Não xadrez, aquele jogo tradicionalíssimo em que se senta em uma cadeira dura em frente a um tabuleiro quadriculado com peças de madeira e passa minutos movendo peça para cá e para lá, batendo dama ou cavalo com certa força sobre a mesa e dizendo xeque.
Voltei a jogar xadrez, mas web-xadrez. Lembrei que tinha comprado o Chessmaster em uma pechincha, por apenas 29 pratas, e que não havia instalado neste computador, e resolvi jogar. Não é aquela mística do estilo tradicional, com alguém do outro lado da mesa pensando tanto quanto você, mas... já é alguma coisa.
É legal ver como o jogo estimula sua forma de pensar e sua atuação no tabuleiro reflete seu momento pessoal. Já joguei xadrez caindo de sono ou antes de acordar e levei um pau do computador. Já pratiquei bem acordado, depois de alguns cafés, e consegui vitórias incríveis. Mas não é só isso, e eu explico a seguir.
É até assustador ver como certos detalhes da minha personalidade influenciam, sempre negativamente, meu jogo. Quase nunca consigo esconder um ataque, assim como raramente meus planos mirabolantes sempre são sacados por alguém antes mesmo de eu pô-los em prática. Sem falar nas atitudes pouco arquitetadas ou pensadas, que eu tomo no tabuleiro assim como na vida real e muitas vezes me estrepo.
Blábláblá à parte, estou voltando a adquirir a boa forma no xadrez. Ainda não estou nem perto do ritmo que eu tinha em 1999, quando aprendi a jogar, fazia aula, conhecia várias aberturas, táticas, macetes e até ganhei a medalha de ouro nas olimpíadas inter-escolares. Mas é bom perceber que, aos poucos, estou pegando o jeito novamente.
Sempre gostei desse Chessmaster, jogo que eu conheci justamente quando fazia aulas. É bom, prático, eu sempre tenho com quem jogar, posso encontrar adversários no computador de diferentes níveis e estilos. Alguns mais rápidos, outros mais pensativos, estratégicos, impulsivos... é bem diversificado.
Mas... não sei. Sinto falta de bater a peça com forma na mesa e falar xeque. Ou colocá-la suavemente na casa e não comentar nada, esperando a outra pessoa perceber o xeque e perdendo tempo enquanto não percebe. Falando em tempo, sinto falta de fazer um movimento e bater rapidamente no relógio de tempo. E de enganar o adversário, batendo suavemente sem que ele percebesse. Para reforçar, eu ainda fingia pensar mil vezes em um movimento fajuto. Confesso, cansei de fazer isso quando tinha 11 anos.
Sinto falta do barulho que eu fazia com as peças quando capturava as do rival. Em Buenos Aires, joguei xadrez com um alemão diretor de cinema e ele fez questão de aprender esse estilo de chocar uma peça com a outra.
Humm... para falar a verdade, sinto falta de um xadrez de verdade.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Inversão de valores
Uma coisa que realmente me incomoda é você ter a sorte grande de encontrar um espaço no meio-fio onde seu carro se encaixa e, basta você desligar o motor, aparece um cara com boné e bigode ralo fazendo um jóia com a mão e prometendo dar a vida pelo veículo. Tudo, é claro, em troca de algum trocado assim que você sair de perto. Do contrário, ele mesmo será o primeiro a destruir sua lataria e amaldiçoar você e suas próximas oito gerações.
Fico bem de cara em dar as moedas. Olhando por certo ponto, não deixa de ser um assalto. Amigável, mas um assalto. Mesmo assim, acabei cedendo e até deixei algumas moedas no meu carro já para ter algum troco à mão na hora de parar meu carro na rua. Mas pouco disso realmente interessa em relação ao que vem pela frente.
Acontece que parei meu carro na sexta-feira em um canto da Praça Roosevelt para tomar algumas limonadas em um dos bares mais legais da cidade – o tal do Papo, Pinga e Petisco. Antes mesmo de estacionar, um tal cara de boné e bigode ralo já fez sinal de que protegeria meu carro até da chuva que estava por vir e eu apenas concordei.
