terça-feira, 4 de setembro de 2012

(toca o telefone às 2h37 da manhã)


Che!

Desculpa te acordar a essa hora da noite com essa ligação, sei que já nem me corresponde mais o direito de te acordar de madrugada nem que seja um caso de polícia. Mas é que... nah, não tem como não compartilhar isso contigo!

Acontece que... não, você não sabe. É um negócio tão sensacional e tão importante que você vai saber e espero que fique sem fôlego assim como eu fiquei em saber. Quero que você fique tão feliz quanto eu fiquei ao saber disso. É uma alegria que... sabe? Faz tempo que eu não sinto.

Quando foi a última vez que eu senti isso? Ah, lembrei! Foi aquele dia que eu fiquei te esperando sair da aula e fiquei ali fingindo que olhava para o outro lado da rua. E aí você veio, me deu um empurrão já me abraçando e me dando um beijo enorme pra que toda a tua cidade visse. Verdade, foi esse dia. Foi a última vez que nos encontramos.

Mas então, não me deixe sair do assunto. Vamos lá.

Acontece que não consegui vibrar sozinho ao saber disso e... até tentei respirar fundo, deixar para te falar amanhã. Mas aí peguei o telefone, vi teu número... e ah, o que custa te dar uma ligada? Vai que depois você dorme ainda mais feliz...

Sabe? Tenho saudade disso, de te ver dormindo tão feliz ao meu lado. Gostava de acordar no meio da noite quando você me dava um empurrão sem querer e eu ficava ali, te olhando, e te dava um beijo no ombro e passava a mão nos teus cabelos e já me sentia o máximo por... te ver dormindo.

Só que... é, eu te dizia... eu te dizia...

Bah, deixa pra lá. Nem era tão importante assim, mesmo.

Boa noite.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sobre o recomeço

Eu pensei que já havia exorcizado tua presença em minha vida. Imaginei que ignorando tua existência e seguindo adiante na minha vida seria possível... fazer um novo futuro no qual você, infelizmente (e eu sempre sublinharia este infelizmente), não estaria presente.

E foi com isso bem certo que resolvi começar tudo de novo, bem longe de qualquer lembrança tua. Decidi passar os três primeiros dias de minha nova vida em uma praia bem distante, nova para mim, a quilômetros de qualquer possível despojo da tua existência.

Até que eu resisti bem a esse novo período, sabe? Pude sentar de frente para o mar e olhar para todas as ondas que se quebravam e requebravam e voltavam a quebrar novas ondas e assim por diante. Ah, é. Sempre com alguma cerveja na mão - e não só com água gelada, já que eu não gostava de beber com você (aquele blábláblá que eu tinha de não querer perder um segundo que fosse de estar com você).

Nas poucas vezes em que desviava meu olhar daquele monte de água, reparava em belas moças desfilando de biquíni com belas curvas e belas marcas e belos caminhares, e elas sempre passavam reto sem nem perceber minha existência. Mas eu já não precisava olhar para o teu rosto e penetrar nos teus óculos escuros para ver aquele olhar que você fazia para esconder que estava maravilhada com aquela paisagem – mas teu sorriso te denunciava.

Depois de muitas ondas, muitos biquínis e muitas cervejas, eu voltava para o quarto, tomava um bom banho bem rápido, tranquilo e refrescante, ligava a televisão e assistia a qualquer coisa até pegar no sono; dormia e só acordava quando já estava cansado de dormir. Sensação diferente de chegar à milanesa com você, entrar no banheiro, ser surpreendido por uma entrada inesperada tua no boxe e tomar um banho de quase uma hora com você, para depois ficar horas acordado ao teu lado na cama e levantar, com sono, para colocar alguma roupa de sair, jantar em algum lugar bacana contigo e depois caminhar na beira do mar.

Mas enfim. Depois de três dias assim peguei meu carro, já anoitecendo, e voltei para casa.

Não tinha pudor em fazer ultrapassagens na estrada, ziguezaguear para lá e para cá, já que antes eu preferia manter uma direção constante na mesma faixa, pois morria de medo de acontecer alguma coisa contigo. Aumentava o volume do som naqueles trechos onde costumávamos conversar sobre a vida. Abria o vidro do carro quando sentia sono e não tinha com quem conversar para continuar acordado. Mantinha as duas mãos no volante, já que a tua perna esquerda não estava mais lá para repousar minha mão direita.

