segunda-feira, 19 de junho de 2006

Jovens Unidos Contra a Aids - JUCA 2006

Não chegou a ser aqueeeeeela cagada que eu estava esperando, mas se eu tinha em mente que uma viagem bem sucedida seria aquela em que eu me desse bem, foi uma merda. Mas se uma viagem boa é aquela em que eu me sinto bem com algumas coisas novas, bom... Então foi além das expectativas. Indo mais além, acabei fazendo novas descobertas, vendo algumas coisas mais à frente do que eu pensava. E (acredite!) até me entender um pouco; isso já é um enorme começo. Claro, claro que rolaram algumas decepções, sim, mas não é nada de mais. Nada de novo. O importante é que o Brasil se classificou para as oitavas-de-final da Copa.

A peleja se resume no seguinte: a minha imaginação é foda. Tão foda que é por ela que eu me apaixono. Nada hedonista assim, mas é que sempre acontece de eu me apaixonar não pela pessoa especificamente em si, mas pelas idéias, planos mirabolantes e infalíveis (assim como os do Cebolinha, que nunca não certo) que eu acabo, inconscientemente, traçando quando percebo alguma coisa que me agrade nessa pessoa. E desta vez não foi diferente. Entretanto, consegui fazer essa idéia (de que eu nem tinha idéia) de mim mesmo. É, interessante.

Minhas metas nem eram tão difíceis de serem cumpridas Bom, eu tinha pensado em tanta coisa à minha maneira que nem eram difíceis MESMO. E tudo começou tão bem; tudo se encaminhava tão bem... Ah, e pensar que eu só queria ter uma chance de ver o sol nascer, se pôr ou sei lá o quê, na companhia dela. Nem era difícil, e tudo começou tão bem! Começou com um encontro casual esperado. Poderia até ter começado num abraço, mas ficou só num embrião. Faltou coragem, faltou idéia de intimidade, amizade ou (também) sei lá o quê. Só que continuou (não o abraço; a situação!) com uma conversa interessante... e engraçada, como tem que ser. Porque eu sou o maior palhaço da face da Terra ao contar as minhas histórias por aí; porque a minha vida é engraçada e meu destino, um brincalhão bem original. Prosseguiu.

Eu pensei que nem mais prosseguiria no mesmo dia, dado que os ônibus eram outros. Porque México e Trinindad & Tobago são (clichê bem bonitinho) tão perto, mas tão distantes (e muitos mais porques por aqui. Isso significa que começo a ter respostas pra algumas coisas). Depois de um sono bem quente e aconchegante na estofadinha poltrona, só pensava em pegar minha mala, levar para o quarto e voltar a dormir. Mas não consegui. Por quêêê? Porque as coisas prosseguiram.

Apesar de parecer um burro de carga com tantas coisas pra carregar, ela estava mais atrapalhada do que eu. Mal conseguia se mexer. "Por que não ajudar?", então eu fui. Nunca fiz isso direito, esse lance de ajudar fisicamente com alguma coisa, meu negócio é mais dar apoio psicológico e tal; mas lá estava eu e lá estava ela. "Quer ajuda (imbecil, é claro que ela queria. Pergunta cretina, né?)" Mesmo ela negando umas duas ou três vezes, deixei meus amigos pra ajudá-la a carregar aquela mala. Carreguei. E depois ouvi um agradecimento tão bonitinho, tão sincero e tão tímido que eu preferi ficar jogando Truco a dormir. Parece besteira, mas são essas coisinhas tão insignificantes que dispertam a minha imaginação. Eu não sou [tão] maluco de ficar imaginando as coisas por aí e me apaixonar pela primeira danada que eu vir do outro lado da rua, só que caso algo aguce minha imaginação depois de um tempo... E foi isso que aconteceu. Mais do que nunca, tinha em mente que daria.