Então saí do carro e ouvi os termos do contrato: “Cinco conto e tá beleza”, ele disse. Respondi que acertaríamos na volta e ele não aceitou. “É que eu vou comer um dog enquanto olho seu carro, patrão”. Argumentei que não tinha trocado ali na hora (o que era verdade), mas deveria ter umas duas pratas no carro (eu deveria ter mais, talvez os cinco) e depois completava o resto. Ele concordou, eu peguei umas quatro moedas e entreguei a ele.
Então, assim que acionei o alarme do meu carro, o tal do guardião por uma noite tentou ser simpático comigo. “Você é gente fina. Burguês, mas é gente fina”. Não dei muita atenção, mas... parando para pensar, não entendi patavinas do que ele disse. Quer dizer... ao pé da letra, não.
Quando eu estava no colégio, na sétima série o professor de História explicou o que era um burguês: aquele que detinha os meios de produção do seu trabalho. E eu... bom, no meu trabalho, eu não tenho o domínio de um site, não faço os reparos técnicos, não uso o meu próprio computador e nem me sento à minha cadeira. Eu seria burguês se tivesse tudo isso, e não só as canetas que uso para fazer rabiscos e anotações durante o expediente.
Na verdade, o burguês da conversa era ele mesmo. Mas é claro, oras. Uma vez que o serviço dele é guardar carros, ele só precisa dele mesmo para realizar o serviço. Outro meio de produção que ele pode usar é o colete verde-água, que... ele mesmo comprou. E depois ele iria comer o hot-dog com o meu dinheiro, em alguma barraquinha de um burguês – dono do pão, da salsicha, dos condimentos e da própria van.
Pensando bem, ele era o burguês da história. Mas é tão mais simples dizer que alguém em uma condição financeira melhor é ‘burguês’ que o real sentido da expressão já é perdido por aí. Ele chamaria de burguês um fazendeiro – que, na tal designação histórica, seria o produtor rural.
Mas quem sou eu para explicar a ele tudo isso? Sou apenas o mero proletário. Que nem dorme de meias para ser burguês...
Fico bem de cara em dar as moedas. Olhando por certo ponto, não deixa de ser um assalto. Amigável, mas um assalto. Mesmo assim, acabei cedendo e até deixei algumas moedas no meu carro já para ter algum troco à mão na hora de parar meu carro na rua. Mas pouco disso realmente interessa em relação ao que vem pela frente.
Acontece que parei meu carro na sexta-feira em um canto da Praça Roosevelt para tomar algumas limonadas em um dos bares mais legais da cidade – o tal do Papo, Pinga e Petisco. Antes mesmo de estacionar, um tal cara de boné e bigode ralo já fez sinal de que protegeria meu carro até da chuva que estava por vir e eu apenas concordei.
Então saí do carro e ouvi os termos do contrato: “Cinco conto e tá beleza”, ele disse. Respondi que acertaríamos na volta e ele não aceitou. “É que eu vou comer um dog enquanto olho seu carro, patrão”. Argumentei que não tinha trocado ali na hora (o que era verdade), mas deveria ter umas duas pratas no carro (eu deveria ter mais, talvez os cinco) e depois completava o resto. Ele concordou, eu peguei umas quatro moedas e entreguei a ele.
Então, assim que acionei o alarme do meu carro, o tal do guardião por uma noite tentou ser simpático comigo. “Você é gente fina. Burguês, mas é gente fina”. Não dei muita atenção, mas... parando para pensar, não entendi patavinas do que ele disse. Quer dizer... ao pé da letra, não.
Quando eu estava no colégio, na sétima série o professor de História explicou o que era um burguês: aquele que detinha os meios de produção do seu trabalho. E eu... bom, no meu trabalho, eu não tenho o domínio de um site, não faço os reparos técnicos, não uso o meu próprio computador e nem me sento à minha cadeira. Eu seria burguês se tivesse tudo isso, e não só as canetas que uso para fazer rabiscos e anotações durante o expediente.
Na verdade, o burguês da conversa era ele mesmo. Mas é claro, oras. Uma vez que o serviço dele é guardar carros, ele só precisa dele mesmo para realizar o serviço. Outro meio de produção que ele pode usar é o colete verde-água, que... ele mesmo comprou. E depois ele iria comer o hot-dog com o meu dinheiro, em alguma barraquinha de um burguês – dono do pão, da salsicha, dos condimentos e da própria van.