Também não tive problemas com a ansiedade de chegar logo em casa, que você amenizava olhando o GPS e dizendo a cada cinco minutos quanto tempo faltava. Até desenvolvi a habilidade de olhar no GPS o tempo estimado para o fim da viagem enquanto subia a serra, sem perder o foco na estrada.  

É, bonita, estou começando uma nova vida.


(... preciso admitir que ela seria muito mais divertida e intensa se você estivesse nela também?)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Entenda as piadas sem sentido do Chaves: o que abacaxis têm a ver com petecas?


Nunca fez sentido para mim, e imagino que para ninguém. Mas nada como uma recorrida básica à versão original do Chaves para entender a origem de uma das piadas com menos sentido da nossa amada série: o que diabos quer dizer aquela piada que o Chaves faz com o Nhonho quando fala das tribos indígenas?

Para quem não se lembra do que estamos tratando aqui, é simples: basta ver esse trechinho do episódio “Aula de História”, a partir dos 10:00.

<

(Se você teve preguiça de rodar o vídeo, eu resumo)

O Professor Jirafales pergunta ao Nhonho quais eram as tribos que habitavam o Brasil, o gorducho acerta ao responder “tupis” e toda a classe entra na onda de dizer qualquer besteira que termine com –is. Até que o ciclo chega ao Chaves, que cita os “abacaxis” e, em seguida, se refere ao Nhonho como “petecas”. Não, não, não. Não tem o menor sentido. E nem é engraçado, afinal... peteca nunca foi sinônimo para gordinhos.

Acontece que não faz sentido mesmo na versão que vemos mensalmente no SBT ou no Cartoon Network. A coisa, porém, começa a ganhar forma no áudio original, em espanhol. E, lembrando que Chaves é uma série produzida no México, o entender da piada começa a tomar outro rumo a partir da pergunta do Professor Linguiça: as tribos em questão eram as que habitaram o México.

As respostas da turma também são bem diferentes e começam com o acerto do Nhonho: os astecas. E, também em espanhol, começa um vendaval de chutes sem sentidos que rimem com “astecas” – e nada de tupis. Caratecas, discotecas (nada de lambarês, como diz o Godines), bibliotecas... e então chegamos ao Chaves, que não fala nada relacionado a abacaxi. Veja, a partir dos 10:40:


Viram? O Chaves diz, inicialmente, que a tribo era a dos Nhonhos - referindo-se ao filho do Seu Barriga, não à comunidade ñoña, conforme já explicamos aqui há muito tempo. Mas o que tem a ver o Nhonho com as supostas tribos cujos nomes terminam em –teças? Tudo:

Los mantecas!

Sim, é isso mesmo que você está pensando: os manteigas. Não sei se preciso explicar, mas também não custa. Diferentemente do português brasileiro, no qual “manteiga” é sinônimo de alguém chorão ou molenga, em espanhol “manteca” está diretamente relacionado à gordura.

Então, da próxima ver que assistirmos a esse episódio... vamos lembrar que, no fundo, a piada original tem lá um certo significado. Mas é o que eu sempre digo: as sacadas originais que se perderam na tradução já se tornaram ultraengraçadas por maioria de votos.

E falando nisso...

Sabem quando o Chaves diz que a primeira coisa que os portugueses fizeram quando chegaram ao Brasil foi “enfeitar os índios”? Então... ok, admito que esse trocadilho com o “enfrentar os índios” é um tanto engraçado. Só que em espanhol é ainda mais engraçado.

Na versão original da aula, que na verdade trata da história do império asteca, eram os astecas quem protagonizavam o relato do Chaves – eles viam uma águia comendo uma serpente e blablablá. E qual foi a primeira coisa que os astecas fizeram quando viram essa cena?

Tuvieron que pegarte, bruto! – tiveram que te bater, idiota!

É engraçado, vai. Bem mais. Sobretudo porque no livro dizia que eles tiveram que “pagar tributo”.

Pois é.   

terça-feira, 31 de julho de 2012

As coisas mais lindas que eu nunca quis te dizer


Me dói muito pensar que algum dia da minha vida vou me lembrar de você como passado. Que a partir de algum dia tua imagem sempre esterá atrelada a bons momentos que vivi lá atrás, que foste responsável por um período feliz da minha vida nos anos que já são distantes. Talvez seja questão de costume, mas não ter você atrelada ao hoje, ao meu presente e ao meu futuro, me provoca uma sensação estranha.

É meio frustrante olhar para trás e ver que tantas coisas boas ficaram por lá; depois girar o pescoço e voltar minha cabeça para este período... estranho, para manter um mínimo de otimismo por aqui. Ando meio pessimista, para te falar a verdade – acho que você já percebeu.  

