quarta-feira, 11 de outubro de 2006

A vida pneumotoraxiana

A data não é muito importante. Mas, se despertar interesse, foi logo após a eliminação do Brasil para a França na Copa do Mundo. O que realmente importa é onde tudo aconteceu: a estação Jabaquara do Metrô. Até hoje, quando passo por lá, espero que algo semelhante (ou igual) aconteça. Talvez não seja muito difícil, já que, por ser terminal também rodoviário (da EMTU, CMTC e dos que vão para o litoral sul), o Jabaquara reúne uma série de pessoas diferentes. Só que nunca aconteceu de novo, por mais que eu tente.

Na estação, parei em frente à banca de jornal para ver as manchetes do dia. As manchetes esportivas, claro. Apalpei os bolsos em busca de algumas moedas ou algo que valesse R$ 1,25. Nada. Então virei as costas, fui em direção ao embarque, mas um velhinho (daqueles que parecem passar a manhã de domingo no bar jogando dominó) barrigudinho, com uma roupa de velhinho - calça cinza escuro, malha (porque velhinhos falam ‘malha’) vinho e um boné do Palmeiras dirigiu-se a mim com uma cara atônita e uma pergunta meio idiota.

Se ele fosse outra pessoa, quase certeza de que eu não daria importância; simplesmente ajeitaria o fone de ouvidos e passaria reto. Mas a dúvida do velhinho realmente me tocou:

- Onde eu compro passagem do Metrô?
- Atrás de você, senhor, tem uma fila. Tá vendo onde tem aquele monte de gente parada? Só entrar atrás de algum deles que o senhor vai cair no guichê.
- E depois pra pegar o trem?
- Só virar na primeira esquerda, senhor. Tá vendo onde tem aquela plaquinha de embarque e a setinha pra esquerda? Então, lá já tem as catracas. Aí o senhor pode ir pra qualquer um dos lados, porque todos vão sentido Tucuruvi.
- Tá, mas é aqui que eu compro?
- Isso, onde tem esse monte de gente.
- É que faz tanto tempo que eu não venho aqui, a gente esquece!
- Ah, é normal (e um riso simpático).
- É que faz tanto tempo! Que nem, agora eu tô com 88...
- Nossa, não parece! Juro, o senhor está super bem! (e era verdade)
- É, então... eu quase não saio. Não tenho ninguém pra sair comigo... (Fiquei sem reações, não consegui comentar mais nada) É, não tenho ninguém pra sair comigo. E é ruim sair sozinho, né?
- Ah, com certeza!
- Mas é ali que eu compro, né?
- Ah, eu tô indo embarcar também, a gente vai junto até a fila! (Fomos)
- Pronto, senhor, é só ficar atrás desse cara com a camisa da França. É duro, né, ter que agüentar isso. Não basta o nosso Palmeiras, também ter que agüentar a Seleção...
- Palmeiras? (e deu uma olhada pra aba verde do boné) Ah, nem fala! Agora é só esperar aqui?
- Isso. Ah, por mim o senhor até poderia passar direto. É que sabe como o pessoal tem bom senso, né? O certo seria que o senhor passasse direto!
- Ah, tudo bem. É normal, mesmo. E aí depois é só pegar o trem?
- Isso. Só virar aqui, logo depois do guichê.
- Tá, brigadão, viu?
- Ah, magina, senhor. Bom dia, bom passeio!
- Bom dia! (e dei-lhe um pequenino abraço. Foi um misto de felicidade e tristeza. Porque eu sentia que a gente nunca mais se encontraria. E mais mórbido ainda, que ele logo mais... enfim)
Logo que passei das catracas, achei que deveria ter voltado. Agora é impossível a gente se encontrar de novo, eu sei, só que seria fantástico!

É, eu me senti como se fôssemos avô e neto. E aí ele não teria como falar que não tem com quem sair, porque, todo domingo, nós pegaríamos o metrô no Jabaquara (com mais algumas dezenas de palmeirenses que usam o mesmo transporte coletivo) e iríamos ao jogo. Ficaríamos nas cadeiras, no melhor lugar do estádio. Comendo pipoca, amendoim... como ele fazia comigo quando eu era pequenino e ia todo uniformizado pro estádio...
Como ninguém fez comigo quando eu tinha 6 anos de idade.
Iríamos a uma série de lugares. A todos aonde o metrô nos levasse, já que a estação Jabaquara é só o começo de uma rota interminável pela cidade.

Seria uma vida. Uma vida que não foi. Uma vida inteira que podia ter sido e que não foi.

O trem chega, abre as portas. Eu entro, penso em voltar para a fila da bilheteria. Soa o sinal e as portas se fecham.