Pensando bem, ele era o burguês da história. Mas é tão mais simples dizer que alguém em uma condição financeira melhor é ‘burguês’ que o real sentido da expressão já é perdido por aí. Ele chamaria de burguês um fazendeiro – que, na tal designação histórica, seria o produtor rural.
Mas quem sou eu para explicar a ele tudo isso? Sou apenas o mero proletário. Que nem dorme de meias para ser burguês...
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Obelisco de Buenos Aires (una mula, II)
Uma vez eu estava num táxi andando pela Avenida Corrientes, lá em Buenos Aires, andando por uma região que era tipo o centro financeiro da Argentina. Era de tarde, umas 16 horas, o céu estava azul bem clarinho e o sol, brilhando. Um dia bem bonito.
Do táxi na Corrientes eu vi, lá no final da rua, o Obelisco. Aquela torre branca, fininha, que é um dos pontos turísticos de Buenos Aires. A cor do monumento contrastou bem com aquela tarde, e eu fiquei olhando bem o aproximar do edifício histórico. Então, passando pelo Obelisco, vi que não era nada de mais. Só um monte de cimento.
Tudo bem, o Obelisco portenho é bonito. Mas notei alguma coisa bem estranha meses depois, dirigindo pela 23 de Maio em um dia ensolarado. Olhei uma hora lá para o fim da avenida e lá estava o Obelisco do Ibirapuera. E eu me senti em Buenos Aires.
É um tanto estranho. Eu passava várias vezes em frente ao Obelisco aqui de São Paulo todas as semanas, quando ia ao Ibirapuera com meu pai aos sábados no começo da década de 1990. Lembro que até entrei para ver o que tinha lá dentro: vários túmulos. O monumento era bonito por fora, trágico por dentro.
Estou enrolando, eu sei, sendo que no fundo eu queria entender só por que, toda vez que passo pelo Obelisco, eu me sinto em Buenos Aires. E não por que diabos eu não me senti em São Paulo passando por monumento parecido na Argentina.
Pensando bem, acho que é porque eu não consigo ver São Paulo como uma cidade turística. Tive até uma conversa sobre isso em Buenos Aires com o dono do meu albergue: ele dizia que os argentinos exploravam mal o turismo e que o Brasil era incrível. Eu, claro, tinha opinião totalmente contrária.
Não consigo ver a minha cidade como ponto atrativo para turistas. É apenas uma cidade gigantesca, sem nada de lá muito sedutor: uns parques, umas avenidas... e só. Sei que em São Paulo o que pega é o turismo financeiro, mas... sei lá. No fundo no fundo, acho que sei qual é a minha: apenas falta de criatividade. Porque moro em uma cidade gigantesca e com mil coisas para fazer... e chega sábado à noite e nunca sei para onde ir.
E sim, eu sou uma mula.
Do táxi na Corrientes eu vi, lá no final da rua, o Obelisco. Aquela torre branca, fininha, que é um dos pontos turísticos de Buenos Aires. A cor do monumento contrastou bem com aquela tarde, e eu fiquei olhando bem o aproximar do edifício histórico. Então, passando pelo Obelisco, vi que não era nada de mais. Só um monte de cimento.
Tudo bem, o Obelisco portenho é bonito. Mas notei alguma coisa bem estranha meses depois, dirigindo pela 23 de Maio em um dia ensolarado. Olhei uma hora lá para o fim da avenida e lá estava o Obelisco do Ibirapuera. E eu me senti em Buenos Aires.
É um tanto estranho. Eu passava várias vezes em frente ao Obelisco aqui de São Paulo todas as semanas, quando ia ao Ibirapuera com meu pai aos sábados no começo da década de 1990. Lembro que até entrei para ver o que tinha lá dentro: vários túmulos. O monumento era bonito por fora, trágico por dentro.
Estou enrolando, eu sei, sendo que no fundo eu queria entender só por que, toda vez que passo pelo Obelisco, eu me sinto em Buenos Aires. E não por que diabos eu não me senti em São Paulo passando por monumento parecido na Argentina.
Pensando bem, acho que é porque eu não consigo ver São Paulo como uma cidade turística. Tive até uma conversa sobre isso em Buenos Aires com o dono do meu albergue: ele dizia que os argentinos exploravam mal o turismo e que o Brasil era incrível. Eu, claro, tinha opinião totalmente contrária.
