sábado, 1 de dezembro de 2007

O início (um ano depois)

Quando o relógio virou de quinta-feira 30 de novembro para sexta-feira 1º de dezembro, estava deitado em minha cama tentando dormir. Mas a carga de pensamentos era tão grande que a única coisa que eu conseguia fazer era me virar de um lado para o outro, de um lado para o outro.

Acabou que só consegui pegar no sono às 3h30. Não deveria ser um belo começo de dia para alguém que colocou um despertador para tocar às 6 horas e um celular para tocar a cada cinco minutos, das 6 às 7 horas. Mas não precisou um segundo alarme: já no primeiro estava completamente acordado.

Sem sono apesar do pouco tempo dormido, tomei banho, fiz a barba, penteei o cabelo. Comi um pouco de cereal com iogurte, coloquei uma camisa social marrom e fui para o metrô. No trem lotado, me encostei na porta e comecei a ler o Jardim do Diabo, do Veríssimo (que aliás não chega nem perto da pior crônica dele). Na Saúde, ainda vi uma amiga exótica (nascida na China, que fazia aula de inglês comigo e tinha um nome engraçado) entrar sonolenta no vagão e dormir em pé. Com dó, preferi não acordar a menina e segui minha viagem até a Avenida Paulista.

Depois de passar um belo tempo no RH preenchendo os documentos de praxe, fui transferido para outra sala, desta vez para tirar foto pro crachá. Após ser pego de surpresa na primeira tentativa pelo fotógrafo da Administração de Pessoal e não gostar da segunda, aceitei, já meio tímido, a terceira tentativa. “Putz, que cara de imbecil”, eu disse. “É, mas eu não sou nenhum Duran”, disse o cara do RH, com um ar meio mal-humorado. “Não, o problema não é o fotógrafo, mas o modelo”, respondi. Ele achou graça e então começamos a conversar. O Fábio, o tal cara do RH com a máquina digital na mão, se mostrou bastante simpático. E me fez agüentar as 1h30 de atraso em que fiquei sendo jogado de um lado pro outro no décimo andar.

Recebi meu crachá e a foto não negava a cara de imbecil. Mas subi para o 12º para enfim começar meu primeiro dia de trabalho. Meu primeiro dia na Gazeta Esportiva.Net, há exatos 365 dias. E, após ser apresentado oficialmente para o Emanuel, o estagiário que dividiria o expediente matutino comigo, comecei a minha jornada.

Depois daquele primeiro dia, passei por mais algumas coisas. Fiz futebol, me apaixonei pelo mundo dos outros esportes, flutuei entre as duas editorias, mudei de horário, voltei ao meu horário habitual... fui um dos principais responsáveis pelas coberturas de Roland Garros, Wimbledon, temporada 2006/07 da NBA e, ultimamente, as Copas do Mundo masculina e feminina de vôlei. Isso sem falar nas provas matinais dos Jogos Pan-americanos.

Nesses 12 meses, me senti uma pessoa importante ao entrar em um carro de reportagem para fazer a minha primeira pauta externa, a fatídica São Silvestrinha com a Carol. Depois, tomei chuva na São Silvestre de verdade com o Mané (postagem de 01/01/2007), tomei sol que nem um camelo em São Caetano do Sul à espera da Ana Paula Oliveira, tomei chá de cadeira para conseguir uma mísera tomada para trabalhar no Ginásio do Ibirapuera no Grand Champions Brasil.

Ao longo dos últimos 365 dias, fiz minha primeira cobertura em um estádio de futebol (e aliás vendo meu primeiro jogo no Morumbi, com São Paulo x Figueirense), entrei no gramado do Pacaembu e ainda vi o Corinthians perder para o Sport, fui a um treino do Botafogo em Itu.

Além disso, ainda acompanhei uma etapa dos testes físicos da seleção de esgrima pro Pan, fui a uma coletiva com presidentes das confederações brasileira e suíça de tênis, a treinos da equipe brasileira de softbol... fui a eventos da NBA no Clube Pinheiros e em uma favela, cobri a apresentação e alguns treinos da seleção brasileira masculina de basquete para o Pré-olímpico das Américas, fui a um treino do time feminino de basquete... fui a um evento da Johnnie Walker em Barueri e andei de Mercedes com um bicampeão de Fórmula 1.

No último ano, falei com pessoas com quem jamais imaginei que um dia falaria: dirigentes dos quatro grandes clubes de São Paulo, inúmeros jogadores e técnicos de futebol e de vários esportes... e de vários países. De Ruy Cabeção a Doni, passando por César Castro (saltos ornamentais) e Edmílson Dantas (maior medalhista brasileiro de levantamento de peso em Pan-americanos, alguém que ninguém conhece). Sem esquecer Magic Paula, Paulo Bassul, Nenê Hilário, Anderson Varejão, Tiago Splitter e Leandrinho Barbosa. Mas com destaque também para Samuel Dalembert, Shawn Marion, Jaime Oncins, Fernando Meligeni, Mats Wilander... Mika Hakkinen! Bjorn Borg!

Confesso que troquei muitos momentos de diversão ou de sono em nome do trabalho. Perdi finais de semana. Perdi feriados, viagens... e é claro que reclamei também de muitas coisas. Mas a cada dia de expediente, aprendia o equivalente a dois meses de faculdade. Aprendi inúmeras coisas de outros esportes. Aproveitei.

E o melhor do que isso: nos últimos 12 meses, formei algumas amizades que vão além do 12º andar.

Um comentário:

Mané disse...

Que emocionante! Aniversário, a gente não esquece! Parabéns, Heldinha!

Mas vamos por partes!

- Não fique bravo comigo, mas a idade chega e... Eu não lembro da nossa apresentação! Como eu sou foda mesmo, devo ter tentado ser simpático! :)

- Mas da SS eu me lembro! Dei uma ajuda com o cadeirante quando você foi entrevistar!

- Você não tem que contar alguma coisa desse treino do Bota em Itu? Hehehe...

- Aliás, que diabos de viagem você perdeu por causa do estágio!

- Mas acima de tudo: parabéns por esse ano de companheirismo e de amizade na GE. Precisando de caneta, gravador ou ombro amigo, estaremos sempre aí!