A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

A necessidade do esclarecimento

Pra falar a verdade, eu passei o dia em dúvida sobre esse título. Pensei em um Do without, Faça você mesmo ou O Cavaleiro com Solitária vai ao Zoológico. O que eu acabei escolhendo é o mais esnobe possível, mas... mas ah, o princípio tem que ser o começo [aaaah, esses clichês de merda, viu!?].
Pois bem. Como previamente planejado, tirei o dia para ir ao Jardim Zoológico. Como não faço nada da vida, era uma oportunidade de acordar cedo, aproveitar o sol da manhã [caralho, que coisa de velho!], praticar caminhadas, estar no meio da natureza [dentro do possível] e brincar de nostalgia. Sim, porque lá era o melhor passeio que eu fazia aos oito anos de idade. Em 96, lembro de ter ido lá umas sete ou nove vezes, não lembro direito. Era demais. Eu sabia tudo de lá, não me perdia, traçava os caminhos e rezava pra não chover no dia do passeio. Às vezes chovia, mas mesmo assim. Era tudo mágico, desde a hora da entrada até a hora de fazer o caminho de volta. O caminho de volta era chato, eu sentia todo o cansaço e toda a vontade de voltar.
Eu sempre ia com a minha mãe ou com o meu pai. Nunca com os dois juntos. Essa coisa de que família que não é pra dar certo, não vai nem ao zoológico junta. E pensar que a diáspora se daria só 2 anos depois. Enfim, ou era com a minha mãe ou com o meu pai. Com a minha mãe sempre foi mais legal, porque ela falava mais e demonstrava mais quando se divertia vendo os bichos. Meu pai, bom... meu pai nunca fala nada. Mas era legal ir com ele, porque eram mais vezes. E porque ele nunca se importava em fazer as coisas. Quer dizer, pelo menos não falava.
Mas o fato é que hoje eu fui sozinho. Pela primeira vez, só eu, minha mochila e um livro. Peguei o ônibus que deixava lá dentro e entrei. Só que a droga do ônibus deixava na entrada errada, tipo, não na principal. Isso quase acabou com o meu dia. Por mais frescura que possa parecer, se é um passeio nostálgico, tem que ser igual a antes. Uma mudança, por menor que seja, ferra tudo. Então eu fui tentando me lembrar do caminho pra entrada principal. Passava em frente às jaulas sem olhar pra nada, pra não perder a graça depois. Fui ao começo e só então comecei a aproveitar.
E tudo era mágico. Muito. Parar na frente da mureta vendo o pelicano cor-de-rosa, os macacos e tudo mais. E o quati se equilibrando em cima de uma pedra pra poder beber água sem cair no lago. Era tudo demais. Só que nada é como era no passado. As placas informativas mudaram. Essa coisa da globalização. Antes, tinha mapinha pra mostrar o habitat, quanto tempo ele vive e tudo mais. Hoje, tem só o nome, nome científico, peso e o nome dos países onde o bicho vive. E bem ao lado, um logotipo da Coca-Cola. Pelo menos não é só o Jornalismo que se vendeu...
[era tanta coisa pra escrever. Eu até ensaiei puxar o bloquinho e anotar tudo, tudo, mas... achei que me lembraria. Ah!]
Eu continuei andando. Tentava não dar atenção às milhões de criancinhas que iam ao Zoo pela primeira vez e gritavam no meu ouvido. Eu achei que perderia a paciência com elas, do alto de seus sete anos de idade [a pior idade, fato], gritando para o macaco olhar pra elas. Sei lá, sempre achei bem tosco isso. Nunca fantasiei que o macaco olharia pra mim se eu gritasse macaco. Sei lá, acho que eu imaginava que ele não entenderia o que a gente fala. Ou então que ele deve ter outro nome, e não só macaco. Quando eu tinha sete anos, não fazia isso. Não sei se pela timidez ou por um pequeno esclarecimento. E por mais nostálgico que eu possa ser, não tenho vontade de fazer isso.
Continuei andando e fui dar nos hipopótamos. Como era de manhã e o sol não tava tão quente, eles tavam fora da água, bem perto do murinho. Eu fiquei vendo os dois, fiquei imaginando e tudo mais. Pensei em como seria ter um hipopótamo em casa. Seria engraçado. Fiquei uns cinco minutos por lá, vendo os cavalos do rio e pensando na vida. Fiquei lá até chegar mais um grupo de escola, com moleques pentelhos gritando agudo e alto. Andei mais um pouco, fui ver a ema que era engraçada, parecia ter um cabelo esquisito. Eu deixei escapar um sorriso quando vi as penas que pareciam peruca.