Não consigo ver a minha cidade como ponto atrativo para turistas. É apenas uma cidade gigantesca, sem nada de lá muito sedutor: uns parques, umas avenidas... e só. Sei que em São Paulo o que pega é o turismo financeiro, mas... sei lá. No fundo no fundo, acho que sei qual é a minha: apenas falta de criatividade. Porque moro em uma cidade gigantesca e com mil coisas para fazer... e chega sábado à noite e nunca sei para onde ir.
E sim, eu sou uma mula.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
1 é pouco e 2 são bons?
Eu não sou o tipo de cara que gosta de carros. Que sabe o modelo, o ano de fabricação, a potência do motor e tudo mais apenas ouvindo o som do tal bólido ou vendo um detalhe aparentemente irrelevante, como por exemplo a fechadura do porta-malas.
Eu, definitivamente, não gosto de carros. Nos últimos meses passei a saber diferenciar alguns modelos, mas nada muito espetacular. Um Uno alheio do meu, ou alguns tipos de Palio. Mas tudo isso era só para dizer que eu não sou fanático por carros.
Quer dizer... por carros, de uma forma geral, não. Mas tem uma parte dele que realmente me fascina: o limpador de pára-brisas. É sério. Desde pequeno, quando andava com mamãe no carro dela, achava demais o funcionamento daquele rodinho estilizado. Adorava quando chovia e eu via a palheta ir de um lado para o outro...
Aí eu percebi que era apenas o carro da mamãe que tinha um limpador de pára-brisa dianteiro. Todos os outros modelos que não o Uno tinham duas peças para o vidro. Entrei em um ferrenho jogo interno de argumentação: meu lado otimista, visionário e sonhador dizia que o modelo de palheta única era melhor. Já meu lado chato dizia o contrário, que éramos precários.
Eu explico: o lado Felipinho Held argumentava: “É bem mais legal ter só um limpador. A marca que fica no vidro é mais bonita, trata-se de um modelo único e é muito mais prático já que uma peça faz o trabalho de duas”. O lado Felipe Held, o Velho, rebatia: “Mas o outro é mais rápido, a cobertura de área do vidro é maior... e se todo mundo tem, é porque também é melhor”.
Quase todos dias eu pensava nisso indo da minha casa para a casa da minha avó e de lá para a escola. Então quase dez anos se passaram sem eu nem pensar nisso até que meu primeiro carro é justamente... tcha-ram, um Uno.
Tem vezes, no meio do trânsito, eu não tenho nada pra fazer e fico limpando o pára-brisa. Só pra ver ele funcionar – e também deixar o vidro bem transparente. Quando chove, fico mudando a cada quarteirão a velocidade do limpador. E... meu carro tem limpador de vidro traseiro, então a diversão é ainda maior! (eu pareço uma criança falando).
Mas aí teve um dia, eu peguei o carro da minha mãe e me deparei com um limpador de pára-brisas de palhetas duplas. Funcionava bem mais rápido. E eu voltei a me questionar qual a droga do tipo de limpador que era melhor.
Dia desses, indo para Barueri, estava no banco da frente de um dos carros do trabalho e estava chovendo forte. Limpador duplo. Fiquei ali olhando o funcionamento das peças por um bom tempo, vendo que o da direita era menor e ele só ajeitava a água para o outro, o da esquerda e maior, tirar do vidro.
Então o motorista do carro me olhou de rabo de olho, talvez se perguntando por que meus olhos brilhavam olhando as duas palhetas. E eu percebi que, para o meu próprio bem, era melhor eu parar de ficar perdendo tanto tempo pensando coisas tão bestas.
Eu, definitivamente, não gosto de carros. Nos últimos meses passei a saber diferenciar alguns modelos, mas nada muito espetacular. Um Uno alheio do meu, ou alguns tipos de Palio. Mas tudo isso era só para dizer que eu não sou fanático por carros.
Quer dizer... por carros, de uma forma geral, não. Mas tem uma parte dele que realmente me fascina: o limpador de pára-brisas. É sério. Desde pequeno, quando andava com mamãe no carro dela, achava demais o funcionamento daquele rodinho estilizado. Adorava quando chovia e eu via a palheta ir de um lado para o outro...
