quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entenda as piadas sem sentido do Chaves: Dança das Horas, de Tchaikovsky

[Atualizado de 19 de abril de 2011 (ah, como a vida era boa)]

Muitas vezes cometemos erros porque queremos falar acerca de algo que não sabemos, e a arrogância nos leva ao equívoco – tão vergonhoso, senão mais, que a falha por ignorância. É mais ou menos assim que o Quico comete uma ligeira gafe – que acaba passando desapercebida por todos seus amiguinhos –, que retrataremos aqui.

Acontece enquanto os alunos do Professor Jirafales estão no pátio da escola brincando de orquestra, antes de cantarem as mais do que famosas “Se você é jovem ainda” e Que bonita sua roupa”. Chaves tem a brilhante ideia de que todos toquem a mesma canção e Nhonho acareia quais músicas cada um tocava. São elas:

Chaves tocava Mamãe eu quero (na versão original, seria La cucaracha), Nhonho batucava O seu cabelo não nega (ou Las mañanitas), Godines apitava Garota de Ipanema (não consegui decifrar qual era no roteiro castelhano) e Pópis, Ceuzinho Lindo. Então Quico mete as patas ao se esbanjar: A dança das horas, de Tchaikovsky.

Nessa hora cairia bem um “Ai que burro, dá zero pra ele”. Explicaremos. O russo Piotr Tchaikovsky não compôs a Dança das horas, senão a Dança das fadas. Seu contemporâneo italiano Amilcare Ponchielli quem foi o responsável por criar o balé mencionado por Quico.

Só que não!

A frase do Quico, embora errada, apenas abre espaço para uma outra piada. Minutos mais tarde, quando o Seu Madruga pergunta o que a turma estava tocando, o Chaves acusa que o bochechudo vestido de marinheiro estava tocando A Dança das 24 Horas, de Tchutchaychukowsky.

E é aí, moçada, que entra a piada. Vejamos (a partir do instante 11:30):



Notaram o que o Chaves falou? "Quico estava tocando a Dança das 24 Horas de Zabludovsky". Pois então! Acontece que Jacobo Zabludovsky é um jornalista mexicano que, décadas atrás (algo como 1960), tinha um programa na própria Televisa chamado "24 Horas, con Zabludovsky. E o Chaves nada mais faz que se embananar todo e misturar tudo.

Matamos? :)

Bom, aproveitemos o espaço para mostrar algo que talvez alguns ainda não saibam. A letra original da canção que conhecemos como Que bonita sua roupa não tem nada a ver com vestimentas, e sim com a vila do Chaves. A canção se chama Que bonita vecindad, e o refrão é Qué bonita vecindad/ Qué bonita vecindad/ Es la vecindad del Chavo / No valdrá medio centavo / Pero es linda de verdad - traduzindo, “Que bonita vizinhança / É a vizinhança do Chaves / Não deve valer meio centavo / Mas é linda de verdad”. Tá aí abaixo, pra quem quiser.



sábado, 21 de julho de 2012

Meu telefone não toca, e sempre acho que é você


E quando ele resolve fazer algum ruído, então? Acho que ele nunca tocou tanto ultimamente e que tanta gente tenha querido falar comigo como naquele dia em que eu esperava uma, apenas uma, somente uma e nada mais que uma simples mensagem.

Um oi. Um oi já bastaria para que eu abrisse o maior sorriso do mundo nos últimos tempos. E se você achasse que um oi já seria abertura demais para alguém como eu... bah, só um “?” já seria o suficiente.

Com certeza eu estragaria tudo depois, mas curtiria aquele momento como se fosse único. Assim como desfrutei de tantos outros, te olhando, vendo você me olhar, escutando você falar e percebendo as pequenas variações do teu sotaque, que te entregavam e me diziam tudo sobre você.  

Sei tanto sobre você que você nem imagina.

Sei tanto sobre você a ponto de saber que meu celular não tocará. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A sensação mais imbecil do mundo


Va.

Hoy quisiera hacerte una pregunta, que se me ocurrió mientras llegaba a mi casa, esperaba por el ascensor y escuchaba desde lejos a mi perro solito llorando de ansiedad.

La verdad te digo que me pareció re sensata y muy tierna la pregunta esta, capaz te sentirías bien y solo estuvieras esperando que te ayudara a sacarte este nudo de la garganta. Sos testaruda, mi bonita, yo sé, y estaba listo para quitarte toda esta sensación de Cash que tenés y que nos hizo y que nos hace tan mal.

Asíque quisiera que nos juntáramos, te miraría en los ojos, te tomaría la mano y te preguntaría. Así de una, aunque con la voz medio temblando de angustia hasta escuchar tu “sí, sí, sí!”

Va... me muero por oírtelo, creo que se me rompería la cara con la sonrisa que tendría. 

Pero al final pasé a mi casa, prendí un pucho, lo fumé y me di cuenta.

Va… qué sé yo.

Soy un pelotudo. Todavía no estás (así tan) loca.  