Continuei explorando as alamedas do Jardim Zoológico e acabei parando no acesso ao espaço do leão e dos tigres. O chato é que não dava pra ficar sozinho por lá, sempre tinha alguma menina chata de uns 12 anos de alguma escola pública que ficava falando imbecilidades pras amigas. Ou gritando, o que me deixava mais puto. Eu até tava com o MP3 na mochila, mas ouvir seria sem graça. Quer dizer, qual a graça de ir ao zoo e ficar ouvindo música? É legal ouvir os macacos gritando e as aves piando. Foi o que eu fiz.
Como sempre, nada é como antes. Quando eu era pequeno, parecia que eu ficava a uma distância incivelmente grande dos tigres. Nem era tanto assim. E o espaço deles também nem é tão grande. Acho que era porque eu era pequeno e achava tudo muito grande. Enfim. Parei pra ver o tigre. Como só tinha um garoto tirando fotos [com uma Nikon profissional, vale lembrar] bem feitas do felino, fiquei lendo as informações sobre o bicho. Ele nasceu em 2003, na França. Essas coisas. Aí chegou a trupe das garotas de 12 anos. Devia ser excursão das escolas públicas, eu deduzi. De todas as mais burras da cidade. Ainda mais porque uma das garotas virou pra outra: "Olha, o bicho parou, ele tá olhando a árvore. Deve tá viajando, ó!". Fiquei tão puto que saí de lá. Ou isso ou eu falava "Tigre não flana, porra!". Saí.
Continuei observando as imbecilidades de todo mundo por lá. Eram poucos os que não cometiam gafes crassas. Pouquíssimos. Sabe, deveria ter uma jaula nova lá: Seru Mano. E deixar lá três ou quatro jãos. Talvez as pessoas entendam um pouco mais as coisas.
Andando mais um pouco e pensando um tanto mais, entendi porque clichês são lugares-comuns. Talvez isso tenha vindo do zoológico. Porque os bichos mais clichês - leão, girafa, elefante, etc. - são os mais visitados, sempre empesteados de pestes. As pessoas vão para o mesmo lugar. Acho que é isso. Não deve ser, e essa deve ter sido a explicação mais imbecil que alguém já deu.
Claro, ainda tive que ouvir uma série de pataquadas. Tinha a galera do bigodinho de office-boy, que andava toda cheia de gingado, jows e tudo mais. E mais pataquadas. Foi duro quando eu ouvi, sei lá, talvez a mais engraçada do dia. A professora de uma das escolas tava toda metida de guia turística ou bióloga do lugar. Até que a fila passou em frente ao viveiro de um pássaro esquisito, preto, com um bico enorme e tudo mais. Alguém pergutou: "Professora, esse é o tucano?". Cheia de si, a mestra inspirou o ar e se inspirou pra responder. "Claro que não", ela disse, "esse não é o tucano. Essa é outra ave, que é da África [meio óbvio, porque aquele era o Bosque das Aves Africanas]. Mas tem um nome diferente, não é o tucano. O nome é em inglês, eu vou ler pra vocês". E foi até a plaquinha informativa. Começou a ler: "O nome dele é inglês, ó: É calau-de-cara-prateada". O rosto dela ruborizou, mas só eu percebi a gafe.
A galera não maneirava nas imbecilidades. Na sala preta, fechada e abafada, com uma série de aquários com um monte de animais ectotérmicos. Eu entrei e comecei a ver os animais. Mas tive uma vontade de sair quando passou uma imbecil que só olhava o terrário, achava o bicho e seguia o caminho. Falava, também orgulhosa do conhecimento obtido sabe-se lá como, ao mesmo tempo que apontava para os animais: esse tem duas cabeças. Esse, esse e esse também. Quase todos aqui têm duas duas cabeças. Idiota. Na hora, deveria ter colocado o fone nos ouvidos. Pra falar a verdade, até saquei o MP3. Mas desisti quando eu vi a música que iria tocar logo mais. Seria bater no bom senso, eu teria vontade de fazer a aspirante a bióloga ouvir.
Tem uma que é tensa
Tem uma que pensa
Tem uma que é louca
Uma é careta
Tem uma que puxa
Tem uma que empurra
Tem uma que é grande
Tem uma que é burra
Uma enche o saco e a outra esvazia
[Ah, essa droga de banda sempre nos momentos mais inusitados. Mas isso é um ultraje!]
Tinha mais uma série de críticas pra pôr aqui, mas já esqueci. Droga. A única coisa que eu não esqueci foi que uma hora, o leopardo tava do outro lado da jaula. Para ver, eu tinha que subir na muretinha como todas as crianças. Não via problema nisso, tal, mas... sei lá. Fui subir quando todo o grupo que enchia o saco do bicho foi embora. Quando eu me apoiei pra subir, um molequinho de uns seis anos tentava subir, mas tinha vergonha de fazê-lo sozinho. Quando me viu colocando os pés no muro, subiu junto. Olhou pra mim e disse, todo orgulhoso: "E aí, tio, tudo bom? Agora dá pra gente ver, né?"