Aí eu percebi que era apenas o carro da mamãe que tinha um limpador de pára-brisa dianteiro. Todos os outros modelos que não o Uno tinham duas peças para o vidro. Entrei em um ferrenho jogo interno de argumentação: meu lado otimista, visionário e sonhador dizia que o modelo de palheta única era melhor. Já meu lado chato dizia o contrário, que éramos precários.
Eu explico: o lado Felipinho Held argumentava: “É bem mais legal ter só um limpador. A marca que fica no vidro é mais bonita, trata-se de um modelo único e é muito mais prático já que uma peça faz o trabalho de duas”. O lado Felipe Held, o Velho, rebatia: “Mas o outro é mais rápido, a cobertura de área do vidro é maior... e se todo mundo tem, é porque também é melhor”.
Quase todos dias eu pensava nisso indo da minha casa para a casa da minha avó e de lá para a escola. Então quase dez anos se passaram sem eu nem pensar nisso até que meu primeiro carro é justamente... tcha-ram, um Uno.
Tem vezes, no meio do trânsito, eu não tenho nada pra fazer e fico limpando o pára-brisa. Só pra ver ele funcionar – e também deixar o vidro bem transparente. Quando chove, fico mudando a cada quarteirão a velocidade do limpador. E... meu carro tem limpador de vidro traseiro, então a diversão é ainda maior! (eu pareço uma criança falando).
Mas aí teve um dia, eu peguei o carro da minha mãe e me deparei com um limpador de pára-brisas de palhetas duplas. Funcionava bem mais rápido. E eu voltei a me questionar qual a droga do tipo de limpador que era melhor.
Dia desses, indo para Barueri, estava no banco da frente de um dos carros do trabalho e estava chovendo forte. Limpador duplo. Fiquei ali olhando o funcionamento das peças por um bom tempo, vendo que o da direita era menor e ele só ajeitava a água para o outro, o da esquerda e maior, tirar do vidro.
Então o motorista do carro me olhou de rabo de olho, talvez se perguntando por que meus olhos brilhavam olhando as duas palhetas. E eu percebi que, para o meu próprio bem, era melhor eu parar de ficar perdendo tanto tempo pensando coisas tão bestas.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Assuntos superficiais e mal-explorados
O Campeonato Brasileiro acabou e geralmente não se tem nada para fazer no mundo do futebol. Não que se tenha normalmente, mas nesta época o noticiário é bem fraquinho.
Mas, por uma sucessão de folgas e férias na redação, fiquei a cargo do Palmeiras. Uma avalanche de boatos, muitas repetições e blablá. É legal, mas cansa um bocado. Telefone na mão, tentativa de falar com mil dirigentes... e F5 nos concorrentes para ver se não estou levando furo.
Apesar de ser muito mais fácil cobrir seu clube de coração, é meio estressante. E percebi meu estresse acumulado saindo do estacionamento, na Paulista. Percebi que havia um moleque de uns 8 anos no carro da frente virado para mim mostrando a língua.
Ficou nessa um bom tempo. Até que eu percebi que aquela língua feia era para mim e respondi bem chulamente: com o dedo do meio. Ficamos nessa por uns 10s, até que ele se escondeu. Depois voltou com a língua, e eu com o dedo.
Mostrei para o Mé, o carona do dia. Ele ameaçou me repreender: “Pô, mas é só um moleque tosco”, argumentou. Contra-argumentei: “Eu sei. Mas se ele estivesse dando um tchauzinho, sei lá, eu faria um jóia e tal. Ele sabe que mostrar a língua é feio. E este é o gesto mais feio que eu conheço”. O Mé concordou e também mostrou o dedo.
--
Meu projeto deÚnico Trabalho Sério da Faculdade Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado sem restrição. Agora eu tenho caminho livre para começar uma biografia sem falar com a minha biografada. Faltam 11 meses para a entrega e... dá uma preguiça enorme começar.
--
É extremamente engraçado quando você está no bar, sentado às mesas colocadas na calçada da Avenida Paulista, e passa um velhinho branquelo, barbudo e de cabelos e barbas brancas. Sempre tem alguém que chama a atenção de todos para a passagem do Papai Noel.
Mais engraçado ainda é quando você está no bar nas mesmas condições citadas anteriormente e o tal do Papai Noel se vira para o cara ao seu lado, quem puxou a atenção, e diz: “Pois eu tenho uma notícia bem ruim para você: o Papai Noel este ano não vai entregar presentes pra viados que nem você”.