Acontece que não é fácil imaginar o quanto eu investi de tempo, coração, cabeça e alma para ser o melhor para você e que falhei. Sim, falhei, admito. Não há outra maneira de descrever essa sensação de olhar ao redor e ver que não sobrou nada de todos aqueles investimentos que fiz. É preciso admitir, meu melhor não foi o bastante para você.

Sei que agora estamos em um momento de desapego, estamos nos preparando para não nos falarmos nunca mais. Enquanto ainda há tempo, queria te dizer que... gosto muito de você. Apesar de tudo. E é por isso que... sabe? Torço por você. Quero que faças boas escolhas na tua vida, as melhores. Que encontres alguém que te queira e que te ame demais mesmo, que sejas mais feliz com que ele do que fomos nós dois.

Eu realmente quero que isso aconteça, porque... jamais vou te perdoar se você um dia for infeliz, se em algum momento precisar olhar para trás e perceba ali que não te sobrou nada senão boas lembranças do passado que quiseste mudar. Tomara que não se arrependa das tuas escolhas.

Bonito, né? Até meio poético. Mas é verdade, ainda que não seja tão fácil acreditar. É que a gente percebe determinadas coisas quando é possível analisar mais friamente. Chegamos a um momento em que eu sinto mais falta, em que eu quero mais te ver, em que eu quero mudar as coisas, em que eu quero mudar o mundo para você.  

Chegamos a um momento de dizer um “para sempre” que seja de verdade.

Vai ser assim para sempre, bonita.

Assim como eu vou me lembrar de você para sempre. 

sábado, 28 de julho de 2012

Foi tão efêmero


Houve um momento em que percebi que iria guardar você para sempre na minha vida, e talvez você nem tenha se dado conta de quando isso aconteceu – porque não foi na primeira vez que te disse que te queria e nem quando admiti (para mim mesmo) que te amava.

Foi depois de tudo isso, pra te falar a verdade. Alguns dias depois.

Aconteceu em um domingo, depois que você teve que voltar para casa. Fingi que fui para o ponto de ônibus, mas na verdade acabei parando logo que passei pela porta do shopping do lado da tua casa, sentei em um cantinho e me rendi. É, foi ali.

Ali eu sabia que você já estava marcada para sempre na minha vida, e que nunca mais eu conseguiria lidar com a possibilidade de um dia você não estar mais. E ali eu chorei, sem parar, por quase uma hora. Talvez antevendo que um dia seria preciso conviver sem você.

Chorei pelo eu de hoje, que, de algum jeito, avisava ao eu daquele dia o que ele estava fazendo. Chorei pelo que os felizes e radiantes eus daqueles dois anos em diante fariam ao eu cético de hoje, que acha que tudo foi tão efêmero e que teme nunca mais te ver de novo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Entenda as piadas sem sentido do Chaves: Não se diz cagueta, se diz chupeta

Há um certo tempo eu havia tentado desvendar tal piada, mas não tinha sido capaz sequer de entender o que era dito em espanhol. O tempo passou, porém, e resolvi tentar rever o episódio “Caçando Lagartixas” para ver se minha compreensão melhorava. E não é que, neste momento, tive uma epifania e tudo resolveu fazer sentido na minha cabeça?

Pois bem. Lembram-se neste episódio (inesquecível para mim, dada a voz irritante da dublagem do Chaves), logo no comecinho, quando o Seu Madruga vai ralhar com o nosso querido menino da Vila por ter dito à Dona Florinda que não havia pedra naquele estilingue? Pois bem. Ali começa um dos diálogos mais sem sentido do seriado, especialmente na versão dublada. E é dali que sai a famosa frase “não se diz cagueta, se diz chupeta”, que, imagino eu, sempre tenha carecido de uma explicação sóbria e sensata. Mas vejamos, a partir dos 2:00:

Toda essa confusão tem início por causa de um maldito verbo em espanhol que não temos (não em tradução perfeita) no português: o tal do echar, que pode significar muitas coisas. Um hispanohablante echa de menos quando tem saudade, echale sal quando salga alguma comida, echa a perder quando desperdiça algo, echa quando demite alguém... enfim, são nada menos do que 48 significados possíveis, de acordo com a Real Academia Espanhola. Isso sem falar em locuções, gírias ou regionalismos.