Eu só tenho 18 anos, não me acostumei com essa idéia de ser chamado de tio. Tá certo que, sei lá, a droga da barba hirsuta faz com que eu tenha cara de acabado, mas... mas sei lá, eu achei engraçado essa do molequinho. Bastante.
Outras coisas fizeram o dia valer. Sei lá, ver o olhar de algumas criancinhas quando viam os animais. As crianças ainda inocentes, com menos de quatro anos e tudo mais. As criancinhas que não tentavam se passar por nada pra ninguém. As criancinhas que são criancinhas, afinal, são o melhor tipo de pessoa. Criancinhas inocentes e velhinhos cansados. Era legal porque, com os olhares vidrados, elas não conseguiam falar nada, não conseguiam expressar toda a felicidade que tinham. Melhor do que os outros, que tentavam mostrar pros outros amiguinhos a surpresa: "nossa, meu, caraaaaaalho". Ah, vai se foder! Eu não gosto dessa coisa de ter que evitar palavrão e tudo mais, e nem impedir as pessoas de falar isso nas situações adequadas para tal, mas... mas porra, crianças falando isso, assim, só por falar, é bem idiota. Não consigo e nem sei explicar, mas a real é essa. Quer dizer, palavrões são necessários e fundamentais, mas... mas tem limites, porra!
Quanto mais eu andava, mais eu me chateava com a maioria das pessoas. Até a hora de ir embora. Daí o título do post. Não que todo mundo deve ser metido a cultzinho e tudo mais, mas... porra, será que as pessoas podem ser menos ignorantes? Era cada besteira que eu ouvia, era cada coisa que me deixava puto de verdade! Aí eu comecei a pré-conceituar o que eu via. Tava imaginando o futuro de toda aquela gente. Quer dizer... alguns vão virar motoboys, outros vão virar qualquer outra coisa que não exige muito conhecimento teórico e tal. Alguns vão virar rappers, e outros vão ouvir rap e achar que são esclarecidos. Alguns vão entrar na faculdade, outros vão parar de estudar na oitava série. Alguns vão comprar um livro do Paulo Coelho, ler e achar que são os mais eruditos do mundo, e outros vão ler Machado de Assis no primeiro colegial e achar que o cara era um imbecil que não escrevia nada com nada. Alguns vão ouvir falar alguém falando alguma coisa sobre García Márquez e vão esquecer no dia seguinte, e outros vão comprar o jornal na banca e ler a parte de esportes. Alguns vão ler um livro por ano e acharão que é o suficiente, e outros vão ler meus textos em algum jornal de esportes e acharão que o repórter é um idiota que não sabe de nada.
Em tese, o problema não tem a ver com as eleições. Quem quer que seja o próximo a entrar naquele circo, não vai mudar o que acontece. O problema é que as pessoas são ignorantes, alienadas e todos os adjetivos possíveis. O problema é o Brasil, de ignorância gigante pela própria natureza. De novo, não que todo mundo deva ser esclarecido, ler Balzác, García Márquez, Kafka, Nietzsche ou o raio que o parta, mas... porra, bem que poderiam pensar um pouco menos no funk e um bocado mais na vida. Utópico, não?
Ah, sabe de uma coisa? Pára o mundo, vai, eu quero descer. Não quero mais brincar. :(
Concluindo:
1. O passeio foi fenomenal. Ir ao zoológico é sempre bom, mas é uma pena que as coisas não são mais como 10 anos atrás. Pena naquelas, vai de cada um. Pra mim, uma droga.
2. Enquanto estava lá, pensei que, se um dia eu for rico de verdade, vou querer voltar lá e pagar pro parque ser fechado só pra eu ver. Depois mudei de idéia. Não seria interessante, e seria deprimente fazer uma coisa sozinho ao quadrado. Já não basta ir sozinho pra lá, seria pior ainda fazer o passeio mais sozinho ainda.
3. De novo, não vi a droga do lobo-guará. Ele tava dormindo, aquele imbecil. Mas eu entendo o coitado. Quer dizer, não basta viver sozinho, trancafiado em uma jaula, também tem que agüentar diariamente milhares de pessoas apontando, gritando "Ô Lobo-Guará, acorda, vagabundo!" e tudo mais. Eu não sei o que é pior, se o cativeiro ou a platéia. Se eu pudesse escolher, ficaria com a primeira opção.
Post arrogante. Muito.
Não era pra ser assim. Eu tinha uma série de idéias, mas esqueci todas elas.