--
Em contrapartida, é decepcionante quando você espera o ano inteiro pela cesta de natal da empresa onde você gasta 50, 60 e às vezes até 75% do seu dia. E aí, na hora de pegar a cesta, recebe um panetone com umas bolachinhas.
Mas, por uma sucessão de folgas e férias na redação, fiquei a cargo do Palmeiras. Uma avalanche de boatos, muitas repetições e blablá. É legal, mas cansa um bocado. Telefone na mão, tentativa de falar com mil dirigentes... e F5 nos concorrentes para ver se não estou levando furo.
Apesar de ser muito mais fácil cobrir seu clube de coração, é meio estressante. E percebi meu estresse acumulado saindo do estacionamento, na Paulista. Percebi que havia um moleque de uns 8 anos no carro da frente virado para mim mostrando a língua.
Ficou nessa um bom tempo. Até que eu percebi que aquela língua feia era para mim e respondi bem chulamente: com o dedo do meio. Ficamos nessa por uns 10s, até que ele se escondeu. Depois voltou com a língua, e eu com o dedo.
Mostrei para o Mé, o carona do dia. Ele ameaçou me repreender: “Pô, mas é só um moleque tosco”, argumentou. Contra-argumentei: “Eu sei. Mas se ele estivesse dando um tchauzinho, sei lá, eu faria um jóia e tal. Ele sabe que mostrar a língua é feio. E este é o gesto mais feio que eu conheço”. O Mé concordou e também mostrou o dedo.
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Meu projeto de
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É extremamente engraçado quando você está no bar, sentado às mesas colocadas na calçada da Avenida Paulista, e passa um velhinho branquelo, barbudo e de cabelos e barbas brancas. Sempre tem alguém que chama a atenção de todos para a passagem do Papai Noel.
Mais engraçado ainda é quando você está no bar nas mesmas condições citadas anteriormente e o tal do Papai Noel se vira para o cara ao seu lado, quem puxou a atenção, e diz: “Pois eu tenho uma notícia bem ruim para você: o Papai Noel este ano não vai entregar presentes pra viados que nem você”.
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Em contrapartida, é decepcionante quando você espera o ano inteiro pela cesta de natal da empresa onde você gasta 50, 60 e às vezes até 75% do seu dia. E aí, na hora de pegar a cesta, recebe um panetone com umas bolachinhas.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
37,8ºC
Não sei bem o que me aconteceu, mas o fato é que estou com febre.
Quer dizer... eu até sei o que aconteceu. Se você somar noites de pouco sono a janelas abertas, uma alimentação à base de bananas nos últimos dias (estão baratas no mercado, veja só), o botãozinho do filtro de água gelada ligado e uns sorvetes aqui e ali... além de uma mudança brutal de temperatura... acho que algo tem que acontecer.
Percebi ontem que as coisas não iam lá muito bem. Sem muita explicação, no almoço, notei que meu rosto estava suando absurdos. Pensei que era por causa da mudança de tempo, sei lá por que imaginei isso... mas sei lá.
Eu não sei bem o que eu tenho, se resfriado, virose, gripe ou alguma outra coisa ou até mesmo frescura. O fato é que ficar com febre é algo bem interessante. Hum... interessante não, dã! Acho que é mais... ahn, curioso? Que seja.
Durante a febre, você tem uma alternância gigantesca de sensações térmicas. E nada é condizente com a temperatura ambiente. Pode estar um puta dum calor e você está lá, com frio. Aí realmente o clima esfria e você começa a suar desesperadamente, quase derretendo.
As temperaturas, aliás, não fazem mesmo sentido. Hoje, por exemplo, tomei o banho mais gostoso dos últimos tempos. E olha que o chuveiro aqui de casa tem apenas três temperaturas: quente, quente pra burro e água pra ferver macarrão. O chuveiro daqui de casa é horrível em tempos de verão.
Nesses momentos, todo o seu corpo dói. Dói o cotovelo esquerdo, apoiado na cama enquanto eu digito essas baboseiras. Dói a minha garganta. Dói o meu couro cabeludo, além de toda a minha cabeça. Doem também o joelho direito, as costas, o joelho esquerdo... Dói até o olho, quando tento olhar para o lado.