Dia seguinte (teoricamente, porque uma noite sem dormir faz com que o ontem ainda seja hoje), alguns outros encontros casuais. Algumas trocas de palavras, uma aqui e uma ali, e nada de muito além. "Ah, era o primeiro dia de viagem, ficar avançando nem é legal". Pois bem. Frenética e engraçada nostalgia na invasão à arquibancada da PUC. Engraçado por causa do Open Bar de Skol, frenético porque éramos a atenção de toda a torcida colorada e nostálgica porque... porque ela estava na torcida de vermelho, ora! Teria assunto com ela, um assunto a mais. Na volta do ginásio, um boteco caindo aos pedaços e algo surreal. Porque nunca ninguém está no interior, no meio do nada, dentro de um botequíssimo boteco, jogando sinuca e um molequinho de 12 anos aparece do nada com uma plaquinha na mão e bradando "Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo! Fora o Capitalismo!". Dia legal, interessantíssimo. Por fim, a parte ruim: a balada. Só eu sei o quanto odeio balada. Ah, odeio muito. Foi uma verdadeira tortura ficar lá da meia-noite às quatro, não via a hora de ir. Até encontrei o pessoal da sala dela, mas não ela. Tudo bem. Só fiquei meio assim por eu estar tranqüilamente bem e ouvir falar dela. E ainda ouvir que ela tinha sumido com aquele que estava a dividir a barraca comigo. Boatos, tudo bem. Mas eu dormi e tive a certeza disso. Só usaria das minhas táticas no dia seguinte para confirmar minhas previsões (aquelas que eu nunca erro, sabe?). Aí eu acordei às 8h, abri os olhos e virei pro lado. Por uma fração de segundos, achei que ela estava lá na barraca e com ele. Só ilusão. Poderia tudo ser também, então não tomai iniciativas precipitadas.

Na sexta-feira, a boa ação do ano. Ou que valeria pelo ano todo. E que ela bem poderia ser recompensada, mas não. Boas ações, umas 5 seguidas. Mas nada. Ver os jogos da Copa nos bares é legal, então foi isso que eu fiz. Na volta, casualmente (como sempre) encontro com ela. Trocamos umas palavras, não mais que cinco. Depois mais duas e eu só queria mesmo parar. "Ontem eu acabei achando o pessoal da sua sala na balada, mas acho que nem te vi. Você foi?" 'Sim, eu fui. E é, a gente nem se encontrou'. "Você estava lá mesmo?" 'Sim, eu estava'. Estava nada, eu é que acertara mais uam vez. Mas sabe como é, né? Não dá pra ter certeza já que a minha imaginação é foda. E como 90% dos meus problemas se resumem com o fantástico "não é você, sou eu", pronto. Nada certo.

À noite, a balada do alojamento. Baladas são uma merda, mas essa foi legal. Legal porque eu fiquei com o tempo, fiz dele meu. Principalmente depois que ouvi a confirmação do que eu já tinha como certo. Tudo bem, já estava esperando. Aí sim é que eu fiquei com o tempo e fiz dele meu. Ah, os psicotrópicos. Os psicotrópicos! E também aquela velha vontade de uma brisa rápida e intensa que eu não tinha desde a formatura. Ah, os cancerígenos. Os cancerígenos! Tudo perfeito, mas eu não entendia uma única (porque pleonasmos enchem o saco) coisa: Por que ela não parava de me olhar? Bom, quer dizer... Se ela tava com o outro, com o meu colega de barraca, por que não paraaava de me olhar? Direto, direto, direto! E isso se intensificou depois da minha auto-flagelação. Por que ela se interessava tanto pela minha auto-flagelação? Não entendi. Não parava de me olhar, não mesmo. Ah, a auto-flagelação! Foi divertida, foi engraçada. O tempo parou. o Garbage se tornou, por 20 segundos, a música mais longa do universo... E até MC Marcinho, o poeta, teve seus 30 segundos de fama. Até que eu olho pro lado e a confirmação foi, mais do que nunca, confirmada. Porque Tomé só acreditava se visse. Porque o Sílvio só acreditaaa... VENDOOO! E eu também. Aí o bode. Aí, completamente bodeado. Aí eu subi pro quarto (tava cedo, o relógio não marcava mais do que três e meia da madrugada) e dormi. Não mais na barraca com o meu companheiro que eu mal conhecia, mas no chão, sobre a minha mantinha. Ele nem tinha culpa de pegar, nem sabia que eu estava na fila. Mas não me sentia mais à vontade de dormir sob o mesmo teto que ele [não é você, sou eu]. E também porque queria deixá-lo à vontade para fazer o que bem entendesse.

Dormi. Sobre o chão duro e sob o ar frio. Muito, muito frio. Pelo menos, coisas engraçadas aconteceram naquela noite. Pelo menos. E eu tive risada garantida pro resto do dia. Mesmo eu acordando e jurando que ela estava lá na barraca com ele. Juraria por tudo, tudo mesmo. Ilusões de quem acaba de acordar. Assim como eu imaginei que ela estava lá no dia anterior e tal. Viaaaaaaagem!