sábado, 7 de outubro de 2006

Os clichês de sempre. E o clichê às avessas.

Vai parecer apelação, e não deixará de ser. Só que em vão, claro [clichê #1], assim como tudo o que é escrito ultimamente. Se as palavras mudassem o mundo, o dicionário seria a Bíblia Sagrada. Ou coisas assim, se quer saber. A verdade é que não mudam, e são poucas - pouquíssimas - as coisas que o conseguem. O que é, não vem ao caso. Não vem ao caso porque eu nem sei direito o que é, além de isso ser subjetivo ao quadrado.

O que acontece é que, poxa, são sempre as mesmas coisas. Momentos contentes, momentos fabulosos... e, do nada, momentos tempestu-osos [clichê #2]. Nos últimos dois dias [tem ligação sim com o fato de que foram dois dias de imaginações, confirmações imaginárias das imaginações e coisas a mais. Coisas bestas, claro], tudo parecia fenomenal. Sei lá, o ano já estava com cara de final de ano; e isso é tão bom! Porque o final do ano é a melhor fase de tudo. Desde pequeno eu gosto disso, do jeito abafado e de ventos suaves que acontecem nas manhãs de outubro, novembro e dezembro... E acho que eu sempre vou gostar, se quer saber. Pois bem. Tudo tava legal, até a vida pneumotoraxiana se mostrou algo aproveitável nesse mundo e tal. Pelo menos me deu auto-estima, se é que isso é possível.

Além disso, os e-mails mais vantajosos para uma vida profissional. Segunda. Segunda, segunda, segunda. Segunda vai ser o dia da segunda fase. Segunda.

Coisas boas, coisas ruins. Tava pensando em tirar o feriado pra flanar a nostalgia. Sei lá, ir ao zoológico sozinho, ir aonde eu quiser, ver o que eu quiser e por quanto tempo eu quiser. O meu maior trauma de criança era ir lá e não ver o lobo-guará. Aquele filho da puta sempre dormia. Agora eu vou, e não saio de lá enquanto aquele arrombado não der as caras. Dito. Só que eu não sei quando vou; não sei nem SE vou. Ah, essa vida corrida... !


E aí, não demora muito, uma porrada de besteiras que enchem o saco mesmo. Sexta-feira chuvosa, que não deixa o futebol e a cerveja acontecerem. Sexta-feira à noite, quando as pessoas ficam nas cadeiras das plataformas dos metrôs com seus pares românticos. Todos tinham seu par, até o japonês panaca que sofria bullying na escola. Todos. Eu tinha meu livro. Bela companhia, porque me trás cultura, melhora minha escrita, aguça minha imaginação... pff! [clichê #3]

Não só isso. Há coisas em todo esse meio, se quer saber. Talvez porque o segredo está em observar tudo, tudo o que acontece à volta. Tudo. E isso faz com que tudo fique previsível, até o modo de falar. Eu tenho certeza, bem como tenho a certeza de que não me enganei. 'Em relação a isso, acho que nunca me enganei. Só uma vez, quando achei estar enganado' [clichê #4]. Pff. Pff!

Mas tudo tem um lado bom, né? [clichê #5]. Assim como dizem praqueles viciados inveterados, que passam o dia em frente ao caça-níqueis e não ganha um puto sequer. "Azar no jogo, sorte no amor", né? [clichê #6]

Quanto a isso, nenhum problema.

Quer saber, vou começar a fazer uma fezinha no carteado. Porque só sai manilha na minha mão. Até no escuro, o coração e a arvorezinha caem aqui. Sorte no jogo. Muita sorte no jogo. Muita, muita, muita sorte no jogo. O certo é apostar algumas pratas nisso tudo. Pra eu ganhar a vida nisso sem precisar trabalhar. Aí eu aprendo a beber, deixo o cabelo crescer, aprendo a fumar e deixo a barba desgrenhar. Escrevo, jogo, ganho, sobrevivo. Sorte no jogo! [às avessas]

God, you've got a strange sense of humor!
[clichê #7, pra terminar com estilo. Estiiiilo!]

terça-feira, 3 de outubro de 2006

O negrito resume

- É o fim da história? - perguntei
- É isso aí - disse Max. - Orgulho, estupidez, seja lá o que for.

- Você é um bom escritor, Max, mas não é um sedutor.
- Você acha que um bom sedutor teria dado um jeito?

- Claro. Sabe, cada jogada dela deve ser respondida com a resposta certa. Cada resposta certa leva o papo numa outra direção, até que o sedutor tem a mulher acuada num canto, ou, mais adequadamente, estendida.
- Como posso entender?

- Não tem aprendizado. É um instinto. Você tem de saber o que a mulher está dizendo de fato quando diz outra coisa. Não se pode ensinar.
- Que foi que ela disse mesmo?

- Queria você, mas você não soube como chegar a ela. Não soube construir uma ponte. Fracassou, Max.
- Mas ela leu todos os meus livros. Achava que eu sabia alguma coisa.

- Agora ela sabe alguma coisa.
- O quê?

- Que você é um asno burro, Max.
- Sou?

- Todos os escritores são. É por isso que escrevem.
- Que negócio é esse de "é por isso que escrevem"?

- Quero dizer que eles escrevem essas coisas porque não entendem.
- Eu escrevo muitas coisas - disse Max, triste.