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Autoflagelação


Passar por uma loja, fingir que procura alguma coisa, encontrar aquele teu perfume que eu te dei de Natal, batalhar comigo mesmo antes de tomar alguma atitude, decidir borrifá-lo em uma tirinha de papel, absorver aquele aroma que sempre esteve atrelado à minha felicidade, lembrar de todos aqueles momentos que sempre seriam para sempre, querer te ligar e ouvir a tua voz, ver tua foto no meu celular (por que elas ainda estão lá?), guardá-lo rapidamente no bolso, sentir meu coração se encolhendo, acender um cigarro.

Preciso parar com essa vida.  

sexta-feira, 29 de junho de 2012

TGIF

Oi!

Não me leve a mal, eu sei que acabamos de nos conhecer e que ainda não é a hora de eu ser sincero contigo. Ainda precisamos daquele momento em que eu te conto vantagens da minha vida, você me conta algumas vantagens da tua e assim vamos nos conhecendo mais e mais.

Acontece que eu queria dar um passo mais além, se é que me permites. Gostaria de te falar que adorei passar essa noite de sexta contigo, de ter ficado horas e horas te ouvindo falar sobre a tua admiração pelo Tim Burton e o quanto te comoveu o filme mais recente do Ricardo Darín.

Sabe? Queria te contar o quanto foi legal te ouvir falar de coisas sobre as quais eu não tinha a menor ideia. Foi interessante, de verdade, e era por isso que eu não falava nada sobre mim... apenas dava corda pra você me falar mais e mais de você.

Eu sei, eu sei que deveria ter interrompido todo o teu falatório e ter tentado melhorar ainda mais aquela noite que inaugurava o nosso final de semana. Talvez você estivesse esperando que eu tomasse alguma iniciativa e... sei lá, te tascasse o maior beijo dos últimos tempos enquanto você divagava sobre o roteiro do season finale de How I met your mother.

Mas não consegui, essa é a verdade. Queria aproveitar o máximo do máximo do máximo de todo aquele momento. E não queria correr o risco de interromper tudo aquilo e colocar todo o resto a perder - afinal, a conversa estava super agradável, não é? Só que relaxa, isso não quer dizer que eu não gostei de você, que eu te achei feia ou que te achei chata ou brochante. Pelo contrário!

Agora vou deitar lembrando de ti, tentando escutar o que resta da tua voz dentro da minha cabeça, vou tentar lembrar o toque da tua mão e imaginar como seria o teu beijo. E também como você sorriria para mim depois de tudo isso - será que seria o mesmo sorriso que você deu quando eu te contei a pior piada dos últimos tempos? Talvez...

Então. Eu só queria te dizer que você agora é o grande amor da minha vida. Vou imaginar como tudo seria se um dia for. Todos, todos os detalhes que você puder imaginar. Tudo isso por pelo menos por uma semana.

E só queria te pedir uma coisa, se não for muito incômodo: não me desiluda até a próxima sexta-feira. Se nada der certo entre a gente durante semana, sexta eu tento conhecer o novo amor da minha vida da semana que vem. Mas, por enquanto, deixa eu brincar de fantasiar?

Obrigado.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Lembrei do Roco hoje à noite


Ele nunca havia movido um pelo quando eu saía para fumar um cigarro de madrugada e pisar descalço no teu gramado. No máximo abria os olhos avermelhados, me reprimia com o canto do olho e voltava a seu sono carregado e barulhento.

Naquele dia não. Resolveu sair de sua cama improvisada para me rodear, sentar-se à minha frente, de costas para mim, e olhar para o nada comigo. Senti um arrepio.

“Che, Róqui, que foi? Será que... você também acha?”.

Ele não respondeu.

Traguei mais forte o cigarro para tentar acalmar a taquicardia daquele momento. Sequei as palmas molhadas das minhas mãos na calça e entrei.

Quando saí de novo, não recebi a despedida digna com caráter de “até logo” que ele sempre costumava fazer para mim. Ignorou inclusive meu "chau, Róqui" 

Resolvi olhar para trás e me convencer de que ainda voltaria para aí.

Não consegui.

Teu cachorro manja de despedidas. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ainda não tirei tua foto 3x4 da minha carteira


Ela continua lá, no mesmo lugar de sempre, acompanhada de pequenas coisas que gosto de carregar comigo para cima e para baixo, nas minhas errantes e quixotescas aventuras que nunca sequer começaram, que nunca sequer existiram.

Só que virei tua foto, escondi teu rosto.

Te explico.

Não quero ver teu rosto, me lembrar de ti e trazer contigo um caminhão de boas lembranças de um momento impossível e improvável no espaço-tempo que tornamos (como?) verdadeiro.

Ainda não é a hora. O doce dói, o amargo seria o melhor tratamento.

Quero pensar que um dia vou poder te olhar sem arrombar os estigmas que não querem cicatrizar. Gostam de estar ali, de inflamar, de fazer doer.

Quero poder um dia olhar para ti e sorrir, rir, gargalhar, orgulhar-me do passado e...

Mentira.

Quero ver teu rosto sim, me lembrar sim de ti e, claro, trazer contigo um porta-aviões de ótimas lembranças.

Só ainda não tive coragem de tirar tua foto de lá.