quinta-feira, 7 de junho de 2007

Como perder um Juca e achar engraçado

A Confederação Brasileira de Tênis decidiu, sabe-se lá por que, dar uma entrevista coletiva para anunciar uma parceria de intercâmbio com tenistas da Federação Suíça. Fui escalado para passar algumas horas no Clube Atlético Paulistano e ver o que os presidentes da CBT e da STF tinham para falar.

Não falaram nada muito interessante sobre a parceria, mas acabei usando algumas coisas para o futuro. A entrevista começou por volta das 11h30 e acabou não muito tempo depois. Às 12h30, o presidente do clube convidou toda a galera da coletiva (que, aliás, não era muita gente. Em uma reunião chata pra caramba na Federação Paulista de Futebol, tinha pelo menos três vezes mais gente por lá a troco de um assunto bem mais banal)... voltando. O presidente do clube convidou toda a galera (que não passava de 20 pessoas, sendo no máximo dez jornalistas) para um almoço.

Não sabia muito o que fazer e nem se iria aceitar. Para falar a verdade, não conhecia muita gente por lá e não tinha muita noção do que fazer. Talvez me esgueirar no meio de todo mundo e ir embora, para voltar para a redação e fazer o trabalho. Acabei escolhendo a segunda opção, que era ficar lá e ver no que tudo isso iria dar.

Por osmose, acabei caindo em um grupo de outros colegas (quando criança, eu via os adultos falando isso das pessoas com quem trabalhavam e nunca entendia direito se eles eram realmente amigos. Enfim), que falavam sobre sabe-se lá o quê. Fui convidado a entrar na conversa sobre sabe-se lá o que e, em seguida, estava já me dirigindo para o almoço. Apenas segui os que talvez já conhecessem o clube e tivessem alguma noção de rumo.

Primeiro andar, cheiro de comida, mesas e alguns velhotes engravatados. Era lá, e foi o que a recepcionista confirmou logo depois. Cordialmente, fomos convidados a nos sentar em uma das mesas do Bar Social Especial (ou alguma coisa assim, não lembro o nome) para o almoço. Uma feijuca na faixa.

Tímido como sempre, não sabia direito o que fazer. Apenas segui os que pareciam ser mais experientes e que poderiam me ensinar alguma coisa sobre como se portar. Sentamos à mesa e um garçom perguntou o que queríamos para tomar. O primeiro pediu uma Coca-Cola com gelo e limão; o segundo, uma água. Na minha vez, apenas repeti o que o primeiro falou: uma Coca-Cola (mas eu pedi só com gelo, para não parecer plágio).

O cara que pediu depois de mim foi mais inteligente e perguntou se tinha suco de laranja. O garçom respondeu que sim e eu me arrependi de ter pedido a Coca-Cola. Enfim, a merda já estava feita. E feijoada com Coca não é tão ruim assim, ainda que eu goste mais de suco de laranja do que de refrigerante.

Pois bem, fomos nos servir. Tímido, estagiário e há apenas seis meses na área, deixei para ser o último da fila. Para não dar nenhum vexame e, sei lá, tenho essas paranóias que qualquer pessoa tímida em excesso deve ter. Percebi que ninguém pegava mais do que duas conchas de arroz e outras duas de feijão. Amém. Depois, não prestei mais atenção. Me senti em casa por ter pego apenas duas conchas de arroz e outras duas de feijão que não precisava mais dar vexame.

Na mesa, ninguém sabia qual da dupla de garfos e facas usar. Eu também não, e me senti em casa. Tomando a minha Coca-Cola com gelo e comendo a feijuca do Paulistano durante o horário do expediente. Fantástico.

Após a refeição, conversas sobre nada. O programa de rádio que tem mais audiência, o deadline do Estadão e a agência de fotos do Lance!. Não falei muito, até porque não trabalho em rádio, internet não tem deadline e eu não preciso mexer com fotos. Enfim. Conversas sobre nada, com pessoas cujos nomes eu não sabia (e, aliás, não sei até agora), mas que conversavam abertamente unidas por um ideal: a feijoada do Paulistano.

Depois da feijoada, da Coca-Cola, da sobremesa e de muitos assuntos [inclusive o futuro de um suíço que vem para o Brasil na véspera de um feriado, come uma feijoada e toma incontáveis caipirinhas (ver foto do gringo abaixo)], a dispersão. A volta para a redação, para o trabalho, para a rotina de sempre, mas diferente na medida do possível.

À esquerda, o gringo, com cara de gringo e sorriso de gringo. Vale o destaque: a foto foi tirada antes da feijoada e, conseqüentemente, das caipirinhas que ele talvez tenha tomado.

Voltei para a redação por volta das 15 horas. Quando saí, pouco antes das 19, e vi o Escadão cheio de malas e sacos de dormir, tive vontade de me mandar também para Registro, pra mais uma edição dos Jovens Unidos Contra o Álcool.

Lembrei do que aconteceu no feriado de Corpus Christi de 2006. Lembro que fiz a mala correndo, vendo o jogo entre Alemanha x Polônia, da segunda rodada do grupo A da Copa do Mundo. Se não me engano, o gol tinha sido do Neuville, no finalzinho do segundo tempo, e...

Enfim, não importa. Lembro que fiz a mala correndo, coloquei de última hora um travesseiro na mochila e peguei uma mantinha apenas para não ficar com peso na consciência. Fiz um trabalho nojento de Teoria da Comunicação e me mandei para o bar, para tomar alguma coisa antes de embarcar para Registro. Lá, enfim...

Neste ano não. Fui escalado para trabalhar no feriado e, conseqüentemente, perder os Jogos Universitários Contra o Álcool. Pois bem, paciência. Perdi litros e litros de cerveja, mas... sei lá.

No fundo, é legal não fazer nada em uma quarta-feira em que o mundo trabalha.

Um comentário:

Tomiate disse...

Perdeu o único JUCA na história da humanidade em que o Mackenzie não foi campeão.