- Me lembro de que, quando era menino, li um livro de Hemingway. Um cara vivia indo pra cama com uma mulher e nõa conseguia, porque amava a mulher e ela o amava. Deus do céu, eu pensei, que livro sensacional. Todos esses séculos, e ninguém escreveu sobre esse aspecto da coisa. Achava que o cara era simplesmente um burro feliz demais pra conseguir. Mais adiante, li no livro que ele tinha perdido os órgãos genitais na guerra. Que decepção.
- Você acha que essa garota vai voltar? - me perguntou Max. - Você devia ter visto aquele corpo, aquele rosto, aqueles olhos.

- Não vai voltar - eu disse, me levantando.
- Mas que faço eu? - perguntou Max.

- Simplesmente continue escrevendo seus pobres poemas, contos e romances...

Numa fria - pp. 163 - 164

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Nariz de palhaço

Desde que me dou por gente, odeio sair de casa aos domingos. Domingo é dia de ficar em casa, fazer o balanço da semana toda que passou e traçar alguns planos para a semana que se inicia. Não é dia de sair. Sair aos domingos estraga os seis próximos dias, e isso é fato.

Todo mundo pensa assim. Quer dizer, pelo menos eu suponho. Porque são pouquíssimas as que se aventuram por aí em pleno dia do descanso. E num domingo frio e chuvoso, então? Ah, então... então não é pra se sair jamais!

Só que sempre tem quem consiga. E não é difícil, se quer saber.
E o fato é que hoje conseguiram.

Hoje foi dia de festa. Eu peguei o metrô para ir pra festa e aquela droga tava realmente lotada. Eu nunca tinha visto isso às 16 horas de um domingo. Tava tudo lotado mesmo, todo mundo correndo e com pressa de chegar a tempo. Também tinha quem voltasse da festa, com a sensação de estômago satisfeito e tudo mais. Outra assim, só daqui dois anos, eles diziam com seus olhares.

Cheguei à festa [chegar a algum lugar, ensina o MRE. Eu já sabia disso, só achava que ficava muito metido. Em todo caso, aposentemos o 'cheguei na'] sem o convite, tinha esquecido em casa. Mas eu tinha minha licensa para matar em mãos, e ela já valia como prova de que eu sou eu.

Calma, deixa eu voltar atrás e reexplicar. Odeio essas minhas mudanças de assunto.

Voltando...

Só que sempre tem quem consiga. E não é difícil, se quer saber.
E o fato é que hoje conseguiram.
Como? Dê uma festa pra todo mundo e diga a eles que a participação nessa festa pode mudar o rumo do país! Diga que o povo tem poder, que o povo tem a decisão de escolher o seu próprio destino.

Hoje foi dia de festa. A festa da democracia.
Todo mundo saía de casa para votar, para decidir o futuro do Brasil. Doce ilusão.

Hoje eu saí de casa para votar. Votar é importante, eu posso mudar o rumo do país! É por isso que eu decidi tirar meu título de eleitor o quanto antes e já votar. E hoje foi a minha terceira eleição.

Enfim, hoje eu saí de casa para mudar o Brasil. Cheguei lá na creche sem meu título, mas a carteira de motorista tb era válida. Cheguei e não tinha fila nenhuma para votar. Mesmo assim, esperei 10 minutos até ir pra urna. Porque tinha uma tia que não sabia votar, preferia as cédulas e blablablá.

O foda é que até votar me dá nostalgia. Ah, eu preciso procurar um especialista, poxa!

Eu tinha que escolher o deputado federal. Apertei o 5 e o 6. Uma coisa que eu sempre quis fazer, sempre tive a curiosidade de ver a foto do Enéas na urna. Tanto é que hoje eu apertei, vi a fotinho, deixei escapar um sorriso e confirmei. Não votei nele porque ele era engraçado pra mim quando eu era pequeno, mas porque eu quis. E ponto. O fato é que... nostalgia, oras!

De resto, tudo correu bem. Quer dizer, tirando que meus candidatos para presidente, governador e deputado estadual não chegaram nem perto da vaga. Tudo bem, nenhum dos meus candidatos tinha sido primeiro colocado em nenhuma eleição anterior, mesmo. Só o Supla e o Enéas que ganharam.

Depois eu voltei pra casa. E assim meu dia estava pronto para acabar.

Eu decidi mudar meu caminho. Tava lendo, quase terminando meu livro. Então preferi o caminho alternativo, na rua onde os carros não passam e a leitura flui. Aí, quando eu vi, eu tava na frente do nosso canto. Daquela casa. Pensei em sentar lá e terminar o conto. Depois pensei em só passar reto e não me sentar lá jamais.

Sentei. Sentei, li duas palavras. Aí eu vi que o nosso cantinho não é mais tão nosso. Porque, logo ao lado, tinha um montão de lixo. Nosso cantinho vai virar entulho.