E é daí que sai o echar de cabeza, expressão usada pelo Seu Madruga quando o Chaves o dedura para a Dona Florinda. Só que, analisando friamente, não seria tão absurdo assim encontrar outro significado para tal declaração. Confira, no áudio original (adiante até os 2:50):

O Chaves se limita a entender a versão mais “clássica” do echar: “jogar de cabeça”. E responde que alguém que “echa de cabeza” outra pessoa é um lutador (e não carrasco!), porque “agarram o outro lutador e jogam de cabeça no ringue e ganham porque o juiz levanta a mão dele”. Perceberam como o gestual dele durante a fala tem mais sentido?

Mas, o que vem a seguir, é um festival de bobagens do Chaves para as perguntas do angustiado Seu Madruga, que diz se referir a pessoas “delatoras” – ou caguetas. Mas qualquer coisa menos isso foi entendida, basta ver a risada do garoto do barril: “não se diz de la tora (ou “da toura”, em português), se diz ‘de la vaca’”, responde ele.

Viram só? É apenas uma piadinha ingênua, simples... e que não tem naaaada a ver com a tal da chupeta. Só que, convenhamos, não era nada fácil encontrar alguma conversa com sentido para tal passagem tão desconexa (e engraçada!) da versão original, não é verdade? Até o próprio Seu Madruga admite que os dois não estavam falando no mesmo idioma.

Na sequência, aproveitando o cortejo, vamos desmascarar que “o dedo duro é o dedo esticado” (ainda que não deixe de ser verdade).

Seu Madruga pergunta (em espanhol) se o Chaves sabe o que é um traidor (e não um dedo-duro). A resposta simplória do garoto é dizer que um “traidor” é alguém que traz coisas – tem lá seu sentido, já que “trazer”, em castelhano, é “traer”. E um “traedor”, pensando assim, pode ser encarado como alguém que “traz coisas”.

Contentes? Tomara.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Entenda as piadas sem sentido do Chaves: O Imperador Carlos V ainda não chegou

Voltemos à ativa após muito tempo - e também depois de perceber que vocês, leitores, estão mais interessados em obter respostas para as piadas sem sentido do Chaves do que em ler textos sobre minhas desilusões amorosas. Eu entendo vocês.

E muita coisa mudou desde que eu havia interrompido esta série sobre as explicações para as piadas traduzidas do Chaves. Até o SBT resolveu nos brindar com uma série de episódios (semelhantes ou perdidos) que não eram apresentados havia décadas!

E, bom, reiniciemos esta série com um desses Episódios Perdidos: "A Sobrinha da Dona Clotilde".

 

Logo no começo deste episódio (6:20) vemos o Seu Madruga perguntando ao Quico onde estava a Dona Florida, ao passo que o bochechudo não hesita em questionar seu famoso "da parte de quem?". Seu Madruga, então, afirma que está lá em nome do Imperador Carlos V - para a surpresa do Quico, que pergunta se o famoso rei já chegou.

É difícil imaginar que o Quico saiba realmente quem foi Carlos V - no caso, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e, mais tarde, imperador da Espanha. Mas o filho da Dona Florinda tinha uma noçãozinha, como podemos ver logo depois do instante 7:00.



É por isso que o Quico pergunta, na versão original em espanhol, se o Seu Madruga havia virado vendedor de chocolates. E por quê? Bom, simples: porque Carlos V é o nome de uma popular barra de chocolates da Nestlé vendida no México.

Ainda em tempo, vale explicar os erros de ortografia que a Dona Florinda menciona no cartaz feito pelo Seu Madruga. No letreiro, como é mostrado em determinado momento, consta: "En esta becinda estan proividos los animales y los niños chiquititos".

Há cinco erros aí, e dois deles são muito comuns em espanhol como os erros que vemos corriqueiramente em português com as trocas de S, SS, XC, Ç... trata-se da troca do B pelo V, como já vimos anteriormente. E pessoas de menos instrução, com certa frequência, cometem erros assim - e também outros, como omitir letras que não são pronunciadas (como os Ds mudos, os Hs neutros... e por aí vai).

Vizinhança, em espanhol, se escreve vecindad, mas se pronuncia "becindá". Já a palavra proibidos, em espanhol, escreve-se "prohibidos" - e se lê "proibidos". Mas, lembramos, é muito comum confundir o som de V e B em espanhol. Assim como, em alguns lugares, não é tão absurdo assim se encontrar por aí a grafia de "poio" para "pollo", ou frango. Assim é a vida. Já o quinto erro nada mais é que a falta de acento em "están".

Sinceramente? Foi bom voltar.