Sábado nem foi legal. Durante o jogo, na arquibancada, ela apareceu. Ficou na minha frente e eu nem me pronunciei, nem quis fazer comentários engraçados e bonitinhos que eu faria normalmente. E pude contemplar que eu estava era apaixonado pelas minhas idéias. Foi aí que eu pude contemplar que... nem era tanto assim, era mais a minha imaginação mais do que produtiva. Ela até se arriscou em puxar um assunto e tal, me deu um apito pra (é óbvio!) apitar. Mas na primeira oportunidade que eu tive, mandei o apito pra casa do caralho. À noite, de novo balada. Puta merda, e eu odeio balada! Nessa ela foi e ele não. Mas nem me interessava mais. Tanto é que fiquei na rodinha com todo mundo e nem me interessava em olhar pra ela. Mas, de novo, não entendi por que ela me olhava. E por que ela não parava de me olhar. Juro, juro que não entendi. Só que como eu odeio a tal da balada, fui embora no primeiro ônibus. E ela também. Então nem tinha como não conversarmos. Tinha passado o dia todo fugindo dela, evitando passar por perto dela e dizer um oi. Não, não me interessava. Tanto não me interessava que a gente só se cumprimentou na hora da balada. Voltamos juntos e conversando. Muito pouco, é verdade, já que o ônibus estava lotado e os únicos lugares disponíveis eram em bancos separados, um em cada extremidade da droga do veículo (só pra não ficar repetindo a mesma coisa como eu sempre faço). Mas não resisti em, ao passar por ela, passar a mão na cabeça dela (e não em sua cabeça porque eu não quero escrever assim). Sei lá porque eu fiz isso. Talvez porque a vida não termina aqui, como dizem. Sei lá, porque pra mim, nem virava mais. "Os lances estão esgotados".

E foi assim que tudo se passou nessa edição. Pelo menos com ela, porque também tinha a vizinha de sala. Talvez eu ainda lembre de mais coisas que rolaram com a primeira, mas vai parecer uma puta dor de cotovelo e o caralho se eu continuar contando e tal. Então vou mudar de assunto e, se eu lembrar, volto a contar porraqui.

É, tinha a outra. E eu trombo com ela logo que botei o pé dentro do quarto pra montar a barraca: ela estava no quarto ao lado. Todos, todos os que estavam comigo falaram mal dela... zuada, essas coisas. Legal, isso é bom. Não deve ser tão difícil, então. E se só eu via coisas boas, quer dizer que nenhum outro tentaria... que nem aconteceu com a primeira. Eu nem botava fé em nada com ela, não mesmo. Tanto é que nem rolou. Alguns encontros nos corredores, nas baladas... e mais nada. Ela até disse que queria se encontrar comigo, queria jogar Truco comigo. Mas ela só fala! Quando uma amiga dela (que eu nem conhecia) veio pedir pra jogar comigo, a outra tava passando mal, tava mais bêbada que sei lá o quê.

O foda é que eu queria sempre trombar com ela. Mesmo que a gente se falasse poucas vezes quando se encontrava, eu queria vê-la. E olha que eu vi bastantes vezes! Até no jogo do Brasil! Eu fui ver em um botecão zuaaaado, lotado de gente. E ela estava lá. Mas nem me viu. Depois na volta pra casa, enquanto todos arrumavam as malas e eu ficava jogando truco e bebendo no corredor. Ela passou umas dez vezes e nada. Só que era legal ficar vendo, ficar esperando... e ver. Quando eu acordava e ia pra frente da sala esperar o resto da trupe acordar... ficava vendo os mil imbecis (imbecis mesmo, puta que pariu!) que saíam do quarto dela... e nada de ela sair pra eu poder, pelo menos uma vez, bincar de "A vida é bela". Nunca vai dar, o negócio é esse. Mas sabe como é a minha imaginação, né!? Só de pensar que seria tão, mas tããão bonitinho acordar todos os dias falando um "Buon Giorno, Principeeessa!" Talvez por isso que eu sinta algo a mais por ela, por causa da minha imaginação. "Porque eu me apaixono por mim mesmo, pela minha imaginação. Puta que pariu, que merda!"

Na saída também. Na janela do ônibus, vejo o dela parado do outro lado da rua, bem do meu lado. Ficava olhando lá pra dentro na espeança (vã) de encontrá-la, fazer rolar alguma troca de olhar. Nada, só os imbecis (que estavam mais e mais imbecis) da sala dela. Ah, uns palhaços. Não sei o porquê, mas eu ficava vendo. Mas, mas, mas, mas, mas, mas, mas... quantos eu já escrevi? Não quero ficar mudando todos os outros por contudos, todavias, emboras e entretantos. Ah, nem quero.

E é assim que se foi o primeiro JUCA: com um texto cheio de Es, Ahs, Mases, Porques e Eu. Ah, tomar no cu! Acabou que eu nem vou mais ter a chance de conhecer a minha cunhada, que eu já adorava, já conhecia e já fazia parte da família.

Acabou que eu nem vou conhecer a minha cunhada, que todos já a conheciam. É, a vida não termina aqui. Pois não sabe a chance que teve para fazê-lo.

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