Aí eu me levantei e fui embora.
Fui embora e pensei: Legal, um monte de idéias para um post. Não posso esquecer de nada. Nem vou esquecer de nada, não dá pra esquecer!

Esqueci.

domingo, 1 de outubro de 2006

Mil pontos para rirmos que nem loucos! Nós ganhamos!

Buon Giorno, Principessa!
Pff... Buona notte, princepessa!
Finais de semana em vão são uma droga. Só são bons para flanar [essa merda de expressão vai pegar, quer ver? Vai estar presente nos próximos 50 posts] e tal. 'Em time que tá ganhando, não se mexe'. Ok.
Antes, as considerações negativas:
1. Filho da puta! Entra na sua casa, se apresenta com um 'Beleza, brother?', abre a sua geladeira e detona com a sua cerveja! A cerveja que você comprou com o see dinheiro. A porra da Budweiser que eu comprei com o meu dinheiro. Merda. E eu vou falar o quê? Ele é convidado. Porra.
2. Vi seus nicks. É, acho que você se fodeu. E sabe o que eu penso disso tudo? Não penso nada. Porque... oh, o ferreiro se esqueceu de me dar um coração.
- Seeeeem coração?
- Sem coração.
Na verdade, eu tenho coração. Mas vou deixar ele descansar. Acordar tarde todos os dias, essas coisas. Talvez você não mereça.
Enfim...
[odeio esses enfins jogados no texto. Enfim...]
Hoje eu passei de carro na frente daquela casa. Daquela casa onde a gente ficou naquele sábado. A gente nem sabia quem eram os donos da casa, mas nós dois ficamos sentados lá na frente. Conversando e tudo mais. A cor local era tipo a de hoje: tava frio, era uma tarde de sábado, era nessa época do ano, o céu tava nublado...
A gente ficou lá. Eu não lembro do que a gente falava enquanto o tempo passava. A gente nem precisava se falar, nossos gestos significavam muito mais. Foi lá que eu peguei chuva pela primeira vez por uma garota. Pela primeira vez. Lá a gente ficou, lá a gente começou a namorar. Talvez a gente devesse casar lá, naquela casa, um dia. Ou morar lá depois que nos casássemos. Fazer o começo do fim das nossas vidas lá. Se a gente se casasse, a gente deveria morar lá. Se a gente desse certo, o nosso lar tinha que ser aquele.
Mas a gente não deu certo. A gente aproveitou o nosso cantinho por algumas semanas. Semanas boas, se você quer saber... o cantinho não era nosso, quer dizer... não nos pertencia, mas era nosso. Era a nossa cara. Então o cantinho não era de mais ninguém senão nosso.
Até hoje eu passo lá. Uma vez, alguns meses depois de a gente ter terminado, eu até me sentei lá com outra garota, eu queria ver se lá rolava aquela mística nossa, sabe? Não rolou. E a sua praga [foi praga, né?] deu certo. Quer dizer, aquele cantinho talvez seja nosso pra sempre. Mas só nas lembranças boas que eu tenho. E talvez seja só aquele cantinho nas más lembranças que você deve ter de mim.
Sabe, eu não sei se me arrependo. O fato é que eu te devo um pedido de desculpas. A gente deveria ter feito tudo parecer como algo que foi infinito enquanto durou [clichê poético, eu precisava disso]. Só que... só que não, né? No princípio do nosso fim, eu tinha raiva e você tinha arrependimento. Hoje as coisas se inverteram, né?
A gente não se fala desde então. Eu nem lembro quando foi a última vez em que fizemos o nosso cantinho ser nosso. Eu só lembro que as lembranças que eu tenho dele são boas. Muito, muito boas, se quer saber. Não quero voltar atrás, não. Mas talvez a gente deveria ter aproveitado melhor algo que arrendamos.
Não [foi] exatamente Bernadette.
Antes fosse.
Como não foi, estaca zero.
Agora? Bem, agora...
Mille punti per ridere come pazzesco!
Em março eu consegui 5 pontos. Quando eu tirei o Siso. Um dia eu chego lá.
Espero.