Mas sabe o que é mais legal em dias febris? A vontade de não sair da cama e o sono intenso. Um sono forte que bate mesmo sendo quase manhã para mim: as 9 da noite. E quer saber de uma coisa? Vou lá para minha cama, quentinha, fechar a minha janela e me enfiar debaixo de dois cobertores. Ligar o rádio em algum jornal e acordar só amanhã de manhã.
...
Ah, esqueci de falar que é horrível acordar com febre. Todos os sintomas descritos anteriormente se potencializam e a vida se torna um inferno. Mas deixa que com isso eu me preocupo amanhã de manhã.
Quer dizer... eu até sei o que aconteceu. Se você somar noites de pouco sono a janelas abertas, uma alimentação à base de bananas nos últimos dias (estão baratas no mercado, veja só), o botãozinho do filtro de água gelada ligado e uns sorvetes aqui e ali... além de uma mudança brutal de temperatura... acho que algo tem que acontecer.
Percebi ontem que as coisas não iam lá muito bem. Sem muita explicação, no almoço, notei que meu rosto estava suando absurdos. Pensei que era por causa da mudança de tempo, sei lá por que imaginei isso... mas sei lá.
Eu não sei bem o que eu tenho, se resfriado, virose, gripe ou alguma outra coisa ou até mesmo frescura. O fato é que ficar com febre é algo bem interessante. Hum... interessante não, dã! Acho que é mais... ahn, curioso? Que seja.
Durante a febre, você tem uma alternância gigantesca de sensações térmicas. E nada é condizente com a temperatura ambiente. Pode estar um puta dum calor e você está lá, com frio. Aí realmente o clima esfria e você começa a suar desesperadamente, quase derretendo.
As temperaturas, aliás, não fazem mesmo sentido. Hoje, por exemplo, tomei o banho mais gostoso dos últimos tempos. E olha que o chuveiro aqui de casa tem apenas três temperaturas: quente, quente pra burro e água pra ferver macarrão. O chuveiro daqui de casa é horrível em tempos de verão.
Nesses momentos, todo o seu corpo dói. Dói o cotovelo esquerdo, apoiado na cama enquanto eu digito essas baboseiras. Dói a minha garganta. Dói o meu couro cabeludo, além de toda a minha cabeça. Doem também o joelho direito, as costas, o joelho esquerdo... Dói até o olho, quando tento olhar para o lado.
Mas sabe o que é mais legal em dias febris? A vontade de não sair da cama e o sono intenso. Um sono forte que bate mesmo sendo quase manhã para mim: as 9 da noite. E quer saber de uma coisa? Vou lá para minha cama, quentinha, fechar a minha janela e me enfiar debaixo de dois cobertores. Ligar o rádio em algum jornal e acordar só amanhã de manhã.
...
Ah, esqueci de falar que é horrível acordar com febre. Todos os sintomas descritos anteriormente se potencializam e a vida se torna um inferno. Mas deixa que com isso eu me preocupo amanhã de manhã.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Yo soy una mula, capítulo I
Várias vezes por semana, talvez até por dia, me dou conta de que minha certeza sobre mim mesmo é a maior furada.
Inúmeras coisas das quais eu estava crente que dariam tudo certo se mostram, passados alguns meses, semanas, dias, horas e até minutos, uma idiotice por completo.
Na maioria desses casos, fico sem reação aparente. Mas, por dentro, não deixo passar uma frase-lema para esses momentos: "Yo soy uma mula". Assim, em portunhol mesmo. Sei lá por que, mas o fato é que isso acontece.
Uma prova disso aconteceu essa semana. E, já me dando conta de que esse acervo de self-pataquadas poderia render pelo menos alguma coisa interessante, resolvi inaugurar esta série à parte deste blog: a seção Una mula, que poderá ser atualizada semanalmente ou diariamente. Embora, claro, eu espere que fique mesmo só neste primeiro capítulo.
--
Tenho minha idéia de tema para oÚnico Trabalho Sério da Faculdade Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) já tem muitos meses. Um ano, se bobear. Até que um dia, um sábado qualquer após receber um bolo de tédio, resolvi fazer meu projeto.
