais ou menos, três ou quatro horas diárias de sono. Como eu agüento? Ah, eu tomo um cafezinho antes de entrar no trabalho que tá tudo certo.

Quando trabalhava de manhã com mais freqüência, percebi que aquela sonolência das 11 horas seria exterminada com um pouco de café. Foi o início de um hábito delicioso, compulsório e... bom, que deve ser tratado com cuidado. Quando fui remanejado para a tarde, me sentia muito mais animado e motivado depois de tomar um copo de café. Até aí tudo bem.

O problema é que nem sempre há café disponível nos arredores da Cerqueira César. Sábado, por exemplo. Embora eu tenha conseguido dormir bem durante as 4h30 de sono que eu tive, foi praticamente impossível sobreviver durante um expediente sem café. Terrível. Tentei me manter acordado tomando água gelada, mas praticamente não ajudou. O tempo... ah, o tempo não andava.

Hoje, domingo, fui forçado a fazer uma pausa no expediente no intervalo das partidas noturnas do Aberto da Austrália e fui correndo ao Starbucks mais próximo comprar um copo de café. Voltei para a redação como o Popeye após comer espinafre. E o expediente passou voando. Apesar de mais trabalho, praticamente não senti o tempo passar. Não pensei em nada, simplesmente deixei o piloto automático fluir. Exatamente como o soma age nos habitantes da fictícia Londres de daqui 500 anos, cenário do romance de Aldous Huxley.

Efeito placebo ou não, acabei tornando o cafezinho algo inerente ao trabalho. Não rendo mais sem um copo de cafeína quente, seja qual for o horário do meu expediente. E se isso é ruim? Acho que não. Pelo menos ultimamente, o café tem me dado algumas das melhores idéias quando bebo sozinho ou proporciona as melhores conversas quando acompanhado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Pegadinhas combinadas

Quando era mais novo e gostava de ver as pegadinhas do João Kleber na então ascendente RedeTV!, não era raro ouvir pessoas duvidando da veracidade do quatro. Quase todo mundo que eu conhecia dizia que aquilo tudo era combinado: os sustos eram combinados, os pitis eram fingidos... mas preferi não acreditar no que diziam.

Até que hoje não acreditei quando liguei a tevê na Record para ver as pegadinhas meio sem-graça enquanto esperava começar o Chaves no SBT e vi um conhecido alvo das brincadeiras à la João Kleber.

A idéia da pegadinha era até que original. Uma loira gostosa parava alguém na rua e pedia tomar conta de um cachorro golden retriever por um instante. Aí chegava uma outra mulher para pedir informação, umas 15 pessoas se aglomeravam entre sujeito e cachorro e, então, aparecia um cara da produção e trocava o cão de grande porte por um pequinês. É engraçado ver a reação das pessoas ao perceberem a mudança.

O primeiro alvo do quadro ‘Cachorro trocado’ não se interessou pela loira boazuda e foi logo impondo as condições. “Sí, tomo conta de perro e gaño trocado”. Coloquei o óculos e qual não foi a minha surpresa ao ver o mendigo com quem, há seis meses, conversei em holandês em plena Avenida Paulista. Incrível.

Expliquei na hora para o meu irmão o motivo da minha exaltação. Resumindo, o cara dizia ser professor de idiomas na Colômbia (onde dava aulas de inglês, francês, italiano, alemão, russo, sueco e holandês) e veio para o Brasil aprender a falar português. Mas, se não me engano, perdeu todo o dinheiro e agora tem que pedir esmola para conseguir pagar um hotel barato no Brás.

Pelo menos foi isso que me contou. Sendo verdade ou não, sempre que estou à noite em algum bar da Paulista e me deparo com ele (cujo nome eu já esqueci), procuro dar-lhe uma ou duas pratas. É um gringo simpático.

E a moral da história? Vou poder me gabar por aí por já ter falado em holandês com um mendigo na Avenida Paulista e, ainda por cima, vi o cara participar de uma pegadinha na televisão. Resumindo, o mundo vem se tornando cada vez mais bizarro.