sábado, 30 de setembro de 2006

Um ponto final para a dor

Hoje, o moleque faz 14 anos. É por isso que falam que o tempo passa, voa, e, quando a gente vai ver, já tá num asilo e tudo mais. Vê que não viu o tempo passar e se vê com vontade de curtir o que já ficou no passado. Ficou no passado, mas não entrou pra história. E não entrou pra história simplesmente porque você não teve disposição para morrer pela meta.
Ou também não entrou pra história porque você preferiu fazer outras coisas enquanto poderia viver. Fez Inglês, natação e estudou. Tá, cumpriu todas as obrigações que uma criança abastada tem. Só que aí, em vez de se divertir como uma criança abastada, foi um abestalhado [eu juro que eu não queria fazer essa brincadeira de palavras; eu nem gosto muito disso] e quis crescer. Quis ser adulto, desejou deixar de ser criança o mais rápido possível.
Enfim, hoje o moleque não é mais criança. Aos 14 anos, eu tomava meu primeiro porre de meia latinha de Kaiser. Eu tinha uma paixão [muito] platônica, eu já sabia passar roupa e cozinhar. Eu não era mais criança aos 14 anos. Eu via o Brasil ser pentacampeão mundial, eu já tinha barba. Definitivamente, a infância tinha espaço apenas na quadra de futebol.
[isso daqui tá com cara daquelas lições de moral que um pai faz uma vez por mês pro filho dar valor ao que tem, né?]
Pois bem. Eu já tinha falado isso aqui, que o moleque tinha 14 anos e a referência da infância vai só entrar pra história. Vai entrar pra história, sim. Poderia ter virado marco e tal, mas... mas não foi lá muito bem aproveitada.
E aí hoje, voltando pra casa depois do almoço com o meu irmão, com 14 anos, eu parei na padaria. Parei o carro na padaria, o moleque entrou pra comprar pão. E eu fique flanando enquanto ele não era atendido. Vi, na porta da padaria, um velhinho japonês. Ele parecia bem cansado, bem vivido. Não andava mais com aquela facilidade e desenvoltura de 60 anos atrás. Ele tava na frente da banca de jornal, tava lendo as manchetes do dia. Eu nem sei quais são as manchetes do dia. Talvez o acidente do avião [e eu fico aqui pensando: vai ser burro lá na casa do caralho. Bater um avião? Ah, vai tomar no cu! Como consegue? Nem eu tive a proeza de bater o carro ainda! E olha que há uns 8 bilhões de veículos só na cidade de São Paulo. As ruas são estreitas e ninguém respeita ninguém. Como o filho da puta consegue bater um avião no outro? Nem que estivesse bêbado!], as eleições e o dossiê... essas coisas. Pra mim não interessam essas notícias [então tá fazendo Jornalismo por quê, filho da puta?].
Não interessam, não. A primeira capa do meu jornal seria "Pivete tá velho", com manchete principal. As outras chamadas seriam "Idiota vai se foder na prova de Inglês", "Frio vai fazer o final de semana ser um caralho" e "Eleições: vai pegar metrô pra votar, babaca!". Quer dizer, eu ouvi falar que isso tem a ver com a porra do newsmaking. Ou o gatekeeper, fait-diver, a proximidade... alguma coisa assim que eu já não lembro.
A prova disso tá na capa no De Morgen, da Bélgica. A manchete deles é "Uw hoofdredacteurs voor vandaag". Ou seja, a Seus principais editores de hoje. A manchete deles são os próprios jornalistas. Porque a Bélgica nem deve ter notícia, né. Mas a chamada principal é "Voor het eerst praten de ouders van de vermoorde Luna: 'Je hoopt dat er een deadline is, dat er een eind komt aan de pijn'". Oooou seja, Pela primeira vez, os pais de Luna falam sobre o assassinato da filha: "Espere, porque haverá um ponto final que vai representar o fim da dor". Lá, não interessa saber que um brasileiro tosco bateu em outro avião. O que quer dizer que, pra mim, interessa só as manchetes que eu falei.
Caralho, voltando...
Vi, na porta da padaria, um velhinho japonês. Ele parecia bem cansado, bem vivido. Não andava mais com aquela facilidade e desenvoltura de 60 anos atrás. Ele tava na frente da banca de jornal, tava lendo as manchetes do dia. Aí ele parou de ler uma, e uma pomba tava chengando perto dele. Não sei de onde ele tirou a disposição pra dar um chute na pomba. Ele não acertou, mas bem que tentou. E queria ter acertado. Eu não o culpo por isso, quer dizer, todo mundo fala mal ao quadrado das pombas, então é normal que as pessoas não suportem as pombas. Só que... será que 75 anos atrás, ele não corria atrás das pombas para brincar com elas? Será que ele não implorava pro pai dele por um passeio em que eles pudessem alimentar os pombos e tudo mais? Tipo, todo mundo, quando criança, adora alimentar os pombos. Eu adorava. Muito. Muito mesmo. E hoje eu já estou pouco me fodendo pra elas. Será que eu vou chutar as pombas quando eu tiver 80 anos?
É por isso que as pessoas não entram pra história. Simplesmente por isso. Porque mudam de opinião, vontade e paixão assim como mudam de cueca.
Ah, humanidade!
[Let op! Traduções não são literais. Nem fodendo. Vai da intuição do garoto aqui, que tem pouco mais do que algumas semanas de aula de Holandês]
O post acabou rápido, né? É que a minha inspiração também acabou.