Era agosto, eu acho. Quatro meses antes da entrega. Para deixar tudo pronto. Imprimi algumas cópias, mostrei uma para o meu professor de introdução a essa bagaça e outra para o Celso,que jogou pedra na cruz e como castigo recebeu a missão de me ajudar nessa parada meu orientador. Todos deram uns toques aqui e ali e pronto.
Aí eu tive a brilhante idéia de mostrar para o Erick, meu chefe, que por muitos anos cobriu tênis na carreira e poderia também me ajudar. Ele me deu muitas, muitas dicas. Apontou fontes interessantes e indicou um nome ou outro por aqui que poderiam ser de vital importância para a realização do projeto.
Fiz as anotações a lápis no papel e guardei tudo bonitinho na minha mochila, para “anotar tudo no arquivo do Word” quando eu chegasse em casa. E aí o tempo passou, o tempo passou, o tempo passou... o tempo passou mesmo, e eu sempre deixava essa atualização para amanhã. Chegou dezembro, dia da entrega do projeto, e eu lembrei que precisava dar um update no arquivo.
Tirei todos os papéis dobrados no bolso em questão da mochila. Encontrei muita coisa: apostilasde uma matéria picareta que eu nunca li, conversas por bilhetes com uma ou outra amiga de sala... até envelope de revelação fotográfica (uau!). Mas nada, nada do projeto de TCC.
Agora eu não lembro mais os nomes das fontes quentes que meu chefe indicou. Não sei mais quem é o cara que podesalvar a minha vida fazer a intermediação para eu conseguir falar com meu biografado. Não sei onde diabos aquela droga de papel foi parar. Agora, alforriado de férias da faculdade, estava pensando em começar tudo logo. Mas... e agora, cara-pálida?
Vou aproveitar essa semana e voltar para o meu chefe: “Então, Erick, a besta aqui perdeu aquele papel cheio de anotações pro trabalho, você poderia me passar de novo, por favor?”. Mas, por enquanto, fico com a voz de censura aqui dentro da minha cabeça, que me lembra: “Usted é una mula, Felipe Held”.
Inúmeras coisas das quais eu estava crente que dariam tudo certo se mostram, passados alguns meses, semanas, dias, horas e até minutos, uma idiotice por completo.
Na maioria desses casos, fico sem reação aparente. Mas, por dentro, não deixo passar uma frase-lema para esses momentos: "Yo soy uma mula". Assim, em portunhol mesmo. Sei lá por que, mas o fato é que isso acontece.
Uma prova disso aconteceu essa semana. E, já me dando conta de que esse acervo de self-pataquadas poderia render pelo menos alguma coisa interessante, resolvi inaugurar esta série à parte deste blog: a seção Una mula, que poderá ser atualizada semanalmente ou diariamente. Embora, claro, eu espere que fique mesmo só neste primeiro capítulo.
--
Tenho minha idéia de tema para o
Era agosto, eu acho. Quatro meses antes da entrega. Para deixar tudo pronto. Imprimi algumas cópias, mostrei uma para o meu professor de introdução a essa bagaça e outra para o Celso,
Aí eu tive a brilhante idéia de mostrar para o Erick, meu chefe, que por muitos anos cobriu tênis na carreira e poderia também me ajudar. Ele me deu muitas, muitas dicas. Apontou fontes interessantes e indicou um nome ou outro por aqui que poderiam ser de vital importância para a realização do projeto.
Fiz as anotações a lápis no papel e guardei tudo bonitinho na minha mochila, para “anotar tudo no arquivo do Word” quando eu chegasse em casa. E aí o tempo passou, o tempo passou, o tempo passou... o tempo passou mesmo, e eu sempre deixava essa atualização para amanhã. Chegou dezembro, dia da entrega do projeto, e eu lembrei que precisava dar um update no arquivo.
Tirei todos os papéis dobrados no bolso em questão da mochila. Encontrei muita coisa: apostilas
Agora eu não lembro mais os nomes das fontes quentes que meu chefe indicou. Não sei mais quem é o cara que pode
Vou aproveitar essa semana e voltar para o meu chefe: “Então, Erick, a besta aqui perdeu aquele papel cheio de anotações pro trabalho, você poderia me passar de novo, por favor?”. Mas, por enquanto, fico com a voz de censura aqui dentro da minha cabeça, que me lembra: “Usted é una mula, Felipe Held”.
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