domingo, 31 de agosto de 2008

Pêssego da Geórgia

Dois amigos conversavam, em meio a algumas cervejas no bar durante a madrugada. Até que uma mulher vislumbrante passou pela mesa dos dois, que pararam a conversa para admirar o gingado do vestido florido que cobria a musa.

Um deles retomou a conversa.

– Caaara, sentiu esse perfume? – perguntou um deles, com fisionomia de quem não gostou muito do que sentiu.
– Hum, sim. Muito doce, né? Ruim.
– Nah. Bom pra caramba. Uma merda.
– Pode se decidir?
– Não.

Ela passou de novo. Ele, o primeiro, parou de falar justamente pra sentir o perfume dela.

– Putz, esse perfume! – repetiu.
– Cara, é horrível.
– Não, já disse que é bom. E não suporto mais sentir. Vou ao banheiro lavar o rosto, já venho.

O amigo, só pra sacanear, chamou a morenaça para se sentar à mesa. O outro voltou e sentou-se ao lado dela para aspirar a fragrância de que ele tanto gostava.

– Ele disse que conhece o teu perfume, qual que é? – perguntou o amigo para a mulher. Mas o cara não deixou ela responder e se antecipou.
– É Love Spell, né? – ele respondeu quase perguntando.
– Sim, como você sabe?
– Pêssego da Geórgia, flor de cereja, maçã vermelha, tamarindo... ah, e madeira branca e mugget.
– Nossa, é – ela respondeu, com um princípio de sorriso no rosto. Foi uma amiga minha que comprou, usei hoje pela primeira vez. Você gosta?
– Hum, sim. Na verdade não é perfume, é um creme hidratante, não?
– Como você sabe? Você... você não é gay, né? E nem usa o Love Spell, usa? – perguntou a morenaça, rindo um pouco desconfiada.
– Não, não sou gay não. Mas conheço esse creme. Feitiço do amor, haha.

Ela, que já estava bem alta e tinha ido com a cara daquele que conhecia tudo sobre o creme, continuou na mesa. O amigo foi embora, e o iminente casal ficou ali por mais um tempo. Umas duas horas depois, ainda mais bêbada e levantando meio torta, sugeriu:

– Hum... quer ir lá pra casa e passar um pouco do feitiço do amor em mim?
– Eu? Passar... ahn... o Love Spell... em você?
– É, é sim.
– Olha... eh... pode ser outro creme?
– Por quê?
– É que... é que esse creme era o da minha ex, e...

E ela, revoltada, virou as costas e foi embora. E ele... e ele passou a ter ainda mais traumas do tal do Love Spell.

2 comentários:

 Maria Fernanda disse...

Eu processava o fabricante, bah!

Muito bom! Tipo site favorito da Mary de leitura, manja?

Beijos Heldivera.

paula r. disse...

série 'erros fatais': medo de ir a uma festa super importante da menina que é super importante; falar da ex num raro momento de romance perfeito.